terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Repensando a Roda do Ano: Lugnnasadh

         Lughnasadh fica em um momento muito especial em nossa cultura, é seguido do ano novo, um mês após todos os rituais de virada dos quais nossa sociedade e cultura se animam tanto, é um momento para fazer projetos, imaginar, planejar e criar estratégias para tirar o melhor deste ano por vir. Aquário, todas as habilidades que competem a este signo podem ser expressas neste momento e muito mais, além de imaginar é hora de colocar em prática.
               Este festival tem várias características que valem a pena serem trabalhadas e repensadas para os dias atuais, a primeira delas é a questão das colheitas, durante Lughnasadh celebramos a primeira colheita, recolhemos os frutos de nossos esforços e agradecemos, por isso é um tempo de muito trabalho, é hora de plantarmos o que queremos colher no nosso ano, sementes de ideais e metas e agradecermos por toda a colheita farta e próspera que tivemos. Outra característica importante é a influência de Lugh, o Deus Celta das Mil Habilidades, que é patrono deste festival, fazendo referencia as diversas facetas de nós mesmos.  Como o trabalho de Lugh se direcionava para a sua comunidade, assim também são as nossas ações, de que maneira você vai realizar o trabalho de seu Deus Interior nesta nova etapa?
                Existem várias maneiras com as quais podemos expressar o divino dentro de nós, uma delas é através de nosso trabalho. Muitas vezes procuramos viver a espiritualidade com trabalhos que geralmente envolvem espiritualidade, como cura holística, sacerdotes da Deusa, oráculos e etc, mas esquecemos de que todo trabalho se torna divino quando feito com consciência e presença. Respire fundo, foque-se no agora e procure expressar o Deus interior em qualquer trabalho que fizer. Se for lavar louça, lave como se fosse um Deus. Se for limpar a casa, limpe como se fosse um Deus purificando a sua vida, se for ensinar, projetar, vender, atender, cuidar, dirigir ou o que for, faça-o como se fosse um Deus fazendo, por que na verdade o é!
                Como Apollo lavaria louça? Como Morrighan venderia um celular? E como Hera limparia uma casa? Dê o seu melhor. Reconte a sua historia de vida, reescreva-a como se fosse um mito, isso nos ajuda a entender alguns dramas, vencer algumas batalhas internas e derrotar nossos próprios demônios. Encontrar nosso Self divino significa reconhecer a sacralidade de nosso corpo, de tudo ao redor, de que estamos conectados, é imanência, muito mais, é saber que podemos realizar proezas divinas e nutrir nossa comunidade com o trabalho que escolhermos. É esta energia que reflete o signo de Aquário, a de que somos divinos, é o amanhecer de uma nova era, é poder planejar, refletir e pensar, analisar separar, os poderes do Ar em ação.
                Uma das maneiras mais belas que eu encontrei de expressar o Deus em mim é agradecendo, e de certa maneira Lughnasadh tem disso, da gratidão pela colheita e pelos grãos. Então agradeça, neste momento, sendo generoso, prepare um banquete, cozinhe, compre comidas e bebidas, entregue-se a fartura e abundancia, ressalte para o universo aquilo que você quer através de sua gratidão e generosidade. Gratidão é o marca-texto do universo, ao agradecermos ressaltamos para o cosmos e para nós mesmo aquilo que nos faz bem, aquilo que queremos em abundancia em nossa vida e mostramos a nós mesmos que existe muito em nossa vida que é digno de ser agradecido e lembrado. Faça uma lista de elogios para as pessoas que estão ao seu redor. Sorria para 5 estranhos e veja como eles reagem. Verbalize as coisas das quais você sente orgulho. Pense nas coisas que ama. E a partir disto, perceba como o universo vai conspirar para manifestar em sua vida somente aquilo que você exalta.
                Neste momento do ano, faça as suas metas baseadas em seus desejos, suas paixões e que elas possam refletir o Deus que há em ti, segundo sempre a única lei, a do amor. Que tipo de Deus você seria? Ressalte para os Deuses sua gratidão e tudo o que de bom tem ao seu redor, ajude a nutrir sua comunidade com um trabalho honesto e justo, com o melhor que você tem para dar. Assuma a responsabilidade de sua própria vida e construa! O que você quer plantar com suas palavras?

Itzamna – Máscaras

Itzamna “casa do orvalho” era o senhor dos céus, deus do dia e da noite. Apesar de ser uma das divindades maias mais importantes, era retratado como um velho desajeitado e bondoso, de nariz avermelhado e bulboso, sem dentes, utilizando um chapéu florido. Às vezes aparecia como uma serpente plumada (Kukulcan), identificado com Quetzalcoatl dos astecas. Também aparecia como um crocodilo.
Também é representado como um deus de quatro cabeças, cada uma como uma direção cardeal, ou então, quatro deuses diferentes, os Itzamnas. No entanto, os Itzamnas também podem ser seus filhos Bacabs, os gigantes que sustentam o céu: Cauac (o Sul vermelho), Ix (o Oeste negro), Kan (o Leste amarelo) e Mulac (o Norte branco).
 Itzamna ajudava a humanidade com seus poderes de cura (possuía uma mão medicinal incandescente capaz de ressuscitar os mortos) e jamais era relacionado a quaisquer males ou desastres, sendo totalmente benevolente, o lado positivo do Sol (Kinich Ahau, que pode ser o nome de um deus ou uma versão de Itzamna). Portanto, estava desligado de guerras e sacrifícios humanos. Os maias acreditavam que ele teria vindo como um grande herói que ensinou a escrita, o calendário, a agricultura (principalmente do milho) e os rituais religiosos. Sacerdotes maias colhiam o orvalho, pois o consideravam lágrimas de Itzamna por causa da escuridão noturna.
Filho do criador Hunab Ku, foi casado com o Ixchel, com quem teve Yum Kaax, Ek Chuah, entre outros deuses das estrelas, da noite e das águas, responsáveis pela criação do céu, da terra e de tudo que há nela. A história de Itzamna e Ixchel é semelhante a de Izanagi e Izanami, da mitologia japonesa.
Itzamna é um Deus que cura, nutre e transforma. Seus bons conselhos nos mostram as direções a seguir e sua influência é benéfica para identificarmos as máscaras que usamos para disfarçar a dor, as nossas feridas e as nossas fraquezas. Sua natureza benevolente nos lembra de nossa divindade interior, o que resta quando nos livramos de todas as camadas impostas pelos ideais sociais, pelas expectativas de nossos pais, de nossos chefes, de nossos amantes. Itzamna nos ajuda a descobrir quem realmente somos, o que queremos, qual o nosso trabalho divino.

Ritual com Itzamna – As camadas do Self.

Prepare o espaço ritual, monte o altar com cinco velas, uma para cada direção cardeal e outra para o centro, branca ou preta de preferência. Na noite anterior ao ritual estenda um lençol no sereno para captar o orvalho e fazer de oferenda a esse Deus. Prepare um incenso de carvalho, salgueiro ou musgo. Tenha consigo a sua faca ritual, caso não tenha uma, use uma faca de cozinha ou sua tesoura de jardinagem, o que preferir. Acenda as quatro velas e invoque Itzamna, com suas próprias palavras honre o Deus e peça por suas bênçãos em sua vida, peça sua orientação e energia beneficente. Acenda a vela do centro.
Concentre-se e centre-se. Respire fundo, lance suas raízes ao centro da terra. Sugue energia, entregue energia, renove-se. Carregue energeticamente seu punhal para este trabalho. Respire através dele. Você vai usa-lo para demarcar a fronteira do que” é você” do que “não é você”. O “não eu” pode tomar forma de papéis ou identidades que foram impostas a você, ou que você assumiu para poder se enturmar com outros grupos, em determinadas situações, todas elas te afastam de ti mesmo. Se o processo começar a ficar difícil, olhe para as velas, elas indicam o caminho. Faça uma prece a Itzamna, entregue-se a ele.
Continue respirando fundo, usando seu punhal para cortar o que não é você, continue se perguntando “Quem sou eu?” , “Este sou eu?”, Professor, amigo, amante, irmão, fracassado, incapaz, impossibilitado, burro, pobre, esforçado, nerd, cdf, esquisito, bichinha, machão, grosso, deixe que todas essas identidades, esses nomes serem cortados. Quando estes tiverem ido embora, respire fundo, olhe para o seu rosto, sinta o pulsar de seu coração, continue por mais uma camada. As vezes existem máscaras em meu rosto que estão tão coladas, são tão difíceis de ser identificadas pois eu as uso a tanto tempo. Respire e continue, “Quem sou eu?” Existe algum lugar em si mesmo que possa guardar algo que te prenda a um “não eu”? Uma postura, um pensamento, um nome, uma careta.
Encontre-se no centro de si mesmo, o que existe lá? Um cheiro, uma cor, uma imagem, uma sensação? Se glorifique nesta sensação de seu eu mais intimo, respire isso em ti, incorpore esse seu eu. Que postura, que gesto te lembra esse seu eu verdadeiro? Ligue um gesto a essa nova consciência, para que sempre que precisar, este gesto possa te levar a esse padrão energético, escreva um mantra, uma rima. Se existe alguma identidade que você deseja manter, deixe-a por perto, vista-a como uma roupa, como isso te faz sentir? Como o seu eu interior se sente por baixo desta roupa? Quanto as outras máscaras que você não quer mais, entregue-as para a terra, como energia neutra, para que a terra as transforme em adubo, que vai nutrir vida nova.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Lembra-se de mim?

Quando começamos a estudar o Tarot e vamos além, vivemos-o, começamos a enxergar seus significados e significantes por onde passamos e vez ou outra algo nos fala de um Arcano em particular, o cotidiano nos entrega as cartas. Eu gosto disto, quando me abro para as possibilidades o universo encontra meios de se comunicar.
Hoje eu fiquei com vontade de ouvir a nova música do Evanescence - What you want, e seguindo a letra eu me dei conta de como ela fala de uma experiencia com O Louco e como muitas vezes precisamos fazer a linha Louco e descer para arrasar! Tem que se jogar, se não não tem graça.
Algumas partes me lembram muito mais este Arcano do que outras e outras ainda me falam de seus mistérios mais profundos, "Remember who you really are" (lembre-se de quem você realmente é) logo no inicio da música nos convida a reconhecer dentro de nós mesmos a potência da espontaneidade e do mistério da aleatoriedade e ainda "Hello, hello, remember me? I'm everything you can't control..." (Lembra-se de mim? Eu sou tudo aquilo que você não pode controlar...) sobre como algumas coisas simplesmente fogem do controle e isso faz parte do mistério da vida.
Bem, deixo então o clipe com letra oficial para que cada um tire suas próprias reflexões.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Bruxaria, uma episteme.

Epistemologia é o ramo da filosofia que estuda basicamente os encontros entre crenças e conhecimentos, é também uma forma de esclarecer a “visão de sujeito” que cada vertente de estudo tem do ser humano. Atualmente este tipo de esclarecimento se faz necessário para que se possa estabelecer a bruxaria como religião, tirando o conceito de bruxo do imaginário folclórico do povo  e colocando-o como uma prática séria e rica para a nossa sociedade e comunidade. Para que isso aconteça primeiro os próprios bruxos têm que saber pelo que se nomeiam desta maneira, afinal uma das primeiras prerrogativas da bruxaria é tornar o praticante consciente, desperto, sendo contra qualquer tipo de alienação e isto inclui esclarecer qual é a matriz que confere base a religião de bruxaria. 
Primeiramente deve-se dizer que a Bruxaria é uma religião e também uma filosofia, onde a religião se encontra com a filosofia? Não é redundante falar que algo é um e outro? Ou não é blasfêmia relacionar uma prática a outra? Bem, para a última duas perguntas a resposta é não. Para que a primeira pergunta possa ser respondida de maneira clara, é preciso esclarecer os conceitos de religião e filosofia: Religião vem do Latim Religare (com o divino, com a natureza, com ambos, com uma coisa só, consigo mesmo, com os outros, etc.) e se enquadra em um conjunto de sistemas culturais e de crenças, além de visões de mundo, que estabelece os símbolos que relacionam a humanidade com a espiritualidade e os valores morais, já filosofia é o estudo de problemas fundamentais relacionados à existência, ao conhecimento, à verdade, aos valores morais e estéticos, à mente e à linguagem. Bingo! Temos a primeira estrutura básica que define um pouco mais da prática de bruxaria, com estes conceitos descartamos algumas religiões e algumas filosofias, mas isso por si só não define a bruxaria, para uma prática ser considerada bruxaria ela deve seguir alguns outros parâmetros fundamentais.
Primeiramente, o conceito de Divindade e espírito deve ser pluralista e isso não significa politeísta. Significa que o divino é encontrado em muitas formas, de muitas maneiras e com isso reconhecer as polaridades deste divino, algumas vezes (e mais popularmente) estas polaridades se retratam como Feminino e Masculino (Grande Mãe e Grande Pai) outras vezes como várias faces de uma mesma feminilidade ou de uma masculinidade, mas o mais importante é reconhecer a natureza fértil da energia criativa, negativa, passiva e a natureza fértil da energia expressiva, positiva, ativa. Partindo deste pressuposto, para uma prática ser definida como bruxaria ela deve reconhecer a natureza como sagrada, tudo ao redor como uma expressão da criação divina e reconhecer a divindade em cada coisa em separada e em tudo junto, este é o conceito de imanência e como coloca T. Thorn Coyle sobre isto: “Imanente, Ela (a divindade) preenche todos os espaços de nosso ser com mistério e beleza: Está na planta que nasce, se espremendo pelas calçadas rachadas, ou no raio de sol que ilumina o céu. Imanência é a voz da brisa nas folhas das árvores, é a queda d'água em uma cachoeira e no encontro do mar com a areia. Imanência é um beijo, um toque, o fôlego. É o seu corpo no encontro de outro corpo no calor da luxúria e celebração.
O divino no mundo está também em cada um de nós e estabelece a relação com tudo o que nos rodeia. Na natureza nós vivenciamos o plural, o múltiplo: A natureza é o corpo no qual a diferença flui...”
Imanência é um conceito muito importante dentro da prática de bruxaria, pois é através dele que o bruxo direciona suas práticas, reflete sobre as suas ações e baseia suas escolhas, este norteador coloca que ao prestar culto, um buscador pode, pela imanência achar a divindade dentro de si procurando-a. Através da imanência pode-se medir o impacto de seus atos na comunidade e no mundo, o bruxo é parte da natureza, é uma extensão dela e não a domina, se harmoniza com ela, trabalha em conjunto com seus fluxos e reconhece em si os padrões naturais, com isso respeita a diversidade como uma expressão da criatividade divina e por isso não tem a visão de si mesmo como superior frente a outras manifestações naturais, todos nos assemelhamos por sermos diferentes e isso nos torna sagrados. Mas também isso não define uma prática como bruxaria.
Para uma prática ser definida como bruxaria ela deve somar aos conceitos anteriores o conceito de ciclos naturais. A Bruxaria reconhece que todas as criações divinas seguem o mesmo padrão,  e por isso vibram em maior ou menor escalas os mesmos ciclos.Um bruxo pode se colocar (e reconhecer em si mesmo) em harmonia com os ciclos naturais de diversas maneiras e os mais populares são as práticas com os ciclos lunares e solares, mas pode-se alinhar o corpo, mente e espírito com os ciclos das plantações, com as marés, com as temporadas de chuvas e tantas outras formas, o importante é reconhecer em si mesmo o movimento natural externo, e com este reconhecimento expressar um viver saudável, num sentido holístico, amplo. Se alinhando aos ciclos pode-se vivê-los de maneira mais tranqüila e natural, ao identificar cada período de nossa vida podemos descobrir novas ferramentas para tornar a nossa existência mais eficiente e harmonizada com a vida ao redor, naturalmente.
Por fim um bruxo reconhece a existência além da matéria, entende que existem planos além do físico e que estes podem ser acessados e explorados através da orientação apropriada para refletir a harmonia natural em todas as esferas, principalmente a esfera terrestre. Um bruxo realiza um trabalho bem feito pois acredita que tudo é uma expressão do divino interior, trabalha em prol da cura, num sentido mais amplo da palavra e para nutrir a sua comunidade, fazê-la evoluir e aprimorar cada vez mais seus componentes. 
A magia é parte integrante das práticas de bruxaria e entende-se por magia “a arte de modificar a realidade através da vontade” como coloca Dion Fortune. Esta afirmação pode ter vários desdobramentos, a interpretação desta citação fica por conta das vertentes de bruxaria e práticas mágicas, mas essencialmente, trabalhar com “magia” é compreender que ao nosso redor tudo é energia e esta energia pode ser sintonizada e bem direcionada através de concentração, visualização, foco e exercícios físicos, é compreender profundamente a natureza da energia e saber com isso quais as conseqüências que cada ação neste manejo irão trazer. 
Com estes conceitos básicos (e com certeza existem outros pontos de vista sobre os mesmos) conseguimos criar um esqueleto sobre a prática de bruxaria, o que vai mudar daqui por diante é o que cada tradição, cada escola, cada vertente vai acrescentar e isso estabelece limites claros entre o que é bruxaria, o que é magia cerimonial, thelema, hinduísmo, helenismo e etc. Conceitos reencarnatórios, de pós vida, de natureza e de valores morais variam de acordo com cada forma de pensar de cada grupo teórico. Wicca e suas vertentes mil são formas de bruxaria, a Tradição Feri é uma forma de bruxaria, druidismo, xamanismo e pajelança são as formas mais primárias e cruas da bruxaria moderna, mas não podem ser classificadas como formas de bruxaria pois seguem suas próprias prerrogativas. É claro que a bruxaria evoluiu... não é exatamente o que se era praticado na idade média e muito menos o que se praticava no antigo Egito, Irlanda ou Amazônia, assim como a medicina, a psicologia e a arquitetura, engenharia e etc, as necessidades mudaram e com isso alguns conceitos foram se tornando mais complexos, existindo somente a estruturação básica e o referencial filosófico-religioso-prático de uma expressão cultural humana.
Ser um bruxo atualmente é partir em busca do que Jung nomeou como processo de individuação e de que muitas escolas holísticas nomearam como expressão da totalidade aliado com praticas e referenciais naturais. As conseqüências desta busca é um viver mais consciente, saudável e incentiva o progresso social de maneira sadia e segura pois a pessoa aprende ao longo do caminho e dentro da religião a refletir sobre o impacto de suas ações sobre a vida dos outros e sobre a natureza, além de desvendar os mistérios do próprio corpo, da vida e da morte e dos outros níveis de existência.

O Sol - Burn out


O Arcano Sol sempre foi objeto de inspiração para mim, desde cedo foi a minha carta favorita e sua presença em alguma leitura era sempre motivo de alegria e tranquilidade, pois sabia que tudo ia dar certo.
Conforme fui avançando na minha prática espiritual e me tornando mais próximo dos ritos e práticas com Apollo a minha vivência com O Sol também foi mudando e eu fui entendendo mais e mais o seu significado. Começou a se tornar mais complexa as leituras com este e outros Arcanos, por exemplo, quando O Sol aparecia em uma casa como conselho negativo ou para explicar uma situação menos positiva, como isso acontecia?
Bem, Apollo me disse que a mesma Luz que incentiva o grão a brotar e aquece a terra é a Luz que queima os grãos e a pele, simples assim... O Sol como Arcano no Tarot não é muito diferente e na semana de meditação com este não podia ser diferente do que algo cheio de energia e trabalho e muito trabalho. 
"Nada em excesso" é o que diz uma das máximas do Oráculo de Delfos... um conselho pertinente a esta carta, o  Sol é a vitalidade, força e energia que motiva e incentiva o movimento, é o rei do verão, inspira descanso e diversão, alegria e uma certa paz tudo isso se você aproveitar com moderação.
Que melhor época para falar do Sol do que em meio a uma onde de calor? Pois então, o mesmo sol que aquece no inverno, causa exaustão no verão, queima, desidrata e cansa. 
"Conhece a ti mesmo" outra máxima Délfica que exprime um dos vários significados deste Arcano: Clareza. Muitas vezes O Sol aparece para mostrar o que realmente está acontecendo e responsabilizar a quem couber está carga.
Como Sacerdote de Apollo nunca, nunquinha saio no sol sem protetor solar e sempre que dá estou de óculos escuros, meus companheiros sempre me questionam: Mas você não é Filho de Apollo? E eu sempre respondo: É por saber dos poderes Dele que eu sei que preciso me cuidar. O Sol não faz distinção entre pessoas, seres ou objetos, sua luz é a mesma para todos, é a prerrogativa da Harmonia.

"Oráculo de Apollo
Quem me procura com coração aberto e mente sadia me encontra nos primeiros raios de sol da manhã bem como nos últimos raios do por-do-sol. já que sou aquele que inicia e também o que termina, pois tudo o que amadurece plenamente tende a apodrecer. Esta é a minha natureza, esta é a natureza da vida. Minhas bençãos impelem os grãos a brotarem e para tanto a semente deve deixar de existir. O que você está disposto a deixar morrer para poder crescer?
Se engana quem pensa que me limito ao inicio e ao fim, sou a continuidade, pois através de mim nada morre, apenas se transforma, sou harmonia ao invés de equilíbrio, sou a luz que motiva e também que exausta, sou o grão que brota e a colheita que apodrece, sou o rebanho farto e o lobo que o devora. 
Através de mim as Síbilas profetizam, minha luz lhes confere clareza para se conectarem aos Mistérios da Grande Mãe, aos Mistérios da Terra. 
Agitem-se, cantem e dancem, inspirem-se e criem, renovem-se em minha dádiva e reconheçam que minha luz brilha através de tudo, pois sou o Sol sagrado da Vida, sou o Sol alquímico que transforma o chumbo em ouro, que lapida o caráter e amadurece os homens."