quinta-feira, 28 de junho de 2012

A criança da Promessa: Onde está Mabon?




                Um Deus escocês, Mabon significa “Grande Filho”, foi um caçador habilidoso com um cavalo ágil e um belo cão de caça. Sua mitologia se mescla com o festival celta de Mabon, que celebra o equinócio de outono, a partir do qual o dia começa a diminuir. Seu festival tem a conotação de envelhecimento e amadurecimento, mesmo Mabon sendo retratado muitas vezes como uma criança. Ele é a Criança da Promessa, que traz a luz novamente ao mundo, é a contraparte masculina de Perséfone num sentido mais físico/Natural, mas sua conotação espiritual é um tanto diferente.
                Conta a lenda que Modron, mãe de Mabon sempre foi muito afetuosa, uma Deusa generosa das colheitas, assegurava a abundancia e a prosperidade pela Escocia e por isso muito bem quista pelo povo Seu filho Mabon tinha o mesma carisma da mãe, sempre brincalhão e gentil, de espírito leve e infantil. Um belo dia Mabon saiu para caçar e não voltou mais. Sua mãe caiu em depressão, dias se passaram sem que Mabon retornasse a casa, a terra começou a secar, o solo se tornou infértil. Modron estava infeliz e não havia o que a animasse, seu filho havia desaparecido, o sol de sua vida tinha se posto, o que mais lhe restava agora? Preocupados a população local foi até a corte do Rei Arthur pedir ajuda da Távola Redonda. Prontamente atendendo o pedido do povo, compreendendo a seriedade da situação, Arthur e seus cavaleiros saíram em busca da criança perdida.
O rei procurou Mabon por toda a floresta, sem sucesso lhe restou buscar o conselho com a Senhora de Avalon, que lhe orientou a buscar a resposta com o Melro, com o Cervo, com a Coruja, com a Águia e com o Salmão. Desesperado, Arthur foi em busca dos animais sagrados, perguntando a cada um “Onde está Mabon?”
O Melro respondeu: “Mabon está onde deveria estar, por onde você esqueceu de procurar?” Sem saber a resposta Arhtur partiu para o Cervo, que lhe respondeu “Pra onde vai a semente que dá lugar a árvore? Encontre a semente e encontrará Mabon!” Mais um enigma para Arthur, a semente não vai a lugar nenhum, ela se transforma em árvore, pensou ele. Com a Coruja e com a Águia não foi diferente, só lhe restava o Salmão. Em um lago rodeado por árvores de avelãs Arthur encontrou o sábio Salmão, cansado da busca o Rei logo disse: Sábio Salmão, sem charadas ou sermões, onde está Mabon?” O Salmão apontou para uma gruta da qual corre o rio vermelho de Avalon e disse: “busque e irá encontrar, a resposta que procuras longe de você não está!” Dirigindo-se a gruta Arthur observa um Jovem radiante saindo, o cavalo e o cão que o acompanhava eram os mesmos de Mabon, mas quem com eles estava não o era, apesar da incrível semelhança. Dirigindo ao jovem, Arthur pergunta “Você viu Mabon?”O Jovem risonho respondeu: “Mabon sou eu!”
Levando então o jovem ao encontro de sua Mãe Modron, Arthur perguntou por onde a criança esteve este tempo todo, Mabon não entendeu a tristeza de sua mãe já que era com ela que estava no outro mundo, de onde voltou mais forte e ágil.
Modron ao reencontrá-lo rejubilou-se de felicidade, a terra em resposta brotou novas flores, alimentadas pela água que o jovem sol derretia a neve por onde passava.
Cinco foram os animais que auxiliaram Arthur na busca e aos poucos as charadas foram se fazendo claras ao Rei, por fim, tudo fez sentido.
                Mabon é a criança que precisa amadurecer para concluir seu trabalho sagrado, é o momento de transição do qual todo homem deve passar. Robert Bly em um ensaio escrito para o livro “Choirs of the God” organizado por John Matthews coloca que uma das iniciações primitivas dos jovens nas aldeias européias era o encontro com a Mãe Masculina, o renascimento através do útero da aldeia. Vários rituais refletem este processo e Bly coloca que a falta de rituais como este em nossa sociedade adoece a masculinidade já que não temos períodos celebrados de amadurecimento e nossa psique ainda busca por marcos transitórios, como rituais de transição para que possa se estabelecer de maneira segura na comunidade. Parte deste crescimento vem da consciência de nossa sacralidade, reconhecer a centelha divina que habita cada ser vivo e criado e através dela conseguir realizar o trabalho de nosso Deus interior.

Ritual com Mabon – Cortando o cordão Umbilical e Encontrando o Deus.

Prepare o espaço ritual com uma vela amarela, alimentos de grãos como milho e feijão, bebidas como cerveja ou hidromel para oferenda, prepare um cordão vermelho, longo e deixe-o amarrado a um caldeirão ou mesmo cálice. Cores solares no altar e escuras no lugar de meditação. Prepare uma vela vermelha para representar o fogo, um incenso floral para o ar, um copo com água para a água e uma pedra, drusa ou mesmo vaso com terra para representar o elemento terra e uma vela branca no centro para representar o espírito. O Melro é símbolo do Fogo, o Cervo é da Terra, a Coruja do Ar, o Salmão da Água e o Falcão do Espírito. Invoque Mabon, vamos buscá-lo hoje. Concentre-se e centre-se, acenda a vela e o incenso. No centro deixe a vela apagada por um instante.
Coloque o caldeirão no centro do círculo, ele representa o útero divino, a Grande Mãe e também a nossa ligação com a nossa mãe terrena. Nomeie este mãe, em voz alta coloque suas qualidades e seus defeitos, suas melhores lembranças e como esta mãe foi se construindo através de sua vida. Amarre a outra ponta do cordão amarrado no caldeirão em sua cintura. Sinta esta ligação vital, forte e pulsante. Que sentimentos te vem agora? Segurança? Nutrição? Amparo, acolhimento, abandono, amor, ódio? Como se sente? Faça uma oração espontânea para a sua relação com sua mãe, agradeça-a por todos os ensinamentos e pelo fato simples de ela existir. Agora pega a tesoura ou faça ritualística e corte este cordão. Permita-se separar desta mãe, agora você é independente, agora você é individual. Como pretende moldar esta nova relação? Como você se sente com esta separação? Se precisar abrace o cálice ou caldeirão, perceba que independente de separação, ainda pode-se ter uma relação saudável e amorosa com esta mãe, mas agora não existe mais simbiose, agora existe uma relação mais simétrica, mais igual. Respire este sentimento, esta independência.
Agora volte-se para cada um dos elementos, um por vez e pergunte “Onde está Mabon?” Preste atenção na resposta, anote cada uma em seu diário, ao fim dos quatro elementos acenda a vela do centro, do espírito, e pergunte novamente sobre Mabon. Anote sentimentos, insights, imagens, sensações. Onde está Mabon?

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