quarta-feira, 16 de maio de 2012

Krishna e o Self Divino



                É o mais popular e amado avatar da Índia, com maior número de templos e devotos. Possuía um apelo físico irresistível. Nos Puranas é descrito como um pastor tocador de flauta. No Mahabharata é o sábio que dá o ensinamento a Arjuna no campo de batalha.
Krishna é o maior Deus não ariano no panteão Hindu. Ele foi a oitava encarnação de Vishnu, o Preservador do Universo. Ele incorporou a forma humana para redimir as ações das forças do mal.
O príncipe KRISHNA, que nasceu em MATHURA, e mais tarde tornou-se rei na cidade de DWARAKA, foi uma personalidade de muito influência no MAHABHARATA (o mais antigo texto sagrado da Índia), onde teve importância vital nos acontecimentos épicos que modificaram toda a história do Oriente.
Ele sempre é visto tocando uma flauta, com a qual encanta todas as criaturas vivas. Alguns de seus nomes são GOVINDA, SYAMASUNDAR ou GOPALA - o protetor das vacas.
De acordo com as lendas, a beleza de KRISHNA é insuperável, encantando até mesmo inúmeros cupidos. Ele ficou conhecido por sua força invencível, sua enorme riqueza e por suas dezesseis mil cento e oito rainhas . Os ensinamentos de KRISHNA foram perpetuados no livro "BHAGAVAD GITA", que é considerado por todos os mestres como a essência do conhecimento Védico. Este livro retrata uma conversação entre KRISHNA e seu mais poderoso discípulo, o herói ARJUNA, o arqueiro supremo, na famosa batalha de KURUKSHETRA.

Há três principais estágios na vida de Krishna:

No primeiro, Krishna nasceu em uma prisão em Mathura, onde seus parentes foram capturados por um demônio que tomou o lugar de um rei chamado Ugrasena. Sobre essa captura: Um dia, Ugrasena e sua esposa estavam caminhando nos jardins, onde um demônio viu a rainha e sentiu amor por ela. Em sua luta por ela, ele distraiu a atenção de Ugrasena, e assumiu sua forma e concretizou seu desejo. A criança nascida desta união foi Kamsa. Kamsa cresceu para destronar seu pai e prender sua irmã Devaki (filha de Ugrasena) e seu marido Vasudeva. Devaki mais tarde se tornou a mãe de Krishna.
Então um dia Kamsa estava levando sua irmã recém casada e seu marido Vasudeva para sua nova casa, quando uma voz vinda dos céus os interceptou. A voz disse para Kamsa que a oitava criança de Devaki iria matá-lo. Conseqüentemente, ele aprisionou o casal e começou a matar suas crianças, ano após ano. Sete crianças foram perdidas mas a oitava - o Deus - escapou das mãos do carniceiro e viveu para cumprir sua missão contra Kamsa mais tarde. Krishna nasceu à meia-noite do oitavo dia do equinócio do Bhadrapada (Agosto/Setembro) e foi trazido para Vrindavan por Vasudeva (pai de Krishna) na mesma noite, para salvá-lo de Kamsa.
Seu pai trabalhou para possibilitar ao bebê Krishna escapar para uma vila próxima e trocá-lo com outra criança. Ele foi criado pela família de pastores de vacas de Yashoda e Nanda Raja. Krishna cresceu como um garoto pastor de vacas.
No segundo, já como jovem, Krishna conquistou todas as garotas da vila com sua boa aparência, charme e atenção. Apesar de Radha ser sua favorita, ele flertou com as outras gopis também. Ocasionalmente ele se divide em vários, assim ele pode dar atenção a várias garotas de uma só vez. Estas estórias, que são boas lendas no nível superficial, também são interpretadas no nível de espírito.
Brajbhoomi, onde Krishna nasceu, compreende as cidades gêmeas de Mathura e Vrindavan. Esta não é apenas uma terra sagrada onde Krishna nasceu, mas um lugar cheio de reminiscências divinas. Foi aqui que ele encontrou pela última vez Radha, sua companheira inseparável. Vrindavan, há 15km de Mathura, foi o local favorito do casal divino.
No terceiro, como adulto, Krishna passou seu reinado no nordeste da Índia pela morte do rei Kamsa, evento este que é visto como a restauração do dharma. Na história do Mahabharata, ele então ajuda Arjuna, servindo como seu condutor de carroça e seus irmãos (os irmãos Pandava) em uma guerra para restaurar seu direito de reinar.
Em uma noite antes da batalha maior, Krishna e Arjuna tiveram uma longa discussão a respeito da natureza do dharma e do cosmos, que é preservado no Mahabharata como o Bhagavad Gita. No final da discussão, Krishna se revelou para Arjuna como Vishnu. As explicações de Krishna são contadas nos templos Vishnu e no festival anual de Ras Lila.
O Mahabharata (Udyogaparva 71.4), analisa a palavra 'Krishna' da seguinte maneira
krishir bhu-vacakah sabdo nas ca nirvriti-vacakah
tayor aikyam param brahma krishna ity abhidhiyate
(Tradução) - A palavra 'krish' é a característica atrativa da existência divina, e 'na' significa 'prazer espiritual.' Quando o verbo 'krish' é adicionado ao 'na', ele se torna 'krishna', que significa Verdade Absoluta.
De acordo com a maioria dos dicionários, a palavra Krishna significa 'negro' ou 'escuro' em sânscrito. Relaciona-se com palavras parecidas em outros idiomas indo-europeus. Às vezes se traduz como 'O Senhor Escuro' ou 'o de pele escura', o que me remete a filosofia Feri do Coração Negro da Inocência. Pode significar também 'Todo atrativo'.
Krishna é a o Deus que nos lembra que somos todos encarnações divinas com trabalhos divinos, lindos e perfeitos pois somos semelhantes aos Deuses. Dentro de cada um existe um sol, uma estrela, uma centelha divina ou flor mística, cada um a percebe de uma maneira, é ela que nos identifica com nosso parentesco divino, é essa centelha que nos conecta diretamente com a proposta divina e com a nossa verdadeira essência.
Na tradição Feri acreditamos que somos divididos em quatro selves principais, o Corpo, o Fetch, o Discursivo e a Ave Sagrada, que é o nosso self divino, através de práticas diárias alinhamos nossas quatro esferas do ser, possibilitando realizar o trabalho de nosso Deus interior, hoje, aqui e agora.

Práticas com Krishna e o Self Divino.

Sempre que quiser se conectar com a divindade em cada coisa, sempre que quiser acessar o seu Deus interior, peça auxilio a Krisha, a encarnação de Vishnu, para que ele te auxilie a encontrar dentro de si o Deus que busca. Um dos mantras muito populares a Krishna é Hare Krishna. Mas existem outros que se dirigem a ele como Govinda ou Gopala, que faz referencia a suas atividades de pastoreio, lembrando que todo trabalho exercido no plano terreno pode e deve ser sagrado e por isso feito da melhor maneira possível, Govinda Jaya Jaya, Gopala Jaya Jaya é uma ótima escolha.
Um exercício que deve ser feito diariamente na tradição Feri é a Oração Ha. O Exercício é simples e muito poderoso quando feito com freqüência, concentre-se e centre-se, inspire lentamente prestando atenção em seu corpo, respire por todos os seus poros e expire da mesma maneira, inspire agora pelo seu duplo etérico, o que chamamos de Fetch na tradição Feri, sinta-o ao seu redor, te envolvendo, grudado ao seu corpo físico, expire através dele, agora inspire através de sua aura, seu self discursivo e expire por ela da mesma maneira, por fim inspire pelo seu self divino localizado no alto de sua cabeça e expire por ele como fez com os outros. Agora inspire lentamente lembrando de todas as suas camadas, lembrando de seu eu divino e solte o ar pela foca, forte e rápido para cima, mentalizando “Todas as minhas camadas são uma só, sagradas e divinas.” Expire para cima, desta mesma maneira sempre que tiver terminado um exercício físico, sempre depois de um orgasmo, de uma boa refeição, de grandes acontecimentos, isso ajuda a distribuir para todas as suas camadas a energia que fica ao seu redor, muitas vezes sem um propósito definido, isso te coloca como dono de sua própria força, responsável pelo manejo e direção desta energia.
Outro exercício é realizar uma meditação simples, baseada em seus movimentos respiratórios e visualização. Sentado em uma posição confortável imagine acima de sua cabeça o símbolo do infinito um “8” deitado, brilhante e vivo, pulsante. Este é o seu Self-Divino. Inspire pelo topo de sua cabeça a energia que emana deste símbolo até a altura de seu coração. Essa energia se mescla com o oxigênio em seus pulmões e é transportada para todo o seu corpo, te colocando em harmonia com o trabalho de seu Deus interior. Ao finalizar diga em voz alta: “Que com a orientação dos Deuses eu possa realizar o meu trabalho divino no dia de hoje! Namastê!”

quarta-feira, 2 de maio de 2012

O trabalho do Deus Interior.




“Quem é esta flor acima de mim,
E qual o Trabalho deste Deus?
Eu conheceria a mim mesmo em todas partes”
A Oração da Flor – Victor Anderson

            Desde muito tempo eu percebo que o grande desafio da espiritualidade atualmente é relacionar vida material, carreira, vida pessoal, metas, o dia-a-dia com os trabalhos espirituais. Algumas vezes a única saída parece ser (e algumas vezes realmente o é) viver disto, trabalhar com isso, como terapeuta, tarólogo, escritor ou coisa do tipo. Mas infelizmente nem sempre estes trabalhos dão o retorno que esperamos ou mesmo a satisfação que buscamos num sentido profissional. Pode-se amar ser um bruxo, mas viver disto é outra história.
            Dentro da Tradição Feri, influenciado fortemente pela T. Thorn Coyle, eu comecei a observar o trabalho que meu Deus Interior pede, por muito tempo eu estava em conflito interno, procurando uma maneira de conciliar a minha espiritualidade com meu cotidiano, com minha carreira profissional, mesmo sentindo e sabendo que lavando a louça eu estava exercendo o trabalho de um Deus, eu precisava de algo mais, queria viver essa espiritualidade 24/7.
            A teoria dos 3 selves na tradição Feri coloca que temos uma faceta divina e podemos acessá-la de diversas maneiras, uma delas é a Oração da Flor, em que questionamos e interagimos com esta parte de nós tão divina. Este Self é conhecido dentro da minha tradição como Aumakua, que significa:
Au:  Um fogo ou fogueira subindo pelo ar, como um espírito, ou espírito, meu, seu, de outra pessoa. (entra no conceito de imanência e conexão).
Makua:  Parente, alguém mais velho, maduro, ou sustentar.
            Desta interação e repetindo sempre a oração muitos insights surgem, sempre. Qual o meu trabalho divino? Victor coloca que ao alcançarmos esta clareza vamos nos reconhecer em toda parte, um ditado ilustra bem isso “God is Self and Self is God and God is a person like myself” (Numa tradução mais poética “Deus é Ser e Ser é Deus e Deus é uma pessoa como meu Ser”) colocando que Deus está basicamente em mim, em você e em todo lugar.
            Aos poucos fui percebendo a maneira como no meu trabalho eu acabo interagindo com as pessoas, espiritualmente falando, mas não explicitamente espiritual. Como professor eu entrego meu trabalho a Apollo, por isso tento sempre realizar da melhor maneira possível, sempre me pergunto “Como um Deus faria isso?” e muito mais do que criar um peso de responsabilidade em cima dos meus ombros eu sei que eu estou livre para errar, melhorar e aprender, pois estou aberto a orientação divina, interna e externa. Como Sacerdote eu entrego meus trabalhos a Hera, como coordenador entrego a Gaia, como filho, irmão, amante, amigo, bruxo, tento sempre orientar minha prática visando o divino que há em mim.
            Desta maneira eu vivo a espiritualidade no meu dia-a-dia, cozinhando, estudando, buscando a cada momento acessar esta centelha divina que há em mim, buscando a melhor maneira de expressar esse trabalho divino que somente eu posso fazer, algo sob medida, buscando sempre a melhor maneira de esta flor desabrochar, cada vez mais lindamente e interagir com cada flor que é o outro.
            Expressamos o trabalho de nosso Deus interior através de nossas relações, eu posso ser advogado sem perder minha essência, pautando meu trabalho na bruxaria, por exemplo, mas sem precisar fazer um discurso, uma falácia, simplesmente agindo e procurando sempre expressar o que é do meu Deus Interior.
            Deixar que isso aconteça é também deixar que a espontaneidade tome conta de sua vida, pois a Deusa é criativa, nunca faz nada duas vezes iguais, assim nossa natureza divina é agira com criatividade em cada situação que nos é apresentada, é abrir-se para o novo. Todo dia um pouco do mistério é revelado, não existe pressa, tudo ocorre num tempo perfeito para aquele que se abre a isso, as pétalas vão desabrochando aos poucos, revelando aromas, cores, sensações. É uma experiência mágica se voltar para este trabalho, pois nos fala a alma, a alegria e o sucesso se tornam conseqüência, pois tudo vibra em sintonia. Uma árvore não se esforça para dar frutos, ela simplesmente expressa o seu ser divino, uma abelha não se esforça para buscar o pólen ou trabalhar na colméia, ela simplesmente deixa o seu Deus Interior agir e guiar o seu trabalho, existe entrega. Os seres são plenos na graça divina e com isso vem a prosperidade, o amor, a alegria. Não existem obstáculos para o trabalho do Deus Interior, pois tudo flui com a correnteza certa. É, claro, um desafio pois entre a consciência e a divindade interior existem camadas de ego, de insegurança, de estagnação, de medo. Mas lembre-se sempre, “onde há medo, há poder”.