domingo, 22 de janeiro de 2012

Zeus – Masculinidade

      
      A história de Zeus é tão complexa quanto a própria masculinidade e até mesmo quanto o desenvolvimento cultural que conhecemos hoje em dia. Historicamente falando, estudos mostram que na Grécia antiga os cultos eram matriarcais até que suas regiões tribais foram dominadas pelos Indo-Europeus Dorians que instalaram no local um culto patriarcal.
            Zeus é o rei dos Deuses, senhor do céu, clima, lei, ordem e destino. Geralmente descrito como um homem maduro, robusto e com barba escura, seus atributos são os Raios, o Cetro Real e a Águia. 
Como Deus soberano, Zeus é o maior dos Olimpianos, pai dos Deuses e homens, filho de Cronos e Rhea, irmão de Poseidon, Hades, Hestia, Demeter, Hera e casado com Ela. Quando Zeus destronou seu Pai, Cronos, dividiu igualmente o reino da Terra. Os mares foi para Poseidon, o Tartaro para Hades e para Ele mesmo, os céus, sendo a terra comum a todos.
         Alguns estudiosos de mitologia enumeram Zeus como sendo tríplice, duas formas Arcadianas e uma Cretana. O primeiro é considero como filho de Aether, o segundo de Coelus e o terceiro de Cronos/Saturnus. 
           Muitas são as lendas que envolvem este Deus, a maioria descrevendo suas aventuras sexuais e seus feitos heróicos. A mais pertinente para este momento é a lenda de seu nascimento como contada por Hesiodo: “Cronos, temendo a profecia de Gaia de que um de seus filhos usurparia seu trono assim como ele mesmo fez com seu pai começou a engolir sua prole logo assim que nasciam. Rhea, cansada de ver seus filhos sendo devorados recorreu a Uranus e Gaia para pedir conselhos antes que Zeuz nascesse, pedindo para salvar a criança. Horas antes do parto, Gaia mandou Rhea para Lyctos em Creta, sugerindo que tivesse seu filho lá. Rhea assim o fez, deu a luz a Zeus em uma caverna no Monte Aegaeon, entregando a Cronos uma pedra embrulhada em panos, que o mesmo engoliu na crença de ser o seu filho. Zeus cresceu em Creta.
Neste meio tempo, Cronos aconselhado por Gaia ou Metis começou a vomitar as crianças que engoliu e a primeira de todas a sair foi a pedra. Com a ameaça de guerra eminente, Zeus mostrou a que veio e libertou os ciclopes que Cronos então tinha aprisionado, que como gratidão ofereceram a Zeus a sua arma mais preciosa, os Raios e relâmpagos. Seguindo os conselhos de Gaia, Zeus ainda libertou os gigantes de cem braços, para que eles o ajudassem na guerra contra os titãs.
Com a vitória de Zeus, a primeira escolha de esposa foi Metis, que engravidou dele de Athena, mas como Gaia profetizou que um filho seu iria usurpar seu trono, seguindo a dinâmica familiar, Zeus engoliu Metis grávida. Com isso Zeus deu a luz a Athena, que saiu de sua cabeça, sendo “filha sem mãe”. Após Metis, Zeus teve como esposa Themis, com quem gerou as Horas e as Moiras, as Caritas com Eurinome, Persefone com Demeter e as Musas com Mnemosyne, Apollo e Artemis com Leto, Hebe, Ares e Eileithyia com Hera, sua esposa oficial.”

Zeus veio ao mundo com um fardo enorme nos ombros, filho de Chronus e Rhea, neto de Gaia e Uranus foi a criança da promessa de seu tempo, destinado a seguir os passos do próprio pai que usurpou o trono de Uranos (pai de Cronus, avô de Zeus) e se tornou o tirano da vez. Não deve ser fácil alguém crescer sob a expectativa de uma sociedade inteira, como a promessa de salvação e ainda ter de derrotar o próprio pai nesta trama toda. Querendo ou não esta é a nossa realidade. Nós homens nascemos destinamos a ter sucesso, a superar nossos pais, a fazer dinheiro e ter uma profissão digna, nos tornarmos senhores de nosso lar e ainda transar com o maior número de mulheres que pudermos. A traição é uma realidade em nossa sociedade, mas antes de mais nada precisamos definir o que é masculinidade. 
Freud coloca que nosso primeiro conflito é o Edipiano, onde os meninos, quando bebês, temem a castração do pai, amam a mãe e rivalizam com a figura paterna, precisando de alguma maneira derrotá-la. Naturalmente a vitória não é alcançada, a mãe é separada do filho pelo que Lacan chama de “Nomes do Pai” e eles podem ser o trabalho da mãe, as atribuições diversas que a mãe pode ter e vai deixando de dar prioridade máxima ao seu filho. É saudável e confere a criança um desenvolvimento rico e valoroso. No final das contas somos todos Zeus de nossas vidas, impossibilitados de seguir o destino que escolhermos para nós mesmos, amarrados a expectativas e ideais culturais, atados a falsos ideais masculinos de força, virilidade e amor.
O mito de Zeus foi modificado conforme a cultura se transformava, Zeus foi e ainda é uma referencia a masculinidade moderna, mas nem sempre ele representou a violência e corrupção que temos visão hoje em dia. Zeus pode nos ensinar sobre os mistérios de ser homem, podemos através dele meditar sobre o que é ser masculino, ser pai, ser chefe e ser amante, provedor de nosso lar e trabalhador. Zeus é o senhor de muitas máscaras, muitos papeis sociais que temos que representar e podemos alcançar a nossa masculinidade de maneira sadia e valorosa, escolhendo o nosso próprio destino, escolhendo nos tornar o que queremos ser, inteiros, íntegros. 

Ritual com Zeus – (Re)Descobrindo a masculinidade.

Prepare o altar com uma figura de Zeus, uma vela azul, oferendas de mel e leite, frutas e pães, um vinho tinto pode acompanhar as oferendas.
Separe um relógio despertador, folhas de papel em branco e uma caneta com ponta grossa, que seja fácil de escrever com rapidez e um espelho de rosto.
Concentre-se e centre-se, estabeleça o espaço sagrado, um lugar acolhedor onde não será perturbado nem por celulares ou por pessoas, um espaço seu. Invoque Zeus, senhor e rei dos Céus, use suas próprias palavras, identifique-se com esse Deus. Peça seu amparo, sua inspiração neste momento de reflexão. 
Coloque o relógio para despertar em dois minutos e comece a escrever começando assim “Ser homem é... Masculinidade é...” Escreva sem parar, deixe as palavras fluírem, deixe que elas se repitam, deixe que não façam sentindo, mantenha o tema, escreva sem parar até o relógio despertar e quando isso acontecer não pare, continue “Ser homem é... “Masculinidade é...” sempre escrevendo, cada vez mais rápido, os raios de Zeus queimando as folhas, marcando você, a tinta azul como os relâmpagos ou preta como as nuvens de tempestades, continue, deixe que as palavras venham do fundo, de dentro, do seu inconsciente, do seu eu divino, mesmo que se repitam, escreva até não poder mais. 
Leia o que escreveu. O que se repete? O que aparece com mais freqüência? O que te marcou mais? Escolha esta frase e olhe no espelho, repita esta frase olhando nos seus olhos. Ser homem é... Masculinidade é... Guarde essa frase consigo e repita sempre que sentir que uma escolha é imposta a você, sempre que sentir que precisar reivindicar sua masculinidade, sua verdadeira masculinidade.

3 comentários:

  1. Curioso pensar em masculinidade e em Zeus - o Deus que (tra)vestiu-se de mulher para conquistar uma mulher. Não existem limites para a essência masculina fertilizadora de Zeus, nem mesmo a aparência externa ou o gênero biológico.

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  2. É verdade Emanuel, por isso escolhi a carta do Olympus Tarot, Zeus é O Mago, cheio de disfarces, cheio de habilidades...

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  3. Na verdade para mim Zeus é a carta do imperador, nela reflete muito bem sua força e seu poder sobre os Deuses e os homens.

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