segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A energia Deusa



Ao falar de Deusa não quero dizer dar uma forma personificada, arquetípica com a qual estamos acostumados, nomear Deusa seria limita-la, rotular algo que é inominável e ao tentar isso negamos a sua e a nossa própria existência, pois ao coloca-la em um padrão tal, nos colocamos como alheios a Ela, quando na verdade Deusa esta em tudo, incluindo nós.
Deusa não é algo, é uma dinâmica de vida que atravessa tudo existente e vivê-la é abrir olhos e ouvidos para a simplicidade ao nosso redor, podendo assim não nos auto-conhecer, mas nos reconhecer como Deusa em sua amplitude.
Neste processo não se exclui uma dinâmica energética chamada Deus que assim como Deusa perpassa tudo que é existente. Podemos observar tudo ao nosso redor como uma grande energia, que se fragmenta em aspectos Deus e Deusa. Deusa (de um modo pratico) é a terra fértil é o “ambiente facilitador”, Deus é a força da semente, é o instinto para semente crescer, algo da vida da semente, algo interno dela, que a faz subir e exercer seu potencial de árvore forte e majestosa.
Os animais são férteis pela Deusa, mas é a energia Deus que fazem um procurar o outro e dar deste encontro brotar a vida. Deusa aliada com Deus faz a existência acontecer e se transformar.
Este artigo se propõe viver Deusa em seus 10 aspectos explanados por Caítlin Matthews em seu livro “Elementos da Deusa” de forma pratica, através de experiências minhas nesta busca, algo muito particular onde com cada pessoa pode se acontecer de uma maneira totalmente diferente, mas essencialmente iguais. É importante ressaltar que Deusa não é algo que se compreende e sim algo que se vive e se é, um despertar para vida e universo.
Ao longo de minhas vivencias utilizei os mitos gregos para melhor compreender toda essa energia que nos rodeia, ao final percebemos que do todo tiramos partes que irão nos auxiliar em situações especificas de nossas vidas, sempre lembrando que o todo é maior que a soma das partes, como já diz a filosofia da Gestalt.

O primeiro aspecto é A Criadora de Tudo, Energia Gaia, todo o potencial criativo da terra fértil, onde tudo brota, tudo nasce e com o tempo tudo morre e se desintegra, transformando, movendo. A energia é o potencial criativo existente dentro de nos, as dores de um parto para dar a luz a uma idéia. A força para adentrarmos nossos caminhos, Gaia como elemento primordial, latente de uma potencialidade geradora absurda. Entrar em contato com a imensidão do espaço nos da a compreensão da Criadora de Tudo.
Se permitir viver A Criadora de Tudo é retornar ao Caos primordial e sair, se reconstruir, deixar que todo potencial criativo brote de seu ser para se tornar algo magnífico, sentido a energia ao seu redor, percebendo a vida pulsante em tudo a todo momento. Colocar em ação todo esse potencial é viver a parte Deusa Energizadora.
O aspecto Energizadora é a força que coloca em movimento tudo. Caracterizado por Afrodite, esposa de Hefesto, Amante de Ares e muitos outros, representa na simplicidade desses dois exemplos a força mobilizadora para criar e a força que impulsiona, agressiva. Ela é o êxtase, colocando tudo em um estado receptivo para a criação, é o amor em um sentido amplo que atrai, une, cria, motiva e vive, é uma questão de vida, energia, sexo. Pode ser vivido na satisfação sexual ou na eliminação da fome através do alimento, é tudo em movimento se ampliando.
Toda essa energia tremenda que impulsiona, cria e movimenta é colocada em um padrão ordenado, é direcionado para um fim através do aspecto Medidor da Energia Deusa.
A medidora, vivida através das Horas (que recebem Afrodite no seu nascimento) ou das Parcas (Nona, Décima e Morta) cuidando do nascimento, vida e morte de uma maneira tal que nenhum outro Deus do Olimpo pode interferir. Tudo na natureza exibe um padrão, uma ordem, desde as moléculas de um cristal multifacetado até as diferentes ordens celulares das plantas e outros seres orgânicos. Viver essa medida é canalizar o poder Deusa para um foco, objetivo, é aproveitar ao Maximo a energia infinita do qual vivemos e direciona-la, extraindo todo o conhecimento e aprendizado do potencial Deusa. Ela é o tempo, vivido de maneiras diferentes por cada pessoa em cada situação, às vezes lento, às vezes muito rápido, neutro, nem bom nem mal, apenas é. Através das faces da lua podemos viver a medidora, que controla a maré, delimita a luz, a vida.
Através destes limites e padrões percebemos que tudo isso precisa ser protegido, cuidado, resguardado, para que tudo continue no seu fluxo, fluindo em Deusa. É o amor protetor, mantenedor da ordem. A sua energia têm diversas formas, algumas rígidas e furiosas, outras amáveis e misericordiosas. Vivemos a protetora na transição das estações, os rígidos invernos, as chuvas, tempestades, os calores intensos, as mudanças climáticas nos dia de hoje, tudo sendo Protetora agindo, estabelecendo seu poder para que tudo continue como é pra ser, mantendo a energia Deusa. Ártemis é a perfeita representação da energia protetora, protege as matas e os partos, é a caçadora também estabelecendo um vinculo, mantendo a ordem estabelecida pela medidora. Ela transforma, muda e redime para manter a ordem natural de tudo.
Com essa manifestação energética de Deusa percebemos uma dinâmica externa, exuberante e extrema, chega o momento de viver Deusa de uma maneira um pouco mais sutil, em outro nível, mas com uma intensidade imensa.
A iniciadora, Demeter, nos mostra a profundidade oculta das coisas, vivenciada através dos mistérios dos festivais Solares, Solstícios e Equinócios, nos inicia nos mistérios da própria vida. Demeter se divide em boa e generosa e rígida e transformadora. A iniciadora nos fala sobre os mistérios do renascimento, nos mostrando o vasto conhecimento que podemos viver de Gaia, é a volta ao útero. A perda e o encontro, as próprias iniciações vividas em nosso dia-a-dia, difíceis e dolorosas por conta de padrões e hábitos que mantemos em nós mesmos, como na natureza, a primavera da vida sempre volta exuberante após um rígido inverno. Essa é a energia Iniciadora, Energia Demeter.
Para que possamos viver de maneira plena e vencer as provas da iniciadora, precisamos viver a forma Desafiadora, Athena, percebida claramente no mito de Perseu e medusa, a que instiga, ajuda e promove a iniciação. É através desta energia que encontramos forças para continuar, muitas vezes essa força vem como oposição, promovendo o movimento para dar força e atitude, renovando o que está gasto e velho em nossa vida. É o termino de um relacionamento desgastado, é a força para quebrar velhos padrões e conceitos e se jogar rumo a uma vida nova e desconhecida, sem rotinas, é o sentimento de medo, superação e tudo depende de nós para que possamos acessar e nos permitir viver essa energia de forma plena e sem receio.
Desafiadora e Iniciadora estão intimamente ligadas aos mistérios de nossa própria encarnação, é a desafiadora que nos reafirma esses nossos desafios para que possamos viver e entender Iniciadora. Ao vivermos tudo isto, encontramos Libertadora.
Libertadora, energia que transforma o sofrimento. É o sacrifício no sentido de “tornar sagrado”. Perséfone nos retrata isso em sua descida ao submundo, ficando por parte do ano, em uma dinâmica com Iniciadora, vivendo plenamente a escuridão, sem medo.
O sofrimento é positivo somente quando ele agrega compaixão. Libertadora acaba com as prisões egóicas, liberta do medo e dissipa os bloqueios, nem que para isso precise deixar tudo aos pedaços para que aos poucos possamos remontar as peças de uma outra forma, mais eficiente, livre de apegos, desilusões, frustrações e desespero.
Ao vivermos por tudo isso e crescermos, mudarmos, encontramos no caminho a sabedoria. A tecelã, Deusa que tece o pano da vida, em que nós não temos ainda a capacidade de ver de forma panorâmica, já que nossa consciência ainda é limitada por nós mesmos, estamos no centro da cena, algo como no filme “A vila”.
Hécate, a complexa energia da tecelã que vive-se de forma e entender a teia da vida, se colocar em harmonia com Deusa de forma a viver a vida vivida, plena, consciente. Tecelã é dissimuladora, ela engana, finge e nos confronta com nossas próprias mascaras, nos fazendo refletir sobre quem somos realmente onde queremos chegar, é a senhora dos 3 caminhos, é o poder de escolher e ser quem se é. Viver Tecelã é assumir a escolha de ser quem se é, digno e absoluto, viver Deusa em sua plenitude, por isso Tecelã é a guardiã dos portais da Sabedoria, somente vivendo ela é que podemos vencer a nós mesmos e encarar de frente a sabedoria suprema, estimulando o aparecimento de uma nova forma de se desenvolver.
A continuidade da Sabedoria suprema é expressa em Preservadora, essa energia Deusa, simples e ao mesmo tempo complexo que traz a mensagem de ver as coisas básicas, os atos cotidianos como sagrados, perceber Deusa em tudo e em todos, viver plenamente essa consciência. Héstia retrata de forma linda esse aspecto, simbolizada através do fogo, inicio e conclusão de tudo. Héstia esta presente em tudo, é a preservação da vida, preservação da dinâmica Deusa que age em tudo, nas sementes que crescem, na vida e na morte.
Por fim, a Sabedoria suprema, Sofia. O aspecto A Que dá Poderes, pois a sabedoria suprema, a compreensão da vida e de Deusa representa a sabedoria, o poder de viver plenamente. Após e percorrer todo o trajeto da criação a compreensão, podemos viver Deusa de forma completa e singular. Viver esses últimos aspectos é o mais complicado, por nos coloca de frente com nós mesmos, nos confronta em nossa individualidade, quebra os padrões e exige bases sólidas.
É muito importante realizar que esse desmembramento de Deusa é somente didático, tudo isso acontece o tempo todo em todo lugar, basta que nossos olhos e ouvidos se abram para Deusa. Em certas fases podemos refletir sobre determinado aspecto, mas invariavelmente, um puxa o outro e quando nos damos conta estamos vivendo Deusa por completo.  O que nos impede de nos dar conta disto são nossos padrões energéticos e consciências que são limitados pelo medo, estamos cegos pela rotina, a vida acontece ao nosso redor o tempo todo e quando digo vida digo vida e morte e vida novamente não como um ciclo, mas como uma continuidade, pois isso é Deusa, é fluir e tudo. Somos todos sementes com potenciais arvores dentro de nós, basta nos permitirmos viver Deusa, basta nos reconhecermos Deusa.
Torna-se muito difícil condensar toda uma vivência em palavras, em um texto, afinal nada é realmente conhecido até que seja vivido, por isso deixo um pequeno aperitivo de como a Deusa se mostrou a mima, essa força tão complexa e tão simples, vivam Deusa, se permitam harmonizar com essa força da existência, não se prendam a padrões que se limitam a uma vida.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Sementes, Alimentos e Feijões: O Arcano 13!



                O número 13 a tempos vem sendo considerado um número de mau agouro em nossa sociedade, a origem disto não se sabe muito bem ao certo, várias fontes relacionam ele com bruxas e inquisições, outros dizem que esta superstição é muito mais antiga. Eu acredito na tese de que o número 13 lembra uma ligação mais primitiva, que precisava ser reprimida e por isso foi colocada como terrível, a ligação com a lua. Antes de termos nosso calendário de 12 meses solares, utilizavam-se os calendários lunares, com 13 meses, 13 luas.
                Eu gosto desse pensamento. O 13 se relacionando com a lua. A lua relacionada a transformação, a ciclos e a mudanças. Mudanças lentas, mudanças rápidas, marés, menstruação, crescimento, mistério. Lua me lembra água também ,e esse aspecto da água misteriosa, profunda está ligado diretamente com o signo de escorpião, uma correspondência dA Morte.
                A Morte! Só de ler isso algumas pessoas tem arrepios, quando esta carta sai na jogada então é um Deus nos acuda! Calma... a morte nem sempre é o que parece ser. Eu tenho uma visão muito interessante deste Arcano que fui construindo com o tempo e desenvolvendo conforme a minha relação com a Deusa foi se fortalecendo. Esta é uma carta que representa muito do que eu acredito ser a religião da terra: Transformação. E por isso gosto muito das novas representações gráficas que os novos Decks tem nos apresentado. A primeira vez que vi uma carta 13 de uma maneira diferente foi no Tarot dos Anjos e eu fiquei muito impressionado pela ousadia. Desde então eu tenho amado ver diferentes pontos de vista sobre este Arcano. O meu preferido é o do “Circle of Life” que transformou os símbolos sem tirar a sobriedade, a escuridão do momento.
                Para me ajudar a compreender e viver esta energia eu fiz uma experiência de infância: Plantei um feijão no algodão! =D
                Esta experiência tem um simbolismo perfeito para esta carta. O feijão é colocado sobre um algodão com água, que se torna catalisador e agente de mudança da semente, assim como O Enforcado (que é água) e suas mudanças, sacrifícios e dificuldades é o que impulsiona a transformação dA Morte. Para o feijão brotar leva tempo, é necessário cuidado, um ambiente favorável e muita disposição da semente. A água vai amolecendo a semente, vai nutrindo, vai  incentivando o broto a quebrar as barreiras físicas e se transformar, crescer e subir. Essa força, esse impulso é latente da semente, tudo o que precisa é do estímulo correto, de um ambiente que favoreça esse crescimento, assim como os seres humanos, todos nós temos a semente da mudança dentro de nós, só precisamos do estimulo mais correto, do ambiente mais favorável e assim iremos atingir o que buscamos.
                Mudar é fácil? Todo mundo sabe que não! Mudar é rápido? Todo mundo também sabe que não! Mas quando mudamos, sempre é pra melhor ou pelo menos esta é a intenção. Esta mudança é como o feijão, de uma semente vai brotar dezenas de outros que irão servir de alimento, que irão ser semeados e que irão transformar o ambiente onde estiverem inseridos. Assim é a mudança dA Morte, ela aciona varias outras mudanças, que irão nutrir uma sociedade e semear mudanças e outros lugares, em outras pessoas, afinal, a sociedade muda quando a gente muda. Um relacionamento sempre vai ser abalado por estas mudanças.
                Esta experiência me ajudou a ver na prática como funciona o Arcano da Morte, é um processo lindo! Mas isso não o torna menos doloroso, acho que se torna poesia.

domingo, 20 de novembro de 2011

Corpo e Alma

Este texto é uma extensão do que escrevi em Beltane, é sobre a maneira como o que consideramos sagrado nos leva a agir no mundo.
                Ultimamente ando ouvindo muitas coisas sobre o corpo ser um instrumento, sobre o corpo ser uma casca e até sobre o corpo ser um cárcere para a alma, hoje eu fiquei me perguntando: onde o corpo termina e a alma começa? Onde se localiza essa essência divina? Uns dizem que é no coração, os mais apaixonados certamente, os mais intelectuais dizem que a alma se localiza no cérebro, os céticos dizem que a alma não existe. Pode ser.
                A alma é parte integrante de um sistema complexo chamado vida. Nesta vida inclui-se corpo, sentimentos, pensamentos e muito mais. Eu sinceramente não sei onde termina o corpo e onde começa a alma e pouco me importo, sabe por quê? Por que sei que independente da resposta esse corpo meu é uma extensão de uma inteligência divina e por isso merece ser tratado com respeito e dignidade, com sacralidade.
                A nossa cultura tem implantado em nosso desenvolvimento um ranço cristão de que nosso corpo precisa pagar pelos nossos pecados, que é através da dor, do sofrimento e negando os prazeres da carne que vamos alcançar a redenção. Triste isso ,não? A vida, uma experiência divina, ser desperdiçada com sentimentos de culpa, sofrimento e dor é muita tortura! E mesmo aqueles que se dizem ateus ou melhor, até muitos amigos meus pagãos ainda tem esse comportamento tão enraizado em seu ser que não percebe o mau que faz a si mesmo. Achamos que para encontrar a felicidade devemos nos privar dos prazeres da vida, devemos viver em dieta pra ter o corpo perfeito, devemos viver na academia para ficar tudo em cima, devemos violar nosso corpo com agulhas, seringas e bisturis para nos mantermos sempre jovens. O Deus na verdade mudou, mas seus métodos não... Antes era o Deus cristão, hoje é o Deus Capitalismo, que foi de um extremo onde o material era desprezado para outro onde o material é ridicularizado.
                O que mais me preocupa nisso tudo é que a dinâmica de ação e pensamento é a mesma, de que não temos valor imanente, de que precisamos reprimir o que existe em nós de mais sagrado, nossa originalidade para sermos felizes, comemos um monte de lixo alimentício, desperdiçamos mais tempo na frente do computador do que movimentando nosso corpo, nos punimos cada vez que algum objetivo irreal não é alcançado, afogamos nossas mágoas com bebidas, drogas e outras violências contra nós mesmos buscando a satisfação imediata, buscando o prazer irreal.
                Essa dinâmica de ação, esses valores é que direcionam a maneira como tratamos a natureza. Desmatamos, jogamos lixo na rua, não reciclamos, não economizamos água por que vivemos num imediatismo. Queremos o que queremos e queremos agora! Amanhã é outro dia, como diz o ditado, amanhã eu me preocupo com o amanhã. Mas a hora é agora! Enquanto não respeitarmos o nosso próprio corpo, estaremos desrespeitando o corpo de Gaia, pois somos uma extensão Dela. Precisamos fortalecer os laços que temos com nosso próprio corpo.
                A Tradição Feri tem uma prática que alinha os nossos Selves, chama-se oração Ha e é neste momento que alinhamos nossos 4 corpos sendo o físico um deles, o divino outro. Não existem graus de importância, existem sim finalidades diferentes. A idéia de corpo como instrumento é inexistente, corpo é alma, corpo é vida, corpo é sagrado e é um nível de espírito, uma forma de energia. É através de nosso corpo que desvelamos os segredos mais íntimos, é através deste corpo que viajamos aos lugares mais fantásticos, este corpo é a chave para a compreensão do cosmo. O microcosmo refletindo o macrocosmo e é essa lei que define que o que fazemos para o corpo, faremos para o universo. Escolha com sabedoria.  

domingo, 13 de novembro de 2011

domingo, 6 de novembro de 2011

A Justiça: Palavras.


                Este Arcano foi um dos que eu mais me bati para compreender e ainda não o consegui. Em psicologia dizemos que quando algo em um setting terapêutico não faz sentido para nós, se o negamos ou  o desviamos é pelo fato de nele estar o nó que precisamos desatar para prosseguirmos, mas não estamos prontos para isso. Esta experiência com o tarot tem sido muito terapêutica para mim e eu encaro A Justiça como um nó, o qual eu ainda não consegui desatar...
                A Justiça está intimamente ligada com o elemento ar, é libra. E nestas semanas eu tenho trabalhado muito com este elemento no meu treinamento Feri, nesta semana mais especificamente com as palavras, com a comunicação. Ligando uma coisa a outra percebi como as nossas palavras podem transformar o ambiente ao nosso redor e a nossa vida. Em alguns momentos as palavras assumem a espada dA Justiça e cortam, ferem, perfuram, frias, diretas, afiadas, em outros momentos acalmam, ponderam e confortam como as balanças de libra. Um pensamento que foi meu companheiro nestes dias e que me impulsionam a fazer diferente foi (e ainda é) “O que eu quero plantar com as minhas palavras” já que na tradição Feri que tenho seguido o Ar está relacionado com a varinha, com as arvores e com a leveza de ser. As plantas respiram o gás carbônico e o transformam em oxigênio, ou seja, nutrem a nossa vida. Como as nossas palavras tem nutrido o ambiente ao redor?  Como nós estamos absorvendo as coisas ao nosso redor e transformado isso em algo que faça a diferença? A prática mais simples e mais transformadora que alguém já me orientou a fazer: Pensar antes de falar. Poxa, como é difícil isso! Mas não é impossível, consegui com sucesso algumas vezes e tenho conseguido, aos poucos... Quem topa tentar?
                Alguns autores relacionam este Arcano com o equinócio de primavera. O momento de crescimento, mudança e o impulso a crescer, brotar, relacionado com o aumento gradual da luz solar sobre a terra. Esta carta revela um relacionamento, para existir equilíbrio, mais de uma coisa precisa existir e para o mesmo equilíbrio existir essas coisas precisam se relacionar.
                Nas cartas da Justiça sempre vejo uma figura empunhando uma espada e segurando uma balança. Como libra está ligado a Vênus, não consigo deixar de pensar que é o Amor que deve ser o norteador de nossas ações nas balanças de Maat nossos corações não devem pesar nem mais, nem menos que a pena, já que por fim “Amor é a lei, Amor sob vontade.”

sábado, 5 de novembro de 2011

Pirâmide do Poder: Calar/Silêncio (Tacere) - Construindo o seu corpo de terra.


A terra esta ligada diretamente com manifestação. Quando estamos realizando magia, estamos construindo poder, um poder que será direcionado a uma manifestação, uma concretização, um objetivo. O silêncio entra neste ponto e se torna essencial para o sucesso de seu trabalho, afinal de contas você não vai querer que a manifestação de seu desejo se de através de palavras. Ao falar investimos boa parte da energia que deveria ter sido focada em algo maior, no objetivo em si, além de que ao falar para alguém que não acredita ou para alguém que não tem o mesmo propósito que você é provavelmente despertar energias antagônicas ao seu objetivo. Você não quer correr o risco de ter suas crenças ridicularizadas, seus trabalhos menosprezados por pessoas que não entendem e cheias de preconceito e investir uma energia que poderia estar sendo direcionada para a concretização do seu objetivo, certo?

As palavras têm poder e começamos a construir o poder de nossas palavras com os trabalhos do corpo de fogo, agora durante o treinamento do corpo de terra vamos começar a medir e saber investir este poder onde é realmente necessário. Em outras palavras, você vai aprender e se condicionar a falar somente quando for necessário.

Trabalhar com a terra nos ensina a ter paciência, a esperar o momento certo de agir, a saber quando e como agir. A terra é o elemento fértil, é onde as sementes ficam dormentes esperando a oportunidade para brotar e assim devemos construir nosso corpo de terra. Condicionar nossa mente e nosso espírito a ser produtivo, a investir nossas energias em algo que gere um resultado e isso começa com a valorização de nosso conhecimento, de nossa energia e de nossa força. A terra nos ensina a manter certa distancia, a nos mantermos reservados em nossos trabalhos.

Janet e Stewart Farrar colocam em seu livro “The Witches Goddess” que durante os rituais e trabalhos mágicos, a energia e o simbolismo planta algo em nosso inconsciente que fica fermentando, esperando tempo certo para brotar. É como um trabalho de sigilação, onde jogamos para o inconsciente um código, um símbolo e deixamos que as coisas aconteçam, que as energias se movimentem e esquecemos dele, mantemos o silêncio sobre ele.

A construção do corpo de terra tem extrema influencia do nosso corpo físico, como o construímos, como nos alimentamos, não somente fisicamente, mas mentalmente e emocionalmente. Durante este mês estaremos construindo um corpo de terra mais forte e eficiente.

Primeira Semana: Você vai continuar, como nas etapas anteriores a fazer seus exercícios, a abençoar a água e a fazer as respirações matinais, bem como as suas práticas matinais. Esta semana será acrescentado o seguinte desafio: você vai falar o mínimo possível, somente o extremamente necessário e vai anotar em seu diário a maneira como isso tem te afetado. Você pode se sentir inquieto, nervoso ou mesmo triste. Tudo isso são pontos para a reflexão, já que muitas vezes usamos a nossa voz e a nossa fala como válvula de escape e com isso desperdiçamos muita energia, isso deve ser regularizado através de exercícios físicos e com as respirações. Cuidado para não criar cacoetes ou hábitos como roer unhas, cutículas e morder os lábios. A energia vai ser armazenada no seu corpo e você terá que dar um melhor direcionamento para ela. É um exercício que exige extremo auto-controle e muita atenção em si mesmo, já que vai precisar, no inicio, se policiar com freqüência para evitar falar o que não é necessário. Isso vai te fortalecer e te manter mais centrado, você vai perceber como consegue ver e ouvir melhor durante este processo.

Segunda semana: Você vai continuar com os exercícios da semana anterior e vai acrescentar mais um: A meditação do silêncio. Essa meditação é simples e muito gostosa de fazer. Você vai sentar, prestar atenção em sua respiração e deixar sua mente e seus pensamentos fluírem, sem se apegar a nenhum deles, como se fosse um espectador, assistindo um filme, não os desenvolva, deixe que eles venham e vão até que reste o silencio. Preste atenção no silencio, respire o silencio e quando novos pensamentos surgirem, deixe que venha, sem pressão. Você vai deixar que sua mente entre em intervalos de silencio e agitação por alguns minutos, sendo simplesmente um observador de ambos os estados, independente de quanto tempo cada estado durar. Durante esta semana você vai começar a se preocupar com sua alimentação. Acrescente mais água, mais saladas e mais frutas. Diminua o consumo de carne vermelha, bebidas alcoólicas e cigarros. Veja como seu corpo reage a esse novo estimulo.

Terceira semana: Durante essa semana vamos elaborar uma prática que você vai levar para o resto de sua vida mágica, assim como as outras semanas, este exercício é para ir além deste treinamento e vai desenvolver sua atenção, foco e consciência do agora. T. Thorn Coyle coloca este exercício como sendo essencial para desenvolver seu poder pessoal no hoje, ela chama de “Chaves de consciência” e é muito simples, mas mesmo assim exige foco e atenção. Você vai escolher um comportamento, uma ação ou uma palavra que acontece com freqüência no seu dia a dia. Pode ser a ação de abrir a porta, de tomar água, de ir ao banheiro, de lavar as mãos, de dizer “bom dia”, de escrever um e-mail, o que for. Toda vez que essa ação acontecer você vai respirar fundo e prestar atenção em tudo o que esta acontecendo com seu corpo neste momento. Preste atenção ao tato, ao paladar, as batidas de seu coração. Este conectado consigo mesmo, esteja atento ao seu corpo e as suas relações. Isso não deve levar mais do que um minuto. É tudo muito rápido. O objetivo maior deste exercício é te manter conectado consigo mesmo durante o dia. Caso esqueça de fazer essa prática, isso vai se tornar uma informação valiosa sobre como você não esta conectado com o momento de agora e nem com a sua necessidade. Com sua força de vontade você vai se lembrar de realizar essa prática e vai conectar-se com o seu corpo, por que é importante para você, por que vai te fazer bem, por que você não vai deixar que a loucura do dia a dia te faça esquecer de si mesmo, do seu corpo e do momento em que você esta vivendo, não vai te fazer esquecer do agora. Esta prática, conforme vai se tornando constante, te tira da inércia que entramos com a rotina, te tira de fazer as coisas no automático e te faz presente e consciente de todas as suas ações.

Quarta semana: Realize os exercícios anteriores, mas durante essa semana você vai relaxar, vai dormir e vai te dar um tempo de prazer. Visite um parque com muitas arvores, deixe que a energia da terra te preencha. Saia da sua rotina, pegue umas férias! Durma, durma muito! De preferência durante a noite, evite dormir durante o dia. Vá a um parque de diversões, saia com a família e divirta-se! Faça os exercícios básicos de exercícios, água, respiração e chave de consciência e no mais, aproveite! O esgotamento de bruxos é muito comum, exigimos muito de nós mesmos, praticamos muito, nos responsabilizamos por muitas coisas e isso vai desgastando o nosso corpo de terra. Esta semana é um reconhecimento do seus limites, é permitir-se descansar e viver sem rigidez em demasia.