sábado, 14 de janeiro de 2012

Príapus – O Falo


                Priapus ou Príapo é um Deus da fertilidade, agricultura e patrono de frutas, grãos e animais. A Ele são atribuídas as colheitas fartas e abundantes, geralmente é representado como um anão possuidor de um pênis enorme que é símbolo da fertilidade das plantações, em sua cabeça um chapéu pontiagudo proveniente da Turquia. Seu culto teve inicio em Mísia (Anatólia) e de lá foi para a Itália e Grécia, onde foi remodelado aos modelos gregos. Estatuas de Príapo eram colocadas nas plantações para garantir fertilidade e boa colheita, era um tipo de espantalho da época. Seus pais geralmente eram colocados como Hermes ou Dionísio, sua mãe é Afrodite.
                É dito que Afrodite envolveu-se amorosamente com Dioníso, mas durante a durante a viagem dele para Índia ela foi infiel, vivendo com Adonis. Quando Dionísio retornou de suas expedições Afrodite voltou a viver com ele, mas não por muito tempo, partiu para viver em Lampsacus em Hellesponte para dar a luz ao bebê de Adonis. Mas Hera estava atenta a toda trama e não estava satisfeita com a infidelidade de Afrodite, então com seus poderes fez com que de Afrodite nascesse um bebê horrendo com genitais enormes.
                A Príapo creditava-se a fertilidade tanto das terras em que se plantavam quanto dos animais ligados a vida agrária, como as abelhas, cabras e ovelhas. Em seu nome são entregues as primeiras frutas colhidas das plantações, leite de cabra e vaca, sapos e rãs, mel, pães e bolos. Seu Símbolo é a cornucópia ou o cesto com frutas.
                Ovidio conta em uma lenda a vergonha de Priapo: “Um burro também é sacrificado em nome do Guarda dos Campos, Príapo. A razão é vergonhosa, mas satisfaz o Deus. Em tempos antigos na belíssima Grécia eis que Baco da coroa de uvas lança um banquete, celebrado como de costume a cada terceiro inverno. Todos os Deuses foram convidados, bem como todas as criaturas que não são hostis, sátiros e ninfas, todos compareceram em honra ao Deus. O velho Silenus apareceu também, montado em um burro bem como o terror dos pássaros, Príapo o vermelho. A festa se deu em uma gruta conveniente aos prazeres festivos, com tapetes de grama, confortáveis e macios, para guardar os vinhos, barris foram montados no local, um tímido córrego fornecia água para as convenientes misturas. As Naides estavam lá também, algumas com os cabelos soltos, outras com penteados dignos de obra de arte, algumas delas faziam arder um fogo tímido dentro dos sátiros.
Mas o vermelho Príapo, protetor dos jardins, se fez vítima dos encantos de Lotis acima de todas.Ele a desejava, a buscava por todos os meios encontra-la sozinha, encontrar o seu olhar. Mas seu desdenho definhava a beleza e seu amor era trocado pelo orgulho da Ninfa, que o provocava e o desprezava com seus olhares. Era noite, o vinho favorecia a preguiça e corpos deitavam por todos os cantos, dominados pelo sono. Lotis descansava longe de todos, cansada de tanto festar sob os galhos de uma árvore, deitada em macia grama. Seu amante, astuto levanta, segura o fôlego e na ponta dos dedos segue em direção a sua amada. Quando chega ao leito de sua Ninfa, branca como a neve, com todo o cuidado faz com que sua respiração seja inaudível, próximo dela encaixa seu próprio corpo, seguro de que ela ainda dorme. Sua alegria é intensa, descobre os pés dela e parte rumo aos seus desejos, então percebe o Burro, veículo de Silenus, berrando alto, pela potencia total de seus pulmões. Aterrorizada a Ninfa acorda, levanta-se e vê Príapo nu ao seu lado. Indignada ela acorda a todos no local e o Deus com suas partes de fora, pronto para a ação de prazer foi ridicularizado pela luz do luar. O autor da denúncia, o Burro, foi punido com a morte, em oferenda ao Deus de Hellesponte”
                Príapo representa a realidade do homem moderno, sua relação com seu falo, com seu pênis. A cultura cristã influenciou grande parte do desenvolvimento social e nos fez termos vergonhas de nossos corpos e mais ainda de nossos genitais. Mas de alguma maneira eles guardam um prazer secreto em ser falado. Pênis grandes são objetos de desejo, símbolo de virilidade e valor masculino. Os homens caem vítimas de seu próprio orgulho, na tentativa de conferir valor a sua masculinidade e para ocultar o fato de não ter um pênis do tamanho ou espessura compatível com o pênis idealizado, consciente ou mais facilmente inconsciente, se abastecem de objetos fálicos como carros potentes, jóias e ferramentas modernas e eficientes, roupas caras. O Falo é erroneamente valorizado, falar “Pênis” é motivo de vergonha infantil, por isso o batizamos de pau, caralho, cacete, usamos as mesmas palavras para xingar ou mau dizer, o mesmo acontece com o sêmen, chamado vulgarmente de porra. Todas essas palavras usamos em sentido pejorativo, uma arma contra a vergonha do sexo.
                Príapo é um Deus que nos ajuda a fazer as pazes com o nosso próprio corpo, nos ensina a tirar prazer de nossos genitais, com orgulho e tranqüilidade. Valoriza o toque, a masturbação e o respeito. Ao mudarmos nossa relação com o próprio corpo, com nosso pênis, mudamos a maneira como fazemos sexo, mudamos o primeiro contato, somos motivamos por algo além do que tesão genital, deixamos de “pensar com a cabeça de baixo” para pensar em favor a ela. Príapo tem a medicina de nos mostrar o real valor do Falo, que vai além do prazer, é para a reprodução e fertilidade, nos aponta a direção de onde iremos focar nossa energia masculina. Podemos focar essa energia sexual no crescimento de nossos projetos, cultivando nossas empresas, colhendo os frutos de um bom trabalho. Príapo abençoa as colheitas e induz a sexualidade sadia, valoriza o contato com o próprio corpo e nos diz que não temos nada a esconder, pois nosso falo é divino e mágico, além de naturalmente fantástico, capaz de proezas além do simples prazer físico.
 
O trabalho com Príapo é focado para fazer as pazes com nosso corpo, com nosso pênis e com a nossa relação com o sexo. Além disto, Príapo é um Deus a ser invocado para abençoar projetos, para a criatividade, para afastar os “urubus” e “olho-gordo” de nossa casa, trabalho e família. O Falo acaba se tornando a vara ou cajado, instrumento de Bruxos incorporado, representando o fogo que anima a vida.

Ritual com Príapo – Batismo do Falo.

Prepare um banho, encha a banheira ou prepare uma panela com água morna e um pouco de cravo-da-índia e alecrim.  Tome seu banho, toque-se, estimule-se sexualmente sem alcançar o orgasmo, curta o momento.
Em um local previamente organizado, tenha uma figura do Deus, uma vela verde e incenso de café ou canela, uma oferenda de leite, frutas e pães, e uma vasilha com água, crie um ambiente acolhedor, trace o circulo se assim desejar, apague as luzes, deixe somente a luz da vela iluminando o local.
Invoque Príapo com suas próprias palavras, toque-se, enquanto estimula o próprio prazer identifique essa energia com a energia do Deus. Respire por um momento, foque-se no aqui e agora. Na presença do Deus, molhe seus dedos na vasilha com água e lave seu pênis, é hora de batizá-lo, o nome sagrado que irá definir uma nova relação consigo mesmo e com o ato sexual, eu gosto dos nomes  “Mastro Sagrado” (inspirado em Beltane, que com o tempo reduz-se a “Mastro”) ou “Vara da Vida” (inspirado no conto de Isis e Osíris, que com o tempo reduz-se a “Vara”). Encerre o ritual com o orgasmo. Ofereça o sêmen para o Deus junto com as frutas, leite e etc.
A partir de hoje, refira-se ao seu pênis pelo novo nome, invocando cada vez o conhecimento sagrado e o respeito que se comprometeu com o ritual, consciente de seu poder latente e até então adormecido.

4 comentários:

  1. Sim, Bruno, falar "Penis" é tão "vergonhoso" que no filme 500 days of Summer os protagonistas se divertem gritando "penis!". Algo curioso ver o desespero de quem ouve, como se isso fosse totalmente incivilizado.
    Ter um pênis é uma dádiva, como deve ser ter uma vagina; em favor de uma Bruxaria inclusiva, onde os Mistérios Masculinos tenham tanto valor quanto os Femininos, que mais iniciativas como a sua apresentem pontos de reflexão para os contatos com Deus.
    Abraços, parabéns pelo texto.

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  2. Fascinante. Ótima reflexão acerca da natureza de Príapo e do próprio Ser masculino sob uma ótica pagã. Muito bom mesmo! Também achei a parte prática muito sugestiva e coerente com a ideia.

    Parabéns!

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  3. Facinante. Adorei o texto sobre este Deus. Gostaria de saber mais sobre ele e como faço para me aproximar mais deste Deus tão Pertencente aos homens

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  4. Materia muito boa o sagrado masculio precisa ser mais cultuado na modernidade e no paganismo que é tão cheio de sagrado feminino e e deus mães .

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