segunda-feira, 30 de julho de 2012

O Pentagrama de Bênçãos: Mediando o Sagrado no Mundo




A natureza do ser humano é tripla, assim como é a natureza divina. Somos todos estrelas, como a Grande Deusa Estrela que permeia a tudo e a todos, simplesmente divinos.  Mas esta divindade, este Deus/a interior está em relacionamento com outras partes do nosso ser, somos Unihipili, Uhane e Aumakua, facetas de humanidade e para cada uma delas temos ferramentas para aprimorar e refinar nossos trabalhos e assim “nos tornar cada vez mais divinos em nossa humanidade”, como coloca T. Thorn Coyle.
                Cada um dos Pentáculos está relacionado com um de nossos selves; o Pentagrama deFerro (PF) está ligado ao Unihipili, o Pentagrama de Pérola (PP) ao Uhane, ambos ensinados por Victor Anderson, e para o Aumakua temos o Pentagrama de Bençãos, como nos apresenta Valerie Walker. Como colocado em textos anteriores, os Pentáculos são ferramentas para a transformação e movimentação energética através dos Selves, mas não somente isso, eles são ferramentas de meditação, foco e aprimoramento de cada parte de nosso ser, induzindo inevitavelmente a uma ação pautada na integridade pessoal, expressando o trabalho de nosso Deus Interior.  Ao trabalharmos os nossos medos e bloqueios viscerais com o PF, despertamos a forma mais pura de Mana, desencadeamos a expressão perfeita do Self Jovem que só se torna eficaz com os trabalhos do PP e o envolvimento comunitário, ou seja, focar toda esta energia em um trabalho coletivo, visando não só a saúde pessoal, física, mas a saúde de um todo, os relacionamentos saudáveis. Mas este trabalhos só pode ser completo com o despertar de nossa divindade interior e a expressão do trabalho desta divindade. Mas que trabalho é esse? É o Grande Mistério, já que é um trabalho que somente você pode exercer, uma função planejada somente para você, algo íntimo e pessoal.
                O Pentáculo de Bençãos (PB) aproxima a relação do Unihipili e Uhane com o Aumakua, permitindo que a energia Mana-Loa seja recebida e direcionada de maneira segura, despertando as partes divinas de nosso ser e as convidando para o trabalho. As pontas do PB reivindicam essa divindade inata, despertam a pessoa para as relações divinas e conseqüentemente a constatação de que vivemos em um mundo sagrado e de que somos sagrados. O trabalho com o PB nos coloca como ativos na relação espiritual, existe um compromisso, consciência e relacionamento, é a constatação de que somos mais do que mundanos, de que não estamos sozinhos e que pode existir um relacionamento entre humanos e Deuses. A lógica que se segue é a de que somos filhos de Deuses e assim Deuses por excelência, mas como filhos, temos um longo caminho a percorrer para alcançar o potencial divino inerente e latente em nossa humanidade, assim como um bebê contem em si toda a perfeição da humanidade mas se constrói humano nas relações com outros humanos, do contrário sua natureza animal seria super estimulada e uma lacuna enorme ficaria sem ser preenchida, como pode-se observar no caso das meninas lobo Amala e Kamala.
                A estimular o Aumakua com o PB nos tornamos mais conscientes, responsáveis e atuantes, o verdadeiro trabalho de um Sacerdote é desperto com este pentagrama, que assim como os pentáculos anteriores, serve como um norteador, uma bússola para prática e ação espiritual, nos ajuda a “entrar nos eixos” mais rápido e a encarar nossos complexos, nossos traumas e a acolhe-los como parte de nossa humanidade. Sua energia é Mana-Loa, algo que não pode ser gerado pelo corpo humano (ao contrário de Mana ou Mana-Mana) somente podemos estar abertos a essa energia, recebê-la e direcioná-la da melhor maneira possível, como bênçãos.
                As pontas do Pentáculo são Devoção, Verdade, Presença, Imanência e Gratidão. Cada uma delas trabalha as relações que temos com a espiritualidade e nos incentiva a encará-las, ao trabalho e a prática de cada uma delas, já que somente a prática é que irá ativar cada uma das pontas, cada uma delas media um grau de força espiritual que precisa ser mediado pelo sacerdote através da ação, esta mediação entre mundos é que se torna a chave deste Pentáculo.  

Devoção: Ligada diretamente as pontas do Sexo e Amor, Devoção é o eixo deste pentáculo no qual todas as outras pontas giram. Devoção é o reconhecimento de que existe algo divino e que precisa ser mediado neste plano. O ato devocional é o alimento dos Deuses que precisam ser cultuados, mas isso longe de ser uma relação dependente entre Deuses e Humanos, é o despertar de uma necessidade de voltar-se a cada momento para o alimento que nosso próprio Deus/a Interior precisa, é a oração que nos conecta, é o ritual de entrega a esse Divino. Devoção é um ato de amor aos Deuses, sem segundas intenções, é um ato sexual, é o Hiero Gamos, é um momento de estar completo e conseqüentemente é abrir-se a toda esta energia que a Devoção estimula.

Verdade: Verdade pode ser um conceito social num primeiro olhar, nos voltando para o PP, mas ao refletirmos sobre as pontas que antecedem a Verdade, Orgulho e Lei, podemos ampliar nossos conceitos. Verdade neste Pentáculo reflete a conexão com tudo o que é, foi e será, e simplesmente ser esta verdade, muito maior do que podemos intelectualizar, é estar alinhado com a proposta divina e ser verdadeiro com o seu ser, agir em nome da verdade. Lembrando que somos a voz dos Deuses na Terra e que por isso nossas palavras devem sempre proferir a verdade, isso nos remete a assumir a responsabilidade pelo que dizemos, a pensar antes de falar qualquer coisa e antes de assumir qualquer compromisso, é antes de qualquer coisa, um reconhecimento do seu verdadeiro potencial e com isso agir verdadeiramente.

Presença:  Com o trabalho feito em Verdade, somos levados inevitavelmente aos trabalhos com a ponta da Presença. Estar presente é estar consciente do momento, este momento, aqui e agora, o único que importa, o único espaço em que podemos agir, mudar, crescer e transformar. Estar presente é reconhecer a centelha divina e todo o seu potencial, é estar atento e consciente. Está ligada intimamente com a ponta do Self e Conhecimento nos outros Pentáculos. Um sinônimo da energia desta ponta é Integridade, estar inteiro e conectado.

Imanência:  Ao nos conscientizarmos de nossa divindade e ao estarmos presentes, como um efeito dominó, encaramos tudo como sagrado, tudo ao nosso redor, como Thorn Coyle retrata no livro “Evolutionary Witchcraft” sobre a Deusa Estrela e a imanência: "Imanente, Ela preenche todos os espaços de nosso ser com mistério e beleza: Está na planta que nasce, se espremendo pelas calçadas rachadas, ou no raio de sol que ilumina o céu. Imanência é a voz da brisa nas folhas das árvores, é a queda d'água em uma cachoeira e no encontro do mar com a areia. Imanência é um beijo, um toque, o fôlego. É o seu corpo no encontro de outro corpo no calor da luxúria e celebração. O divino no mundo está também em cada um de nós e estabelece a relação com tudo o que nos rodeia. Na natureza nós vivenciamos o plural, o múltiplo: A natureza é o corpo no qual a diferença flui..."

Gratidão:  Eu gosto muito de dizer que Gratidão é o marca-texto do Universo, eu acredito fielmente que ao agradecer acessamos a energia divina e espiritual que conduz e dá o tom a nossa existência, e mais ainda, reconhecemos que nossos atos são mediados pelo divino e reconhecer esta relação a fortalece. Gratidão é o movimento de entregar-se as experiências, é ater-se aos momentos que engrandecem e transformam, é abrir-se a abundância e prosperidade que o universo tem para oferecer. Gratidão é um sentimento grandioso e curativo e está ligado as pontas de paixão e sabedoria, que nos remete a todo potencial inato de poder interior e relacionamento, ação, que por si só já é transformador. Eu percebo Gratidão ligada com intimamente com a humildade que em sua essência nos desperta a consciência de que não estamos sozinhos e nos coloca em relação, simétrica, com o outro e com o Divino, por isso esta ponta está ligada diretamente a ponta de Devoção.

                Assim fechamos o circuito do Pentáculo de Bençãos, que como os outros Pentáculos pode ser trabalhado circularmente ou ligando uma ponta a outra, a energia que o percorre é ultra-violeta, representando tudo aquilo que transcende a nossa humanidade e nos conecta com o divino. Cada uma destas pontas nos leva a trabalhar aspectos nossos em relação com os Deuses e refletem o âmago das práticas pagãs. O PB vai lapidando a maneira como realizamos nossos rituais, como nos comprometemos com os trabalhos sacerdotais e com o compromisso que assumimos com os Deuses, sendo seus representantes e mediadores. A Prática com o PB abre os canais pelos quais a Mana-Loa flui, nos sensibilizando a esta energia e conferindo maior flexibilidade para o manejo e utilização da mesma. Num âmbito mais espiritual, o PB trabalha para orientar uma prática espiritual saudável, compatível com o nosso dia-a-dia e inserindo em nosso viver princípios espirituais, dando espaço para o trabalho do nosso Deus/a Interior se manifestar em cada ato, em cada ação. 

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