quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Sol em Escorpião: Osíris


                Escorpião é um signo intenso, forte e visceral como nenhum outro no zodíaco, intimamente ligado com a água e de certa forma com a terra já que lendas colocam que ele foi enviado por Gaia/Ártemis para punir o caçador Órion que estava prejudicando as matas e seus habitantes numa caça desenfreada e gananciosa.
                Neste contexto surge Osíris que em sua história foi soberano do Egito, justo e provedor, um bom rei para sua terra, mas a ganância e inveja de seu irmão Set o levou para uma jornada iniciática interessante, seu corpo foi partido em pedaços e a Deusa Ísis foi em busca de cada parte para integrá-lo novamente. Este é um arquétipo interessante para nosso momento histórico e social, a energia de Osíris sintoniza com a energia de Escorpião em vários aspectos: transformação, sexualidade, morte e renascimento, justiça. Hoje estamos vivendo uma fase que necessita de mudança extrema, com o avanço dos meios de comunicação não existe mais noticia que possa ser censurada, não existe mais justificativa para a alienação, não existem mais motivos para ficarmos parados, mas mesmo assim o fazemos. Preferimos ficar sentados na frente de nosso computador, checando compulsivamente e-mails e redes sociais, preferimos viver em nossa bolha de ilusões, assegurados por falsas iniciativas que nos confortam.
                Osíris nos convida a refletir sobre cada parte de nosso ser, a nos entregarmos aos poderes regenerativos da Grande Mãe, a nos tornarmos íntegros em nós mesmos, um processo doloroso já que envolve mudança, envolve sair da zona de conforto o que para surpresa de muitos pode ser bem desconfortável e isso gera medo, mas onde há medo há poder! Osíris é o Deus/Rei Sacrificado pelo bem de seu povo, é o grão que morre para se tornar planta, é a planta que morre para se tornar alimento, Osíris é a cheia do Nilo, a água que nutre a terra e por isso leva em consideração as necessidades primordiais da própria terra, seus ideais são guiados pela Deusa, representada por Ísis, sua missão é nutrir seu povo.
Osíris em sua relação com Ísis representa o processo de individuação que cada ser humano passa ao longo da vida, tanto homens quanto mulheres, no antigo Egito o cadáver, independente de ser feminino ou masculino, era identificado como sendo Osíris, o que marca um aspecto fundamental da psique humana, o Animus para as mulheres e a própria energia divina masculina dos homens. Osíris então se tornou dois, o senhor da vida, representado através da fertilidade dos campos e das terras do Egito e também senhor da morte, onde julgava e orientava o recém falecido em seu pós-vida e mais, Ísis e Osíris representam a polaridade energética da qual a vida se beneficia.
Na relação Osíris-Escorpião reflito sobre a necessidade de agirmos, a necessidade de mudança, não podemos mais ficar calados, consentindo com a violência e destruição que assola nosso mundo, nossa comunidade! Ser um bruxo, ser pagão é ser pró-ativo, é comprar a briga, é fazer a mudança acontecer! Quem cala consente!
                Está na hora de assumirmos o poder que temos, o verdadeiro poder. Está na hora de tomar partido das coisas que realmente importam, com integridade, com responsabilidade. É hora de abandonar nossas ânsias mesquinhas e egoístas para que possamos crescer juntos, em comunidade. É hora de sermos intensos, como todo bom escorpião.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Ganesha – Obstáculos.




                Deus Hindu com cabeça de elefante, filho de Parvati o criou do pó misturado com neblina de seu corpo, é senhor da fortuna, sabedoria e literatura. Líder das forças armadas de Shiva é ilustrado como tendo quatro braços e montado num rato. Gordo, engraçado e muito popular, suas duas esposas são Buddhi (representando o intelecto e intuição) e Siddhi (realização e conquista).
                O adorável Deus com rosto de elefante tem intrigado homens ao redor do mundo desde tempos antigos até a presente data. Os textos sagrados dão várias historias acerca do nascimento de Ganesha. A mais popular é a de que Ele foi criado por Parvati como um guardião de sua privacidade:
                Cansada das teimosias de seu marido em respeitar a sua privacidade ao entrar em seus aposentos pessoais, mesmo quando ela tomava banho, Parvati decidiu estabelecer limites claros de uma vez por todas. Antes de ir para o banho, ela esfregou de seu corpo a pasta de sândalo que a envolvia e com ela criou a figura de um garoto. Ela infundiu vida nele e disse que era sua mãe e que ele como filho deveria guardar a entrada enquanto ela se banhava.
                Logo após, Shiva (Senhor da destruição e marido de Parvati) apareceu para ver a esposa, mas o garoto bloqueou a entrada do Deus e não o deixou entrar. Shiva, que não estava ciente de que este menino era seu filho, ficou furioso e em grande ira lutou contra ele, arrancando-lhe a cabeça do corpo. Parvati ao sair do banho viu o corpo decapitado do filho e em seu desespero e dor ameaçou destruir céu e terra, tamanha foi a sua tristeza.
                Shiva acalmou a mulher e instruiu seus seguidores (chamados de Ganas) a ir pegar a cabeça do primeiro ser vivo que encontrassem. A primeira criatura encontrada foi um elefante. Assim sendo os Ganas cortaram-lhe a cabeça e colocaram no corpo do filho de Parvati, insuflando vida nele. Em júbilo a Deusa abraçou seu filho.
                A esta criança foi dado o nome de Ganesha por Shiva. A palavra Ganesha é feita através das palavras Gana (Os seguidores de Shiva) e isha (Senhor), assim Shiva o nomeou como senhor dos Ganas.
                Desde então Ganesha é descrito como um homem com cabeça de elefante, tendo somente uma presa, a outra é aparece quebrada. Um atributo único além da cabeça de elefante é a sua barriga proeminente, que aparece caindo sobre suas calças. Em seu peito, pouco acima do ombro esquerdo está o seu símbolo sagrado, geralmente representado como uma cobra. O rato que carrega sua carruagem é geralmente símbolo do controle sobre os desejos.
                Os atributos físicos de Ganesha por si só já são ricos. Ele normalmente se mostra com uma das mãos em Abhaya, símbolo de proteção e refúgio e na outra segura um doce (modaka) símbolo da doçura de um ser realizado interiormente. Em suas outras duas mãos ele segura um Ankusha (um tipo de machado) e um pasha (tipo de nó). O nó é referencia aos desejos terrenos e conquistas, que são como nós. O Machado é para manter o homem no caminho certo, da verdade. Com esta arma Ganesha pode combater e repelir os obstáculos.
                Sua barriga grande é símbolo da abundância da natureza e que Ganesha também engole os pesares e tristezas do universo e protege o mundo.
                A imagem de Ganesha é complexa, quarto animais (Elefante, homem, rato e cobra) contribuem para montá-la. Todas elas têm um profundo significado tanto por si só quanto coletivamente. A imagem de Ganesha assim representa a constante busca do homem por integração com a natureza.
                A mais forte representação simbólica de Ganesha é sem dúvida a sua cabeça de elefante. Ela é símbolo de bons agouros, força e inteligência. Todas as qualidades do elefante estão contidas no Ganpati. O elefante é o mais forte e maior animal na floresta. Ainda assim é gentil e encantador, vegetariano, assim não mata para se alimentar. É muito afetivo e leal com os seus e retribui com gratidão e amor se uma gentileza é feita a ele. Ganesha, mesmo sendo uma divindade poderosa é amoroso e não guarda rancor, é movido pela afeição de seus devotos. Mas ao mesmo tempo o elefante pode destruir uma floresta inteira e é um exercito de um homem só quando provocado. Ganesha é tão poderoso quanto e pode ser imbatível no combate ao mau. Suas orelhas conseguem separar o bom do mau, ouvem tudo e mantém somente o que é bom, é atento a todos os pedidos de seus devotos, sejam eles humildes ou poderosos.
                A tromba de Ganesha é símbolo de sua discriminação (viveka), uma qualidade igualmente importante e necessária para o progresso espiritual. O elefante usa sua tromba para amassar e derrubar grandes árvores, carregar troncos pesados para os rios e para outras tarefas pesadas. A mesma tromba é usada para pegar algumas folhas de grama, quebrar pequenos coquinhos e quebrar nozes para comer o que há dentro. Tanto as maiores quanto as menores tarefas estão ao alcance de sua tromba que é símbolo do intelecto de Ganesha e seu poder de discernir as situações. 
                Um aspecto intrigante de Ganesha é sua presa quebrada, levando a apelativa palavra Ekdanta, onde Ek significa um e Danta significando dente. Uma lenda interessante está por trás disto:
                Quando Parashura, um dos discípulos favoritos de Shiva veio visitá-lo, encontrou Ganesha guardando os quartos do palácio. Como seu pai estava dormindo, Ganesha se opôs a entrada de Parshurama, que tentou forçar sua entrada sem pensar duas vezes o que gerou uma briga. Ganesha a principio tinha a vantagem, opondo Parashurama com sua tromba e o girando, fazendo com que seu oponente ficasse enjoado e sem sentidos, se recuperando, Rama lançou seu machado em Ganesha, que reconhecendo a arma como de seu pai (Foi Shiva que deu a arma para Parashurama) recebeu o golpe com toda humildade em uma de suas presas, que ficou extremamente prejudicada e daí em diante, Ganesha tem uma presa somente.
                Uma versão diferente que explica a razão de sua presa quebrada narra que Ganesha foi pedido para escrever o épico Mahabharata ditado pelo autor, o sábio Vyasa. Percebendo que esta não era nenhuma tarefa normal e de tamanha importância, Ganesha entendeu que nenhuma caneta comum poderia escrever tão extraordinária história. Sendo assim quebrou uma de suas presas para servir de caneta. A lição oferecida aqui é a de que não existe sacrifício grande o bastante na busca por conhecimento.
                Dentre todos os símbolos de Ganesha, certamente o que chama mais atenção é a sílaba AUM. O símbolo OM é sagrado por toda Índia, considerado o mais poderoso e sagrado na religião Hindu. É dito que este som foi gerado quando o mundo veio a ser criado.  OM escrito, quando invertido confere as características perfeitas do Deus com cabeça de elefante! Ganesha é portanto o único Deus associado com o sentido “físico” do som primordial AUM.
                Ganesha é então associado a todos os campos de ação na vida de um homem moderno. É um Deus que abrange seu trabalho, seu lar, seu conhecimento e suas aspirações. Dentre tantas características vale ressaltar que Ele é um Deus acolhedor e muito benevolente, pronto a atender aqueles que a Ele se devotam. Em momentos de dificuldade e necessidade, chame por Ele para que sua inspiração te ajude a vencer os obstáculos, mas lembre-se sempre, o mesmo machado que destrói o que te atrapalha é a ferramenta que vai te moldar a seguir um bom caminho.
                Eu gosto de Ganesha pois ele consegue transformar em espiritual as ações mais mundanas. Nos lembrando a cada trabalho de que a espiritualidade está em todo lugar, e que cada acontecimento é uma oportunidade para realizarmos o trabalho de nosso Deus interior. Ganesha sendo homem nos afirma que a bondade e a gentileza fazem parte da masculinidade, que podemos ser firmes em nossos objetivos sem que com isso endureçamos nossas relações.

Ritual com Ganesha - Ganesha Puja – Acessando a energia divina.

Pujas são rituais tradicionais em muitas religiões hindus, eles são devocionais e se utilizam de músicas, dança, mantras e oferendas para acessar a energia de cada Deus. Para este ritual decidi me inspirar em um Puja para Ganesha. Acredito que rituais que contenham práticas utilizadas a muitos anos nas ritualísticas antigas de cada Deus carregam em si uma força ancestral, por isso muito interessantes de serem reaproveitadas.
Para este puja organize o altar com uma imagem de Ganesha que será usada durante o rito, três vasilhas de água, uma contendo água e outras duas vazias, incensos, flores frescas, vela vermelha, pote com uma preparação de pasta vermelha (você pode utilizar-se de argila e corante vermelho para fazer esta pasta ou pesquisar outros meios de fazê-la, procure informações sobre Tilak). Um Japa-Mala ou colar de contas para as repetições dos Mantras, tambor e maracás e oferenda de comida.
Estabeleça o espaço sagrado, concentre-se e centre-se. Invoque Ganesha através de uma música ou mantra específico para o Deus. Pegue a imagem Dele, e comece a meditar acerca das qualidades deste Deus, sinta como se sua barriga fosse o vácuo dentro de ti, enquanto respira, este espaço se enche de uma névoa escarlate, aos poucos esta energia em seu estomago começa a tomar forma, a forma daquele que tem a cabeça de elefante, Ganesha.
 “Ganesha, o avermelhado, com cabeça de elefante e corpo de homem, que tem como veículo um rato. Com grande barriga, orelhas como cestas de colheita, ele segura uma romã com sua tromba e a lua crescente em sua testa. Em seus quatro braços ele segura a sua presa, um Machado, um nó e faz o gesto de garantir bênçãos.”

 “A presa é para representar serviço.
O Machado é para nos lapidar no caminho.
O nó é para nos lembrar daquilo que nos prende.
Aos seus devotos ele garante muitas bênçãos.
Suas orelhas, separam a verdade do que não é verdade.
Sua presa inteira nos mostra o poder da força e descriminação.
Seu veículo é o rato e é para astúcia e sutileza.”
Medite sobre as qualidades de Ganesha dentro de ti, ele tem a força e a sabedoria de um elefante, a inteligência de um homem, a astúcia de um rato. Ele é senhor dos Ganas, é ele que traz boa sorte e remove os obstáculos. Filho de Shiva e Parvati, adorado entre deuses e homens.
Agora que construiu uma imagem de Ganesha internamente, é hora de pegar a imagem dele e respirar vida nela. Inspire lenta e profundamente, alimentando a imagem interna de Ganesha, ao expirar, exteriorize ela na figura do Deus, faça isso quantas vezes sentir necessário, até que a imagem externa esteja carregada com fluido vital.
Agora é hora de fazer oferendas para imagem de Ganesha.  Durante esta parte do ritual vamos pronunciar a palavra Gam que é o mantra semente de Ganesha e Ganapati, seu epíteto. Assim insuflamos energia a cada oferenda.

Gam, obediência a ti Ganapati (derramando a água da primeira tigela nas outras duas.)
Gam esta água. Gam Gam Gam Hum Hum Om Gam Ganapati Namah
 (Ofereça a primeira tigela para Ganesha) – Gam, está é para Beber.
 (Ofereça a segunda tigela para Ganesha) – Gam, está é para te banhar.
 (Acenda o incense e ofereça a Ganesha) – Gam, este incenso é para as orações.
 (Ofereça a vela para Ganesha) – Gam, está é a chama do sacrifício.
 (Ofereça a comida para Ganesha) – Gam, está comida é para o sustento.
 (Ofereça a flor para Ganesha) – Gam, esta flor é para a experiência.
 (Toque tambor e maraca, faça música para Ganesha) – Gam, isto é musica para os prazeres.
Aceite estas oferendas Oh Sri Mahaganapati, derreme Siddhi, bênçãos, sobre nós
Feito isto, pegue o japa e entoe uma rodada de “Jaya Ganesha” ou “Om Ganapati Namah” meditando e trazendo a energia de Ganesha para sua vida. Medite acerca dos obstáculos que pretende superar e peça ajuda para o Deus.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Odin: Ancestralidade



                Deus Escandinavo, senhor dos Deuses, da guerra, da poesia, inteligência e dos mortos. Rei dos Aesir, filho de Bor ou Thor com a Gigante Bestla. Provavelmente historicamente foi um chefe importante do clã dos corvos/gralhas, se tornando primeiramente um Deus das tempestades noturnas, gradualmente foi substituindo Thor no comando dos Aesir. Também é conhecido como Pai de Tudo, no início dos tempos ele colocou o sol e a luz em movimento. Com Hoenir e Lodur ele fez Ask e Embla, o primeiro casal humano. Vive em Vahalla com as Valkyrias e seus dois corvos, Hugin e Munin, que o mantém informado sobre os acontecimentos na terra, possui também um cavalo de oito patas, Sleipnir, uma lança, Gungnir e um anel mágico, Draupnir. Odin é marido de Frigg com quem teve Baldur, Bali, Bragi, Hoder, Thor, Tyr e Vidar.
                Como deus da guerra, era encarregado de enviar suas filhas, as valquírias, para recolher os corpos dos heróis mortos em combate, os einherjar, que se sentam a seu lado no Valhalla de onde preside os banquetes. No fim dos tempos Odin conduzirá os deuses e os homens contra as forças do caos na batalha do fim do mundo, o Ragnarök. Nesta batalha o deus será morto e devorado pelo feroz lobo Fenrir, que será imediatamente morto por Vidar, que, com um pé sobre sua garganta, lhe arrancará a mandíbula.
Seu papel, como o de muitos deuses nórdicos, é complexo; é o deus da sabedoria, da guerra e da morte, embora também, em menor escala, da magia, da poesia, da profecia, da vitória e da caça e também dos andarilhos.
Antes de atingir o grau de divindade possuía uma tropa de guerreiros-sacerdotes. Eram chamados de Camisa de Urso ou Pele de Lobo, tinham treinamento xamânico e usavam cogumelos alucinógenos que visavam alterar o estado de consciência.
Conta a lenda que o poderoso Odin desejou ser o conhecedor dos mistérios mágicos, para tanto, entregou-se a um ritual de sacrifício ficando pendurando na árvore do mundo, Yggdrasil, de cabeça para baixo, ferido por sua própria lança, durante 9 dias e 9 noites, com fome e sede.
Ao término desse período, avistou os caracteres rúnicos no chão e os recolheu.
Não satisfeito, pediu permissão para beber água na "Fonte do Conhecimento" do Gigante Mimir, não hesitando em entregar em pagamento um de seus olhos.
Odin era ajudado por 2 corvos: Hugin (Espírito e Razão), e Munin (Memória e Entendimento) que se posicionavam em seus ombros depois de percorrer o mundo durante o dia na busca de novidades para o Grande Deus.
Havia também 2 lobos que ficavam de guarda a seus pés e que se alimentavam de toda carne, inclusive humana, que era ofertada aos Deuses. A Edda poética, escritas poéticas sobre os Deuses e cultura nórdica coloca sobre Odin:
“Vi-me suspenso naquela árvore batida pelo vento
Ali pendurado por nove longas noites
Por minha própria lâmina ferido
Sangrando para Odin
Eu, numa oferenda a mim mesmo
 Atado a árvore
que homem nenhum conhece
para onde vão suas raízes
Ninguém me deu de comer
Ninguém, me deu de beber
Perscrutei as mais terríveis profundezas
Até vislumbrar as runas
Com um grande grito as ergui
E então, tonto e desfalecido caí
Bem estar eu conquistei
E também sabedoria
Cresci, alegrando-me de meu crescimento
De uma palavra a outra palavra
Fui levado a uma palavra
De um fato a outro fato”
Odin em sua grandiosidade e complexidade nos remete primeiramente ao Grande Pai, patriarca, conselheiro, aquele que foi tocado pela Deusa, sábio e provedor de sua tribo, aquele a qual voltamos para conselhos, para honrar os que vieram antes, com quem aprendemos sobre os erros e acertos do passado. Trabalhar com este Deus permite que o homem honre sua ancestralidade, honre os esforços de seus pais e avós que o trouxeram até aqui, honrar os ancestrais espirituais, os ancestrais desta terra, todos eles merecem respeito e veneração, pois o que é lembrado vive.
No mundo espiritual e em rituais, existem três principais vertentes de ancestrais que podem ser cultuados e trabalhados. Os ancestrais do local em que se está, os ancestrais do nosso sangue e os ancestrais espirituais. São espíritos que fazem parte de nossos caminhos mágicos e muitas vezes a presença e sabedoria deles que deve ser procurada e honrada, por isso a importância de se esclarecer sobre suas características e formas de conexão. O que é mais importante nessa linha de trabalho é sentir a presença dos ancestrais, e mais ainda, o aprendizado que essa conexão pode trazer.
Ancestrais do local
Os espíritos do local em que estamos, como o próprio nome diz, são aqueles pertencentes e guardiões da terra, do espaço físico e espiritual em que você está. Esses espíritos preservaram, viveram, morreram e guardam essa terra e ambiente que está sob seus pés.
Esses espíritos ancestrais, são o fluxo espiritual de vida, que traz a sabedoria, as lendas e orientação, assim como proteção do ambiente em que se está.  Afinal esses espíritos pisaram no solo, as mãos, suor e sangue moldaram a paisagem. E sua companhia e ensinamentos vêem juntamente com as plantas, qualidade da terra e vida do riacho que existe, entre outras coisas.
Quem nunca foi em um local e não se sentiu indesejado, quem nunca viu um local aonde nada floresce, não seria errado afirmar que nesses locais, seus ancestrais e guardiões não querem sua presença e/ou estão estagnados e assim influenciam o ambiente a sua volta.
A saudação aos ancestrais do local pode variar, pode ser um simples agradecimento por permitir nossa permanência no local, ou ainda se oferendas, ou invocar suas presenças para que tenhamos contato com a sua sabedoria e conhecimento. Ao cultuar esses ancestrais, podemos nos restringir ao local em que estamos, ou ainda cultuar os ancestrais de todo o mundo que passaram e viveram nesse planeta.
Os espíritos do meio a nossa volta são os primeiros aos quais nos dirigimos e honramos, pois são os mais próximos a terra em que nos encontramos.
Ancestrais de sangue
O seu sangue, a sua genética, as suas características e muito provavelmente suas influencias de personalidade, foram uma construção sanguínea, passada de geração em geração desde o começo da humanidade até chegar em quem você é hoje. Por isso a importância de honrar essa ancestralidade de sangue e herança.
É interessante pensar que para cultuar essa ancestralidade, não precisamos invocar os espíritos dos mortos pelas gerações passadas para ouvirmos suas vozes, os nossos ancestrais de sangue estão em nosso próprio corpo e alma. Suas historias, falhas, erros, vitórias e sucessos, ou seja, as experiências de vida que tiveram é também o que formou seus ossos, está fluindo pelo seu corpo, faz seus tecidos e forma cada célula de seu corpo, é o nosso DNA, e uma das maiores fontes de sabedoria. E o próprio cuidado com a sua vida, é uma forma de culto a essa energia ancestral. Mas é claro que também podemos ter acesso e chamar os nossos ancestrais diretos dependendo do propósito que você tenha.
Os ancestrais sanguíneos começam diretamente com seus pais, passando para a sua família e se estendendo até a esquecida historia dos povos antigos.
Ancestrais espirituais
Esses ancestrais são aqueles com quem compartilhamos as crenças e perspectivas espirituais e religiosas que seguimos. São aqueles que possuem a sabedoria da linha espiritual que se segue, os que reverenciam os deuses e energias que reverenciamos também. Se os ancestrais sanguíneos nos deram o dom da vida, os ancestrais espirituais nos mostram a beleza de viver alimentando nossa alma com a energia sagrada. São os mestres, guias, entidades e amparadores que fazem parte do conhecimento sagrado de uma vertente espiritual da qual escolhemos ou fazemos parte e nos guiam nesses caminhos e conhecimentos.
O assunto é amplo e deve ser mais pesquisado detalhadamente, pois dependendo da sua tradição e espiritualidade, diferentes tipos de ancestrais espirituais você irá encontrar e conseqüentemente aprender com eles. Mas de fundamental importância, pois o que se vive hoje espiritualmente é uma fonte de sabedoria e conexão já explorada e desenvolvida por muitos ancestrais, e são a esses que honramos.

Ritual com Odin – Ancestrais.

Neste ritual vamos nos conectar com nossos ancestrais, para isso precisamos meditar, refletir e recolher fotos e objetos que pertenceram aos nossos familiares, pegar os seus nomes, pai, mãe, avós e avôs, bisavôs, bisavós, até onde achar necessário. Monte um altar com as fotos, tenha um espaço para oferendas, vela e incensos. Escreva em um papel o sobrenome de seu pai e de sua mãe, em caso de adoção se desejar escreva os sobrenomes de todos envolvidos em seu processo de criação, mãe e pai biológico, mãe e pai adotivo, vivos e falecidos. Tenha uma figura de Odin, oferendas para Ele em separado. Concentre-se e centre-se, estabeleça o espaço sagrado, invoque Odin com suas próprias palavras, sinta a força do Deus preenchendo o local, sinta-o presente. Agora, um por um comece a chamar seus ancestrais pelo nome completo, convide-os a entrar no espaço sagrado, ofereça a bebida e a comida a cada um deles, nomeie seus ancestrais espirituais, os vivos e os que já fizeram a transição, honre os ancestrais do local, os índios, sua cultura.
Pegue o tambor, toque e celebre seus ancestrais, dance e cante. Algumas músicas que podem levar a uma reflexão interessante são:

“O Mar é a origem da vida –
O Mar é a origem da vida, ela vem lá do mar... O mar é a origem da vida, ela volta pro mar”

“Todos nós viemos da Deusa –
Todos nos viemos da Deusa e a Ela voltaremos (2x)
Como uma gota de chuva que corre pro oceano (2x)
Refrão - Casco e chifre, casco e chifre, o que morre renascerá, milho e grão, milho e grão, os que caem germinarão.
Todos nós viemos do Deus Pai, e a Ele voltaremos (2x)
Como uma centelha de fogo subindo aos céus (2x)
Refrão - Casco e chifre, casco e chifre, o que morre renascerá, milho e grão, milho e grão, os que caem germinarão.”

É interessante trabalhar com os ancestrais sempre que puder, uma vez por mês, mantê-los vivos em nossa memória, honrá-los por seus feitos, e perdoá-los por seus mal-feitos. Muitas vezes nossos ancestrais ou os ancestrais desta terra fizeram acordos ou trabalhos em nosso nome e precisamos ajudá-los a diluir estes acordos que os prendem neste plano e muitas vezes nos prendem a dinâmicas que não são saudáveis. Odin é um Deus muito interessante neste aspecto já que preza pelos mortos, pelos oráculos e pela magia.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

As Energias Mana, Mana-Mana e Mana-Loa.




                Na natureza encontramos diversos teores energéticos, se estamos falando de energia elétrica, temos os pólos positivo e negativo, mas quando falamos em energia espiritual tornamos o leque um pouco mais amplo.
                Basicamente as energias que trabalhamos na nossa tradição (Trina Luna Solaris) são aqueles provenientes dos 3 selves: Unihipili, Uhane e Aumakua. Com isso temos então 3 energias básicas: Mana, Mana-Mana e Mana-Loa, cada uma se relacionando com cada self. Temos dois extremos muito poderosos de energia, Mana que é armazenado no Unihipili e Mana-Loa que é proveniente do Aumakua. O manuseio de ambas energias deve ser feito com muito cuidado, já que o excesso e a falta de direcionamento podem gerar consequencias desastrosas.  A energia flue através de nossos selves pelos cordões de Aka e é através deles que podemos impregnar objetos e até mesmo transformá-las neste processo. 
                Mana é a energia que sustenta a vida, é a aquela animação que sentimos em uma festa, é a energia para se movimentar, é a pique de um jogo de futebol e é a energia do sexo, o impulso e o orgasmo, mas como estes mesmos exemplos podem ilustrar, é uma energia que se queima muito rápido e que quando não direcionada gera ansiedade, nervosismo e irritabilidade. Mana é uma energia ótima para direcionar à causas físicas, para o corpo, para a saúde imediata, é a forma mais densa de energia que podemos lidar, o mana é gerado durante o cone de poder e que pode ou não ser transformado em Mana-Mana. Geralmente produzimos Mana naturalmente quando nos alimentamos corretamente, quando praticamos exercícios físicos com uma certa regularidade, quando nos divertimos, damos risadas, quando fazemos sexo de maneira saudável, mas um ritual ou um trabalho mágico pode exigir mais Mana do que podemos oferecer, por isso então a importancia de conseguir gerar esta energia com sucesso. Uma das maneiras mais eficazes de se gerar Mana é através da respiração consciente com o fogo azul, induzir seu corpo a produzir um “mini cone de poder” e até mesmo dançar e cantar ajudam na produção desta forma de energia. Para nosso corpo sustentar tanta energia é preciso prática e muito controle que é alcançado através da concentração e visualização. Quando mais Mana, mais forte e mais eficaz seus trabalhos mágicos serão.
                Mana-Mana é a energia Mana transformada através da intenção, está ligada ao Uhane e a todas as formas de comunicação, intelecto e relacionamentos. Quando passamos a energia armazenada no Unihipili para o Uhane essa força toma outra nuançe, outra forma, é o que acontece quando colocamos uma intenção, quando damos um foco para esta energia. Mana-Mana é aquela sensação que temos quando estamos escrevendo um conto, uma música, uma poesia, é aquela sensação de ter as idéias fluindo meio que fora de controle, como se o pensamento estivesse correndo muito mais rápido do que seus dedos podem digitar ou sua mão pode escrever. Quando realizamos um encantamento com rimas, estamos transformando Mana em Mana-Mana, quando cantamos uma música com determinada letra com determinada intenção estamos utilizando Mana-Mana também. Mana-Mana é uma das formas mais sutis e mais complexas de serem trabalhadas, pois exige muito trabalho mental e vigilia pois pode se transformar facilmente em Mana-Loa ou voltar a ser Mana, é também uma energia de relacionamento, em grandes grupos, em comunidades, em escolas e até num relacionamento a dois, é importante transformar parte da energia Mana em Mana-Mana através de conversa e de comunicação clara, senão começam a acontecer brigas frequentes decorrente do Mana gerado e não direcionado.  Mana-Mana pode ser manuseado como sendo um fogo amarelo vivo, claro e brilhante, amarelo do sol nascendo, da inspiração e criatividade, começa geralmente com um impulso de Mana ou Mana-Loa.
                Mana-Loa é a forma de  energia que, segundo Victor Anderson (porta-voz da Tradição Feri por muitos anos), temos que tomar o maior cuidado, é inerente ao Aumakua, o Self-divino e pode literalmente curar ou matar. É esta energia que deve ser evocada ao se criar um círculo, é a energia que aumenta a vibração do local pois é “celestial”. Quando oramos, quando cantamos com louvor, quando fazemos oferenda aos Deuses recebemos Mana-Loa. Esta energia pode ser gerada tanto através do Mana e Mana-Mana quanto vir de próprias fontes cósmicas. É extremamente potente e transformadora e deve ser direcionada ao invés de contida no corpo. Ela pode ser redistribuida entre os selves com certeza, mas não deve ser mantida no físico. Durante um ritual ou trabalho a quantidade de Mana-Loa investida garante a manifestação, em outros níveis, do objetivo e estabelece comunicação direta com as Divindades pois fala através da divindade em nós.  Mana-Loa é o fogo Branco, da luz cósmica e divina, tão brilhante que não pode ser observado com os olhos físicos.
                Ao observarmos uma vela conseguimos compreender um pouco de como é a natureza das energias. Existe o pavio, o centro, nós e nosso corpo e a parte mais baixa desta chama, mais cheia de oxigênio é azul, Mana, conforme a chama sobe o pavio vai se tornando amarelada, Mana-Mana e ao se desgrudar do pavio, no topo, se torna pura luz e calor, brilhante Mana-Loa. Uma das maneiras de se gerar cada energia é através dos Pentáculos de Ferro (Mana), de Pérola (Mana-Mana) e de Bençãos (Mana-Loa) que também estão ligados a cada Self.



Sobre estas questões Valerie Walker escreve em wiggage.com:

Tanto na Tradição Feri quanto nas práticas de Huna, Mana é vista como a energia fundamental presente em tudo, esta mesma energia quando trabalhada pelo Uhane se transforma em Mana-Mana e é usada para manter a nossa consciência e habilidade de raciocínio, já com o Aumakua o processo acontece de maneira um pouco diferente. Enquanto o Unihipili e o Uhane armazenam e utilizam a energia, o nosso Self-Divino recebe Mana e Mana-Mana e os transforma em Mana-Loa, mas esta energia não é gerada no corpo (como com as outras duas) e sim fora dele e para ele enviada, como uma chuva de bençãos que preenche nosso ser e que pode ser direcionada para criar, curar e etc, é algo tão grandioso que parece que iremos nos diluir num amor cósmico, é uma força que parece não caber em nós e isso é verdade, já que nosso corpo não está preparado para sustentar tamanha energia, ela precisa ser direcionada.

Mas qual o objetivo disto tudo? Pra que mover tanta energia? Pode ser sim trabalhoso, mas o objetivo final é conseguir gerar e sustentar Mana e Mana-Mana através da força de vontade além de se tornar mais receptivo a Mana-Loa. A prática mantém os canais abertos e desenvolve a facilidade de mover energia ao redor do corpo e a transmiti-la para objetos (que é o princípio básico de qualquer sistema mágico). Ao trabalhar com estas três energias através da prática com os Pentáculos você irá desenvolver uma sensibilidade energética das diferentes nuances além de fortalecer a conexão com o Aumakua.

Victor Anderson, o grande porta-voz da Tradição Feri discorreu sobre Mana-loa como sendo extremamente perigosa: “Esta energia ocorre durante as cerimônias mágicas, contanto que o Self-Divino esteja no controle, pode ser muito benéfico. É uma força tão grandiosa, tão cheia de vida, tão poderosa, mas manuseá-la sem cuidado, de maneira leviana, respirá-la ou ingeri-la e dizer que é a única coisa que importa é como colocar suas mãos em material radioativo. O resultado é similar ao LSD, você pode começar a alucinar, um sentimento de espiritualidade tão ativo que pode te sobrecarregar e te afastar do que realmente importa, se for seguir este caminho, pode acabar louco.”
Se é tão perigoso mexer com esta energia, por que se preocupar em conhecê-la? Está se tornando cada vez mais necessário aprender a manusear tais energias como uma maneira de se conectar com o sagrado em tudo. Oferecer Mana e Mana-Mana como uma forma de devoção espiritual e reverência ao invés da busca por poder ou auto-afirmação, este é o verdadeiro caminho mágico. Se nosso objetivo for bem orientado (para cura ou o que quer que seja) e de valor o suficiente, os Deuses irão retribuir nos enviando Mana-Loa se assim eles quiserem. Por isso que trabalhar com os pentagramas, principalmente com o Pentagrama de Bençãos se faz extremamente necessário neste processo, nos ajuda a nos manter focados no que realmente importa e a canalizar esta energia. O trabalho com os Pentáculos nos serve de ferramenta para acessar tais energias. Até as pontas mais gentis do Pentagrama de Bençãos podem ser assustadoramente transformadoras, só acessamos Mana, Mana-Mana e Mana-Loa quando incorporamos os conceitos que os Pentagramas expressam. A prática de Kala é muito importante durante este processo pois permite que a energia flua livremente pelo nosso corpo, Kala nesta questão serve como um escape para qualquer energia que por algum motivo (ou em algum complexo) se acumulou. Victor já dizia “Existem pessoas que podem curar, ela colocam suas mãos sobre as pessoas e simplesmente rezam. O Deus-Interior delas ouve, pois os Deuses não são tão exigentes, não importa o que se passa pela cabeça das pessoas, desde que seu coração seja genuíno os resultados aparecem. Mas se a voz do Deus-Interior for ignorada, a energia Mana será aos poucos drenada. Em outras palavras, o Reino dos Deuses está dentro de Você!”                

         Mas qual a importância de se saber sobre as nuances energéticas? Bem, ao reconhecer como cada energia age em seu corpo, mente e espirito podemos direcionar a sua ação e também criar situações nas quais elas possam ocorrer e fluir livremente. Em um ritual por exemplo, pode-se gerar cada tipo de energia em pontos chaves para que se alcance o objetivo esperado, um ritual pode ser muito mais elaborado e focado na eficácia quando se tem consciencia de qual energia você está manejando. Estas três formas de energia já se manifestam naturalmente em um ritual, mas o que pode acontecer (e que acontece) é de uma delas fugir do controle, sendo um momento muito prolongado ou muito curto. Em nossas práticas diárias é importante termos consciencia de que energia e de que self queremos estimular. Pela manhã muitas vezes é interessante se encher de Mana, para estar desperto, ativo e produtivo, durante o expediente as vezes precisamos de uma injeção de Mana-Mana, a noite é interessante terminar o dia com uma oração ou mesmo uma devoção, gerar energia Mana-Loa para reconhecer a divindade manifesta no seu dia a dia. Ou mesmo para situações mais práticas: Auto defesa psiquica, é eficaz quando se abrange as três energias, para uma cura, para um feitiço, para os relacionamentos cotidianos, para os relacionamentos amorosos, para o desenvolvimento pessoal. Muitas são as suas aplicações, mas o mais importante é reconhecer os momentos em que elas são geradas e aproveitá-los da maneira mais eficaz possível.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

O Pentagrama de Bênçãos: Mediando o Sagrado no Mundo




A natureza do ser humano é tripla, assim como é a natureza divina. Somos todos estrelas, como a Grande Deusa Estrela que permeia a tudo e a todos, simplesmente divinos.  Mas esta divindade, este Deus/a interior está em relacionamento com outras partes do nosso ser, somos Unihipili, Uhane e Aumakua, facetas de humanidade e para cada uma delas temos ferramentas para aprimorar e refinar nossos trabalhos e assim “nos tornar cada vez mais divinos em nossa humanidade”, como coloca T. Thorn Coyle.
                Cada um dos Pentáculos está relacionado com um de nossos selves; o Pentagrama deFerro (PF) está ligado ao Unihipili, o Pentagrama de Pérola (PP) ao Uhane, ambos ensinados por Victor Anderson, e para o Aumakua temos o Pentagrama de Bençãos, como nos apresenta Valerie Walker. Como colocado em textos anteriores, os Pentáculos são ferramentas para a transformação e movimentação energética através dos Selves, mas não somente isso, eles são ferramentas de meditação, foco e aprimoramento de cada parte de nosso ser, induzindo inevitavelmente a uma ação pautada na integridade pessoal, expressando o trabalho de nosso Deus Interior.  Ao trabalharmos os nossos medos e bloqueios viscerais com o PF, despertamos a forma mais pura de Mana, desencadeamos a expressão perfeita do Self Jovem que só se torna eficaz com os trabalhos do PP e o envolvimento comunitário, ou seja, focar toda esta energia em um trabalho coletivo, visando não só a saúde pessoal, física, mas a saúde de um todo, os relacionamentos saudáveis. Mas este trabalhos só pode ser completo com o despertar de nossa divindade interior e a expressão do trabalho desta divindade. Mas que trabalho é esse? É o Grande Mistério, já que é um trabalho que somente você pode exercer, uma função planejada somente para você, algo íntimo e pessoal.
                O Pentáculo de Bençãos (PB) aproxima a relação do Unihipili e Uhane com o Aumakua, permitindo que a energia Mana-Loa seja recebida e direcionada de maneira segura, despertando as partes divinas de nosso ser e as convidando para o trabalho. As pontas do PB reivindicam essa divindade inata, despertam a pessoa para as relações divinas e conseqüentemente a constatação de que vivemos em um mundo sagrado e de que somos sagrados. O trabalho com o PB nos coloca como ativos na relação espiritual, existe um compromisso, consciência e relacionamento, é a constatação de que somos mais do que mundanos, de que não estamos sozinhos e que pode existir um relacionamento entre humanos e Deuses. A lógica que se segue é a de que somos filhos de Deuses e assim Deuses por excelência, mas como filhos, temos um longo caminho a percorrer para alcançar o potencial divino inerente e latente em nossa humanidade, assim como um bebê contem em si toda a perfeição da humanidade mas se constrói humano nas relações com outros humanos, do contrário sua natureza animal seria super estimulada e uma lacuna enorme ficaria sem ser preenchida, como pode-se observar no caso das meninas lobo Amala e Kamala.
                A estimular o Aumakua com o PB nos tornamos mais conscientes, responsáveis e atuantes, o verdadeiro trabalho de um Sacerdote é desperto com este pentagrama, que assim como os pentáculos anteriores, serve como um norteador, uma bússola para prática e ação espiritual, nos ajuda a “entrar nos eixos” mais rápido e a encarar nossos complexos, nossos traumas e a acolhe-los como parte de nossa humanidade. Sua energia é Mana-Loa, algo que não pode ser gerado pelo corpo humano (ao contrário de Mana ou Mana-Mana) somente podemos estar abertos a essa energia, recebê-la e direcioná-la da melhor maneira possível, como bênçãos.
                As pontas do Pentáculo são Devoção, Verdade, Presença, Imanência e Gratidão. Cada uma delas trabalha as relações que temos com a espiritualidade e nos incentiva a encará-las, ao trabalho e a prática de cada uma delas, já que somente a prática é que irá ativar cada uma das pontas, cada uma delas media um grau de força espiritual que precisa ser mediado pelo sacerdote através da ação, esta mediação entre mundos é que se torna a chave deste Pentáculo.  

Devoção: Ligada diretamente as pontas do Sexo e Amor, Devoção é o eixo deste pentáculo no qual todas as outras pontas giram. Devoção é o reconhecimento de que existe algo divino e que precisa ser mediado neste plano. O ato devocional é o alimento dos Deuses que precisam ser cultuados, mas isso longe de ser uma relação dependente entre Deuses e Humanos, é o despertar de uma necessidade de voltar-se a cada momento para o alimento que nosso próprio Deus/a Interior precisa, é a oração que nos conecta, é o ritual de entrega a esse Divino. Devoção é um ato de amor aos Deuses, sem segundas intenções, é um ato sexual, é o Hiero Gamos, é um momento de estar completo e conseqüentemente é abrir-se a toda esta energia que a Devoção estimula.

Verdade: Verdade pode ser um conceito social num primeiro olhar, nos voltando para o PP, mas ao refletirmos sobre as pontas que antecedem a Verdade, Orgulho e Lei, podemos ampliar nossos conceitos. Verdade neste Pentáculo reflete a conexão com tudo o que é, foi e será, e simplesmente ser esta verdade, muito maior do que podemos intelectualizar, é estar alinhado com a proposta divina e ser verdadeiro com o seu ser, agir em nome da verdade. Lembrando que somos a voz dos Deuses na Terra e que por isso nossas palavras devem sempre proferir a verdade, isso nos remete a assumir a responsabilidade pelo que dizemos, a pensar antes de falar qualquer coisa e antes de assumir qualquer compromisso, é antes de qualquer coisa, um reconhecimento do seu verdadeiro potencial e com isso agir verdadeiramente.

Presença:  Com o trabalho feito em Verdade, somos levados inevitavelmente aos trabalhos com a ponta da Presença. Estar presente é estar consciente do momento, este momento, aqui e agora, o único que importa, o único espaço em que podemos agir, mudar, crescer e transformar. Estar presente é reconhecer a centelha divina e todo o seu potencial, é estar atento e consciente. Está ligada intimamente com a ponta do Self e Conhecimento nos outros Pentáculos. Um sinônimo da energia desta ponta é Integridade, estar inteiro e conectado.

Imanência:  Ao nos conscientizarmos de nossa divindade e ao estarmos presentes, como um efeito dominó, encaramos tudo como sagrado, tudo ao nosso redor, como Thorn Coyle retrata no livro “Evolutionary Witchcraft” sobre a Deusa Estrela e a imanência: "Imanente, Ela preenche todos os espaços de nosso ser com mistério e beleza: Está na planta que nasce, se espremendo pelas calçadas rachadas, ou no raio de sol que ilumina o céu. Imanência é a voz da brisa nas folhas das árvores, é a queda d'água em uma cachoeira e no encontro do mar com a areia. Imanência é um beijo, um toque, o fôlego. É o seu corpo no encontro de outro corpo no calor da luxúria e celebração. O divino no mundo está também em cada um de nós e estabelece a relação com tudo o que nos rodeia. Na natureza nós vivenciamos o plural, o múltiplo: A natureza é o corpo no qual a diferença flui..."

Gratidão:  Eu gosto muito de dizer que Gratidão é o marca-texto do Universo, eu acredito fielmente que ao agradecer acessamos a energia divina e espiritual que conduz e dá o tom a nossa existência, e mais ainda, reconhecemos que nossos atos são mediados pelo divino e reconhecer esta relação a fortalece. Gratidão é o movimento de entregar-se as experiências, é ater-se aos momentos que engrandecem e transformam, é abrir-se a abundância e prosperidade que o universo tem para oferecer. Gratidão é um sentimento grandioso e curativo e está ligado as pontas de paixão e sabedoria, que nos remete a todo potencial inato de poder interior e relacionamento, ação, que por si só já é transformador. Eu percebo Gratidão ligada com intimamente com a humildade que em sua essência nos desperta a consciência de que não estamos sozinhos e nos coloca em relação, simétrica, com o outro e com o Divino, por isso esta ponta está ligada diretamente a ponta de Devoção.

                Assim fechamos o circuito do Pentáculo de Bençãos, que como os outros Pentáculos pode ser trabalhado circularmente ou ligando uma ponta a outra, a energia que o percorre é ultra-violeta, representando tudo aquilo que transcende a nossa humanidade e nos conecta com o divino. Cada uma destas pontas nos leva a trabalhar aspectos nossos em relação com os Deuses e refletem o âmago das práticas pagãs. O PB vai lapidando a maneira como realizamos nossos rituais, como nos comprometemos com os trabalhos sacerdotais e com o compromisso que assumimos com os Deuses, sendo seus representantes e mediadores. A Prática com o PB abre os canais pelos quais a Mana-Loa flui, nos sensibilizando a esta energia e conferindo maior flexibilidade para o manejo e utilização da mesma. Num âmbito mais espiritual, o PB trabalha para orientar uma prática espiritual saudável, compatível com o nosso dia-a-dia e inserindo em nosso viver princípios espirituais, dando espaço para o trabalho do nosso Deus/a Interior se manifestar em cada ato, em cada ação. 

terça-feira, 24 de julho de 2012

Oxóssi - Cultivando Foco, Colhendo Coragem.


Oxóssi é o deus caçador, senhor da floresta e de todos os seres que nela habitam, Orixá da fartura e da riqueza. Atualmente, o culto a Oxóssi está praticamente esquecido em África, mas é bastante difundido no Brasil, em cuba e em outras partes da América onde a cultura iorubá prevaleceu. Isso deve-se ao fato de a cidade de Ketu, da qual era rei, ter sido destruída quase por completo em meados do século XVIII, e os seus habitantes, muitos deles consagrados a Oxóssi, terem sido vendidos como escravos no Brasil e nas Antilhas. Esse fato possibilitou o renascimento de Ketu, não como estado, mas como importante nação religiosa do Candomblé. Oxóssi é o rei de Ketu, segundo dizem, a origem da dinastia. A Oxóssi são conferidos os títulos de Alakétu, Rei, Senhor de Ketu, e Oníìlé, o dono da Terra, pois na África cabia ao caçador descobrir o local ideal para instalar uma aldeia, tornando-se assim o primeiro ocupante do lugar, com autoridade sobre os futuros habitantes.
Na história da humanidade, Oxóssi cumpre um papel civilizador importante, pois na condição de caçador representa as formas mais arcaicas de sobrevivência humana, a própria busca incessante do homem por mecanismos que lhe possibilitem sobressair no espaço da natureza e impor a sua marca no mundo desconhecido. A coleta e a caça são formas primitivas de busca de alimento, estes são os domínios de Oxóssi, Orixá que representa aquilo que há de mais antigo na existência humana: a luta pela sobrevivência.
Oxóssi é o Orixá da fartura e da alimentação, aquele que aprende a dominar os perigos da mata e vai em busca da caça para alimentar a tribo. Mais do que isso, este Deus representa o domínio da cultura (entendendo a flecha como utensílio cultural, visto que adquire significados sociais, mágicos, religiosos) sobre a natureza. Astúcia, inteligência e cautela são os atributos de Dele, pois, como revela a sua história, este caçador possui uma única flecha, por tanto, não pode errar a presa, e jamais erra. Oxóssi mantém uma estreita ligação com Ossain, com quem aprendeu o segredo das folhas e os mistérios da floresta.
Oxossi é o Orixá da caça, chamando muitas de Ode Wawá, ou seja, “caçador dos Céus”. É a divindade da fartura, da abundância, da prosperidade. Em seu lado negativo, porém, pode ser também o pai da mingua, da falta de provisão.
Suas principais características são a ligeireza, a astúcia, a sabedoria, o jeito ardiloso para faturar sua caça. É um Orixá de contemplação, amante das artes e das coisas belas.
Como todos os outros Orixás, Oxossi também está no dia a dia dos seres vivos, convivendo intimamente com todos nós. Seu culto envolve a busca de vibrações positivas e proteção para a casa, o circulo, a moradia ou o templo.
No dia a dia, encontramos o deus da caça no almoço, no jantar, enfim, em todas as refeições, pois é ele que provê o alimento. Rege a lavoura, a agricultura, permitindo bom plantio e boa colheita para todos.
Oxossi é a semente, é o vegetal em ponto de colheita. É a fartura, a riqueza, é a carne que o homem consome. Está também ligado às artes. Todo tipo de arte. Ele está presente no ato da pintura de um quarto, na confecção de uma escultura, na composição de uma música, nos passos de uma dança. Encanta-se nas misturas de cores, na escrita de um poema, de um romance, de uma crônica. Oxossi está presente desde o canto dos pássaros, da cigarra, ao canto do homem. É pura arte!
Oxossi também rege o revoar dos pássaros e seu encantamento mais bonito está na evolução das pequenas aves. Oxossi é a vontade de cantar, de escrever, de pintar, de esculpir, de dançar, de plantar, de colher, de caçar, de viver com dinamismo e otimismo.
Curiosamente, Oxossi também é a comodidade, a vontade de vislumbrar, de contemplar. Oxossi é um pouco preguiça, a vontade nada fazer, é o ócio criativo.
A vida com essa força da Natureza, entretanto, não é só suavidade. Em seu lado negativo, Oxossi pode proporcionar a falta de alimentos; o plantio escasso; o apodrecimento de frutas, legumes e verduras; e até mesmo a arte mal acabada, inacabada ou de mau gosto.
Uma lenda conta um pouco sobre a natureza deste Deus: “Filho de Iemanjá e irmão de Ogun e Exu, Oxossi sempre foi muito querido pela família, pelo seu temperamento calmo, compreensivo, amigo e respeitador. Entretanto, era franzino, parado.
Seu irmão mais velho, Ogun, preocupado com a inércia de Oxossi, resolveu ensinar-lhe a arte da caça e os caminhos e trilhas da floresta. E assim foi. Ogun ensinou Oxossi o que havia de melhor na arte de uma caçada e os segredos da mata. Levou-o até o alquimista Ossain, que morava no interior da floresta, para que ele aprendesse a magia e conhecesse os animais de caça e aqueles que não se pode caçar.
O nome de Oxossi era Ibô, o caçador.
Um dia, Oxalá precisou de penas de um papagaio da Costa, para realizar o encantamento de Oxum, mas, praticamente, não se achava o animal. Oxalá então designou Ogun para encontrar as penas. Em vão o valoroso guerreiro e também caçador foi incapaz de achar o que Oxalá lhe pedira. Mas sugeriu:
- Oxalá, estou tão envolvido nas conquistas que já não caço como antes. Porém, sugiro o nome de Ibô, meu irmão, que certamente é o melhor de todos os caçadores, e conseguirá as penas do papagaio da Costa como pretende.
E Ibô foi chamado. Perante o deus da brancura, Oxalá, Ibô se prostou e ouviu, atentamente, as ordens:
-Ibô! Disse-lhe Oxalá, vá e consiga as penas do papagaio da Costa. Você tem exatamente sete dias para voltar...
E Ibô partiu para a floresta, e durante dias procurou por sua caça. Quando lhe restava apenas um dia para esgotar o prazo dado por Oxalá, Ibô avistou os papagaios.
Com uma flecha apenas – mirando com cuidado – atingiu, não apenas um, mas dois papagaios de uma só vez. Orgulhoso e como o sentimento da tarefa cumprida, Ibô partiu para o reino de Oxalá.
Mas seu retorno não foi tão fácil. No meio do caminho, Ibô deparou-se com um grupo de feras, que o atacou de surpresa, deixando-o muito ferido. Só não morreu porque suas habilidades de grande caçador o salvaram.
Bastante ferido, Ibô já não andava, arrastava-se. Na boca da floresta, Ibô avistou os portões de Ifé, reino de Oxalá, e via que eles. Lentamente, se fechavam à medida em que o dia acabava e a noite chegava. Num esforço enorme, Ibô reuniu todas as forças e chegou até os portões. Esticou o braço, segurando firmemente as penas de papagaio da Costa e somente estas conseguiram transpassar os limites de Ifê. Os portões se fecharam. Ibô, caído do lado de fora de cidade, continuava segurando as penas de papagaio, presas no portão da grande morada de Oxalá. Ele cumprira o prazo.
Momentos mais tardes, ajudando pelo irmão Ogun, Ibô foi levado até a presença de Oxalá. Acreditando não ter conseguido, Ibô desculpou-se com o rei:
- Perdoe-me, Senhor! Não consegui chegar à sua presença com sua encomenda
- Ao contrário, jovem caçador! – retrucou Oxalá – Seus esforços e sua coragem são admiráveis. As penas do papagaio da Costa chegaram a Ifé no prazo recomendado, e eu lhe parabenizo por isso. E como é tão bom caçador e de uma bravura tão grande, passará a chamar-se Oxossi, o Senhor da Caça.
Assim sendo, Oxalá ergueu sua mão e dela um facho de luz atingiu Ibô, curando-o de todos os ferimentos e dando a ele trajes azuis turqueza, cor do encantamento do novo Orixá, Oxossi.
O elemento de Oxossi é a terra, e a liberdade de expressão seu ponto mais marcante. Por isso, nosso sentimento de liberdade e alegria estão profundamente ligados a Ele.... O senhor da arte de viver!”

                Este mito de Oxóssi reflete o aspecto masculino do foco e da coragem, que ambos fazem parte da natureza criativa e inspirador do homem e pode ser acessada para ser investida no trabalho, na família e na comunidade, permitindo com a força deste Deus que existe fartura, abundancia e beleza. Muitas são as situações em nossa cultura em que precisamos tomar partido, vestir a camisa, em que precisamos nos investir de coragem e defender nossos direitos, partindo em busca do que nos é precioso. Oxóssi é esta força, é através dele que conseguimos o foco e a força, a coragem necessária para agirmos. Volte-se para Ele sempre que sentir necessidade de lutar pelos seus próprios bens, lutar por sua sobrevivência, ir atrás de seus objetivos, seguro de si e íntegro, pleno e em harmonia com a natureza ao redor.

Práticas com Oxóssi – Desenvolvendo o Foco e a coragem.

Em umbanda e candomblé onde Oxóssi é mais popularmente cultuado, uma das maneiras mais bonitas e eficientes de se honrar e de trabalhar com a energia deste Deus é dançando e cantando ao som de tambores.
Prepare o Altar com cores verdes e azuis, uma vela verde para Oxóssi, incensos de musgo ou plantas silvestres. Tenha consigo um maracá ou tambor, batuque ou atabaque. Estabeleça o espaço sagrado e cante pontos a Oxóssi, um dos muitos e mais interessantes é este:

Atira, atira, eu atirei
No bambá eu vou atirar
O veado no mato é corredor
Oxossi na mata é caçador

Ao som de tambor ou maracá, invoque o Deus. Em seguida faça a dança do arco-e-flecha, meditando sobre o significado mágico desta ferramenta sagrada. Aponte para as quatro direções, pedindo foco, pedindo mira certeira. Por fim, imagine uma flecha de luz, amparada pelo Orixá se formando em seu arco, solte-a e veja que ela acerta o seu objetivo, certeiro, purificando tudo pelo caminho e fazendo prosperar seus planos.
Para conseguir a coragem e mesmo para gerar energia sempre que precisar, faça a dança do Zangão, batendo forte em seu peito esquerdo com a mão direita fechada em punho, respirando de forma curta e forte.
Faça oferendas de feijão torrado, frutas de coco e milho.
Trabalhe com Oxóssi sempre que precisar de orientação com ervas, ao entrar em matas para honrar os espíritos que lá vivem e para pedir proteção.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

O Pentagrama de Pérola: Comunidade, transformação e energia.




Assim como o Pentáculo de Ferro (PF), o Pentáculo de Pérola (PP) é umas das ferramentas essenciais usadas na tradição Feri. Como coloquei quando descrevi o Pentagrama de Ferro, ambos eram ensinados como um só por Victor Anderson. Este é um fato muito importante, já que caracteriza um sendo essencial ao outro. Enquanto o PF representa as qualidades pertinentes de cada um, ou seja, pertencentes ao universo individual, o PP se expande para o conceito de comunidade, despertando conceitos que acontecem inter-relacionalmente, sendo um complemento para o PF, como se fossem polares. Quando unidos no Decagrama, representam a união divina necessária para despertar completamente a consciencia de nossa natureza Divina.
                Enquanto o PF pode ser percebido como cheio de energia, rápido, denso e quente, o PP é geralmente descrito como sendo suave, calmo e freco, como uma brisa em dia de calor, um equilibrio necessário para a energia que o PF despertou que pode nos sobrecarregar. Mas isso são tudo conceitos gerais, constuma-se dizer que existem tantas maneiras de se viver os Pentáculo quanto existem pessoas para vivê-los.
                Se originalmente ambos os Pentáculos foram ensinados juntos, o que os separou e qual o motivo do PF ser trabalhado antes do que o PP? Bem, eu me perguntei e perguntei para minha orientadora, buscando entender as razões disto ter acontecido. Como disse, a Tradição Feri é uma Tradição viva e é como uma árvore, seu tronco é único, mas muito sãos os seus galhos. Em algum momento alguem decidiu refinar os trabalhos com os Pentáculos e os separou, mas ensinar o PF antes do PP faz sentido quando analisamos que o primeiro lida com as relações consigo mesmo e o segundo lida suas relações com os outros. É necessário ter essa base antes de adentrar nos conceitos relacionais (se o relacionamento consigo mesmo já é complicado, imagina com outro ser!). O Pentagrama de Pérola vem para ampliar nossos conceitos e trabalhos em comunidade. No final das contas, algo que me é sempre repetido é que o PF e o PP são os mesmos Pentáculos, mas vistos de ângulos diferentes. É como se o PP fosse o PF vibrando em outra frequencia. É um paradoxo legal para meditação.
                Quando o foco é o trabalho interno com nosso self, o PF é a melhor ferramenta, suas cinco pontas representando qualidades e urgências que com frequência precisam ser curadas, repensadas e exercitadas para que possamos despertar nosso poder interior. O PF vem para realinhar o nosso ser para que possamos agir na comunidade de maneira íntegra e eficaz, reconhecendo a nossa verdade de maneira profunda.
                Quando bem alinhados com o Pentagrama de Ferro surge o Pentagrama de Pérola, a lógica é a de que quando estamos bem alinhados, centrados e curados, estamos prontos para agir no mundo, começando pela nossa comunidade. A energia densa, cheia de poder e calor se torna mais refinada e as pontas se transformam em conceitos que regem os relacionamentos, com outros seres humanos, com outros seres vivos e com tudo o que existe ao redor. A natureza do PP é a de nos dar uma visão mais panorâmica de comos tudo flui no universo para que possamos nos encaixar e nos encontrar nesta dinâmica, agindo a favor da corrente e não contra, para a construçao de um espaço melhor, de um mundo melhor.
                O PP trabalha a nivel de Uhane, ou seja, nosso self humano, discursivo, noss self relacional, racional e inteligente. Seus conceitos são para serem pensados, refletidos e meditados de maneira mais intelectual, pois esta é a sua energia e ela flui diferente da do PF assim como Uhane é diferente de Unihipili. A energia gerada pelo PP é Mana-Mana, o impulso criativo, a abrangência intelectual o fluxo de inspiração que faltava para que possamos abraçar a causa do mundo e vivê-la. Assim como Uhane reflete também nossos limites energético, o PP vem para nos fazer refletir sobre o que cabe a nós fazer e de que maneira podemos agir em sintonia com a Divindade e o Cosmos. Mas Uhane é também comunicação, é a parte de nós que primeiro entra em contato, com outra pessoa ou outro lugar e é assim que o PP se mostra, nos orientando sobre como podemos nos relacionar melhor com tudo ao redor. Suas pontas são mais complexas do que a do PF pois refletem padrões sociais mas que também foram corrompidos e precisam ser curados.

AMOR:
Amor é a energia que mantém tudo girando, em atração. Este conceito me lembra muito a lenda de Eros e Apollo, quando o Deus da Luz Solar desafia o Deus do Amor, alegando ser o melhor arqueiro que já existiu, Eros em fúria diz que Ele já existia antes de qualquer coisa, ele é a força que mantém tudo unido e que promove esta união. É, o Amor é mais ou menos isso mesmo, nos coloca em movimento, de aproximação, de contato com cada coisa e claro, o resultado não poderia ser mais óbvio: Sexo. Mas amor e sexo são conceitos que precisam ser muito refletidos e trabalhados. Quando considerados como força vital, sexualidade no sentido de encontro e prazer que a vida propõe, o êxtase do encontro, acaba-se ampliando os conceitos, neste sentido, até respirar se torna um at sexual, já que nos conecta com tudo o que existe ao redor. Amor é o que mantém esta corrente fluindo, um estado profundo de atração que nos leva sempre ao orgasmo do encontro.

CONHECIMENTO:
Como conhecimento entra numa ferramenta que visa trabalhar conceitos de comunidade? Bem, quando analisamos o conceito com certo olhar crítico o primeiro ponto a ser considerado é o re-conhecimento, de si e do outro. Primeiro é reconhecer-se diferente, único e neste processo reconhecer-se divino. A ponta do conhecimento nos leva a trabalhar a partir de conceitos, abandonando assim pré-conceitos, ou seja, você age com conhecimento de causa, você estuda, reflete, pensa, analisa e interage, não como um impulso (isso é coisa do PF) mas como algo que leve em consideração o outro. Conhecimento está ligado a ponta do Self no PF e isso já nos leva a outra questão relacionada a Apollo (eu sei, eu sei, segunda vez que falo dele, mas é que ele é meu ponto de referência, ué!) “Conhece a ti mesmo!” e isso já mata boa parte da charada desta ponta. É interessante pensar que “conhecimento” se destaque como uma ponta de uma ferramenta que trabalha a interação social, nos direciona para agir em prol da educação, do saber, de estar sempre aberto a aprender algo novo, não deixar que seu conhecimento fique estagnado, é ação.

SABEDORIA:
Ué, mas não se tinha falado de conhecimento agora a pouco? Sabedoria, outro conceito intelectual? Sim, é e não é, sempre me disseram que conhecer como se faz não significa saber fazer. Sabedoria é mais ou menos isso, é um saber visceral, é partindo do re-conhecimento de nossa divindade inata (e consequentemente da divindade inata do outro) podemos agir com sabedoria, de acordo com a natureza dos Deuses da natureza. Um sábio é aquele que já experienciou muita coisa nesta vida, mesmo sem ter frequentando o colégio ou faculdade, é aquele pessoa que sabe falar a coisa certa, na hora certa, é o que nos remete aos nossos pais, avós, anciãos de nossa comunidade, é também estar atento a sabedoria popular, ao senso comum, se abrir ao que isso quer dizer, sendo cientifico ou não, existe algo de verdade no que o povo diz. Quando eu trabalho com sabedoria eu gosto muito de pensar no conhecimento que existe em nosso DNA, nas espirais que refletem os padrões cósmicos, na maneira como as nossas células se dividem, de como nosso estômago digere o alimento, como o útero sabe o tempo certo de menstruar e como o corpo por si só sabe, em saúde, de auto-regular pois é perfeito e está alinhado com os padrões naturais de vida. Algo que foge de nossa consciencia, mas que pode ser acessado por ela, isto é sabedoria, reconhecer os padrões que refletem o Cosmos.

LEI:
Se sabedoria é reconhecer os padrões, Lei é agir de acordo com eles. Circulando o pentagrama de Pérola conseguimos ter um relance de como as pontas interagem. Sabedoria leva diretamente a Lei. Não as “leis dos homens”, mas uma lei cósmica que rege o universo. Este é um conceito que muitas vezes empacamos ao trabalharmos, pois nos remete ao nossos sistema de leis, falho, corrupto, controlador, nos dá medo de nos submeter a estas leis e perdermos o livre-arbítrio de agir de acordo com a nossa vontade. Este é o ponto chave: A verdadeira Lei confere poder a pessoa, poder pessoal, o poder agir de acordo com a sua vontade, se levarmos em consideração todo o trabalho deste Pentáculo e do PF, podemos entender que a nossa vontade está alinhada com a vontade divina. Lei neste caso é uma questão de ordem natural, nossas células se agrupam de um jeito, as moléculas químicas se agrupam cada uma de uma maneira, de acordo com a sua natureza. O ferro, a madeira, o plástico, a cerâmica, a pele, o sangue, os cristais, cada um com sua peculiaridade, seguindo sua essencia, representando a sua lei, se agrupam e exercem suas funções divinas na terra, sem controlar o outro, existe um direcionamento, um foco. Relacionando um pouco as pontas aqui, Lei se ligar diretamente ao Amor, e o que é a Amor senão a Grande lei? Como disse um pensador “Amor é a Lei, amor sob vontade”, mas isso é pano pra outra manga.

PODER/LIBERDADE:
Existem muitas controvérsias acerca desta ponta do Pentáculo. Eu aprendi a trabalhar com o PP tendo como uma de suas pontas a “Liberdade” mas por questões culturais eu não consegui fazer a energia fluir, então, seguindo os conselhos da minha orientadora eu busquei a raiz do Pentáculo de Pérola que coloca “Liberdade” como “Poder”, mas no PF a mesma ponta se chama “Poder”, então uma nâo evoluiu? poder é poder? Bem, não. Poder no PF é poder interior, é um reconhecimento da força de si mesmo (está ligado diretamente ao Self), já no PP é poder-com, o poder mediado com o outro, o poder compartilhado, poder fazer algo junto com o outro, é uma nova abordagem de Poder, bem diferente do que a nossa sociedade vem pregando, que temos que obter o poder total (assumindo que poder=controle) somente para nós, é o âmago das instituições hierárquicas, onde o “chefe” é que tem todo o poder. Aqui nesta ponta o Poder faz referencia a “estar em harmonia com (o outro, o universo, a Lei, o Amor...). Já Liberdade diz respeito a agir livremente, de acordo com a Lei e o Amor, é reconhecer suas potencialidades sem fronteiras e exercer seu potencial total. Eu falo que tive uma “questão cultural” pois a visão americana de Liberdade é muito diferente da visão brasileira o que dificultou muito a assimilação deste conceito, já que lá viver a liberdade é um ideal nacional e por aqui temos uma perspectiva diferente que precisa sim ser trabalhada num contexto social-político, por isso que o “Poder-com” trabalhado no PP quando bem assimilado se transforma em “Liberdade” pela força que uma comunidade tem de quando unida num mesmo ideal, agir em prol da Liberdade comum.
                Num sentido prático não é dificil compreender como estes dois conceitos se entrelaçam e refletem o mesmo entendimento. Ambos estão ocupados com a libertação das restrições e em incentivar uma autoridade pessoal saudavel, um estado que se faz necessário quando estamos indo rumo a realização e manifestação da Divindade Interior.

                Os trabalhos com os Pentáculos são extremamente transformadores, enquanto o trabalho com o PF resulta em uma personalidade forte, entende-se que personalidades fortes não necessariamente trabalham bem com outras personalidades. Para ser sincero, o tipo de força adquirida ao se trabalhar com o Pentagrama de Ferro é somente o início, num caminho que nos leve a reinvindicar a nossa divindade precisamos estar preparados para compartilhar o mundo com os outros para que sejamos dignos desta força que clamamos. Nenhum de nós existe num vácuo, é o antigo clichè que se fala “É fácil prum monge budista alcançar a iluminação no alto de uma montanha, sozinho, mas é no mundo “real” é que botamos a prova tudo isso”, é na fechada no trânsito, na pressão do trabalho, no atraso do trem, na fila do banco. O Desafio moderno, como sempre disse, é alcançar a iluminação no mundo moderno, algo que faz parte dos ensinamentos do PP.
                O ideal de se trabalhar em comunidade não indica necessáriamente que devemos sofrer com interações não saudáveis caso elas surjam. Parte de se construir uma comunidade saudavel é aprender a estabelecer limites claros, uma caracteristica do Uhane, quando e como dizer não, por exemplo. Certamente uma das lições do PF é a de nunca entregar nosso poder a ninguem ou a coisa alguma. Quando as transformações do PF são combinadas com os trabalhos do PP a alquimia acontece, uma mudança que permite-nos agir de um lugar divino e pessoal, de acordo com a nossa verdadeira natureza.
                Atualmente os trabalhos com o Pentáculo de Pérola se tornam cada vez mais necessários, em uma sociedade que perdeu a identidade, perdeu o poder de agir em prol do bem comum, se transformar com o PP é transformar a realidade, parte de um verdeiro trabalho mágico. Assim como o PF, o PP pode ser trabalhado de duas maneiras básicas, seguindo o círculo ou ligando uma ponta a outra. Assimilar o conceito individualmente é importante, refletir e trabalhar com eles faz parte do processo mas a grande sacada está em integrar o Pentagrama de Pérola como um todo em sua prática diária, é conseguir identificar a sua força como um todo, no ambiente profissional, familiar e entre os amigos, é reconhecer em si o potêncial para transformar o ambiente ao redor, ser agente ativo da realidade e investir num futuro em que prevaleça o bem-comum, é romper com as correntes que a sociedade moderna coloca em cada um de nós e acreditar num futuro melhor, é sim se envolver em política mas não necessáriamente ser partidário, é estar atento aos problemas de sua cidade, estado, país, mundo, é ser voluntário e prestativo e muito mais, é despertar o poder que existe em você, o poder fazer diferente.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

O Pentagrama de Ferro: Uma Ferramenta para Transformação.



                  Dentre muitas ferramentas produzidas pela Tradição Feri, os trabalhos com os Pentagramas são os que se fazem mais populares ultimamente e não sem espanto, já que sua eficácia é definitivamente absoluta para aqueles que sabem como usá-la. Mas o que acontece muito e que se torna muito complicado o manejo destes instrumentos é a falta de contextualização. O Pentagrama de Ferro quando elaborado por Victor Anderson estava unido com o Pentagrama de Pérola, juntos formavam o Decagrama. Victor ensinava os dois juntos, já que um fatidicamente leva ao outro, mas no tempo que Starhawk apresentou os pentagramas para a comunidade pagã em geral eles já haviam sido separados em dois pentagramas distintos. A Tradição Feri é assim mesmo, uma tradição viva, que se molda de acordo com quem a ensina sem nunca perder a sua essência.           
    O trabalho com os Pentáculos devem ser sempre feitos, de preferência, supervisionados por alguém que tenha experiência com as energias que ele movimenta.  Do contrário pouco benefício se tira, pois logo “perde-se a graça” ou não faz o efeito esperado, nossos bloqueios e defesas começam a arranjar desculpas para evitar o trabalho e é ai que tudo desanda se não tiver alguém por perto para dizer que tudo isso faz parte e que devemos continuar a trazer a tona estes sentimentos e frustrações.  De nada adianta você ter uma tomada, mas não saber onde ligá-la.
                O Pentagrama de Ferro tem se mostrado uma ferramenta poderosa para o trabalho de transformação interna e movimentação energética, se torna rapidamente uma mandala para o praticante, um norteador de prática e ação no mundo, um mapa que pode indicar as questões nas quais a energia (física e psíquica) está sendo desperdiçada, oferecendo ações e reflexões para harmonizar cada aspecto de nosso eu interior. Um verdadeiro talismã de grande poder.
                A energia gerada pelo pentagrama de ferro é Mana, a forma mais crua de energia, é densa, cheia de vitalidade e poder, nutre e preenche o ser através do Unihipili e desperta forças primitivas, inatas em casa pessoa, pois nos fala de aspectos profundos e selvagens de nós mesmos.
Brevemente, as pontas podem ser entendidas da seguinte maneira:
                Sexo representa a força criativa do universo, é adentrar na corrente Divina de criação, é o orgasmo no qual nos abrimos para a dança Universal do acasalamento e participamos ativamente de sua construção e destruição. Um momento que acontece a todo momento. É o encontro, o prazer, a força natural que compele a criação.  Sexo é ao mesmo tempo a peça chave para o controle ou liberdade da humanidade. De todos os anseios fundamentais da humanidade, este é o que tem sido mais temido, o que tem sido submetido aos maiores controles e repressões e é em contrapartida o mais libertador, o mais curador de todos. Mas se o sexo foi reprimido e negado, foi também venerado em muitas partes do mundo, indo desde procissões cerimoniais com um falo de mármore, ereto em Delos, nos templos Lingam/Yoni na Índia, no misticismo tântrico entre muitos outros. Todo ritual primitivo de fertilidade é uma celebração do poder e prazer do Sexo. Sexualidade, criatividade e espiritualidade são a mesma energia, com a mesma origem e com o mesmo objetivo. São inseparáveis, negar um é negar o outro. Mas nesta questão tem-se que te muito cuidado, sexo é feito com respeito, com entrega e presença, não é somente a satisfação de uma necessidade, é olhar nos olhos do outro e se reconhecer neste olhar, sentir prazer com a troca e aceitar o outro ao invés de negá-lo como temos visto muito ultimamente. Se antes existia uma negação do ato sexual, hoje existe uma exarcebação do mesmo, sem respeito, sem entrega e sem verdade.
                Orgulho é reconhecer nosso próprio valor e é a capacidade de viver integro, sem reservas, permitindo que a nossa verdadeira natureza brilhe, sem precisar se comparar ao outro, é um estado de completa inocência, viver completamente o momento, orgulhando-se de si mesmo, está muito ligado ao amor-próprio.
                Self é um conceito estranho a muitos na língua portuguesa, é o reconhecimento do seu verdadeiro potencial bem como das limitações, saber quem se é em relação com o outro e com o universo, é aquilo por trás de cada papel que atuamos no dia a dia, nossa parcela de individualidade. Esta ponta do Pentagrama está muito associada com a Responsabilidade, em se responsabilizar por cada ato, por si mesmo e é isso que o liga diretamente com o Poder.
                Poder, aqui considerado como Poder Interior, é acessar o nosso potencial e expressá-lo através de ações, de trabalho e serviço. É a ação equilibrada e centrada, é a projeção de nossa essência no mundo que provoca mudanças, que transforma, que é mágica! Nunca é manipulativa, já que o poder interior é o poder fazer, o poder escolher, o poder agir, nunca impondo, já que o verdadeiro poder age em comunidade, cooperativamente com outros seres e outros pontos de vista. O Verdadeiro poder vem de dentro, das nossas camadas mais profundas e é o resultado de muito trabalho e crescimento, nada tem a ver com controle sobre outros, coerção ou manipulação (isso na verdade é falta de poder), Poder é a habilidade de moldar, de criar, de manifestar e estruturar, psíquica e fisicamente.
                Paixão é a vibração expressiva da vida, a intensidade que dá cor, profundidade e vitalidade a nossa existência. Paixão é a habilidade, o sentimento de estar aberto a experiência da vida e a cada aprendizado que o viver pode trazer, abraçando a alegria intensa bem como o sofrimento profundo. É o incorporar do êxtase. É a ânsia do encontro, é a busca, o sentimento visceral, motivador de partir em busca, é a intensidade de reconhecer a possibilidade de vir-a-ser.
                Quando observadas individualmente, as pontas do pentagrama representam  aspectos importantes de nossa consciência que são geralmente interpretados de maneira negativa pelo ponto de vista social. Basta olharmos para os padrões sociais de beleza, sexo e trabalho.       
                  Buscamos ideais e renegamos o nosso verdadeiro potencial, buscamos nos relacionar com idéias ao invés de nos voltarmos a nós mesmos e buscar compreender como nos relacionamos com o nosso fazer criativo, desde o nosso trabalho até o ato sexual, os conceitos gerais nos desencorajam e diminuem nosso poder interior tendo como conseqüência uma diminuição no fluxo de Mana e o efeito é dominó, nos sentimos desmotivados, com baixa auto-estima, descontentes com nossa vida, nosso trabalho, nosso relacionamento amoroso, preguiçosos, sempre doentes e por ai segue já que no pentagrama, cada ponta influencia diretamente a outra e juntas formam um só diagrama. Para agirmos no mundo de maneira consciente precisamos estar alinhados e em harmonia com todas as pontas, somente assim o Mana flui.
                Precisamos despertar deste sono social onde vivemos constantemente comparando nossos corpos com os da revista, nossas vidas com tramas de novelas e filmes, nossas expectativa com livros e romances, precisamos despertar e fugir de sentimentos que nos obrigam a ser modestos o tempo todo, que nos faz sentir egoísta cada vez que aceitamos um elogio ou que nos faz pensar “Não fez mais que a obrigação!” a cada bom trabalho, precisamos mais ainda despertar de uma sociedade que equaliza “Poder” com “Corrupção”. Sim, ser bruxo é ser agente político também, é transformar a sociedade com cada ato, a cada momento.
                Reestruturando o nosso relacionamento com cada um destes conceitos podemos harmonizar nossa visão de mundo, removendo os pré-conceitos negativos impregnados em nossa psique. Isso permite termos acesso a nossa autenticidade, reprimida pela cultura dominante, para que possamos agir com integridade e consciência.       
                Somente assim que podemos fazer a magia acontecer. Só quando estivermos livres de medos irracionais é que poderemos viver de verdade e é exatamente isso que os Deuses nos orientam a fazer: Viver. Para podermos mediar o Poder verdadeiro no mundo (A real função de um Sacerdote e Sacerdotisa) nós temos que nos tornar íntegros, fazer as pazes com nosso “Eu” interior, reconhecermos quem e o que somos verdadeiramente. Fácil falar, difícil é fazer.
                Cada ponta do Pentagrama de Ferro representa um estado de nossa consciência que quando isolada das outras pontas se apresenta pouco útil no desenvolvimento saudável de nosso ser, de nossa psique. Quando conectamos cada ponta podemos entender como o conceito atua na realidade e como evolui, de um estado para o outro, criamos uma relação. Isso nos abre a possibilidade de reconhecer como cada ato no mundo reflete em mim e como isso me afeta, positiva ou negativamente.
                No início faz parte meditar sobre cada ponta individualmente, mas isto precisa evoluir até certo nível em que um conceito leve a outro diretamente, até que tudo junto forme um conceito só, o centro da questão é que se torna energizante, é assim que o poder flui. Sexo, Orgulho, Self, Poder, Paixão, Sexo... Formando um espectro multicolorido.
                Juntas as pontas do Pentagrama se harmonizam como as vozes de um coral, se tornando algo maior que a soma das partes. Quando as cinco pontas atuam em conjunto, é como se a Deusa fiasse o tecido da existência, um portal psíquico se abre nos levando aos reinos féricos mais profundos, pois nos coloca em conexão com a Energia Divina Criadora. Assim damos o primeiro passa para construir relacionamentos saudáveis, uns com os outros e com o mundo, passamos a ser mais humanos em cada ato.
                Mas a pergunta que não quer calar é: Por que numa tradição neo-pagã precisa-se focar em ferramentas que são obviamente psicológicas? Por que não deixar que o praticante faça terapia e deixe que os assuntos da psique sejam cuidados por especialistas no assunto?
                O trabalho psicológico se faz muito mais amplo que tudo isso e com certeza, todo bruxo que se preze precisa viver o seu momento psicoterápico com um profissional, mas não seria sábio eu dizer que os reinos da psicologia não interagem com o espiritual. Mas para um bruxo ter a mínima base psicológica necessária para manusear e intermediar o entre mundos, se faz necessário esse olhar mais profundo para o nosso ser, em todos os níveis.
                O Pentagrama de Ferro não é somente um exercício psicológico-espiritual, se tornou uma egrégora, ele é um símbolo vivo que cresce a cada dia e atua sobre o nosso ser de maneira inteligente e independente. Isso faz deste trabalho algo único e muito poderoso. Por anos, praticantes de várias tradições, mas principalmente da Tradição Feri, vêm usando estas mesmas pontas como foco em meditações e manejo energético com sucesso, então quando alguém o incorpora nas práticas diárias não está sozinho, está sempre bem acompanhado.
                Focando-se nisto, o Pentagrama de Ferro é de certa forma, um lembrete de como estamos interconectados num nível mais pessoal e que podemos trazer este pessoal para o mundo.
                O Pentagrama de Ferro é o primeiro passo para incorporarmos em nosso ser e em nossa psique os aspectos divinos da criação e a partir disto começarmos a transformação interior e a agir no mundo. Os trabalhos com os Pentagramas nos abrem para o Mistério e nos garante acesso a Grande Mãe, o estado primordial de ser. Assim como o ferro em nosso sangue é a fundação de nossas vidas e de nosso bem-estar, o Pentagrama de Ferro se torna a fundação de nosso fazer mágico, despertando o nosso verdadeiro potencial, o potencial de ser humano, por completo.
                Os trabalhos com o pentagrama podem acontecer de duas maneiras: A primeira é rodeando o Pentáculo, Começando em cima, na testa com Sexo e partindo para a esquerda, Self, Paixão, Orgulho, Poder e novamente Sexo, ou pode ser entrelaçado, começando com Sexo na testa, partindo para Orgulho no pé direito, Self na mão esquerda, Poder na mão direita, Paixão no pé esquerdo e Sexo novamente na testa. Claro que as direções podem e devem ser invertidas, assim como as pontas poder ser trocadas. Cada experiência é uma experiência e revela diferentes aspectos de nós mesmos.
                Muito mais pode ser e já foi falado sobre os pentagramas, mas a melhor maneira de apreendê-los é vivendo cada ponta e trabalhando com o sistema como um todo, sentir o impacto desta energia no seu corpo e no seu cotidiano.

Para Saber mais sobre o Pentáculo de Ferro: