quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Odin: Ancestralidade



                Deus Escandinavo, senhor dos Deuses, da guerra, da poesia, inteligência e dos mortos. Rei dos Aesir, filho de Bor ou Thor com a Gigante Bestla. Provavelmente historicamente foi um chefe importante do clã dos corvos/gralhas, se tornando primeiramente um Deus das tempestades noturnas, gradualmente foi substituindo Thor no comando dos Aesir. Também é conhecido como Pai de Tudo, no início dos tempos ele colocou o sol e a luz em movimento. Com Hoenir e Lodur ele fez Ask e Embla, o primeiro casal humano. Vive em Vahalla com as Valkyrias e seus dois corvos, Hugin e Munin, que o mantém informado sobre os acontecimentos na terra, possui também um cavalo de oito patas, Sleipnir, uma lança, Gungnir e um anel mágico, Draupnir. Odin é marido de Frigg com quem teve Baldur, Bali, Bragi, Hoder, Thor, Tyr e Vidar.
                Como deus da guerra, era encarregado de enviar suas filhas, as valquírias, para recolher os corpos dos heróis mortos em combate, os einherjar, que se sentam a seu lado no Valhalla de onde preside os banquetes. No fim dos tempos Odin conduzirá os deuses e os homens contra as forças do caos na batalha do fim do mundo, o Ragnarök. Nesta batalha o deus será morto e devorado pelo feroz lobo Fenrir, que será imediatamente morto por Vidar, que, com um pé sobre sua garganta, lhe arrancará a mandíbula.
Seu papel, como o de muitos deuses nórdicos, é complexo; é o deus da sabedoria, da guerra e da morte, embora também, em menor escala, da magia, da poesia, da profecia, da vitória e da caça e também dos andarilhos.
Antes de atingir o grau de divindade possuía uma tropa de guerreiros-sacerdotes. Eram chamados de Camisa de Urso ou Pele de Lobo, tinham treinamento xamânico e usavam cogumelos alucinógenos que visavam alterar o estado de consciência.
Conta a lenda que o poderoso Odin desejou ser o conhecedor dos mistérios mágicos, para tanto, entregou-se a um ritual de sacrifício ficando pendurando na árvore do mundo, Yggdrasil, de cabeça para baixo, ferido por sua própria lança, durante 9 dias e 9 noites, com fome e sede.
Ao término desse período, avistou os caracteres rúnicos no chão e os recolheu.
Não satisfeito, pediu permissão para beber água na "Fonte do Conhecimento" do Gigante Mimir, não hesitando em entregar em pagamento um de seus olhos.
Odin era ajudado por 2 corvos: Hugin (Espírito e Razão), e Munin (Memória e Entendimento) que se posicionavam em seus ombros depois de percorrer o mundo durante o dia na busca de novidades para o Grande Deus.
Havia também 2 lobos que ficavam de guarda a seus pés e que se alimentavam de toda carne, inclusive humana, que era ofertada aos Deuses. A Edda poética, escritas poéticas sobre os Deuses e cultura nórdica coloca sobre Odin:
“Vi-me suspenso naquela árvore batida pelo vento
Ali pendurado por nove longas noites
Por minha própria lâmina ferido
Sangrando para Odin
Eu, numa oferenda a mim mesmo
 Atado a árvore
que homem nenhum conhece
para onde vão suas raízes
Ninguém me deu de comer
Ninguém, me deu de beber
Perscrutei as mais terríveis profundezas
Até vislumbrar as runas
Com um grande grito as ergui
E então, tonto e desfalecido caí
Bem estar eu conquistei
E também sabedoria
Cresci, alegrando-me de meu crescimento
De uma palavra a outra palavra
Fui levado a uma palavra
De um fato a outro fato”
Odin em sua grandiosidade e complexidade nos remete primeiramente ao Grande Pai, patriarca, conselheiro, aquele que foi tocado pela Deusa, sábio e provedor de sua tribo, aquele a qual voltamos para conselhos, para honrar os que vieram antes, com quem aprendemos sobre os erros e acertos do passado. Trabalhar com este Deus permite que o homem honre sua ancestralidade, honre os esforços de seus pais e avós que o trouxeram até aqui, honrar os ancestrais espirituais, os ancestrais desta terra, todos eles merecem respeito e veneração, pois o que é lembrado vive.
No mundo espiritual e em rituais, existem três principais vertentes de ancestrais que podem ser cultuados e trabalhados. Os ancestrais do local em que se está, os ancestrais do nosso sangue e os ancestrais espirituais. São espíritos que fazem parte de nossos caminhos mágicos e muitas vezes a presença e sabedoria deles que deve ser procurada e honrada, por isso a importância de se esclarecer sobre suas características e formas de conexão. O que é mais importante nessa linha de trabalho é sentir a presença dos ancestrais, e mais ainda, o aprendizado que essa conexão pode trazer.
Ancestrais do local
Os espíritos do local em que estamos, como o próprio nome diz, são aqueles pertencentes e guardiões da terra, do espaço físico e espiritual em que você está. Esses espíritos preservaram, viveram, morreram e guardam essa terra e ambiente que está sob seus pés.
Esses espíritos ancestrais, são o fluxo espiritual de vida, que traz a sabedoria, as lendas e orientação, assim como proteção do ambiente em que se está.  Afinal esses espíritos pisaram no solo, as mãos, suor e sangue moldaram a paisagem. E sua companhia e ensinamentos vêem juntamente com as plantas, qualidade da terra e vida do riacho que existe, entre outras coisas.
Quem nunca foi em um local e não se sentiu indesejado, quem nunca viu um local aonde nada floresce, não seria errado afirmar que nesses locais, seus ancestrais e guardiões não querem sua presença e/ou estão estagnados e assim influenciam o ambiente a sua volta.
A saudação aos ancestrais do local pode variar, pode ser um simples agradecimento por permitir nossa permanência no local, ou ainda se oferendas, ou invocar suas presenças para que tenhamos contato com a sua sabedoria e conhecimento. Ao cultuar esses ancestrais, podemos nos restringir ao local em que estamos, ou ainda cultuar os ancestrais de todo o mundo que passaram e viveram nesse planeta.
Os espíritos do meio a nossa volta são os primeiros aos quais nos dirigimos e honramos, pois são os mais próximos a terra em que nos encontramos.
Ancestrais de sangue
O seu sangue, a sua genética, as suas características e muito provavelmente suas influencias de personalidade, foram uma construção sanguínea, passada de geração em geração desde o começo da humanidade até chegar em quem você é hoje. Por isso a importância de honrar essa ancestralidade de sangue e herança.
É interessante pensar que para cultuar essa ancestralidade, não precisamos invocar os espíritos dos mortos pelas gerações passadas para ouvirmos suas vozes, os nossos ancestrais de sangue estão em nosso próprio corpo e alma. Suas historias, falhas, erros, vitórias e sucessos, ou seja, as experiências de vida que tiveram é também o que formou seus ossos, está fluindo pelo seu corpo, faz seus tecidos e forma cada célula de seu corpo, é o nosso DNA, e uma das maiores fontes de sabedoria. E o próprio cuidado com a sua vida, é uma forma de culto a essa energia ancestral. Mas é claro que também podemos ter acesso e chamar os nossos ancestrais diretos dependendo do propósito que você tenha.
Os ancestrais sanguíneos começam diretamente com seus pais, passando para a sua família e se estendendo até a esquecida historia dos povos antigos.
Ancestrais espirituais
Esses ancestrais são aqueles com quem compartilhamos as crenças e perspectivas espirituais e religiosas que seguimos. São aqueles que possuem a sabedoria da linha espiritual que se segue, os que reverenciam os deuses e energias que reverenciamos também. Se os ancestrais sanguíneos nos deram o dom da vida, os ancestrais espirituais nos mostram a beleza de viver alimentando nossa alma com a energia sagrada. São os mestres, guias, entidades e amparadores que fazem parte do conhecimento sagrado de uma vertente espiritual da qual escolhemos ou fazemos parte e nos guiam nesses caminhos e conhecimentos.
O assunto é amplo e deve ser mais pesquisado detalhadamente, pois dependendo da sua tradição e espiritualidade, diferentes tipos de ancestrais espirituais você irá encontrar e conseqüentemente aprender com eles. Mas de fundamental importância, pois o que se vive hoje espiritualmente é uma fonte de sabedoria e conexão já explorada e desenvolvida por muitos ancestrais, e são a esses que honramos.

Ritual com Odin – Ancestrais.

Neste ritual vamos nos conectar com nossos ancestrais, para isso precisamos meditar, refletir e recolher fotos e objetos que pertenceram aos nossos familiares, pegar os seus nomes, pai, mãe, avós e avôs, bisavôs, bisavós, até onde achar necessário. Monte um altar com as fotos, tenha um espaço para oferendas, vela e incensos. Escreva em um papel o sobrenome de seu pai e de sua mãe, em caso de adoção se desejar escreva os sobrenomes de todos envolvidos em seu processo de criação, mãe e pai biológico, mãe e pai adotivo, vivos e falecidos. Tenha uma figura de Odin, oferendas para Ele em separado. Concentre-se e centre-se, estabeleça o espaço sagrado, invoque Odin com suas próprias palavras, sinta a força do Deus preenchendo o local, sinta-o presente. Agora, um por um comece a chamar seus ancestrais pelo nome completo, convide-os a entrar no espaço sagrado, ofereça a bebida e a comida a cada um deles, nomeie seus ancestrais espirituais, os vivos e os que já fizeram a transição, honre os ancestrais do local, os índios, sua cultura.
Pegue o tambor, toque e celebre seus ancestrais, dance e cante. Algumas músicas que podem levar a uma reflexão interessante são:

“O Mar é a origem da vida –
O Mar é a origem da vida, ela vem lá do mar... O mar é a origem da vida, ela volta pro mar”

“Todos nós viemos da Deusa –
Todos nos viemos da Deusa e a Ela voltaremos (2x)
Como uma gota de chuva que corre pro oceano (2x)
Refrão - Casco e chifre, casco e chifre, o que morre renascerá, milho e grão, milho e grão, os que caem germinarão.
Todos nós viemos do Deus Pai, e a Ele voltaremos (2x)
Como uma centelha de fogo subindo aos céus (2x)
Refrão - Casco e chifre, casco e chifre, o que morre renascerá, milho e grão, milho e grão, os que caem germinarão.”

É interessante trabalhar com os ancestrais sempre que puder, uma vez por mês, mantê-los vivos em nossa memória, honrá-los por seus feitos, e perdoá-los por seus mal-feitos. Muitas vezes nossos ancestrais ou os ancestrais desta terra fizeram acordos ou trabalhos em nosso nome e precisamos ajudá-los a diluir estes acordos que os prendem neste plano e muitas vezes nos prendem a dinâmicas que não são saudáveis. Odin é um Deus muito interessante neste aspecto já que preza pelos mortos, pelos oráculos e pela magia.

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