segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Guan Yu – Honra e Orgulho.


                Como conta o romance dos três reinos, Guan Yu começou sua vida como um mortal, vendedor de grãos de soja e to-fu, mas após um ato heróico de salvar uma dama seqüestrada e de matar um cobrador de impostos, ele pegou gosto pelas batalhas e ingressou numa carreira militar de muita fama com Liu-Bei e Zhang-Fei, tornando-se assim um dos três irmãos do Jardim de Pêssegos.
                Diferente de outros Deuses da Guerra e Batalhas, Guan Yu evitava confrontos sempre que possível. Uma divindade amável e pacífica, Ele tenta minimizar todas as batalhas em que entra, algo muito valorizado no Kung-Fu, arte marcial do qual é padrinho, mas sua bravura é legendaria.
                Em um conto muito famoso, seu braço estava machucado de uma batalha e precisava de cuidados médicos urgentes. Para a incredulidade dos que observaram, ele sentou calmamente, jogou paciência, que é um jogo de uma pessoa só, enquanto os médicos costuravam e mexiam em tendões de seu braço.
                Quando ele foi finalmente capturado, Guan Yu foi aconselhado por Wu o novo e perverso imperador a mudar de lado ou enfrentar a morte. Guan Yu não somente recusou como proferiu um insulto horrível, fazendo com que a tropa toda ficasse sem jeito frente ao Imperador.
                Leal, Guan Yu sabia que mudar de lado durante uma guerra não era só imoral mas também contra a lei. Por sua bravura e por conta de ter morrido defendendo questões legais ele se tornou o Deus dos Guardas Policiais.
                Algumas lendas dizem que após sua morte, ele apareceu diante de um Mestre Budista que meditava e pediu por orientação espiritual. O que era perfeitamente natural diante as circunstancias em que ele viveu.
                Aprendendo rapidamente os cinco preceitos budistas ele se converteu a religião, alcançou a iluminação e investe sua imortalidade defendendo a sua fé. Uma posição extremamente honrável e muito bem quista.
                Ao final das contas, Guan Yu é venerado também como um Deus da Literatura, já que se propôs a ler uma página inteira de Confúcio sem ficar vesgo.
                Devotos Dele contam que enquanto viveu, Guan Yu foi uma pessoa de confiança, fé e honra inabalável, sempre seguindo a direção do que era certo, orgulhava-se de fazer o bem e de construir um país do qual todos pudessem se orgulhar de viver. Criou uma das espadas do Kung-Fu e por isso muitas escolas desta arte marcial possuem altares dedicados a ele como maneira de proteção e devoção, buscando nele inspiração e orientação espiritual.
                Guan Yu é um Deus que mesmo sendo guerreiro não perdeu o espírito gentil do homem, não se esqueceu de seus deveres para com a sua comunidade e nem se rendeu a ganância ou medo, algo que deve ser muito trabalhado atualmente em nossa cultura. Guan Yu lutava pelo que era certo em sua época e mesmo custando-lhe a vida, morreu pelo que acreditava. É um Deus das causas justas, das batalhas certas, da força do guerreiro e de vitórias. Preza a cultura e valoriza a moral e bons costumes.
                Honra e orgulho são duas coisas que aprendemos a reprimir, não podemos nos orgulhar de nossos feitos e a modéstia é algo supervalorizado em nossa sociedade.  O que normalmente chamamos de orgulho é na verdade arrogância e sempre que o nosso valor próprio é subestimado, nossa balança do orgulho desequilibra. Orgulho acontece quando estamos completamente imersos na dança da vida, seguindo os preceitos do que é certo e esse certo baseia-se em fazer para os outros o que eu desejo que faça para mim, quando o amor é nosso norte, quando fazemos o nosso trabalho bem feito, quando damos o nosso melhor para o crescimento de nossa comunidade. Tenha orgulho de ser homem, de ser um bruxo, de ser um Macho Sagrado, de tornar a sua comunidade próspera, de respeitar as diferenças e enxergá-las como marcas divinas, da criatividade da Grande Mãe.
                Quando nos orgulhamos de nossos feitos nossa postura muda, nossa voz muda e conseguimos transmitir com nossa energia, corpo e alma aquilo que acreditamos, sem precisar evangelizar, pregar a palavra ou tagarelar sobre nossas crenças. Nossas ações mostram de onde viemos, no que acreditamos e o que estamos construindo. Deixe que sua fé te oriente, sempre.

Exercicio com Guan-Yu – Plantando e colhendo Orgulho.
Este é um ritual que exige que você converse com os outros sobre Orgulho. Prepare seu Altar com velas e incensos e uma figura de Guan Yu. Reflita sobre o que você se orgulha em sua vida, escreva em seu diário as situações em que se sentiu orgulhoso.
A segunda parte deste ritual é sobre as relações, parte do que mantém a energia amarrada, presa é que não conversamos, escondemos as coisas por vergonha, medo do ridículo, medo de sermos descobertos, como conseqüência disto normalmente não falamos de maneira honesta e abertamente com os outros nem com nós mesmos. Agora é hora de falar sem medo. Quando estiver no mercado, pergunte para a pessoa que trabalha no caixa “Do que você se orgulha?”, quando estiver com as pessoas que ama, pergunte “Do que você se orgulha? O que te deixa orgulhoso?” Algumas pessoas podem não responder, mas com certeza você plantou a semente da curiosidade, ela vai pensar no que se orgulha, algumas outras vezes a resposta pode ser inesperadamente bela e comovente. De um jeito ou de outro, você estará plantando a semente de orgulho em outros em sua comunidade, vai plantar a semente da mudança, pois o primeiro passo para crescer e transformar é questionar o que esteve sempre lá. Ofereça este trabalho a Guan Yu e faça uma oferenda de arroz, saque e incensos. 

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