sábado, 17 de março de 2012

Ain, Ain Soph, Ain Soph Aur - O Inicio, dos estudos e de tudo.

Qabalah sempre foi um assunto muito complexo e tentadoramente prático para se deixar passar batido. Minhas primeiras experiencias e contato teórico com o tema foi através do Tarot e é pelo Tarot que me motivei ao aprofundamento dos estudos. No Irmandade de Isis comecei a trabalhar com o livro do Stuart Myers sob a orientação de Matthew Bearden, meu padrinho dentro da Irmandade e através do Tarot me afiliei ao B.O.T.A. - Builders of the Adytum, que resumidamente conecta a prática da Qabalah com a prática de Tarot de uma maneira muito interessante. Dei inicio aos meus estudos “oficiais” de Qabalah esta semana e vou transcrever neste Blog as minhas anotações, insights e experiências com os estudos e práticas. O Objetivo deste novo momento de estudo é "plantar" a Árvore da Vida no meu ser em todos os níveis, já que a Qabalah, por mais intelectual que seja, representa um movimento anterior a qualquer racionalização, é também espiritual, emocional e física. 
                Os estudos se baseiam basicamente nestes livros:
- The Chicken Qabalah – Lon Milo DuQuette
- Between the Worlds: Witchcraft and the tree of life – Stuart Myers
- A Cabala Mística – Dion Fortune
- Buildersof the Adytum – Programa inicial para associados.
Além de pesquisas no Oráculo Google, o que tudo sabe e em aulas de Hermetismo que citam o assunto comparando com práticas de Yoga, Hermetismo, Bruxaria e Espiritualismo (The Hermetic Hour e Elemental Castings)


Os estudos se iniciam do inicio, a Evolução do Nada. Os 3 véus de existência Negativa. Ain, Ain Soph e Ain Soph Aur. Eu Gosto desta primeira imagem, os 3 véus se condensando em Kether, a primeira esfera da árvore da vida, dando a idéia de algo se solidificando, uma sensação de expansão e contração, é na verdade a primeira imagem de meditação, reflete os padrões universais de fluxo e refluxo,  um pulsar.
Primeiro era NADA (No-Thing, em inglês, traduz de uma maneira interessante, com um jogo de linguagem inteligente o que este primeiro momento representa) Ain, que pode ser traduzido como Deus(a) (e eu sigo a crença pagã de que é Deusa, um pensamento que vou desenvolver adiante). Ain ao realizar o seu próprio estado criou a primeira coisa, o conceito de Nada (Nothing, em oposição com No-thing, acho que podemos traduzir como No-Thing sendo “coisa nenhuma” e nothing como “Coisa alguma”). Ain ao realizar-se em si mesmo criou Ain Soph o conceito de nada e é traduzido como Nada ilimitado, simbolizando assim o plano mental, o plano das idéias e portando cheio de potencial.
Quando Ain Soph compreendeu o seu estado anterior, fazendo o caminho contrário a sua criação (já que Ain compreendeu Ain Soph, agora é a vez de Ain Soph compreender Ain, o que antes era Um agora se tornou Dois e desta relação [já que uma relação implica obrigatoriamente 2 ou mais coisas] um 3 vai surgir) teve o primeiro insight, o Eureka! A lâmpada da idéia brilhante, criou-se então Ain Soph Aur, A luz ilimitada.

É realmente muito complexo e tarefa de uma vida tentar assimilar o conceito de Ain, por não existir um conceito que defina este estado, tentar defini-lo por palavras é transformá-lo imediatamente em Ain Soph. Por isso o conceito de Ain é algo para ser meditado, indo além da compreensão intelectual, é preciso ser uma compreensão física, visceral, já que o NADA, no final das contas é TUDO, ou melhor TUDO é NADA.
A idéia deste primeiro momento de criação é muito similar a diversos outros mitos. “No inicio era a Escuridão. Fiat Lux. E então a Luz se fez.” Como no mito cristão, ou “A Deusa em sua complexidade, ao mirar-se no espelho negro do universo descobriu a si mesma e consigo fez amor. O resultado deste ato foi brotar toda a criação do universo.” Como coloca o mito da tradição Feri. O mito de criação Grego coloca também “No inicio era o Nada, que em sua energia, infinita e criadora transformou-se em Hydros/Khaos, o oceano primordial da vida e se desdobrou em Gê, a lama cósmica da qual tudo brota e para qual tudo perece.”
Estes três estados da existência são conhecidos como estados “Negativos” em polaridade energética, física e nada tem a ver com os conceitos humanos-culturais de Bem e Mal. Por serem negativos, receptivos, são considerados femininos. Como o corpo da Deusa Egípia Nuit se Arca sobre a terra, Geb e entre os dois acontece a criação, assim como o faz os 3 véus sobre a Árvore da Vida.

Crowley explica em seu "Qabalistic Dogma" Sobre está dinâmica:
"(...)O Confronto destes [Ain e Ain Soph] produz a Idéia finita positiva que ocorre ser Luz, אור [Aur].
"Esta palavra [Aur] é a mais importante. Ela simboliza o Universo imediatamente após o Chaos, a confusão do Confronto de infinitos Opostos. א [Aleph] é o Ovo da Matéria; ו [Yod] é Taurus, o Touro, ou Energia-Motiva; e ר [Resh] é o Sol, ou Sistema de Orbes organizado e móvel. As três Letras de [Ain] desta forma repetem as três Idéias."

Este novo momento meu de estudos de Qabalah, mais sistematizado, amplo e organizado (já tenho alguma base, de outros estudos sobre o assunto feito em outros momentos) segue uma nova abordagem: Envolver corpo, mente e espírito na assimilação dos mistérios. Como um mistério de Apollo, vou plantar em mim a árvore da vida, em minha aura que vai refletir em meu corpo conseqüentemente.  Neste primeiro momento se faz imperativo ir além da compreensão intelectual da Qabalah, já que os primeiros passos da criação transcendem a mente e só podem ser vividos, compreendidos e contemplados através do corpo, através dos sentimentos , algo que antecede o racional e para ele confere bases.
A proposta deste primeiro momento é meditar sobre Ain e seu desdobramento em Ain Soph e Ain Soph Aur. Eu devo dizer que é desafiador, minha prática mostrou que tocar Ain é ameaçar romper as barreiras egóicas que separam o “Eu” do “Outro” e se diluir no todo. Segundos desta experiência se tornam insuportáveis por tamanha gama de informações que nossa consciência Divina acessa e que não pode ser simplesmente traduzida para a consciência física num primeiro momento. Então aos poucos vamos bebendo da fonte primordial, testando os limites de nosso Ego para que passo a passo possamos ir e voltar deste estado com segurança, confiança e voltarmos com aprendizado, sabedoria e compreensão abrangente, em todos os níveis de nosso ser.
Claro que muito do que eu escrevi pode mudar conforme eu for avançando no aprendizado. Estas foram as minhas anotações e insights da primeira aula, podemos juntos construir um conhecimento mais sólido sobre cada etapa deste processo.
Namastê

2 comentários:

  1. Meu caro, considero um deleite de leitura o livro "A Cabala das Feiticeiras", da Ellen Cannon Reed, e o "Cabala: um enfoque feminino", da Vivianne Crowley. Fica a dica e meu abraço!

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  2. Gratidao Emanuel, vou dar uma lida sim!! Saudades suas =D

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