segunda-feira, 30 de julho de 2012

O Pentagrama de Bênçãos: Mediando o Sagrado no Mundo




A natureza do ser humano é tripla, assim como é a natureza divina. Somos todos estrelas, como a Grande Deusa Estrela que permeia a tudo e a todos, simplesmente divinos.  Mas esta divindade, este Deus/a interior está em relacionamento com outras partes do nosso ser, somos Unihipili, Uhane e Aumakua, facetas de humanidade e para cada uma delas temos ferramentas para aprimorar e refinar nossos trabalhos e assim “nos tornar cada vez mais divinos em nossa humanidade”, como coloca T. Thorn Coyle.
                Cada um dos Pentáculos está relacionado com um de nossos selves; o Pentagrama deFerro (PF) está ligado ao Unihipili, o Pentagrama de Pérola (PP) ao Uhane, ambos ensinados por Victor Anderson, e para o Aumakua temos o Pentagrama de Bençãos, como nos apresenta Valerie Walker. Como colocado em textos anteriores, os Pentáculos são ferramentas para a transformação e movimentação energética através dos Selves, mas não somente isso, eles são ferramentas de meditação, foco e aprimoramento de cada parte de nosso ser, induzindo inevitavelmente a uma ação pautada na integridade pessoal, expressando o trabalho de nosso Deus Interior.  Ao trabalharmos os nossos medos e bloqueios viscerais com o PF, despertamos a forma mais pura de Mana, desencadeamos a expressão perfeita do Self Jovem que só se torna eficaz com os trabalhos do PP e o envolvimento comunitário, ou seja, focar toda esta energia em um trabalho coletivo, visando não só a saúde pessoal, física, mas a saúde de um todo, os relacionamentos saudáveis. Mas este trabalhos só pode ser completo com o despertar de nossa divindade interior e a expressão do trabalho desta divindade. Mas que trabalho é esse? É o Grande Mistério, já que é um trabalho que somente você pode exercer, uma função planejada somente para você, algo íntimo e pessoal.
                O Pentáculo de Bençãos (PB) aproxima a relação do Unihipili e Uhane com o Aumakua, permitindo que a energia Mana-Loa seja recebida e direcionada de maneira segura, despertando as partes divinas de nosso ser e as convidando para o trabalho. As pontas do PB reivindicam essa divindade inata, despertam a pessoa para as relações divinas e conseqüentemente a constatação de que vivemos em um mundo sagrado e de que somos sagrados. O trabalho com o PB nos coloca como ativos na relação espiritual, existe um compromisso, consciência e relacionamento, é a constatação de que somos mais do que mundanos, de que não estamos sozinhos e que pode existir um relacionamento entre humanos e Deuses. A lógica que se segue é a de que somos filhos de Deuses e assim Deuses por excelência, mas como filhos, temos um longo caminho a percorrer para alcançar o potencial divino inerente e latente em nossa humanidade, assim como um bebê contem em si toda a perfeição da humanidade mas se constrói humano nas relações com outros humanos, do contrário sua natureza animal seria super estimulada e uma lacuna enorme ficaria sem ser preenchida, como pode-se observar no caso das meninas lobo Amala e Kamala.
                A estimular o Aumakua com o PB nos tornamos mais conscientes, responsáveis e atuantes, o verdadeiro trabalho de um Sacerdote é desperto com este pentagrama, que assim como os pentáculos anteriores, serve como um norteador, uma bússola para prática e ação espiritual, nos ajuda a “entrar nos eixos” mais rápido e a encarar nossos complexos, nossos traumas e a acolhe-los como parte de nossa humanidade. Sua energia é Mana-Loa, algo que não pode ser gerado pelo corpo humano (ao contrário de Mana ou Mana-Mana) somente podemos estar abertos a essa energia, recebê-la e direcioná-la da melhor maneira possível, como bênçãos.
                As pontas do Pentáculo são Devoção, Verdade, Presença, Imanência e Gratidão. Cada uma delas trabalha as relações que temos com a espiritualidade e nos incentiva a encará-las, ao trabalho e a prática de cada uma delas, já que somente a prática é que irá ativar cada uma das pontas, cada uma delas media um grau de força espiritual que precisa ser mediado pelo sacerdote através da ação, esta mediação entre mundos é que se torna a chave deste Pentáculo.  

Devoção: Ligada diretamente as pontas do Sexo e Amor, Devoção é o eixo deste pentáculo no qual todas as outras pontas giram. Devoção é o reconhecimento de que existe algo divino e que precisa ser mediado neste plano. O ato devocional é o alimento dos Deuses que precisam ser cultuados, mas isso longe de ser uma relação dependente entre Deuses e Humanos, é o despertar de uma necessidade de voltar-se a cada momento para o alimento que nosso próprio Deus/a Interior precisa, é a oração que nos conecta, é o ritual de entrega a esse Divino. Devoção é um ato de amor aos Deuses, sem segundas intenções, é um ato sexual, é o Hiero Gamos, é um momento de estar completo e conseqüentemente é abrir-se a toda esta energia que a Devoção estimula.

Verdade: Verdade pode ser um conceito social num primeiro olhar, nos voltando para o PP, mas ao refletirmos sobre as pontas que antecedem a Verdade, Orgulho e Lei, podemos ampliar nossos conceitos. Verdade neste Pentáculo reflete a conexão com tudo o que é, foi e será, e simplesmente ser esta verdade, muito maior do que podemos intelectualizar, é estar alinhado com a proposta divina e ser verdadeiro com o seu ser, agir em nome da verdade. Lembrando que somos a voz dos Deuses na Terra e que por isso nossas palavras devem sempre proferir a verdade, isso nos remete a assumir a responsabilidade pelo que dizemos, a pensar antes de falar qualquer coisa e antes de assumir qualquer compromisso, é antes de qualquer coisa, um reconhecimento do seu verdadeiro potencial e com isso agir verdadeiramente.

Presença:  Com o trabalho feito em Verdade, somos levados inevitavelmente aos trabalhos com a ponta da Presença. Estar presente é estar consciente do momento, este momento, aqui e agora, o único que importa, o único espaço em que podemos agir, mudar, crescer e transformar. Estar presente é reconhecer a centelha divina e todo o seu potencial, é estar atento e consciente. Está ligada intimamente com a ponta do Self e Conhecimento nos outros Pentáculos. Um sinônimo da energia desta ponta é Integridade, estar inteiro e conectado.

Imanência:  Ao nos conscientizarmos de nossa divindade e ao estarmos presentes, como um efeito dominó, encaramos tudo como sagrado, tudo ao nosso redor, como Thorn Coyle retrata no livro “Evolutionary Witchcraft” sobre a Deusa Estrela e a imanência: "Imanente, Ela preenche todos os espaços de nosso ser com mistério e beleza: Está na planta que nasce, se espremendo pelas calçadas rachadas, ou no raio de sol que ilumina o céu. Imanência é a voz da brisa nas folhas das árvores, é a queda d'água em uma cachoeira e no encontro do mar com a areia. Imanência é um beijo, um toque, o fôlego. É o seu corpo no encontro de outro corpo no calor da luxúria e celebração. O divino no mundo está também em cada um de nós e estabelece a relação com tudo o que nos rodeia. Na natureza nós vivenciamos o plural, o múltiplo: A natureza é o corpo no qual a diferença flui..."

Gratidão:  Eu gosto muito de dizer que Gratidão é o marca-texto do Universo, eu acredito fielmente que ao agradecer acessamos a energia divina e espiritual que conduz e dá o tom a nossa existência, e mais ainda, reconhecemos que nossos atos são mediados pelo divino e reconhecer esta relação a fortalece. Gratidão é o movimento de entregar-se as experiências, é ater-se aos momentos que engrandecem e transformam, é abrir-se a abundância e prosperidade que o universo tem para oferecer. Gratidão é um sentimento grandioso e curativo e está ligado as pontas de paixão e sabedoria, que nos remete a todo potencial inato de poder interior e relacionamento, ação, que por si só já é transformador. Eu percebo Gratidão ligada com intimamente com a humildade que em sua essência nos desperta a consciência de que não estamos sozinhos e nos coloca em relação, simétrica, com o outro e com o Divino, por isso esta ponta está ligada diretamente a ponta de Devoção.

                Assim fechamos o circuito do Pentáculo de Bençãos, que como os outros Pentáculos pode ser trabalhado circularmente ou ligando uma ponta a outra, a energia que o percorre é ultra-violeta, representando tudo aquilo que transcende a nossa humanidade e nos conecta com o divino. Cada uma destas pontas nos leva a trabalhar aspectos nossos em relação com os Deuses e refletem o âmago das práticas pagãs. O PB vai lapidando a maneira como realizamos nossos rituais, como nos comprometemos com os trabalhos sacerdotais e com o compromisso que assumimos com os Deuses, sendo seus representantes e mediadores. A Prática com o PB abre os canais pelos quais a Mana-Loa flui, nos sensibilizando a esta energia e conferindo maior flexibilidade para o manejo e utilização da mesma. Num âmbito mais espiritual, o PB trabalha para orientar uma prática espiritual saudável, compatível com o nosso dia-a-dia e inserindo em nosso viver princípios espirituais, dando espaço para o trabalho do nosso Deus/a Interior se manifestar em cada ato, em cada ação. 

terça-feira, 24 de julho de 2012

Oxóssi - Cultivando Foco, Colhendo Coragem.


Oxóssi é o deus caçador, senhor da floresta e de todos os seres que nela habitam, Orixá da fartura e da riqueza. Atualmente, o culto a Oxóssi está praticamente esquecido em África, mas é bastante difundido no Brasil, em cuba e em outras partes da América onde a cultura iorubá prevaleceu. Isso deve-se ao fato de a cidade de Ketu, da qual era rei, ter sido destruída quase por completo em meados do século XVIII, e os seus habitantes, muitos deles consagrados a Oxóssi, terem sido vendidos como escravos no Brasil e nas Antilhas. Esse fato possibilitou o renascimento de Ketu, não como estado, mas como importante nação religiosa do Candomblé. Oxóssi é o rei de Ketu, segundo dizem, a origem da dinastia. A Oxóssi são conferidos os títulos de Alakétu, Rei, Senhor de Ketu, e Oníìlé, o dono da Terra, pois na África cabia ao caçador descobrir o local ideal para instalar uma aldeia, tornando-se assim o primeiro ocupante do lugar, com autoridade sobre os futuros habitantes.
Na história da humanidade, Oxóssi cumpre um papel civilizador importante, pois na condição de caçador representa as formas mais arcaicas de sobrevivência humana, a própria busca incessante do homem por mecanismos que lhe possibilitem sobressair no espaço da natureza e impor a sua marca no mundo desconhecido. A coleta e a caça são formas primitivas de busca de alimento, estes são os domínios de Oxóssi, Orixá que representa aquilo que há de mais antigo na existência humana: a luta pela sobrevivência.
Oxóssi é o Orixá da fartura e da alimentação, aquele que aprende a dominar os perigos da mata e vai em busca da caça para alimentar a tribo. Mais do que isso, este Deus representa o domínio da cultura (entendendo a flecha como utensílio cultural, visto que adquire significados sociais, mágicos, religiosos) sobre a natureza. Astúcia, inteligência e cautela são os atributos de Dele, pois, como revela a sua história, este caçador possui uma única flecha, por tanto, não pode errar a presa, e jamais erra. Oxóssi mantém uma estreita ligação com Ossain, com quem aprendeu o segredo das folhas e os mistérios da floresta.
Oxossi é o Orixá da caça, chamando muitas de Ode Wawá, ou seja, “caçador dos Céus”. É a divindade da fartura, da abundância, da prosperidade. Em seu lado negativo, porém, pode ser também o pai da mingua, da falta de provisão.
Suas principais características são a ligeireza, a astúcia, a sabedoria, o jeito ardiloso para faturar sua caça. É um Orixá de contemplação, amante das artes e das coisas belas.
Como todos os outros Orixás, Oxossi também está no dia a dia dos seres vivos, convivendo intimamente com todos nós. Seu culto envolve a busca de vibrações positivas e proteção para a casa, o circulo, a moradia ou o templo.
No dia a dia, encontramos o deus da caça no almoço, no jantar, enfim, em todas as refeições, pois é ele que provê o alimento. Rege a lavoura, a agricultura, permitindo bom plantio e boa colheita para todos.
Oxossi é a semente, é o vegetal em ponto de colheita. É a fartura, a riqueza, é a carne que o homem consome. Está também ligado às artes. Todo tipo de arte. Ele está presente no ato da pintura de um quarto, na confecção de uma escultura, na composição de uma música, nos passos de uma dança. Encanta-se nas misturas de cores, na escrita de um poema, de um romance, de uma crônica. Oxossi está presente desde o canto dos pássaros, da cigarra, ao canto do homem. É pura arte!
Oxossi também rege o revoar dos pássaros e seu encantamento mais bonito está na evolução das pequenas aves. Oxossi é a vontade de cantar, de escrever, de pintar, de esculpir, de dançar, de plantar, de colher, de caçar, de viver com dinamismo e otimismo.
Curiosamente, Oxossi também é a comodidade, a vontade de vislumbrar, de contemplar. Oxossi é um pouco preguiça, a vontade nada fazer, é o ócio criativo.
A vida com essa força da Natureza, entretanto, não é só suavidade. Em seu lado negativo, Oxossi pode proporcionar a falta de alimentos; o plantio escasso; o apodrecimento de frutas, legumes e verduras; e até mesmo a arte mal acabada, inacabada ou de mau gosto.
Uma lenda conta um pouco sobre a natureza deste Deus: “Filho de Iemanjá e irmão de Ogun e Exu, Oxossi sempre foi muito querido pela família, pelo seu temperamento calmo, compreensivo, amigo e respeitador. Entretanto, era franzino, parado.
Seu irmão mais velho, Ogun, preocupado com a inércia de Oxossi, resolveu ensinar-lhe a arte da caça e os caminhos e trilhas da floresta. E assim foi. Ogun ensinou Oxossi o que havia de melhor na arte de uma caçada e os segredos da mata. Levou-o até o alquimista Ossain, que morava no interior da floresta, para que ele aprendesse a magia e conhecesse os animais de caça e aqueles que não se pode caçar.
O nome de Oxossi era Ibô, o caçador.
Um dia, Oxalá precisou de penas de um papagaio da Costa, para realizar o encantamento de Oxum, mas, praticamente, não se achava o animal. Oxalá então designou Ogun para encontrar as penas. Em vão o valoroso guerreiro e também caçador foi incapaz de achar o que Oxalá lhe pedira. Mas sugeriu:
- Oxalá, estou tão envolvido nas conquistas que já não caço como antes. Porém, sugiro o nome de Ibô, meu irmão, que certamente é o melhor de todos os caçadores, e conseguirá as penas do papagaio da Costa como pretende.
E Ibô foi chamado. Perante o deus da brancura, Oxalá, Ibô se prostou e ouviu, atentamente, as ordens:
-Ibô! Disse-lhe Oxalá, vá e consiga as penas do papagaio da Costa. Você tem exatamente sete dias para voltar...
E Ibô partiu para a floresta, e durante dias procurou por sua caça. Quando lhe restava apenas um dia para esgotar o prazo dado por Oxalá, Ibô avistou os papagaios.
Com uma flecha apenas – mirando com cuidado – atingiu, não apenas um, mas dois papagaios de uma só vez. Orgulhoso e como o sentimento da tarefa cumprida, Ibô partiu para o reino de Oxalá.
Mas seu retorno não foi tão fácil. No meio do caminho, Ibô deparou-se com um grupo de feras, que o atacou de surpresa, deixando-o muito ferido. Só não morreu porque suas habilidades de grande caçador o salvaram.
Bastante ferido, Ibô já não andava, arrastava-se. Na boca da floresta, Ibô avistou os portões de Ifé, reino de Oxalá, e via que eles. Lentamente, se fechavam à medida em que o dia acabava e a noite chegava. Num esforço enorme, Ibô reuniu todas as forças e chegou até os portões. Esticou o braço, segurando firmemente as penas de papagaio da Costa e somente estas conseguiram transpassar os limites de Ifê. Os portões se fecharam. Ibô, caído do lado de fora de cidade, continuava segurando as penas de papagaio, presas no portão da grande morada de Oxalá. Ele cumprira o prazo.
Momentos mais tardes, ajudando pelo irmão Ogun, Ibô foi levado até a presença de Oxalá. Acreditando não ter conseguido, Ibô desculpou-se com o rei:
- Perdoe-me, Senhor! Não consegui chegar à sua presença com sua encomenda
- Ao contrário, jovem caçador! – retrucou Oxalá – Seus esforços e sua coragem são admiráveis. As penas do papagaio da Costa chegaram a Ifé no prazo recomendado, e eu lhe parabenizo por isso. E como é tão bom caçador e de uma bravura tão grande, passará a chamar-se Oxossi, o Senhor da Caça.
Assim sendo, Oxalá ergueu sua mão e dela um facho de luz atingiu Ibô, curando-o de todos os ferimentos e dando a ele trajes azuis turqueza, cor do encantamento do novo Orixá, Oxossi.
O elemento de Oxossi é a terra, e a liberdade de expressão seu ponto mais marcante. Por isso, nosso sentimento de liberdade e alegria estão profundamente ligados a Ele.... O senhor da arte de viver!”

                Este mito de Oxóssi reflete o aspecto masculino do foco e da coragem, que ambos fazem parte da natureza criativa e inspirador do homem e pode ser acessada para ser investida no trabalho, na família e na comunidade, permitindo com a força deste Deus que existe fartura, abundancia e beleza. Muitas são as situações em nossa cultura em que precisamos tomar partido, vestir a camisa, em que precisamos nos investir de coragem e defender nossos direitos, partindo em busca do que nos é precioso. Oxóssi é esta força, é através dele que conseguimos o foco e a força, a coragem necessária para agirmos. Volte-se para Ele sempre que sentir necessidade de lutar pelos seus próprios bens, lutar por sua sobrevivência, ir atrás de seus objetivos, seguro de si e íntegro, pleno e em harmonia com a natureza ao redor.

Práticas com Oxóssi – Desenvolvendo o Foco e a coragem.

Em umbanda e candomblé onde Oxóssi é mais popularmente cultuado, uma das maneiras mais bonitas e eficientes de se honrar e de trabalhar com a energia deste Deus é dançando e cantando ao som de tambores.
Prepare o Altar com cores verdes e azuis, uma vela verde para Oxóssi, incensos de musgo ou plantas silvestres. Tenha consigo um maracá ou tambor, batuque ou atabaque. Estabeleça o espaço sagrado e cante pontos a Oxóssi, um dos muitos e mais interessantes é este:

Atira, atira, eu atirei
No bambá eu vou atirar
O veado no mato é corredor
Oxossi na mata é caçador

Ao som de tambor ou maracá, invoque o Deus. Em seguida faça a dança do arco-e-flecha, meditando sobre o significado mágico desta ferramenta sagrada. Aponte para as quatro direções, pedindo foco, pedindo mira certeira. Por fim, imagine uma flecha de luz, amparada pelo Orixá se formando em seu arco, solte-a e veja que ela acerta o seu objetivo, certeiro, purificando tudo pelo caminho e fazendo prosperar seus planos.
Para conseguir a coragem e mesmo para gerar energia sempre que precisar, faça a dança do Zangão, batendo forte em seu peito esquerdo com a mão direita fechada em punho, respirando de forma curta e forte.
Faça oferendas de feijão torrado, frutas de coco e milho.
Trabalhe com Oxóssi sempre que precisar de orientação com ervas, ao entrar em matas para honrar os espíritos que lá vivem e para pedir proteção.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

O Pentagrama de Pérola: Comunidade, transformação e energia.




Assim como o Pentáculo de Ferro (PF), o Pentáculo de Pérola (PP) é umas das ferramentas essenciais usadas na tradição Feri. Como coloquei quando descrevi o Pentagrama de Ferro, ambos eram ensinados como um só por Victor Anderson. Este é um fato muito importante, já que caracteriza um sendo essencial ao outro. Enquanto o PF representa as qualidades pertinentes de cada um, ou seja, pertencentes ao universo individual, o PP se expande para o conceito de comunidade, despertando conceitos que acontecem inter-relacionalmente, sendo um complemento para o PF, como se fossem polares. Quando unidos no Decagrama, representam a união divina necessária para despertar completamente a consciencia de nossa natureza Divina.
                Enquanto o PF pode ser percebido como cheio de energia, rápido, denso e quente, o PP é geralmente descrito como sendo suave, calmo e freco, como uma brisa em dia de calor, um equilibrio necessário para a energia que o PF despertou que pode nos sobrecarregar. Mas isso são tudo conceitos gerais, constuma-se dizer que existem tantas maneiras de se viver os Pentáculo quanto existem pessoas para vivê-los.
                Se originalmente ambos os Pentáculos foram ensinados juntos, o que os separou e qual o motivo do PF ser trabalhado antes do que o PP? Bem, eu me perguntei e perguntei para minha orientadora, buscando entender as razões disto ter acontecido. Como disse, a Tradição Feri é uma Tradição viva e é como uma árvore, seu tronco é único, mas muito sãos os seus galhos. Em algum momento alguem decidiu refinar os trabalhos com os Pentáculos e os separou, mas ensinar o PF antes do PP faz sentido quando analisamos que o primeiro lida com as relações consigo mesmo e o segundo lida suas relações com os outros. É necessário ter essa base antes de adentrar nos conceitos relacionais (se o relacionamento consigo mesmo já é complicado, imagina com outro ser!). O Pentagrama de Pérola vem para ampliar nossos conceitos e trabalhos em comunidade. No final das contas, algo que me é sempre repetido é que o PF e o PP são os mesmos Pentáculos, mas vistos de ângulos diferentes. É como se o PP fosse o PF vibrando em outra frequencia. É um paradoxo legal para meditação.
                Quando o foco é o trabalho interno com nosso self, o PF é a melhor ferramenta, suas cinco pontas representando qualidades e urgências que com frequência precisam ser curadas, repensadas e exercitadas para que possamos despertar nosso poder interior. O PF vem para realinhar o nosso ser para que possamos agir na comunidade de maneira íntegra e eficaz, reconhecendo a nossa verdade de maneira profunda.
                Quando bem alinhados com o Pentagrama de Ferro surge o Pentagrama de Pérola, a lógica é a de que quando estamos bem alinhados, centrados e curados, estamos prontos para agir no mundo, começando pela nossa comunidade. A energia densa, cheia de poder e calor se torna mais refinada e as pontas se transformam em conceitos que regem os relacionamentos, com outros seres humanos, com outros seres vivos e com tudo o que existe ao redor. A natureza do PP é a de nos dar uma visão mais panorâmica de comos tudo flui no universo para que possamos nos encaixar e nos encontrar nesta dinâmica, agindo a favor da corrente e não contra, para a construçao de um espaço melhor, de um mundo melhor.
                O PP trabalha a nivel de Uhane, ou seja, nosso self humano, discursivo, noss self relacional, racional e inteligente. Seus conceitos são para serem pensados, refletidos e meditados de maneira mais intelectual, pois esta é a sua energia e ela flui diferente da do PF assim como Uhane é diferente de Unihipili. A energia gerada pelo PP é Mana-Mana, o impulso criativo, a abrangência intelectual o fluxo de inspiração que faltava para que possamos abraçar a causa do mundo e vivê-la. Assim como Uhane reflete também nossos limites energético, o PP vem para nos fazer refletir sobre o que cabe a nós fazer e de que maneira podemos agir em sintonia com a Divindade e o Cosmos. Mas Uhane é também comunicação, é a parte de nós que primeiro entra em contato, com outra pessoa ou outro lugar e é assim que o PP se mostra, nos orientando sobre como podemos nos relacionar melhor com tudo ao redor. Suas pontas são mais complexas do que a do PF pois refletem padrões sociais mas que também foram corrompidos e precisam ser curados.

AMOR:
Amor é a energia que mantém tudo girando, em atração. Este conceito me lembra muito a lenda de Eros e Apollo, quando o Deus da Luz Solar desafia o Deus do Amor, alegando ser o melhor arqueiro que já existiu, Eros em fúria diz que Ele já existia antes de qualquer coisa, ele é a força que mantém tudo unido e que promove esta união. É, o Amor é mais ou menos isso mesmo, nos coloca em movimento, de aproximação, de contato com cada coisa e claro, o resultado não poderia ser mais óbvio: Sexo. Mas amor e sexo são conceitos que precisam ser muito refletidos e trabalhados. Quando considerados como força vital, sexualidade no sentido de encontro e prazer que a vida propõe, o êxtase do encontro, acaba-se ampliando os conceitos, neste sentido, até respirar se torna um at sexual, já que nos conecta com tudo o que existe ao redor. Amor é o que mantém esta corrente fluindo, um estado profundo de atração que nos leva sempre ao orgasmo do encontro.

CONHECIMENTO:
Como conhecimento entra numa ferramenta que visa trabalhar conceitos de comunidade? Bem, quando analisamos o conceito com certo olhar crítico o primeiro ponto a ser considerado é o re-conhecimento, de si e do outro. Primeiro é reconhecer-se diferente, único e neste processo reconhecer-se divino. A ponta do conhecimento nos leva a trabalhar a partir de conceitos, abandonando assim pré-conceitos, ou seja, você age com conhecimento de causa, você estuda, reflete, pensa, analisa e interage, não como um impulso (isso é coisa do PF) mas como algo que leve em consideração o outro. Conhecimento está ligado a ponta do Self no PF e isso já nos leva a outra questão relacionada a Apollo (eu sei, eu sei, segunda vez que falo dele, mas é que ele é meu ponto de referência, ué!) “Conhece a ti mesmo!” e isso já mata boa parte da charada desta ponta. É interessante pensar que “conhecimento” se destaque como uma ponta de uma ferramenta que trabalha a interação social, nos direciona para agir em prol da educação, do saber, de estar sempre aberto a aprender algo novo, não deixar que seu conhecimento fique estagnado, é ação.

SABEDORIA:
Ué, mas não se tinha falado de conhecimento agora a pouco? Sabedoria, outro conceito intelectual? Sim, é e não é, sempre me disseram que conhecer como se faz não significa saber fazer. Sabedoria é mais ou menos isso, é um saber visceral, é partindo do re-conhecimento de nossa divindade inata (e consequentemente da divindade inata do outro) podemos agir com sabedoria, de acordo com a natureza dos Deuses da natureza. Um sábio é aquele que já experienciou muita coisa nesta vida, mesmo sem ter frequentando o colégio ou faculdade, é aquele pessoa que sabe falar a coisa certa, na hora certa, é o que nos remete aos nossos pais, avós, anciãos de nossa comunidade, é também estar atento a sabedoria popular, ao senso comum, se abrir ao que isso quer dizer, sendo cientifico ou não, existe algo de verdade no que o povo diz. Quando eu trabalho com sabedoria eu gosto muito de pensar no conhecimento que existe em nosso DNA, nas espirais que refletem os padrões cósmicos, na maneira como as nossas células se dividem, de como nosso estômago digere o alimento, como o útero sabe o tempo certo de menstruar e como o corpo por si só sabe, em saúde, de auto-regular pois é perfeito e está alinhado com os padrões naturais de vida. Algo que foge de nossa consciencia, mas que pode ser acessado por ela, isto é sabedoria, reconhecer os padrões que refletem o Cosmos.

LEI:
Se sabedoria é reconhecer os padrões, Lei é agir de acordo com eles. Circulando o pentagrama de Pérola conseguimos ter um relance de como as pontas interagem. Sabedoria leva diretamente a Lei. Não as “leis dos homens”, mas uma lei cósmica que rege o universo. Este é um conceito que muitas vezes empacamos ao trabalharmos, pois nos remete ao nossos sistema de leis, falho, corrupto, controlador, nos dá medo de nos submeter a estas leis e perdermos o livre-arbítrio de agir de acordo com a nossa vontade. Este é o ponto chave: A verdadeira Lei confere poder a pessoa, poder pessoal, o poder agir de acordo com a sua vontade, se levarmos em consideração todo o trabalho deste Pentáculo e do PF, podemos entender que a nossa vontade está alinhada com a vontade divina. Lei neste caso é uma questão de ordem natural, nossas células se agrupam de um jeito, as moléculas químicas se agrupam cada uma de uma maneira, de acordo com a sua natureza. O ferro, a madeira, o plástico, a cerâmica, a pele, o sangue, os cristais, cada um com sua peculiaridade, seguindo sua essencia, representando a sua lei, se agrupam e exercem suas funções divinas na terra, sem controlar o outro, existe um direcionamento, um foco. Relacionando um pouco as pontas aqui, Lei se ligar diretamente ao Amor, e o que é a Amor senão a Grande lei? Como disse um pensador “Amor é a Lei, amor sob vontade”, mas isso é pano pra outra manga.

PODER/LIBERDADE:
Existem muitas controvérsias acerca desta ponta do Pentáculo. Eu aprendi a trabalhar com o PP tendo como uma de suas pontas a “Liberdade” mas por questões culturais eu não consegui fazer a energia fluir, então, seguindo os conselhos da minha orientadora eu busquei a raiz do Pentáculo de Pérola que coloca “Liberdade” como “Poder”, mas no PF a mesma ponta se chama “Poder”, então uma nâo evoluiu? poder é poder? Bem, não. Poder no PF é poder interior, é um reconhecimento da força de si mesmo (está ligado diretamente ao Self), já no PP é poder-com, o poder mediado com o outro, o poder compartilhado, poder fazer algo junto com o outro, é uma nova abordagem de Poder, bem diferente do que a nossa sociedade vem pregando, que temos que obter o poder total (assumindo que poder=controle) somente para nós, é o âmago das instituições hierárquicas, onde o “chefe” é que tem todo o poder. Aqui nesta ponta o Poder faz referencia a “estar em harmonia com (o outro, o universo, a Lei, o Amor...). Já Liberdade diz respeito a agir livremente, de acordo com a Lei e o Amor, é reconhecer suas potencialidades sem fronteiras e exercer seu potencial total. Eu falo que tive uma “questão cultural” pois a visão americana de Liberdade é muito diferente da visão brasileira o que dificultou muito a assimilação deste conceito, já que lá viver a liberdade é um ideal nacional e por aqui temos uma perspectiva diferente que precisa sim ser trabalhada num contexto social-político, por isso que o “Poder-com” trabalhado no PP quando bem assimilado se transforma em “Liberdade” pela força que uma comunidade tem de quando unida num mesmo ideal, agir em prol da Liberdade comum.
                Num sentido prático não é dificil compreender como estes dois conceitos se entrelaçam e refletem o mesmo entendimento. Ambos estão ocupados com a libertação das restrições e em incentivar uma autoridade pessoal saudavel, um estado que se faz necessário quando estamos indo rumo a realização e manifestação da Divindade Interior.

                Os trabalhos com os Pentáculos são extremamente transformadores, enquanto o trabalho com o PF resulta em uma personalidade forte, entende-se que personalidades fortes não necessariamente trabalham bem com outras personalidades. Para ser sincero, o tipo de força adquirida ao se trabalhar com o Pentagrama de Ferro é somente o início, num caminho que nos leve a reinvindicar a nossa divindade precisamos estar preparados para compartilhar o mundo com os outros para que sejamos dignos desta força que clamamos. Nenhum de nós existe num vácuo, é o antigo clichè que se fala “É fácil prum monge budista alcançar a iluminação no alto de uma montanha, sozinho, mas é no mundo “real” é que botamos a prova tudo isso”, é na fechada no trânsito, na pressão do trabalho, no atraso do trem, na fila do banco. O Desafio moderno, como sempre disse, é alcançar a iluminação no mundo moderno, algo que faz parte dos ensinamentos do PP.
                O ideal de se trabalhar em comunidade não indica necessáriamente que devemos sofrer com interações não saudáveis caso elas surjam. Parte de se construir uma comunidade saudavel é aprender a estabelecer limites claros, uma caracteristica do Uhane, quando e como dizer não, por exemplo. Certamente uma das lições do PF é a de nunca entregar nosso poder a ninguem ou a coisa alguma. Quando as transformações do PF são combinadas com os trabalhos do PP a alquimia acontece, uma mudança que permite-nos agir de um lugar divino e pessoal, de acordo com a nossa verdadeira natureza.
                Atualmente os trabalhos com o Pentáculo de Pérola se tornam cada vez mais necessários, em uma sociedade que perdeu a identidade, perdeu o poder de agir em prol do bem comum, se transformar com o PP é transformar a realidade, parte de um verdeiro trabalho mágico. Assim como o PF, o PP pode ser trabalhado de duas maneiras básicas, seguindo o círculo ou ligando uma ponta a outra. Assimilar o conceito individualmente é importante, refletir e trabalhar com eles faz parte do processo mas a grande sacada está em integrar o Pentagrama de Pérola como um todo em sua prática diária, é conseguir identificar a sua força como um todo, no ambiente profissional, familiar e entre os amigos, é reconhecer em si o potêncial para transformar o ambiente ao redor, ser agente ativo da realidade e investir num futuro em que prevaleça o bem-comum, é romper com as correntes que a sociedade moderna coloca em cada um de nós e acreditar num futuro melhor, é sim se envolver em política mas não necessáriamente ser partidário, é estar atento aos problemas de sua cidade, estado, país, mundo, é ser voluntário e prestativo e muito mais, é despertar o poder que existe em você, o poder fazer diferente.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

O Pentagrama de Ferro: Uma Ferramenta para Transformação.



                  Dentre muitas ferramentas produzidas pela Tradição Feri, os trabalhos com os Pentagramas são os que se fazem mais populares ultimamente e não sem espanto, já que sua eficácia é definitivamente absoluta para aqueles que sabem como usá-la. Mas o que acontece muito e que se torna muito complicado o manejo destes instrumentos é a falta de contextualização. O Pentagrama de Ferro quando elaborado por Victor Anderson estava unido com o Pentagrama de Pérola, juntos formavam o Decagrama. Victor ensinava os dois juntos, já que um fatidicamente leva ao outro, mas no tempo que Starhawk apresentou os pentagramas para a comunidade pagã em geral eles já haviam sido separados em dois pentagramas distintos. A Tradição Feri é assim mesmo, uma tradição viva, que se molda de acordo com quem a ensina sem nunca perder a sua essência.           
    O trabalho com os Pentáculos devem ser sempre feitos, de preferência, supervisionados por alguém que tenha experiência com as energias que ele movimenta.  Do contrário pouco benefício se tira, pois logo “perde-se a graça” ou não faz o efeito esperado, nossos bloqueios e defesas começam a arranjar desculpas para evitar o trabalho e é ai que tudo desanda se não tiver alguém por perto para dizer que tudo isso faz parte e que devemos continuar a trazer a tona estes sentimentos e frustrações.  De nada adianta você ter uma tomada, mas não saber onde ligá-la.
                O Pentagrama de Ferro tem se mostrado uma ferramenta poderosa para o trabalho de transformação interna e movimentação energética, se torna rapidamente uma mandala para o praticante, um norteador de prática e ação no mundo, um mapa que pode indicar as questões nas quais a energia (física e psíquica) está sendo desperdiçada, oferecendo ações e reflexões para harmonizar cada aspecto de nosso eu interior. Um verdadeiro talismã de grande poder.
                A energia gerada pelo pentagrama de ferro é Mana, a forma mais crua de energia, é densa, cheia de vitalidade e poder, nutre e preenche o ser através do Unihipili e desperta forças primitivas, inatas em casa pessoa, pois nos fala de aspectos profundos e selvagens de nós mesmos.
Brevemente, as pontas podem ser entendidas da seguinte maneira:
                Sexo representa a força criativa do universo, é adentrar na corrente Divina de criação, é o orgasmo no qual nos abrimos para a dança Universal do acasalamento e participamos ativamente de sua construção e destruição. Um momento que acontece a todo momento. É o encontro, o prazer, a força natural que compele a criação.  Sexo é ao mesmo tempo a peça chave para o controle ou liberdade da humanidade. De todos os anseios fundamentais da humanidade, este é o que tem sido mais temido, o que tem sido submetido aos maiores controles e repressões e é em contrapartida o mais libertador, o mais curador de todos. Mas se o sexo foi reprimido e negado, foi também venerado em muitas partes do mundo, indo desde procissões cerimoniais com um falo de mármore, ereto em Delos, nos templos Lingam/Yoni na Índia, no misticismo tântrico entre muitos outros. Todo ritual primitivo de fertilidade é uma celebração do poder e prazer do Sexo. Sexualidade, criatividade e espiritualidade são a mesma energia, com a mesma origem e com o mesmo objetivo. São inseparáveis, negar um é negar o outro. Mas nesta questão tem-se que te muito cuidado, sexo é feito com respeito, com entrega e presença, não é somente a satisfação de uma necessidade, é olhar nos olhos do outro e se reconhecer neste olhar, sentir prazer com a troca e aceitar o outro ao invés de negá-lo como temos visto muito ultimamente. Se antes existia uma negação do ato sexual, hoje existe uma exarcebação do mesmo, sem respeito, sem entrega e sem verdade.
                Orgulho é reconhecer nosso próprio valor e é a capacidade de viver integro, sem reservas, permitindo que a nossa verdadeira natureza brilhe, sem precisar se comparar ao outro, é um estado de completa inocência, viver completamente o momento, orgulhando-se de si mesmo, está muito ligado ao amor-próprio.
                Self é um conceito estranho a muitos na língua portuguesa, é o reconhecimento do seu verdadeiro potencial bem como das limitações, saber quem se é em relação com o outro e com o universo, é aquilo por trás de cada papel que atuamos no dia a dia, nossa parcela de individualidade. Esta ponta do Pentagrama está muito associada com a Responsabilidade, em se responsabilizar por cada ato, por si mesmo e é isso que o liga diretamente com o Poder.
                Poder, aqui considerado como Poder Interior, é acessar o nosso potencial e expressá-lo através de ações, de trabalho e serviço. É a ação equilibrada e centrada, é a projeção de nossa essência no mundo que provoca mudanças, que transforma, que é mágica! Nunca é manipulativa, já que o poder interior é o poder fazer, o poder escolher, o poder agir, nunca impondo, já que o verdadeiro poder age em comunidade, cooperativamente com outros seres e outros pontos de vista. O Verdadeiro poder vem de dentro, das nossas camadas mais profundas e é o resultado de muito trabalho e crescimento, nada tem a ver com controle sobre outros, coerção ou manipulação (isso na verdade é falta de poder), Poder é a habilidade de moldar, de criar, de manifestar e estruturar, psíquica e fisicamente.
                Paixão é a vibração expressiva da vida, a intensidade que dá cor, profundidade e vitalidade a nossa existência. Paixão é a habilidade, o sentimento de estar aberto a experiência da vida e a cada aprendizado que o viver pode trazer, abraçando a alegria intensa bem como o sofrimento profundo. É o incorporar do êxtase. É a ânsia do encontro, é a busca, o sentimento visceral, motivador de partir em busca, é a intensidade de reconhecer a possibilidade de vir-a-ser.
                Quando observadas individualmente, as pontas do pentagrama representam  aspectos importantes de nossa consciência que são geralmente interpretados de maneira negativa pelo ponto de vista social. Basta olharmos para os padrões sociais de beleza, sexo e trabalho.       
                  Buscamos ideais e renegamos o nosso verdadeiro potencial, buscamos nos relacionar com idéias ao invés de nos voltarmos a nós mesmos e buscar compreender como nos relacionamos com o nosso fazer criativo, desde o nosso trabalho até o ato sexual, os conceitos gerais nos desencorajam e diminuem nosso poder interior tendo como conseqüência uma diminuição no fluxo de Mana e o efeito é dominó, nos sentimos desmotivados, com baixa auto-estima, descontentes com nossa vida, nosso trabalho, nosso relacionamento amoroso, preguiçosos, sempre doentes e por ai segue já que no pentagrama, cada ponta influencia diretamente a outra e juntas formam um só diagrama. Para agirmos no mundo de maneira consciente precisamos estar alinhados e em harmonia com todas as pontas, somente assim o Mana flui.
                Precisamos despertar deste sono social onde vivemos constantemente comparando nossos corpos com os da revista, nossas vidas com tramas de novelas e filmes, nossas expectativa com livros e romances, precisamos despertar e fugir de sentimentos que nos obrigam a ser modestos o tempo todo, que nos faz sentir egoísta cada vez que aceitamos um elogio ou que nos faz pensar “Não fez mais que a obrigação!” a cada bom trabalho, precisamos mais ainda despertar de uma sociedade que equaliza “Poder” com “Corrupção”. Sim, ser bruxo é ser agente político também, é transformar a sociedade com cada ato, a cada momento.
                Reestruturando o nosso relacionamento com cada um destes conceitos podemos harmonizar nossa visão de mundo, removendo os pré-conceitos negativos impregnados em nossa psique. Isso permite termos acesso a nossa autenticidade, reprimida pela cultura dominante, para que possamos agir com integridade e consciência.       
                Somente assim que podemos fazer a magia acontecer. Só quando estivermos livres de medos irracionais é que poderemos viver de verdade e é exatamente isso que os Deuses nos orientam a fazer: Viver. Para podermos mediar o Poder verdadeiro no mundo (A real função de um Sacerdote e Sacerdotisa) nós temos que nos tornar íntegros, fazer as pazes com nosso “Eu” interior, reconhecermos quem e o que somos verdadeiramente. Fácil falar, difícil é fazer.
                Cada ponta do Pentagrama de Ferro representa um estado de nossa consciência que quando isolada das outras pontas se apresenta pouco útil no desenvolvimento saudável de nosso ser, de nossa psique. Quando conectamos cada ponta podemos entender como o conceito atua na realidade e como evolui, de um estado para o outro, criamos uma relação. Isso nos abre a possibilidade de reconhecer como cada ato no mundo reflete em mim e como isso me afeta, positiva ou negativamente.
                No início faz parte meditar sobre cada ponta individualmente, mas isto precisa evoluir até certo nível em que um conceito leve a outro diretamente, até que tudo junto forme um conceito só, o centro da questão é que se torna energizante, é assim que o poder flui. Sexo, Orgulho, Self, Poder, Paixão, Sexo... Formando um espectro multicolorido.
                Juntas as pontas do Pentagrama se harmonizam como as vozes de um coral, se tornando algo maior que a soma das partes. Quando as cinco pontas atuam em conjunto, é como se a Deusa fiasse o tecido da existência, um portal psíquico se abre nos levando aos reinos féricos mais profundos, pois nos coloca em conexão com a Energia Divina Criadora. Assim damos o primeiro passa para construir relacionamentos saudáveis, uns com os outros e com o mundo, passamos a ser mais humanos em cada ato.
                Mas a pergunta que não quer calar é: Por que numa tradição neo-pagã precisa-se focar em ferramentas que são obviamente psicológicas? Por que não deixar que o praticante faça terapia e deixe que os assuntos da psique sejam cuidados por especialistas no assunto?
                O trabalho psicológico se faz muito mais amplo que tudo isso e com certeza, todo bruxo que se preze precisa viver o seu momento psicoterápico com um profissional, mas não seria sábio eu dizer que os reinos da psicologia não interagem com o espiritual. Mas para um bruxo ter a mínima base psicológica necessária para manusear e intermediar o entre mundos, se faz necessário esse olhar mais profundo para o nosso ser, em todos os níveis.
                O Pentagrama de Ferro não é somente um exercício psicológico-espiritual, se tornou uma egrégora, ele é um símbolo vivo que cresce a cada dia e atua sobre o nosso ser de maneira inteligente e independente. Isso faz deste trabalho algo único e muito poderoso. Por anos, praticantes de várias tradições, mas principalmente da Tradição Feri, vêm usando estas mesmas pontas como foco em meditações e manejo energético com sucesso, então quando alguém o incorpora nas práticas diárias não está sozinho, está sempre bem acompanhado.
                Focando-se nisto, o Pentagrama de Ferro é de certa forma, um lembrete de como estamos interconectados num nível mais pessoal e que podemos trazer este pessoal para o mundo.
                O Pentagrama de Ferro é o primeiro passo para incorporarmos em nosso ser e em nossa psique os aspectos divinos da criação e a partir disto começarmos a transformação interior e a agir no mundo. Os trabalhos com os Pentagramas nos abrem para o Mistério e nos garante acesso a Grande Mãe, o estado primordial de ser. Assim como o ferro em nosso sangue é a fundação de nossas vidas e de nosso bem-estar, o Pentagrama de Ferro se torna a fundação de nosso fazer mágico, despertando o nosso verdadeiro potencial, o potencial de ser humano, por completo.
                Os trabalhos com o pentagrama podem acontecer de duas maneiras: A primeira é rodeando o Pentáculo, Começando em cima, na testa com Sexo e partindo para a esquerda, Self, Paixão, Orgulho, Poder e novamente Sexo, ou pode ser entrelaçado, começando com Sexo na testa, partindo para Orgulho no pé direito, Self na mão esquerda, Poder na mão direita, Paixão no pé esquerdo e Sexo novamente na testa. Claro que as direções podem e devem ser invertidas, assim como as pontas poder ser trocadas. Cada experiência é uma experiência e revela diferentes aspectos de nós mesmos.
                Muito mais pode ser e já foi falado sobre os pentagramas, mas a melhor maneira de apreendê-los é vivendo cada ponta e trabalhando com o sistema como um todo, sentir o impacto desta energia no seu corpo e no seu cotidiano.

Para Saber mais sobre o Pentáculo de Ferro:

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Meditação da Árvore da Vida.


        
            Eu conheci esta meditação através do livro “A dança cósmica das Feiticeiras” da Starhawk e a principio não senti muita eficácia. Foi quando eu comecei a empregá-la em meus rituais que me dei conta do impacto desta técnica sobre o meu corpo e sobre os trabalhos energéticos que faço. Basicamente esta meditação trabalha da mesma maneira que a meditação do “Pilar do Meio” muito conhecida entre os cabalistas que é feita sempre que se busca harmonizar o corpo/mente/espirito com os planos cósmicos-astrais, só que ao contrário. Enquanto o Pilar do Meio traz a energia de cima para baixo, a árvore da vida tráz a energia de baixo pra cima para então fazer o movimento de cima para baixo.
                Basicamente, o intuíto desta técnica é colocar a pessoa em conexão com os poderes de cima e com os poderes de baixo, despertando esta força cósmica e natural, inata em cada um de nós, de suportar ambas polaridades energéticas. A energia de cima é considerada como energia ativa, positiva, masculina, a energia de baixo é receptiva, negativa e feminina. Nosso corpo então se torna o condutor desta energia, ideal para realizar o trabalho entre-mundos.
                A versão abaixo é a que uso na tradição que participo, modifiquei um pouco a usada pela Starhawk baseado em conceitos cabalísticos e da natureza da energia e como ela se movimenta pelo nosso corpo.
“Concentre-se e centre-se. Respire lenta e profundamente. Preste atenção ao seu corpo, as batidas de seu coração, ao movimento de seus pulmões se expandindo e contraindo a cada respirar. Sinta as energias ao seu redor, faça um momento de silêncio mental. Agora inspire uma energia de luz, branca, leve que entra pelo topo de sua cabeça, ao expirar veja que esta luz vai descendo pela testa, garganta, peito, abdomen, genitais, canela e pés, quebre a barreira energética entre seu corpo e a terra, expanda as suas raízes, até o centro da terra. Continue inspirando energia de luz pelo topo de sua cabeça e sinta as suas raizes se fortalecendo, descendo cada vez mais para baixo, mergulhando no corpo da Grande Mãe. Sinta os lençois freáticos, sinta o magma quente e pulsante, sinta as rochas, toque o coração da Grande Mãe, o centro da terra, sinta-o pulsante, sincronizado com o pulsar de seu próprio coração. Fique nesta sensação por um momento.
Agora, comece a inspirar a energia da terra, marrom-avermelhado, densa, fria. Sugue esta energia da Grande Mãe, que nutre e alimenta seu corpo, através de suas raizes. Ao expirar, conduza esta energia para cima, passando pelos seus pés, panturrilha, nádegas, base da coluna, subindo pela coluna, nuca e cabeça, jorrando como um chafariz para fora, brilhante em vermelho. Faça isso algumas vezes até que se sinta pulsando, cheio e pleno de energia vital. Você está pronto para iniciar seus trabalhos mágicos.”
                Eu gosto de fortalecer mentalmente as minhas raizes energéticas em vários momentos do meu dia, principalmente antes de uma reunião muito importante, após um momento muito tenso ou durante uma discussão. É muito simples, basta prestar atenção na conexão dos seus pés com a terra e sentir a energia que pulsa da terra para o seu corpo, abundantemente.  Respire fundo, deixe que a vitalidade do ar te preencha com a energia do céu e pronto, você está conectado com o aqui e agora, pronto para agir no mundo com consciencia.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Os 3 Selves – Três olhares sobre nós mesmos.




Desde que a Starhawk publicou “A dança cósmica das Feiticeiras” e mencionou os 3 selves como parte de uma liturgia mágica a busca por informações acerca deste tema vem crescendo cada vez mais. Para o praticante sério a teoria dos 3 selves é possibilidade de aprofundar os estudos que buscam o “auto-conhecimento” (que eu particularmente prefiro chamar de “reconhecimento”) e sustentar psicologicamente um trabalho mágico. Starhawk trouxe os selves como parte integrante da liturgia Feri, o que é definitivamente verdade, mas se engana quem pensa que foi algo que Victor Anderson elaborou por si só. Os que se debruçam sobre a Tradição Feri sabem que Victor alegou ser, dentre tantas coisas, um Kahuna e foi na tradição Huna que ele encontrou subsídio para aprimorar sua teoria sobre estas partes de nós mesmos. Muitos são os nomes dados a estes Selves, os mais populares são definitivamente Self Jovem, Self Discursivo e Self Divino, como Starhawk denominou, os nomes havaianos são Unihipili, Uhane e Aumakua e ainda tem a denominação que Thorn Coyle fez, Sticky one/Fetch, Talker e Sacred Dove.
            Longe de querer colocar que esta teoria pertence a tal ou tal corrente, o objetivo destes escritos são o de mostrar que os 3 selves estão presentes na história espiritual/psicológica humana desde os mais antigos tempos, abrangendo os estudos de Qabalah, magia egípcia e até mesmo conhecimentos celtas. A abordagem que eu vou dar neste texto é a havaiana, a qual eu me identifico mais.

Uma das partes mais importantes dos ensinamentos da tradição Huna é o de que nós não somos somente corpo ou mente, vamos além, temos várias facetas. Os Kahunas sabiam disso a milhares de anos atrás.
Em 1970, Milton Erickson através de pesquisas e estudos elaborou uma tese que conseguiu aproximar o pensamento ocidental da filosofia Huna. Ele chegou muito próximo de uma explicação da mente consciente e inconsciente, bem como de suas funções.

A mente consciente
Muito antes do Dr. Erickson, os antigos Havaianos chamavam a mente consciente de Uhane.
'Uhane: 1. Alma, espírito.
Primeiramente se faz imperativo entender que não somos somente mente consciente. A
Mente consciente é lógica, é a sua parte racional, a parte que você denomina de “Eu”, é o (re)conhecido, é quem diz “Eu sei”, “Eu faço”, “Eu tenho” e etc.
            Os antigos ensinamentos Havaianos pregavam que assim como existe uma mente consciente (o que grande parte de nós já conhece e sabe) também existe uma mente inconsciente (que muitos de nós desconhecemos) e assim como existem as mentes consciente e inconsciente, existe uma mente superior. Todas as mentes são separadas, diferentes umas das outras, cada uma com sua função distinta, mas inter-relacionadas. A mente consciente não consegue identificar a ação de nenhuma das outras mentes exceto em estados alterados de consciência, alcançados em meditações e práticas específicas.

A mente inconsciente
O que chamamos de mente inconsciente os antigos Kahunas chamavam de Unihipili. Como um todo, significa gafanhoto; por isso vamos olhar mais de perto para as raízes desta palavra:
u: O assento de nossas emoções, das quais provem os sentimentos e as percepções
corporais, aquilo que provem do coração, o elemento materno, o leite da vida.
ni: Derramar um liquido;
hi: Soprar com força algum liquido da boca.
pili: Agarrar, colar, aderir, tocar, juntar, associar, estar com, estar perto de ou adjacente,
relacionamento próximo, pertencer a algo.
A mente inconsciente é uma parte muito importante do funcionamento psíquico. Vamos pensar sobre isso um momento, é uma parte sua que gerencia o seu corpo; faz seu coração bater, o sistema linfático circular, sua respiração ser contínua, seus olhos piscarem, seu estômago a digerir comida e muitas outras tarefas que você nem nunca parou para pensar.
Pense nisto também: O quão consciente você está de todas as funções das quais o seu inconsciente é responsável? Talvez mais importante ainda, o quão bem você conhece a sua mente inconsciente? Você considera o seu inconsciente como um amigo próximo e confiável ou tem algum atrito com ele? Os antigos consideram que entrar em contato com seu inconsciente e se aproximar realmente dele é uma tarefa muito importante, o primeiro passo. Independente da sua relação com o seu inconsciente, conforme vamos praticando e entrando em contato com seus conteúdos, vamos percebendo que ele está mais presente e próximo do que você imagina.
Os antigos, os La’au Kahea postularam que a mente inconsciente tinha certas funções, as quais chamaram de “Primárias e Diretivas” da mente inconsciente.

A mente elevada
O grande Kahuna, Papai Bray, que viveu em Kona (e morreu em 1968) disse que o ser
humano é constituido de partes materiais e espirituais, que somos igualmente matéria e
espírito, assim como um imã, com um pólo na matéria e outro no espírito. Com isso, também colocou que todos temos uma consciência, uma mente mais elevada, o termo
usado para nomear esta mente é Aumakua, que significa:
Au: Um fogo ou fogueira subindo pelo ar, como um espírito, ou espírito, meu, seu de
outra pessoa. (entra no conceito de imanência e conexão).
Makua: Parente, alguém mais velho, maduro, ou sustentar.
(A palavra aumakua também era usada como um termo carinhoso para qualquer parente
espiritual, incluindo muitos dos ancestrais e deuses que eram venerados sob este nome.)
Mas como estas três mentes se relacionam? E como são conectadas?

Conectividade
Cada self se conecta com o outro através da energia vital, o que os havaianos chamam de Mana, os japoneses de Ki, os chineses de Chi e etc. Este é o quarto elemento de nossa equação.
Existe uma conexão entre a Mente consciente e a Mente inconsciente e o fluxo de energia e informação vai para ambos as direções, existe uma troca.
Existe também uma conexão entre a Mente inconsciente e a Mente Elevada, o fluxo de energia é para ambas as direções, existe uma troca.
Mas não existe comunicação direta entre a Mente consciente e a Mente elevada. Assim sendo, a Mente elevada pode se comunicar com a Mente consciente através de uma “chuva” que cai de cima para baixo, da Mente elevada para a Mente consciente.
É através do Mana que as 3 mentes se comunicam umas com as outras, mas o mana precisa fluir por algum lugar, este lugar são os tubos de Aka e se constituem de matéria etérica. Este tubo difere dos conhecidos Ida, Pingala e Sushuma da filosofia Hindu por conectar partes diferentes do corpo e não somente o duplo etérico. Os 3 canais Hindu trabalham para a Mente inconsciente.
Por isso, Aka é uma substância etérica que serve de mediador para a transmissão de Mana. É densa e grudenta e por isso se conecta e permanece conectada com tudo o que tocamos. As cordas de Aka são como pequenos cordões ocos, através das quais o Mana navega.
A maneira como estes 3 selves interagem é bastante complexa e são temas para os próximos posts. O importante é começarmos a aprofundar nosso conhecimento acerca deste tema, já que o a aplicação deste tem o potencial de levar a nossa prática para outros níveis.
           
            Eu, particularmente, aprecio muito esta corrente teórica que divide o ser em 3 partes, pois toca o que me diz de mais profundo em minhas crenças. 3 selves, primeiramente abstratos, são meros conceitos mas que aos poucos se tornam cada vez mais presentes na vida de quem os vive, se tornam norteadores e referenciais de prática, são com a Deusa em si mesma: Abstrata e ao mesmo tempo tão presente. Ao afirmar que temos 3 selves e 4 corpos (Espiritual, Mental, Emocional e Físico) nos voltamos a crença do Deus. 3 é um número Deusa e 4 um número Deus. Imperatriz e Imperador. Meu corpo é o quarto elemento neste processo, onde os 3 selves podem agir, assim como Deusa age sobre Deus e sem Deus, Deusa não pode agir.
            Pensando no mito de criação mais genérico podemos identificar, levando em consideração “O que está acima é como o que está abaixo”, o processo evolutivo dos 3 selves:
“No ínicio era o Nada, o grande 0, a Deusa Estrela, brilhante e divina, Aumakua, que ao reconhecer-se no reflexo do espelho cósmico fez amor consigo mesma, dando vida a este reflexo que foi se afastando até se tornar seu oposto completo, Unihipili. Deste encontro entre opostos surgiu tudo o que existe. Esta criação ao tomar consciência de si, tornou-se Uhane.”
            Aos poucos vamos desdobrando como cada Self trabalha, como pode ser estimulado e qual sua abrangência. Apropriar-se deste conhecimento significa ter bases para sustentar um trabalho mágico/espiritual saudável e fazer uma leitura de ações e comportamentos mais eficaz, abrindo as portas da transformação e cura.