quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Ganesha – Obstáculos.




                Deus Hindu com cabeça de elefante, filho de Parvati o criou do pó misturado com neblina de seu corpo, é senhor da fortuna, sabedoria e literatura. Líder das forças armadas de Shiva é ilustrado como tendo quatro braços e montado num rato. Gordo, engraçado e muito popular, suas duas esposas são Buddhi (representando o intelecto e intuição) e Siddhi (realização e conquista).
                O adorável Deus com rosto de elefante tem intrigado homens ao redor do mundo desde tempos antigos até a presente data. Os textos sagrados dão várias historias acerca do nascimento de Ganesha. A mais popular é a de que Ele foi criado por Parvati como um guardião de sua privacidade:
                Cansada das teimosias de seu marido em respeitar a sua privacidade ao entrar em seus aposentos pessoais, mesmo quando ela tomava banho, Parvati decidiu estabelecer limites claros de uma vez por todas. Antes de ir para o banho, ela esfregou de seu corpo a pasta de sândalo que a envolvia e com ela criou a figura de um garoto. Ela infundiu vida nele e disse que era sua mãe e que ele como filho deveria guardar a entrada enquanto ela se banhava.
                Logo após, Shiva (Senhor da destruição e marido de Parvati) apareceu para ver a esposa, mas o garoto bloqueou a entrada do Deus e não o deixou entrar. Shiva, que não estava ciente de que este menino era seu filho, ficou furioso e em grande ira lutou contra ele, arrancando-lhe a cabeça do corpo. Parvati ao sair do banho viu o corpo decapitado do filho e em seu desespero e dor ameaçou destruir céu e terra, tamanha foi a sua tristeza.
                Shiva acalmou a mulher e instruiu seus seguidores (chamados de Ganas) a ir pegar a cabeça do primeiro ser vivo que encontrassem. A primeira criatura encontrada foi um elefante. Assim sendo os Ganas cortaram-lhe a cabeça e colocaram no corpo do filho de Parvati, insuflando vida nele. Em júbilo a Deusa abraçou seu filho.
                A esta criança foi dado o nome de Ganesha por Shiva. A palavra Ganesha é feita através das palavras Gana (Os seguidores de Shiva) e isha (Senhor), assim Shiva o nomeou como senhor dos Ganas.
                Desde então Ganesha é descrito como um homem com cabeça de elefante, tendo somente uma presa, a outra é aparece quebrada. Um atributo único além da cabeça de elefante é a sua barriga proeminente, que aparece caindo sobre suas calças. Em seu peito, pouco acima do ombro esquerdo está o seu símbolo sagrado, geralmente representado como uma cobra. O rato que carrega sua carruagem é geralmente símbolo do controle sobre os desejos.
                Os atributos físicos de Ganesha por si só já são ricos. Ele normalmente se mostra com uma das mãos em Abhaya, símbolo de proteção e refúgio e na outra segura um doce (modaka) símbolo da doçura de um ser realizado interiormente. Em suas outras duas mãos ele segura um Ankusha (um tipo de machado) e um pasha (tipo de nó). O nó é referencia aos desejos terrenos e conquistas, que são como nós. O Machado é para manter o homem no caminho certo, da verdade. Com esta arma Ganesha pode combater e repelir os obstáculos.
                Sua barriga grande é símbolo da abundância da natureza e que Ganesha também engole os pesares e tristezas do universo e protege o mundo.
                A imagem de Ganesha é complexa, quarto animais (Elefante, homem, rato e cobra) contribuem para montá-la. Todas elas têm um profundo significado tanto por si só quanto coletivamente. A imagem de Ganesha assim representa a constante busca do homem por integração com a natureza.
                A mais forte representação simbólica de Ganesha é sem dúvida a sua cabeça de elefante. Ela é símbolo de bons agouros, força e inteligência. Todas as qualidades do elefante estão contidas no Ganpati. O elefante é o mais forte e maior animal na floresta. Ainda assim é gentil e encantador, vegetariano, assim não mata para se alimentar. É muito afetivo e leal com os seus e retribui com gratidão e amor se uma gentileza é feita a ele. Ganesha, mesmo sendo uma divindade poderosa é amoroso e não guarda rancor, é movido pela afeição de seus devotos. Mas ao mesmo tempo o elefante pode destruir uma floresta inteira e é um exercito de um homem só quando provocado. Ganesha é tão poderoso quanto e pode ser imbatível no combate ao mau. Suas orelhas conseguem separar o bom do mau, ouvem tudo e mantém somente o que é bom, é atento a todos os pedidos de seus devotos, sejam eles humildes ou poderosos.
                A tromba de Ganesha é símbolo de sua discriminação (viveka), uma qualidade igualmente importante e necessária para o progresso espiritual. O elefante usa sua tromba para amassar e derrubar grandes árvores, carregar troncos pesados para os rios e para outras tarefas pesadas. A mesma tromba é usada para pegar algumas folhas de grama, quebrar pequenos coquinhos e quebrar nozes para comer o que há dentro. Tanto as maiores quanto as menores tarefas estão ao alcance de sua tromba que é símbolo do intelecto de Ganesha e seu poder de discernir as situações. 
                Um aspecto intrigante de Ganesha é sua presa quebrada, levando a apelativa palavra Ekdanta, onde Ek significa um e Danta significando dente. Uma lenda interessante está por trás disto:
                Quando Parashura, um dos discípulos favoritos de Shiva veio visitá-lo, encontrou Ganesha guardando os quartos do palácio. Como seu pai estava dormindo, Ganesha se opôs a entrada de Parshurama, que tentou forçar sua entrada sem pensar duas vezes o que gerou uma briga. Ganesha a principio tinha a vantagem, opondo Parashurama com sua tromba e o girando, fazendo com que seu oponente ficasse enjoado e sem sentidos, se recuperando, Rama lançou seu machado em Ganesha, que reconhecendo a arma como de seu pai (Foi Shiva que deu a arma para Parashurama) recebeu o golpe com toda humildade em uma de suas presas, que ficou extremamente prejudicada e daí em diante, Ganesha tem uma presa somente.
                Uma versão diferente que explica a razão de sua presa quebrada narra que Ganesha foi pedido para escrever o épico Mahabharata ditado pelo autor, o sábio Vyasa. Percebendo que esta não era nenhuma tarefa normal e de tamanha importância, Ganesha entendeu que nenhuma caneta comum poderia escrever tão extraordinária história. Sendo assim quebrou uma de suas presas para servir de caneta. A lição oferecida aqui é a de que não existe sacrifício grande o bastante na busca por conhecimento.
                Dentre todos os símbolos de Ganesha, certamente o que chama mais atenção é a sílaba AUM. O símbolo OM é sagrado por toda Índia, considerado o mais poderoso e sagrado na religião Hindu. É dito que este som foi gerado quando o mundo veio a ser criado.  OM escrito, quando invertido confere as características perfeitas do Deus com cabeça de elefante! Ganesha é portanto o único Deus associado com o sentido “físico” do som primordial AUM.
                Ganesha é então associado a todos os campos de ação na vida de um homem moderno. É um Deus que abrange seu trabalho, seu lar, seu conhecimento e suas aspirações. Dentre tantas características vale ressaltar que Ele é um Deus acolhedor e muito benevolente, pronto a atender aqueles que a Ele se devotam. Em momentos de dificuldade e necessidade, chame por Ele para que sua inspiração te ajude a vencer os obstáculos, mas lembre-se sempre, o mesmo machado que destrói o que te atrapalha é a ferramenta que vai te moldar a seguir um bom caminho.
                Eu gosto de Ganesha pois ele consegue transformar em espiritual as ações mais mundanas. Nos lembrando a cada trabalho de que a espiritualidade está em todo lugar, e que cada acontecimento é uma oportunidade para realizarmos o trabalho de nosso Deus interior. Ganesha sendo homem nos afirma que a bondade e a gentileza fazem parte da masculinidade, que podemos ser firmes em nossos objetivos sem que com isso endureçamos nossas relações.

Ritual com Ganesha - Ganesha Puja – Acessando a energia divina.

Pujas são rituais tradicionais em muitas religiões hindus, eles são devocionais e se utilizam de músicas, dança, mantras e oferendas para acessar a energia de cada Deus. Para este ritual decidi me inspirar em um Puja para Ganesha. Acredito que rituais que contenham práticas utilizadas a muitos anos nas ritualísticas antigas de cada Deus carregam em si uma força ancestral, por isso muito interessantes de serem reaproveitadas.
Para este puja organize o altar com uma imagem de Ganesha que será usada durante o rito, três vasilhas de água, uma contendo água e outras duas vazias, incensos, flores frescas, vela vermelha, pote com uma preparação de pasta vermelha (você pode utilizar-se de argila e corante vermelho para fazer esta pasta ou pesquisar outros meios de fazê-la, procure informações sobre Tilak). Um Japa-Mala ou colar de contas para as repetições dos Mantras, tambor e maracás e oferenda de comida.
Estabeleça o espaço sagrado, concentre-se e centre-se. Invoque Ganesha através de uma música ou mantra específico para o Deus. Pegue a imagem Dele, e comece a meditar acerca das qualidades deste Deus, sinta como se sua barriga fosse o vácuo dentro de ti, enquanto respira, este espaço se enche de uma névoa escarlate, aos poucos esta energia em seu estomago começa a tomar forma, a forma daquele que tem a cabeça de elefante, Ganesha.
 “Ganesha, o avermelhado, com cabeça de elefante e corpo de homem, que tem como veículo um rato. Com grande barriga, orelhas como cestas de colheita, ele segura uma romã com sua tromba e a lua crescente em sua testa. Em seus quatro braços ele segura a sua presa, um Machado, um nó e faz o gesto de garantir bênçãos.”

 “A presa é para representar serviço.
O Machado é para nos lapidar no caminho.
O nó é para nos lembrar daquilo que nos prende.
Aos seus devotos ele garante muitas bênçãos.
Suas orelhas, separam a verdade do que não é verdade.
Sua presa inteira nos mostra o poder da força e descriminação.
Seu veículo é o rato e é para astúcia e sutileza.”
Medite sobre as qualidades de Ganesha dentro de ti, ele tem a força e a sabedoria de um elefante, a inteligência de um homem, a astúcia de um rato. Ele é senhor dos Ganas, é ele que traz boa sorte e remove os obstáculos. Filho de Shiva e Parvati, adorado entre deuses e homens.
Agora que construiu uma imagem de Ganesha internamente, é hora de pegar a imagem dele e respirar vida nela. Inspire lenta e profundamente, alimentando a imagem interna de Ganesha, ao expirar, exteriorize ela na figura do Deus, faça isso quantas vezes sentir necessário, até que a imagem externa esteja carregada com fluido vital.
Agora é hora de fazer oferendas para imagem de Ganesha.  Durante esta parte do ritual vamos pronunciar a palavra Gam que é o mantra semente de Ganesha e Ganapati, seu epíteto. Assim insuflamos energia a cada oferenda.

Gam, obediência a ti Ganapati (derramando a água da primeira tigela nas outras duas.)
Gam esta água. Gam Gam Gam Hum Hum Om Gam Ganapati Namah
 (Ofereça a primeira tigela para Ganesha) – Gam, está é para Beber.
 (Ofereça a segunda tigela para Ganesha) – Gam, está é para te banhar.
 (Acenda o incense e ofereça a Ganesha) – Gam, este incenso é para as orações.
 (Ofereça a vela para Ganesha) – Gam, está é a chama do sacrifício.
 (Ofereça a comida para Ganesha) – Gam, está comida é para o sustento.
 (Ofereça a flor para Ganesha) – Gam, esta flor é para a experiência.
 (Toque tambor e maraca, faça música para Ganesha) – Gam, isto é musica para os prazeres.
Aceite estas oferendas Oh Sri Mahaganapati, derreme Siddhi, bênçãos, sobre nós
Feito isto, pegue o japa e entoe uma rodada de “Jaya Ganesha” ou “Om Ganapati Namah” meditando e trazendo a energia de Ganesha para sua vida. Medite acerca dos obstáculos que pretende superar e peça ajuda para o Deus.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Odin: Ancestralidade



                Deus Escandinavo, senhor dos Deuses, da guerra, da poesia, inteligência e dos mortos. Rei dos Aesir, filho de Bor ou Thor com a Gigante Bestla. Provavelmente historicamente foi um chefe importante do clã dos corvos/gralhas, se tornando primeiramente um Deus das tempestades noturnas, gradualmente foi substituindo Thor no comando dos Aesir. Também é conhecido como Pai de Tudo, no início dos tempos ele colocou o sol e a luz em movimento. Com Hoenir e Lodur ele fez Ask e Embla, o primeiro casal humano. Vive em Vahalla com as Valkyrias e seus dois corvos, Hugin e Munin, que o mantém informado sobre os acontecimentos na terra, possui também um cavalo de oito patas, Sleipnir, uma lança, Gungnir e um anel mágico, Draupnir. Odin é marido de Frigg com quem teve Baldur, Bali, Bragi, Hoder, Thor, Tyr e Vidar.
                Como deus da guerra, era encarregado de enviar suas filhas, as valquírias, para recolher os corpos dos heróis mortos em combate, os einherjar, que se sentam a seu lado no Valhalla de onde preside os banquetes. No fim dos tempos Odin conduzirá os deuses e os homens contra as forças do caos na batalha do fim do mundo, o Ragnarök. Nesta batalha o deus será morto e devorado pelo feroz lobo Fenrir, que será imediatamente morto por Vidar, que, com um pé sobre sua garganta, lhe arrancará a mandíbula.
Seu papel, como o de muitos deuses nórdicos, é complexo; é o deus da sabedoria, da guerra e da morte, embora também, em menor escala, da magia, da poesia, da profecia, da vitória e da caça e também dos andarilhos.
Antes de atingir o grau de divindade possuía uma tropa de guerreiros-sacerdotes. Eram chamados de Camisa de Urso ou Pele de Lobo, tinham treinamento xamânico e usavam cogumelos alucinógenos que visavam alterar o estado de consciência.
Conta a lenda que o poderoso Odin desejou ser o conhecedor dos mistérios mágicos, para tanto, entregou-se a um ritual de sacrifício ficando pendurando na árvore do mundo, Yggdrasil, de cabeça para baixo, ferido por sua própria lança, durante 9 dias e 9 noites, com fome e sede.
Ao término desse período, avistou os caracteres rúnicos no chão e os recolheu.
Não satisfeito, pediu permissão para beber água na "Fonte do Conhecimento" do Gigante Mimir, não hesitando em entregar em pagamento um de seus olhos.
Odin era ajudado por 2 corvos: Hugin (Espírito e Razão), e Munin (Memória e Entendimento) que se posicionavam em seus ombros depois de percorrer o mundo durante o dia na busca de novidades para o Grande Deus.
Havia também 2 lobos que ficavam de guarda a seus pés e que se alimentavam de toda carne, inclusive humana, que era ofertada aos Deuses. A Edda poética, escritas poéticas sobre os Deuses e cultura nórdica coloca sobre Odin:
“Vi-me suspenso naquela árvore batida pelo vento
Ali pendurado por nove longas noites
Por minha própria lâmina ferido
Sangrando para Odin
Eu, numa oferenda a mim mesmo
 Atado a árvore
que homem nenhum conhece
para onde vão suas raízes
Ninguém me deu de comer
Ninguém, me deu de beber
Perscrutei as mais terríveis profundezas
Até vislumbrar as runas
Com um grande grito as ergui
E então, tonto e desfalecido caí
Bem estar eu conquistei
E também sabedoria
Cresci, alegrando-me de meu crescimento
De uma palavra a outra palavra
Fui levado a uma palavra
De um fato a outro fato”
Odin em sua grandiosidade e complexidade nos remete primeiramente ao Grande Pai, patriarca, conselheiro, aquele que foi tocado pela Deusa, sábio e provedor de sua tribo, aquele a qual voltamos para conselhos, para honrar os que vieram antes, com quem aprendemos sobre os erros e acertos do passado. Trabalhar com este Deus permite que o homem honre sua ancestralidade, honre os esforços de seus pais e avós que o trouxeram até aqui, honrar os ancestrais espirituais, os ancestrais desta terra, todos eles merecem respeito e veneração, pois o que é lembrado vive.
No mundo espiritual e em rituais, existem três principais vertentes de ancestrais que podem ser cultuados e trabalhados. Os ancestrais do local em que se está, os ancestrais do nosso sangue e os ancestrais espirituais. São espíritos que fazem parte de nossos caminhos mágicos e muitas vezes a presença e sabedoria deles que deve ser procurada e honrada, por isso a importância de se esclarecer sobre suas características e formas de conexão. O que é mais importante nessa linha de trabalho é sentir a presença dos ancestrais, e mais ainda, o aprendizado que essa conexão pode trazer.
Ancestrais do local
Os espíritos do local em que estamos, como o próprio nome diz, são aqueles pertencentes e guardiões da terra, do espaço físico e espiritual em que você está. Esses espíritos preservaram, viveram, morreram e guardam essa terra e ambiente que está sob seus pés.
Esses espíritos ancestrais, são o fluxo espiritual de vida, que traz a sabedoria, as lendas e orientação, assim como proteção do ambiente em que se está.  Afinal esses espíritos pisaram no solo, as mãos, suor e sangue moldaram a paisagem. E sua companhia e ensinamentos vêem juntamente com as plantas, qualidade da terra e vida do riacho que existe, entre outras coisas.
Quem nunca foi em um local e não se sentiu indesejado, quem nunca viu um local aonde nada floresce, não seria errado afirmar que nesses locais, seus ancestrais e guardiões não querem sua presença e/ou estão estagnados e assim influenciam o ambiente a sua volta.
A saudação aos ancestrais do local pode variar, pode ser um simples agradecimento por permitir nossa permanência no local, ou ainda se oferendas, ou invocar suas presenças para que tenhamos contato com a sua sabedoria e conhecimento. Ao cultuar esses ancestrais, podemos nos restringir ao local em que estamos, ou ainda cultuar os ancestrais de todo o mundo que passaram e viveram nesse planeta.
Os espíritos do meio a nossa volta são os primeiros aos quais nos dirigimos e honramos, pois são os mais próximos a terra em que nos encontramos.
Ancestrais de sangue
O seu sangue, a sua genética, as suas características e muito provavelmente suas influencias de personalidade, foram uma construção sanguínea, passada de geração em geração desde o começo da humanidade até chegar em quem você é hoje. Por isso a importância de honrar essa ancestralidade de sangue e herança.
É interessante pensar que para cultuar essa ancestralidade, não precisamos invocar os espíritos dos mortos pelas gerações passadas para ouvirmos suas vozes, os nossos ancestrais de sangue estão em nosso próprio corpo e alma. Suas historias, falhas, erros, vitórias e sucessos, ou seja, as experiências de vida que tiveram é também o que formou seus ossos, está fluindo pelo seu corpo, faz seus tecidos e forma cada célula de seu corpo, é o nosso DNA, e uma das maiores fontes de sabedoria. E o próprio cuidado com a sua vida, é uma forma de culto a essa energia ancestral. Mas é claro que também podemos ter acesso e chamar os nossos ancestrais diretos dependendo do propósito que você tenha.
Os ancestrais sanguíneos começam diretamente com seus pais, passando para a sua família e se estendendo até a esquecida historia dos povos antigos.
Ancestrais espirituais
Esses ancestrais são aqueles com quem compartilhamos as crenças e perspectivas espirituais e religiosas que seguimos. São aqueles que possuem a sabedoria da linha espiritual que se segue, os que reverenciam os deuses e energias que reverenciamos também. Se os ancestrais sanguíneos nos deram o dom da vida, os ancestrais espirituais nos mostram a beleza de viver alimentando nossa alma com a energia sagrada. São os mestres, guias, entidades e amparadores que fazem parte do conhecimento sagrado de uma vertente espiritual da qual escolhemos ou fazemos parte e nos guiam nesses caminhos e conhecimentos.
O assunto é amplo e deve ser mais pesquisado detalhadamente, pois dependendo da sua tradição e espiritualidade, diferentes tipos de ancestrais espirituais você irá encontrar e conseqüentemente aprender com eles. Mas de fundamental importância, pois o que se vive hoje espiritualmente é uma fonte de sabedoria e conexão já explorada e desenvolvida por muitos ancestrais, e são a esses que honramos.

Ritual com Odin – Ancestrais.

Neste ritual vamos nos conectar com nossos ancestrais, para isso precisamos meditar, refletir e recolher fotos e objetos que pertenceram aos nossos familiares, pegar os seus nomes, pai, mãe, avós e avôs, bisavôs, bisavós, até onde achar necessário. Monte um altar com as fotos, tenha um espaço para oferendas, vela e incensos. Escreva em um papel o sobrenome de seu pai e de sua mãe, em caso de adoção se desejar escreva os sobrenomes de todos envolvidos em seu processo de criação, mãe e pai biológico, mãe e pai adotivo, vivos e falecidos. Tenha uma figura de Odin, oferendas para Ele em separado. Concentre-se e centre-se, estabeleça o espaço sagrado, invoque Odin com suas próprias palavras, sinta a força do Deus preenchendo o local, sinta-o presente. Agora, um por um comece a chamar seus ancestrais pelo nome completo, convide-os a entrar no espaço sagrado, ofereça a bebida e a comida a cada um deles, nomeie seus ancestrais espirituais, os vivos e os que já fizeram a transição, honre os ancestrais do local, os índios, sua cultura.
Pegue o tambor, toque e celebre seus ancestrais, dance e cante. Algumas músicas que podem levar a uma reflexão interessante são:

“O Mar é a origem da vida –
O Mar é a origem da vida, ela vem lá do mar... O mar é a origem da vida, ela volta pro mar”

“Todos nós viemos da Deusa –
Todos nos viemos da Deusa e a Ela voltaremos (2x)
Como uma gota de chuva que corre pro oceano (2x)
Refrão - Casco e chifre, casco e chifre, o que morre renascerá, milho e grão, milho e grão, os que caem germinarão.
Todos nós viemos do Deus Pai, e a Ele voltaremos (2x)
Como uma centelha de fogo subindo aos céus (2x)
Refrão - Casco e chifre, casco e chifre, o que morre renascerá, milho e grão, milho e grão, os que caem germinarão.”

É interessante trabalhar com os ancestrais sempre que puder, uma vez por mês, mantê-los vivos em nossa memória, honrá-los por seus feitos, e perdoá-los por seus mal-feitos. Muitas vezes nossos ancestrais ou os ancestrais desta terra fizeram acordos ou trabalhos em nosso nome e precisamos ajudá-los a diluir estes acordos que os prendem neste plano e muitas vezes nos prendem a dinâmicas que não são saudáveis. Odin é um Deus muito interessante neste aspecto já que preza pelos mortos, pelos oráculos e pela magia.