quarta-feira, 2 de maio de 2012

O trabalho do Deus Interior.




“Quem é esta flor acima de mim,
E qual o Trabalho deste Deus?
Eu conheceria a mim mesmo em todas partes”
A Oração da Flor – Victor Anderson

            Desde muito tempo eu percebo que o grande desafio da espiritualidade atualmente é relacionar vida material, carreira, vida pessoal, metas, o dia-a-dia com os trabalhos espirituais. Algumas vezes a única saída parece ser (e algumas vezes realmente o é) viver disto, trabalhar com isso, como terapeuta, tarólogo, escritor ou coisa do tipo. Mas infelizmente nem sempre estes trabalhos dão o retorno que esperamos ou mesmo a satisfação que buscamos num sentido profissional. Pode-se amar ser um bruxo, mas viver disto é outra história.
            Dentro da Tradição Feri, influenciado fortemente pela T. Thorn Coyle, eu comecei a observar o trabalho que meu Deus Interior pede, por muito tempo eu estava em conflito interno, procurando uma maneira de conciliar a minha espiritualidade com meu cotidiano, com minha carreira profissional, mesmo sentindo e sabendo que lavando a louça eu estava exercendo o trabalho de um Deus, eu precisava de algo mais, queria viver essa espiritualidade 24/7.
            A teoria dos 3 selves na tradição Feri coloca que temos uma faceta divina e podemos acessá-la de diversas maneiras, uma delas é a Oração da Flor, em que questionamos e interagimos com esta parte de nós tão divina. Este Self é conhecido dentro da minha tradição como Aumakua, que significa:
Au:  Um fogo ou fogueira subindo pelo ar, como um espírito, ou espírito, meu, seu, de outra pessoa. (entra no conceito de imanência e conexão).
Makua:  Parente, alguém mais velho, maduro, ou sustentar.
            Desta interação e repetindo sempre a oração muitos insights surgem, sempre. Qual o meu trabalho divino? Victor coloca que ao alcançarmos esta clareza vamos nos reconhecer em toda parte, um ditado ilustra bem isso “God is Self and Self is God and God is a person like myself” (Numa tradução mais poética “Deus é Ser e Ser é Deus e Deus é uma pessoa como meu Ser”) colocando que Deus está basicamente em mim, em você e em todo lugar.
            Aos poucos fui percebendo a maneira como no meu trabalho eu acabo interagindo com as pessoas, espiritualmente falando, mas não explicitamente espiritual. Como professor eu entrego meu trabalho a Apollo, por isso tento sempre realizar da melhor maneira possível, sempre me pergunto “Como um Deus faria isso?” e muito mais do que criar um peso de responsabilidade em cima dos meus ombros eu sei que eu estou livre para errar, melhorar e aprender, pois estou aberto a orientação divina, interna e externa. Como Sacerdote eu entrego meus trabalhos a Hera, como coordenador entrego a Gaia, como filho, irmão, amante, amigo, bruxo, tento sempre orientar minha prática visando o divino que há em mim.
            Desta maneira eu vivo a espiritualidade no meu dia-a-dia, cozinhando, estudando, buscando a cada momento acessar esta centelha divina que há em mim, buscando a melhor maneira de expressar esse trabalho divino que somente eu posso fazer, algo sob medida, buscando sempre a melhor maneira de esta flor desabrochar, cada vez mais lindamente e interagir com cada flor que é o outro.
            Expressamos o trabalho de nosso Deus interior através de nossas relações, eu posso ser advogado sem perder minha essência, pautando meu trabalho na bruxaria, por exemplo, mas sem precisar fazer um discurso, uma falácia, simplesmente agindo e procurando sempre expressar o que é do meu Deus Interior.
            Deixar que isso aconteça é também deixar que a espontaneidade tome conta de sua vida, pois a Deusa é criativa, nunca faz nada duas vezes iguais, assim nossa natureza divina é agira com criatividade em cada situação que nos é apresentada, é abrir-se para o novo. Todo dia um pouco do mistério é revelado, não existe pressa, tudo ocorre num tempo perfeito para aquele que se abre a isso, as pétalas vão desabrochando aos poucos, revelando aromas, cores, sensações. É uma experiência mágica se voltar para este trabalho, pois nos fala a alma, a alegria e o sucesso se tornam conseqüência, pois tudo vibra em sintonia. Uma árvore não se esforça para dar frutos, ela simplesmente expressa o seu ser divino, uma abelha não se esforça para buscar o pólen ou trabalhar na colméia, ela simplesmente deixa o seu Deus Interior agir e guiar o seu trabalho, existe entrega. Os seres são plenos na graça divina e com isso vem a prosperidade, o amor, a alegria. Não existem obstáculos para o trabalho do Deus Interior, pois tudo flui com a correnteza certa. É, claro, um desafio pois entre a consciência e a divindade interior existem camadas de ego, de insegurança, de estagnação, de medo. Mas lembre-se sempre, “onde há medo, há poder”. 

Um comentário:

  1. No inicio da minha busca espiritual eu me fiz as mesmas pergunta que você citou no topo do texto e aos poucos percebi, assim como você, que somos um canal divino e que os Deuses agem através de nós de diferentes maneiras.. como dissemos outros dia, somos "devocionais" antes de mais nada.. quando estamos conectados aos ciclos da Roda esses aspectos devocionais se manifestam com essa simplicidade e naturalidade. Estamos em sintonia com nossos Deuses e nós mesmo e isso para nós é tão natural quanto respirar! Ler seu blog se tornou um prazer para mim, parabéns!

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