segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Guan Yu – Honra e Orgulho.


                Como conta o romance dos três reinos, Guan Yu começou sua vida como um mortal, vendedor de grãos de soja e to-fu, mas após um ato heróico de salvar uma dama seqüestrada e de matar um cobrador de impostos, ele pegou gosto pelas batalhas e ingressou numa carreira militar de muita fama com Liu-Bei e Zhang-Fei, tornando-se assim um dos três irmãos do Jardim de Pêssegos.
                Diferente de outros Deuses da Guerra e Batalhas, Guan Yu evitava confrontos sempre que possível. Uma divindade amável e pacífica, Ele tenta minimizar todas as batalhas em que entra, algo muito valorizado no Kung-Fu, arte marcial do qual é padrinho, mas sua bravura é legendaria.
                Em um conto muito famoso, seu braço estava machucado de uma batalha e precisava de cuidados médicos urgentes. Para a incredulidade dos que observaram, ele sentou calmamente, jogou paciência, que é um jogo de uma pessoa só, enquanto os médicos costuravam e mexiam em tendões de seu braço.
                Quando ele foi finalmente capturado, Guan Yu foi aconselhado por Wu o novo e perverso imperador a mudar de lado ou enfrentar a morte. Guan Yu não somente recusou como proferiu um insulto horrível, fazendo com que a tropa toda ficasse sem jeito frente ao Imperador.
                Leal, Guan Yu sabia que mudar de lado durante uma guerra não era só imoral mas também contra a lei. Por sua bravura e por conta de ter morrido defendendo questões legais ele se tornou o Deus dos Guardas Policiais.
                Algumas lendas dizem que após sua morte, ele apareceu diante de um Mestre Budista que meditava e pediu por orientação espiritual. O que era perfeitamente natural diante as circunstancias em que ele viveu.
                Aprendendo rapidamente os cinco preceitos budistas ele se converteu a religião, alcançou a iluminação e investe sua imortalidade defendendo a sua fé. Uma posição extremamente honrável e muito bem quista.
                Ao final das contas, Guan Yu é venerado também como um Deus da Literatura, já que se propôs a ler uma página inteira de Confúcio sem ficar vesgo.
                Devotos Dele contam que enquanto viveu, Guan Yu foi uma pessoa de confiança, fé e honra inabalável, sempre seguindo a direção do que era certo, orgulhava-se de fazer o bem e de construir um país do qual todos pudessem se orgulhar de viver. Criou uma das espadas do Kung-Fu e por isso muitas escolas desta arte marcial possuem altares dedicados a ele como maneira de proteção e devoção, buscando nele inspiração e orientação espiritual.
                Guan Yu é um Deus que mesmo sendo guerreiro não perdeu o espírito gentil do homem, não se esqueceu de seus deveres para com a sua comunidade e nem se rendeu a ganância ou medo, algo que deve ser muito trabalhado atualmente em nossa cultura. Guan Yu lutava pelo que era certo em sua época e mesmo custando-lhe a vida, morreu pelo que acreditava. É um Deus das causas justas, das batalhas certas, da força do guerreiro e de vitórias. Preza a cultura e valoriza a moral e bons costumes.
                Honra e orgulho são duas coisas que aprendemos a reprimir, não podemos nos orgulhar de nossos feitos e a modéstia é algo supervalorizado em nossa sociedade.  O que normalmente chamamos de orgulho é na verdade arrogância e sempre que o nosso valor próprio é subestimado, nossa balança do orgulho desequilibra. Orgulho acontece quando estamos completamente imersos na dança da vida, seguindo os preceitos do que é certo e esse certo baseia-se em fazer para os outros o que eu desejo que faça para mim, quando o amor é nosso norte, quando fazemos o nosso trabalho bem feito, quando damos o nosso melhor para o crescimento de nossa comunidade. Tenha orgulho de ser homem, de ser um bruxo, de ser um Macho Sagrado, de tornar a sua comunidade próspera, de respeitar as diferenças e enxergá-las como marcas divinas, da criatividade da Grande Mãe.
                Quando nos orgulhamos de nossos feitos nossa postura muda, nossa voz muda e conseguimos transmitir com nossa energia, corpo e alma aquilo que acreditamos, sem precisar evangelizar, pregar a palavra ou tagarelar sobre nossas crenças. Nossas ações mostram de onde viemos, no que acreditamos e o que estamos construindo. Deixe que sua fé te oriente, sempre.

Exercicio com Guan-Yu – Plantando e colhendo Orgulho.
Este é um ritual que exige que você converse com os outros sobre Orgulho. Prepare seu Altar com velas e incensos e uma figura de Guan Yu. Reflita sobre o que você se orgulha em sua vida, escreva em seu diário as situações em que se sentiu orgulhoso.
A segunda parte deste ritual é sobre as relações, parte do que mantém a energia amarrada, presa é que não conversamos, escondemos as coisas por vergonha, medo do ridículo, medo de sermos descobertos, como conseqüência disto normalmente não falamos de maneira honesta e abertamente com os outros nem com nós mesmos. Agora é hora de falar sem medo. Quando estiver no mercado, pergunte para a pessoa que trabalha no caixa “Do que você se orgulha?”, quando estiver com as pessoas que ama, pergunte “Do que você se orgulha? O que te deixa orgulhoso?” Algumas pessoas podem não responder, mas com certeza você plantou a semente da curiosidade, ela vai pensar no que se orgulha, algumas outras vezes a resposta pode ser inesperadamente bela e comovente. De um jeito ou de outro, você estará plantando a semente de orgulho em outros em sua comunidade, vai plantar a semente da mudança, pois o primeiro passo para crescer e transformar é questionar o que esteve sempre lá. Ofereça este trabalho a Guan Yu e faça uma oferenda de arroz, saque e incensos. 

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A Lua: O Cálice


O cálice está meio cheio ou meio vazio? A resposta para esta pergunta pode dar direcionamento a vários questionamentos pertinentes a este Arcano. A lua muda, assim como nosso ponto de vista e assim como as nossas emoções, mas como a lua nossos sentimentos podem ocultar tesouros inconscientes e ainda nos orientar o caminho durante a noite escura.
                E assim foi minha semana dA Lua, cheia de desastres emocionais, nem todos ruins e a maioria intensos e impulsivos. A Lua é assim mesmo, tem certo controle sobre nós e como a carta da lua do Deviant Moon pode nos manipular direitinho se não soubermos identificar as causas destes impulsos.
                Os nossos sentimentos, em psicoterapia são a nossa melhor ferramenta para identificar conflitos e nos orientar durante o processo. Em transe são os nossos sentimentos que são a lanterna ao navegar os caminhos interiores. Nossas emoções são nossas aliadas, sempre, tudo o que precisamos saber é que nós controlamos os nossos sentimentos e não deixar que eles nos controlem. Controlar não é o mesmo que reprimir, significa reconhecer o que se está sentindo e se permitir viver este sentimento de maneira saudável, deixar que os sentimentos fluam e mais ainda, nomeá-los.
                Em bruxaria o instrumento mais comum para a água, representante simbólico dos sentimentos, é o cálice. O cálice interno é a nossa capacidade de manter as emoções, de suportá-las, num sentido de dar suporte é o útero, o santo Graal, é como a lua, a entrada para outras realidades. Como o cálice, precisamos ser capazes e manter várias coisas, emoções, situações e tipos de energia.
                A Lua tem como representante o signo de Peixes, um signo aquático e como a água este Arcano é representante de sonhos e visões, insights profundos e ilusões. O fluxo e refluxo das marés emocionais. A Lua representando a Grande Mãe e a água representando o berço da vida, juntas, combinam com a oportunidade de voltarmos aos sentimentos mais primitivos de maternidade para voltarmos regenerados, curados. Mas é um caminhos perigosos, já que nele existem muitas tentações e ilusões. Podemos nos iludir com aquilo que queremos ser, com aquilo que somos, com o conforto das máscaras, com o medo do escuro. Mas a lua é sempre a promessa da mudança, é esperança de que tudo se transformar logo, logo e é também a habilidade de reconhecer os ciclos em que você se encontra neste momento de sua vida.
                Durante a semana da Lua pratiquei um exercício que expandiu a minha capacidade de manter emoções, internalizando o cálice mágico e com ele toda a habilidade de reconhecer meus sentimentos e usá-los a favor de meu progresso.

Respire fundo. Imagine-se como um cálice, um vaso. Qual a sua cor? E qual a sua forma? Você é esguio e delicado, claro, escuro ou translúcido? Respire através de seu coração, abrindo-se, tornando-se receptivo. Imagine a Deusa Estrelar acima de ti, cheia de amor infinito. Nas mãos Dela encontra-se uma tigela, derramando estrelas liquidas, encharcando amor e compaixão. Sinta que esta água é derramada sobre você, como uma cascata. Deixe que esta agua da vida e amor te preencha. Respire mais uma vez e enquanto expira, imagine que você força as barreiras de seu cálice, tornando-as mais amplas. E a Deusa continua a te encher com o líquido divino, sua capacidade de amar e se compassivo aumentam, cada vez mais. Deixe que a água chegue as bordas e derrame-se para a terra, a Deusa continua te preenchendo e o liquido divino se espalha, vazando, escorrendo, encharcando tudo ao redor com amor e criatividade, uma água iluminada. Respire este sentimento, abundante, rico e poderoso.

                As nossas emoções são como A Lua e seguem seus ciclos, mas no final das contas, tudo é um ponto de vista... você vai deixar que as suas emoções te controlem ou vai usá-las para chegar ao cerne da questão?

domingo, 22 de janeiro de 2012

Zeus – Masculinidade

      
      A história de Zeus é tão complexa quanto a própria masculinidade e até mesmo quanto o desenvolvimento cultural que conhecemos hoje em dia. Historicamente falando, estudos mostram que na Grécia antiga os cultos eram matriarcais até que suas regiões tribais foram dominadas pelos Indo-Europeus Dorians que instalaram no local um culto patriarcal.
            Zeus é o rei dos Deuses, senhor do céu, clima, lei, ordem e destino. Geralmente descrito como um homem maduro, robusto e com barba escura, seus atributos são os Raios, o Cetro Real e a Águia. 
Como Deus soberano, Zeus é o maior dos Olimpianos, pai dos Deuses e homens, filho de Cronos e Rhea, irmão de Poseidon, Hades, Hestia, Demeter, Hera e casado com Ela. Quando Zeus destronou seu Pai, Cronos, dividiu igualmente o reino da Terra. Os mares foi para Poseidon, o Tartaro para Hades e para Ele mesmo, os céus, sendo a terra comum a todos.
         Alguns estudiosos de mitologia enumeram Zeus como sendo tríplice, duas formas Arcadianas e uma Cretana. O primeiro é considero como filho de Aether, o segundo de Coelus e o terceiro de Cronos/Saturnus. 
           Muitas são as lendas que envolvem este Deus, a maioria descrevendo suas aventuras sexuais e seus feitos heróicos. A mais pertinente para este momento é a lenda de seu nascimento como contada por Hesiodo: “Cronos, temendo a profecia de Gaia de que um de seus filhos usurparia seu trono assim como ele mesmo fez com seu pai começou a engolir sua prole logo assim que nasciam. Rhea, cansada de ver seus filhos sendo devorados recorreu a Uranus e Gaia para pedir conselhos antes que Zeuz nascesse, pedindo para salvar a criança. Horas antes do parto, Gaia mandou Rhea para Lyctos em Creta, sugerindo que tivesse seu filho lá. Rhea assim o fez, deu a luz a Zeus em uma caverna no Monte Aegaeon, entregando a Cronos uma pedra embrulhada em panos, que o mesmo engoliu na crença de ser o seu filho. Zeus cresceu em Creta.
Neste meio tempo, Cronos aconselhado por Gaia ou Metis começou a vomitar as crianças que engoliu e a primeira de todas a sair foi a pedra. Com a ameaça de guerra eminente, Zeus mostrou a que veio e libertou os ciclopes que Cronos então tinha aprisionado, que como gratidão ofereceram a Zeus a sua arma mais preciosa, os Raios e relâmpagos. Seguindo os conselhos de Gaia, Zeus ainda libertou os gigantes de cem braços, para que eles o ajudassem na guerra contra os titãs.
Com a vitória de Zeus, a primeira escolha de esposa foi Metis, que engravidou dele de Athena, mas como Gaia profetizou que um filho seu iria usurpar seu trono, seguindo a dinâmica familiar, Zeus engoliu Metis grávida. Com isso Zeus deu a luz a Athena, que saiu de sua cabeça, sendo “filha sem mãe”. Após Metis, Zeus teve como esposa Themis, com quem gerou as Horas e as Moiras, as Caritas com Eurinome, Persefone com Demeter e as Musas com Mnemosyne, Apollo e Artemis com Leto, Hebe, Ares e Eileithyia com Hera, sua esposa oficial.”

Zeus veio ao mundo com um fardo enorme nos ombros, filho de Chronus e Rhea, neto de Gaia e Uranus foi a criança da promessa de seu tempo, destinado a seguir os passos do próprio pai que usurpou o trono de Uranos (pai de Cronus, avô de Zeus) e se tornou o tirano da vez. Não deve ser fácil alguém crescer sob a expectativa de uma sociedade inteira, como a promessa de salvação e ainda ter de derrotar o próprio pai nesta trama toda. Querendo ou não esta é a nossa realidade. Nós homens nascemos destinamos a ter sucesso, a superar nossos pais, a fazer dinheiro e ter uma profissão digna, nos tornarmos senhores de nosso lar e ainda transar com o maior número de mulheres que pudermos. A traição é uma realidade em nossa sociedade, mas antes de mais nada precisamos definir o que é masculinidade. 
Freud coloca que nosso primeiro conflito é o Edipiano, onde os meninos, quando bebês, temem a castração do pai, amam a mãe e rivalizam com a figura paterna, precisando de alguma maneira derrotá-la. Naturalmente a vitória não é alcançada, a mãe é separada do filho pelo que Lacan chama de “Nomes do Pai” e eles podem ser o trabalho da mãe, as atribuições diversas que a mãe pode ter e vai deixando de dar prioridade máxima ao seu filho. É saudável e confere a criança um desenvolvimento rico e valoroso. No final das contas somos todos Zeus de nossas vidas, impossibilitados de seguir o destino que escolhermos para nós mesmos, amarrados a expectativas e ideais culturais, atados a falsos ideais masculinos de força, virilidade e amor.
O mito de Zeus foi modificado conforme a cultura se transformava, Zeus foi e ainda é uma referencia a masculinidade moderna, mas nem sempre ele representou a violência e corrupção que temos visão hoje em dia. Zeus pode nos ensinar sobre os mistérios de ser homem, podemos através dele meditar sobre o que é ser masculino, ser pai, ser chefe e ser amante, provedor de nosso lar e trabalhador. Zeus é o senhor de muitas máscaras, muitos papeis sociais que temos que representar e podemos alcançar a nossa masculinidade de maneira sadia e valorosa, escolhendo o nosso próprio destino, escolhendo nos tornar o que queremos ser, inteiros, íntegros. 

Ritual com Zeus – (Re)Descobrindo a masculinidade.

Prepare o altar com uma figura de Zeus, uma vela azul, oferendas de mel e leite, frutas e pães, um vinho tinto pode acompanhar as oferendas.
Separe um relógio despertador, folhas de papel em branco e uma caneta com ponta grossa, que seja fácil de escrever com rapidez e um espelho de rosto.
Concentre-se e centre-se, estabeleça o espaço sagrado, um lugar acolhedor onde não será perturbado nem por celulares ou por pessoas, um espaço seu. Invoque Zeus, senhor e rei dos Céus, use suas próprias palavras, identifique-se com esse Deus. Peça seu amparo, sua inspiração neste momento de reflexão. 
Coloque o relógio para despertar em dois minutos e comece a escrever começando assim “Ser homem é... Masculinidade é...” Escreva sem parar, deixe as palavras fluírem, deixe que elas se repitam, deixe que não façam sentindo, mantenha o tema, escreva sem parar até o relógio despertar e quando isso acontecer não pare, continue “Ser homem é... “Masculinidade é...” sempre escrevendo, cada vez mais rápido, os raios de Zeus queimando as folhas, marcando você, a tinta azul como os relâmpagos ou preta como as nuvens de tempestades, continue, deixe que as palavras venham do fundo, de dentro, do seu inconsciente, do seu eu divino, mesmo que se repitam, escreva até não poder mais. 
Leia o que escreveu. O que se repete? O que aparece com mais freqüência? O que te marcou mais? Escolha esta frase e olhe no espelho, repita esta frase olhando nos seus olhos. Ser homem é... Masculinidade é... Guarde essa frase consigo e repita sempre que sentir que uma escolha é imposta a você, sempre que sentir que precisar reivindicar sua masculinidade, sua verdadeira masculinidade.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A Estrela: Via Láctea.

               Como a estrela mais próxima, o sol, põe em ordem todo o seu sistema com sua atração gravitacional assim esse Arcano se apresenta. A queda da torre nos deixou sem chão e bem, sem teto também... olhando para um céu sem sol nem lua vemos as estrelas, no infinito do espaço pensamos em nosso próprio espaço.
                A Estrela derrama dos jarros o leite que forma a via láctea, dançando em espiral como o nosso próprio DNA, nossa digital universal, é de onde viemos. Após o caos e confusão é momento de silêncio, contemplação, buscar sentido nas coisas e tentar colocar ordem em tudo ao nosso redor. Se silenciarmos nossa mente, quem sabe o que podemos ouvir? Dentro de cada um brilha uma estrela e com ela todo o poder gravitacional de atrair o que é de seu trabalho divino, a nossa estrela nos coloca em harmonia com a proposta divina.
                O que está acima é como o que está abaixo, tudo segue o fluxo e refluxo da vida, o processo que teve inicio nO Enforcado agora começa a tomar corpo, e essa forma brilha uma luz divina. Como Sothis, a estrela egípcia e seus ciclos, como Ursa Maior, a estrela polar e todos os tipos de constelações, A Estrela oferece orientação, auxilio e conforto, é a esperança, é o alivio de se ter um norte.
                Assim como os heróis gregos, estamos todos destinados a brilhar no espaço celestial, como Deuses que somos, tudo o que precisamos é realizar com maestria a proposta de nosso Deus interior. Siga esta estrela e nunca vai se perder. A Estrela, como Aquário, é o amanhecer de uma nova era, aproveite este momento e faça diferente, abrace o novo.

Florence + The Machine - Cosmic Love


A falling star fell from your heart and landed in my eyes 
I screamed aloud, as it tore through them, and now it's left me blind 

The stars, the moon, they have all been blown out 
You left me in the dark 
No dawn, no day, I'm always in this twilight 
In the shadow of your heart 

And in the dark, I can hear your heartbeat 
I tried to find the sound 
But then, it stopped, and I was in the darkness, 
So darkness I became 

The stars, the moon, they have all been blown out 
You left me in the dark 
No dawn, no day, I'm always in this twilight 
In the shadow of your heart 

I took the stars from my eyes, and then I made a map 
And knew that somehow I could find my way back 
Then I heard your heart beating, you were in the darkness too 
So I stayed in the darkness with you 

The stars, the moon, they have all been blown out 
You left me in the dark 
No dawn, no day, I'm always in this twilight 
In the shadow of your heart 

The stars, the moon, they have all been blown out 
You left me in the dark 
No dawn, no day, I'm always in this twilight 
In the shadow of your heart



sábado, 14 de janeiro de 2012

Príapus – O Falo


                Priapus ou Príapo é um Deus da fertilidade, agricultura e patrono de frutas, grãos e animais. A Ele são atribuídas as colheitas fartas e abundantes, geralmente é representado como um anão possuidor de um pênis enorme que é símbolo da fertilidade das plantações, em sua cabeça um chapéu pontiagudo proveniente da Turquia. Seu culto teve inicio em Mísia (Anatólia) e de lá foi para a Itália e Grécia, onde foi remodelado aos modelos gregos. Estatuas de Príapo eram colocadas nas plantações para garantir fertilidade e boa colheita, era um tipo de espantalho da época. Seus pais geralmente eram colocados como Hermes ou Dionísio, sua mãe é Afrodite.
                É dito que Afrodite envolveu-se amorosamente com Dioníso, mas durante a durante a viagem dele para Índia ela foi infiel, vivendo com Adonis. Quando Dionísio retornou de suas expedições Afrodite voltou a viver com ele, mas não por muito tempo, partiu para viver em Lampsacus em Hellesponte para dar a luz ao bebê de Adonis. Mas Hera estava atenta a toda trama e não estava satisfeita com a infidelidade de Afrodite, então com seus poderes fez com que de Afrodite nascesse um bebê horrendo com genitais enormes.
                A Príapo creditava-se a fertilidade tanto das terras em que se plantavam quanto dos animais ligados a vida agrária, como as abelhas, cabras e ovelhas. Em seu nome são entregues as primeiras frutas colhidas das plantações, leite de cabra e vaca, sapos e rãs, mel, pães e bolos. Seu Símbolo é a cornucópia ou o cesto com frutas.
                Ovidio conta em uma lenda a vergonha de Priapo: “Um burro também é sacrificado em nome do Guarda dos Campos, Príapo. A razão é vergonhosa, mas satisfaz o Deus. Em tempos antigos na belíssima Grécia eis que Baco da coroa de uvas lança um banquete, celebrado como de costume a cada terceiro inverno. Todos os Deuses foram convidados, bem como todas as criaturas que não são hostis, sátiros e ninfas, todos compareceram em honra ao Deus. O velho Silenus apareceu também, montado em um burro bem como o terror dos pássaros, Príapo o vermelho. A festa se deu em uma gruta conveniente aos prazeres festivos, com tapetes de grama, confortáveis e macios, para guardar os vinhos, barris foram montados no local, um tímido córrego fornecia água para as convenientes misturas. As Naides estavam lá também, algumas com os cabelos soltos, outras com penteados dignos de obra de arte, algumas delas faziam arder um fogo tímido dentro dos sátiros.
Mas o vermelho Príapo, protetor dos jardins, se fez vítima dos encantos de Lotis acima de todas.Ele a desejava, a buscava por todos os meios encontra-la sozinha, encontrar o seu olhar. Mas seu desdenho definhava a beleza e seu amor era trocado pelo orgulho da Ninfa, que o provocava e o desprezava com seus olhares. Era noite, o vinho favorecia a preguiça e corpos deitavam por todos os cantos, dominados pelo sono. Lotis descansava longe de todos, cansada de tanto festar sob os galhos de uma árvore, deitada em macia grama. Seu amante, astuto levanta, segura o fôlego e na ponta dos dedos segue em direção a sua amada. Quando chega ao leito de sua Ninfa, branca como a neve, com todo o cuidado faz com que sua respiração seja inaudível, próximo dela encaixa seu próprio corpo, seguro de que ela ainda dorme. Sua alegria é intensa, descobre os pés dela e parte rumo aos seus desejos, então percebe o Burro, veículo de Silenus, berrando alto, pela potencia total de seus pulmões. Aterrorizada a Ninfa acorda, levanta-se e vê Príapo nu ao seu lado. Indignada ela acorda a todos no local e o Deus com suas partes de fora, pronto para a ação de prazer foi ridicularizado pela luz do luar. O autor da denúncia, o Burro, foi punido com a morte, em oferenda ao Deus de Hellesponte”
                Príapo representa a realidade do homem moderno, sua relação com seu falo, com seu pênis. A cultura cristã influenciou grande parte do desenvolvimento social e nos fez termos vergonhas de nossos corpos e mais ainda de nossos genitais. Mas de alguma maneira eles guardam um prazer secreto em ser falado. Pênis grandes são objetos de desejo, símbolo de virilidade e valor masculino. Os homens caem vítimas de seu próprio orgulho, na tentativa de conferir valor a sua masculinidade e para ocultar o fato de não ter um pênis do tamanho ou espessura compatível com o pênis idealizado, consciente ou mais facilmente inconsciente, se abastecem de objetos fálicos como carros potentes, jóias e ferramentas modernas e eficientes, roupas caras. O Falo é erroneamente valorizado, falar “Pênis” é motivo de vergonha infantil, por isso o batizamos de pau, caralho, cacete, usamos as mesmas palavras para xingar ou mau dizer, o mesmo acontece com o sêmen, chamado vulgarmente de porra. Todas essas palavras usamos em sentido pejorativo, uma arma contra a vergonha do sexo.
                Príapo é um Deus que nos ajuda a fazer as pazes com o nosso próprio corpo, nos ensina a tirar prazer de nossos genitais, com orgulho e tranqüilidade. Valoriza o toque, a masturbação e o respeito. Ao mudarmos nossa relação com o próprio corpo, com nosso pênis, mudamos a maneira como fazemos sexo, mudamos o primeiro contato, somos motivamos por algo além do que tesão genital, deixamos de “pensar com a cabeça de baixo” para pensar em favor a ela. Príapo tem a medicina de nos mostrar o real valor do Falo, que vai além do prazer, é para a reprodução e fertilidade, nos aponta a direção de onde iremos focar nossa energia masculina. Podemos focar essa energia sexual no crescimento de nossos projetos, cultivando nossas empresas, colhendo os frutos de um bom trabalho. Príapo abençoa as colheitas e induz a sexualidade sadia, valoriza o contato com o próprio corpo e nos diz que não temos nada a esconder, pois nosso falo é divino e mágico, além de naturalmente fantástico, capaz de proezas além do simples prazer físico.
 
O trabalho com Príapo é focado para fazer as pazes com nosso corpo, com nosso pênis e com a nossa relação com o sexo. Além disto, Príapo é um Deus a ser invocado para abençoar projetos, para a criatividade, para afastar os “urubus” e “olho-gordo” de nossa casa, trabalho e família. O Falo acaba se tornando a vara ou cajado, instrumento de Bruxos incorporado, representando o fogo que anima a vida.

Ritual com Príapo – Batismo do Falo.

Prepare um banho, encha a banheira ou prepare uma panela com água morna e um pouco de cravo-da-índia e alecrim.  Tome seu banho, toque-se, estimule-se sexualmente sem alcançar o orgasmo, curta o momento.
Em um local previamente organizado, tenha uma figura do Deus, uma vela verde e incenso de café ou canela, uma oferenda de leite, frutas e pães, e uma vasilha com água, crie um ambiente acolhedor, trace o circulo se assim desejar, apague as luzes, deixe somente a luz da vela iluminando o local.
Invoque Príapo com suas próprias palavras, toque-se, enquanto estimula o próprio prazer identifique essa energia com a energia do Deus. Respire por um momento, foque-se no aqui e agora. Na presença do Deus, molhe seus dedos na vasilha com água e lave seu pênis, é hora de batizá-lo, o nome sagrado que irá definir uma nova relação consigo mesmo e com o ato sexual, eu gosto dos nomes  “Mastro Sagrado” (inspirado em Beltane, que com o tempo reduz-se a “Mastro”) ou “Vara da Vida” (inspirado no conto de Isis e Osíris, que com o tempo reduz-se a “Vara”). Encerre o ritual com o orgasmo. Ofereça o sêmen para o Deus junto com as frutas, leite e etc.
A partir de hoje, refira-se ao seu pênis pelo novo nome, invocando cada vez o conhecimento sagrado e o respeito que se comprometeu com o ritual, consciente de seu poder latente e até então adormecido.