terça-feira, 25 de outubro de 2011

Roda da Fortuna: Conto um conto e aumento um ponto.


"Como a vida é tecelã imprevisível, e ponto dado aqui vezenquando só vai ser arrematado lá na frente."

"Fátima, a fiandeira.

Numa cidade do mais longínqüo Ocidente vivia uma jovem chamada Fátima, filha de um próspero Fiandeiro. Um dia seu pai lhe disse:

— Filha, faremos uma viagem, pois tenho negócios a resolver nas ilhas do Mediterrâneo. Talvez você encontre por lá um jovem atraente, de boa posição, com quem possa e então se casar.

Iniciaram assim sua viagem, indo de ilha em ilha; o pai cuidando de seus negócios, Fátima sonhando com o homem que poderia vir a ser seu marido. Mas um dia, quando se dirigiam a Creta, armou-se uma tempestade e o barco naufragou. Fátima, semiconsciente, foi arrastada pelas ondas até uma praia perto de Alexandria. Seu pai estava morto, e ela ficou inteiramente desamparada.

Podia recordar-se apenas vagamente de sua vida até aquele momento, pois a experiência do naufrágio e o fato de ter ficado exposta às inclemências do mar a tinham deixado completamente exausta e aturdida.

Enquanto vagava pela praia, uma família de tecelões a encontrou. Embora fossem pobres, levaram-na para sua humilde casa e ensinaram-lhe seu ofício. Desse modo Fátima iniciou nova vida e, em um ou dois anos, voltou a ser feliz, reconciliada com sua sorte. Porém um dia, quando estava na praia, um bando de mercadores de escravos desembarcou e levou-a, junto com outros cativos.

Apesar dela se lamentar amargamente de seu destino, eles não demonstraram nenhuma compaixão: levaram-na para Istambul e venderam-na como escrava. Pela segunda vez o mundo da jovem ruira.

Mas quis a sorte que no mercado houvesse poucos compradores na ocasião. Um deles era um homem que procurava escravos para trabalhar em sua serraria, onde fabricava mastros para embarcações. Ao perceber o ar desolado e o abatimento de Fátima, decidiu comprá-la, pensando que poderia proporcionar-lhe uma vida um pouco melhor do que teria nas mãos de outro comprador.

Ele levou Fátima para casa com a intenção de fazer dela uma criada para sua esposa. Mas ao chegar em casa soube que tinha perdido todo o seu dinheiro quando um carregamento fora capturado por piratas. Não poderia enfrentar as despesas que lhe davam os empregados, e assim ele, Fátima e sua mulher arcaram sozinhos com a pesada tarefa de fabricar mastros.

Fátima, grata ao seu patrão por tê-la resgatado, trabalhou tanto e tão bem que ele lhe deu a liberdade, e ela passou a ser sua ajudante de confiança. Assim ela chegou a ser relativamente feliz em sua terceira profissão.

Um dia ele lhe disse:

— Fátima, quero que vá a Java, como minha representante, com um carregamento de mastros; procure vendê-los com lucro.

Ela então partiu. Mas quando o barco estava na altura da costa chinesa um tufão o fez naufragar. Mais uma vez Fátima se viu jogada como náufraga em uma praia de um pais desconhecido. De novo chorou amargamente, porque sentia que nada em sua vida acontecia como esperava. Sempre que tudo parecia andar bem alguma coisa acontecia e destruia suas esperanças.

— Por que será — perguntou pela terceira vez — que sempre que tento fazer alguma coisa não da certo? Por que devo passar por tantas desgraças?

Como não obteve respostas, levantou-se da areia e afastou-se da praia.

Acontece que na China ninguém tinha ouvido falar de Fátima ou de seus problemas. Mas existia a lenda de que um dia chegaria certa mulher estrangeira capaz de fazer uma tenda para o imperador. Como naquela época não existia ninguém na China que soubesse fazer tendas, todo mundo aguardava com ansiedade o cumprimento da profecia.

Para ter certeza de que a estrangeira ao chegar não passaria despercebida, uma vez por ano os sucessivos imperadores da China costumavam mandar seus mensageiros a todas as cidades e aldeias do país pedindo que toda mulher estrangeira fosse levada à corte. Exatamente numa dessas ocasiões, esgotada, Fátima chegou a uma cidade costeira da China. Os habitantes do lugar falaram com ela através de um intérprete e explicaram-lhe que devia ir à presença do imperador.

— Senhora — disse o imperador quando Fátima foi levada até ele — sabe fabricar uma tenda?

— Acho que sim, Majestade — respondeu a jovem.

Pediu cordas, mas não tinham. Lembrando-se dos seus tempos de fiandeira, Fátima colheu linho e fez as cordas. Depois pediu um tecido resistente, mas os chineses não o tinham do tipo que ela precisava. Então, utilizando sua experiência com os tecelões de Alexandria, fabricou um tecido forte, próprio para tendas. Percebeu que precisava de estacas para a tenda, mas não existiam no país. Lembrando-se do que lhe ensinara o fabricante de mastros em Istambul, Fátima fabricou umas estacas firmes. Quando estas estavam prontas ela puxou de novo pela memória, procurando lembrar-se de todas as tendas que tinha visto em suas viagens. E uma tenda foi construída.

Quando a maravilha foi mostrada ao imperador da China ele se prontificou a satisfazer qualquer desejo que Fátima expressasse. Ela escolheu morar na China, onde se casou com um belo príncipe e, rodeada por seus filhos, viveu muito feliz até o fim de seus dias.

Através dessas aventuras Fátima compreendeu que, o que em cada ocasião lhe tinha parecido ser uma experiência desagradável, acabou sendo parte essencial de sua felicidade.

A Fiandeira Fátima e a Tenda

Esta história é muito conhecida no folclore grego, onde em muitos de seus temas contemporâneos figuram dervixes e suas lendas. A versão aqui apresentada é atribuída ao Xeque Mohamed Jamaludin de Adrianópolis. Fundou a Ordem Jamalia ("A Formosa"), e faleceu em 1750.

Extraído de 'Histórias dos Dervixes'

Idries Shah

Nova Fronteira 1976

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

O Tarot e seus rituais.



Trabalhar com o tarot é sempre uma coisa muito intima, algo muito pessoal e de extrema confiança. É durante uma consulta que você tem acesso a informações muito importantes sobre a vida de uma pessoa e a vida de você mesmo, por isso eu percebo como necessário criar alguns rituais para separar momentos. A leitura de tarot é um momento de introspecção, de entrega e intimidade é tirar um tempo para pensar em você, no que você busca e quais são os seus conflitos.

Então, os meus rituais não são muitos, quando eu tiro para mim mesmo eu me rodeio de livros, sou uma pessoa muito intelectual então eu adoro pontos de vista, pego as minhas antigas anotações sobre os arcanos, letras de musica e tudo que possa me garantir uma leitura rica. Concentro e centro, faço uma oração ou para Gaia (quando eu busco conselhos, faço tiragem sobre situações obscuras, etc) ou para Apollo (quando eu busco esclarecimentos sobre uma situação, lançar uma luz no futuro e etc) ou para Ambos, quando eu quero verificar tudo isso junto ou quando eu quero somente honrar ambos em minhas tiradas. É uma forma devocional, já que ambos são Deuses proféticos. Quando eu estou tirando para outra pessoa eu inicio com uma prece a Hera, já que pra Ela que dedico os meus trabalhos sacerdotais e Ela também é uma Deusa profética.

Na parte prática eu não tenho muita enrolação, embaralho bem as cartas, só não me sinto a vontade quando eu “sem querer” vejo alguma carta do monte, então eu embaralho novamente. Quando uma carta “Pula” durante o momento de embaralhar, eu valorizo essa carta e coloco-a como um aviso. Então eu peço para a pessoa segurar um pouco o Deck enquanto me conta um pouco do que está acontecendo, o que busca com as cartas e juntos lapidamos a questão. Uma resposta clara e objetiva exige uma pergunta clara e objetiva. Para outras pessoas eu faço uma tirada geral, ou inicio a jogada com a Carta Natal da pessoa. É o quebra-gelo. Faço quantas tiradas forem preciso e ao final junto as cartas e sopro elas, para não ficar nenhuma energia estagnada no Deck, não ficar nenhum resquício da energia da pessoa ou da energia da jogada. Eu gosto de abraçar as pessoas que vem tirar o tarot comigo, acho que essa troca é valorosa, é rica e é uma forma de agradecer pela confiança e purificar todo o sentimento ao redor com amor.

Bom, não tenho anos de experiências, mas acredito que os rituais são importantes em determinados momentos, quando queremos gerar determinadas energias. Eu lembro de uma vez que fiz uma tirada num ritual de Apollo, a energia e os rituais envolvendo o tarot foram outras, foram para canalizar a Energia deste Deus e ser naquele momento o melhor instrumento e oráculo que eu conseguir ser.

Meu primeiro Post coletivo o/

Namastê.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O Eremita: Tesouros


A semana do Eremita passou e com ela muitas coisas aconteceram. Procedendo A Força, o momento de desbravar e enfrentar medos, angustias e inseguranças, vem o momento da calmaria. Sim, “Depois da tempestade vem a calmaria”, mas não do tipo que você pode relaxar e aproveitar o momento, e sim uma calmaria que vem para deixar vir a tona o que ainda precisa ser revisto e pensado. O Eremita é ligado ao signo de Virgem, um signo de terra, e uma das ligações que eu faço com essa carta é a idéia de tempo, o tempo para deixar vir a tona. Uma discussão interessante sobre os símbolos dO Eremita aconteceu no Blog da Pietra, sobre ampulhetas e lanternas.

O momento dO Eremita para mim foi intenso, de uma forma diferente, como se algo em mim mesmo estivesse me sugando, para dentro, em espiral, foi um tempo de cavar por meus próprios tesouros e desbravar a caverna que é a minha própria companhia. Foi engraçado, ficar tão silencioso e ter uma tendência a não se relacionar a ponto de pensar “Gente, como essa pessoa fala!”, pareceu que todo mundo resolveu vir me contar coisas das quais eu não dava a mínima. Na verdade eu estava ocupado demais falando comigo mesmo.


Um dos simbolismos mais lindos deste Arcano é a lanterna. Barbara Moore no Shadowscapes Tarot escreve que “a lanterna é feita de uma estrela e ela sabe o caminho de casa” fazendo uma alusão a centelha divina dentro de nós, um conselho de que para acharmos o que procuramos devemos nos voltar para dentro, para nosso intimo e deixar brotar a resposta.

No Tarot de Thot a personagem olha para uma serpente envolvendo o universo. Uau, que símbolo mais rico esse, não? Eu me permitir observar este desenho por alguns momentos, deixei os sentimentos fluírem e virem a tona, é lindo ver que essa carta se encontra diante de um portal de vida e morte, é reinventar-se, renascer depois de ter enfrentado o leão.

A idéia de procurar respostas está implícita em muitas representações deste Arcano, o que me leva a refletir que para encontrar as respostas, devem vir os questionamentos. E que questionamentos essa energia traz! Questionamento com “Q” maiúsculo. O Eremita portanto é o símbolo das equivalências, busca o que já tem, a medida que se afasta vai se aproximando e acaba se vendo a meio caminho de lugar nenhum, e sim, acho que O Eremita é aquele tremor que nos mostra os jogos que fazemos para esconder as angustias de saber que estamos indo rápido de mais a lugar algum.


terça-feira, 18 de outubro de 2011

Repensando a Roda do Ano: Beltane


Já começamos a sentir o calor do verão se aproximando, os dias se fazendo mais longos que as noites parecem que tornam tudo muito mais produtivo e agradável. Essa energia solar que envolve esta parte do ano impulsiona a ação, a se movimentar. Conforme a temperatura aumenta vamos usando menos roupas, os corpos começam a se mostrar, despertam os olhares, o desejo, aquela malícia do flerte, um ensaio para o verão.


Beltane é o casamento sagrado entre Deus e Deusa, é o momento de suas núpcias, é o encontro fértil da cria-ação. É junto com Samhain o festival mais importante da roda do ano Celta pois demarca a meia volta da roda. É neste momento que os véus entre mundos ficam mais tênues e se em Samhain celebramos os antepassados e ancestrais, em Beltane fazemos um convite ao povo das fadas para se aproximar e dançar com os mortais. Beltane é o cio da natureza, onde tudo fica mais convidativo, onde tudo fica mais intenso, os cheiros, as cores e os sabores. Não poderia ser diferente quando a lua cheia esta em escorpião.


Escorpião é um signo intenso, sexual e profundo, cheio de mistérios, é neste momento que devemos nos aprofundar nos sagrados mistérios da sexualidade, a vida que vem brotando da morte (em Samhain) é provar dos prazeres que a terra oferece, e quando digo terra me refiro ao sentido abstrato, o sentido carnal, nossos corpos, os prazeres que ele pode nos proporcionar e os ensinamentos valiosos que isso pode nos acrescentar. Escorpião é um signo de água, remete a lubrificação vaginal, ao sêmen, ao suor, a saliva, em Beltane isso se torna muito mais sagrado, nos foca no corpo.

Em uma religião que venera o sagrado em cada coisa, o corpo deve ser usado como instrumento de aprendizado, deve ser valorizado e respeitado acima de tudo. Em bruxaria muitas vezes o negligenciamos, algo tão contraditório já que o nosso corpo é a chave de acesso aos mistérios da terra e dos planos espirituais. O sexo é sagrado, o encontro entre corpos é mágico e o prazer deve ser venerado como energia mágica, o orgasmo é divino é o Big-Bang é a explosão de sentidos que cria, transforma e renova.

Existe em nosso ser uma capacidade ainda pouco explorada, pouco valorizada, nosso corpo é um instrumento valioso de engrandecimento espiritual e é veículo de experiências e registros. Em Beltane vamos nos aprofundar nos mistérios da carne, nas espirais do nosso DNA que refletem as galáxias, em nossos centros de força, os planetas, as cores do arco-iris, em nossas camadas, como diz a antiga canção “Terra meu corpo, água meu sangue, ar meu alento e fogo meu espírito!”. A medida que vamos nos permitindo viver nosso corpo como sagrado vamos criando maneiras de respeitar a própria terra.

Tratamos o meio ambiente e a sociedade ao nosso redor da mesma maneira que tratamos o nosso corpo, nos entupimos de gordura trans, de frituras, açucares e excessos pelo simples prazer de fazê-lo, compramos, consumimos, bebemos, envenenamos nosso ar, nossa água, nossas vidas pela simples afirmação: “Eu posso, eu consigo” e esquecemos de que cada ato feito ao nosso corpo é um ato feito a terra e vice-versa. O sentimento é o mesmo, a lógica é a mesma, buscamos o prazer imediato, o prazer fútil que vêm sem um objetivo sagrado de encontro e transcendência, mas um prazer movido pelo vazio, pelo desespero, pelo stress de nossa correria, de uma busca por satisfação e reconhecimento, um reforço positivo, um carinho. Entupimos-nos de chocolate pois esse é o maior prazer que podemos ter entre um intervalo e outro. Bebemos até cair pois ou somos travados demais para nos divertirmos, ou temos problemas demais para pensarmos em outra coisa. Prejudicamos nosso corpo na busca de algo passageiro, superficial e vicioso, fazemos a mesma coisa com a terra.

Beltane é sobre a sexualidade sagrada, é sobre ser homem e sobre ser mulher, sobre exercer seu papel divino na terra e alcançar o êxtase, o prazer profundo de estar conectado consigo mesmo. Por isso, durante este momento vamos nos dedicar a fazer as coisas que realmente nos dão prazer e a encontrar prazer nas nossas tarefas diárias. Em seu trabalho, encontre pontos que o tornem sagrados. Em sua casa, valorize sua família, abrace, beije e divirtam-se juntos. Agradeça pelos seus pais, agradeça pela sua casa, pelo abrigo e alimento, agradeça pela benção que são seus irmãos. Em Beltane dance, cante, envolva-se e se entregue aos prazeres de seu próprio corpo, toque-se, sinta-se, relaxe e goze, incorpore a Deusa neste momento, incorpore o Deus, entregue essa energia orgástica para a terra, conecte-se.

Abrace uma árvore, cuide dos seus animais, ame-os. Mas antes de amar qualquer outra coisa, ame a si mesmo. Respeite-se, reconheça seus limites, reconheça teus verdadeiros desejos e “Seja a mudança que quer ver no mundo” como diria Ghandi.

Namaste!


terça-feira, 11 de outubro de 2011

Pirâmide do Poder: Saber/Nescere – Construindo o seu corpo de Ar.


Durante os últimos meses trabalhos com os elementos Fogo e água, masculino e feminino. Agora é hora de voltar para um elemento masculino, o ar. O vento está ligado ao intelecto, a inspiração criativa, ao movimento e a imaginação. Portanto neste novo esquema da pirâmide do poder o Saber se torna Imaginar.

Saber é poder, já diz o ditado, por isso que este pilar da pirâmide se torna tão essencial quanto os outros para sustentar uma prática mágica eficiente e não somente durante os rituais, mas durante o dia a dia. Para alcançarmos um objetivo devemos primeiro visualizá-lo, imaginar o que queremos e criar em nossa mente o caminho que iremos percorrer para chegar a ele. Nossa mente é capaz de infinitas proezas, se você acha que não consegue visualizar, está redondamente enganado. Imaginar não é ver de olhos fechados como vemos as coisas com os olhos abertos, isso é um erro muito comum na arte. Podemos sim criar imagens mentais com o exercício da imaginação que são ricas em detalhes, mas uma coisa é você ver o concreto, o posto e material, outra coisa é montar isso em sua mente. Quanto mais vivo algo se torna na mente, mais propicio será para que isso se manifeste no físico, mas isso é uma questão de prática e a melhor prática para uma visualização eficiente é a leitura. Esta etapa está relacionada com o planejamento bem como com a inspiração criativa e com o respirar de maneira correta.

Na arte conhecer é poder. Nenhum conhecimento é desperdiçado e você vai se dar conta de que as aulas de arte do seu primário te ensinaram coisas realmente úteis para realizar um ritual eficiente! Ou que as dicas de sua avó sobre como plantar e colher te ajudam hoje a ter um bom jardim e até mesmo as aulas de educação física te auxiliam a se concentrar e centrar! Os famosos dizeres: "Conhece a ti mesmo”, "Conheça a sua Arte", "Aplique o seu conhecimento" Se incluem neste pilar. detalhes, mas uma coisa é você ver o concreto, o posto e material, outra coisa é montar isso em sua mente. Quanto mais vivo algo se torna na mente, mais propicio será para que isso se manifeste no físico, mas isso é uma questão de prática e a melhor prática para uma visualização eficiente é a leitura. Esta etapa está relacionada com o planejamento bem como com a inspiração criativa e com o respirar de maneira correta.

Durante este mês iremos construir nosso corpo de ar e para isso vamos usar tudo o que aprendemos nos alicerces passados, fogo e água. Durante este mês você vai continuar com seus exercícios físicos e com as bênçãos da água.

Primeira semana: Esta semana vamos praticar a respiração correta e começar a instigar o trabalho mental. Primeiramente, ao acordar se espreguice bastante, alongue seus músculos, acorde bem o seu corpo. Pegue o seu diário e escreva uma folha, frente e verso de tudo o que vem a sua cabeça pela manhã, não precisa fazer sentido, somente escreva, deixe fluir independente do que acontecer, escreva uma folha completa, frente e verso, é um exercício. Então você vai abrir a janela, ir para a sacada ou mesmo para fora de sua casa, o mais cedo que conseguir, saudar o sol e começar a trabalhar sua respiração. Vai inspirar pelo nariz e espirar pela boca, trabalhando o seu diafragma, sem mover o tórax, movendo a barriga. Erga seus braços na inspiração, isso vai dilatar seu diafragma e ajudar na captação de oxigênio. Faça tudo isso com calma, para evitar a hiperventilação. Faça esse exercício por 5 minutos.

Segunda semana: Você vai continuar com os exercícios da primeira semana e acrescentar a meditação na respiração. O modelo pode ser a “meditação do minuto”, faça de preferência à noite, antes de dormir, comece com um minuto, aos poucos aumente para dois, até chegar a cinco minutos. A meditação na respiração é bem simples (teoricamente), você vai sentar de uma maneira confortável, coluna alinhada e começar a respirar lenta e profundamente, movimentando o diafragma. Evite pensar em qualquer outra coisa, fique prestando atenção na sua respiração. Se os pensamentos divagarem, foque na sua respiração. O foco é o movimento de respirar, concentre-se.


Terceira semana: Durante esta semana nós vamos fazer tudo o que estivemos fazendo nas semanas anteriores e acrescentar um exercício, um trabalho com a aura. Sabe-se que aura significa em latim (ou grego?) sopro de vida, é um campo energético que nos envolve em forma de ovo, nele estão grande parte de nossa atividade mental, por isso durante essa semana vamos aprender a senti-lo e expandi-lo de acordo com a vontade. Sente-se de maneira confortável, inicie a meditação na respiração, quando sentir que está pronto, inspire lentamente e ao expirar você vai ver seu campo energético aumentar, aos poucos, nada apressado, inspire e expire até que sua aura esteja tão grande quanto o lugar em que você está.


Quarta semana: Durante esta semana vamos ter uma folga dos exercícios deste pilar e vamos ler um livro, um romance, uma história. Vamos também buscar inspiração, seja na natureza, na vida ou no trabalho e escrever poemas, músicas, contos ou textos. É hora de movimentar toda essa energia mental que estivemos trabalhando durante o mês todo. Seja criativo, busque inspiração para fazer o que você gosta de fazer e bote isso em prática.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A Força: Coragem.


Sempre que penso nessa carta eu me lembro do Leão medroso das histórias de Oz. Ele por si só é um animal que não necessitava de muito para conseguir impor sua vontade ao redor, afinal é o rei da selva! Mas algo lhe faltava, a coragem.

Coragem, como dito no texto Piramide de poder: água tem o mesmo radical do que a palavra coração e para se ter coragem é preciso primeiro reconhecer que se sente medo. Este Arcano mostra antes de qualquer coisa uma relação entre uma pessoa e um animal (geralmente) mas vai muito além disto é uma relação consigo mesmo. Para abrir a boca do leão é preciso reconhecer o potencial perigo neste ato e então fazer a escolha. Ir ou não ir? Aceitar ou não aceitar? Enfrentar ou recuar? Escolher em si é um ato de coragem, exige muita raça para se assumir a responsabilidade da escolha, no final das contas nos tornamos o próprio leão que enfrentamos.

As cartas modernas mostram a personagem, geralmente feminina, perto de um animal selvagem, ambos em postura calma, pacifica, convivendo um com o outro, mas nem sempre foi assim. As cartas mais antigas mostram a mulher utilizando-se de sua força para abrir a boca do leão, isso sim é um ato de valentia. Um deck moderno que tem a mesma conotação em sua imagem é o “Dark Grimoire” no qual a personagem conjurou um demônio e com sua vontade o mantém afastado. Perfeito.

Muitas vezes as nossas feras são conflitos internos e vejo muito esse paradigma refletido na simbologia do numero (eu escolhi seguir os decks em que a força é o Arcano 8, como devem ter reparado pela seqüência dos posts). O número 8 é o infinito, é o que se interioriza para se exteriorizar, é a dinâmica da subjetivação – objetivação, a mais pura dialética.

A força na minha vivência se refletiu em eu me permitir entrar em contato com os meus próprios conflitos internos, deixar que eles se exteriorizassem para se tornar algo mais, para que eu pudesse lidar com eles de uma maneira melhor, abrir o coração, com coragem e valentia, enfrentar meu leão interno e vencê-lo.

Eu sempre pensei no leão como o nosso self mais primitivo, mais instintivo, onde nossos traumas ficam registrados e por isso muitas vezes ficam pairando ao nosso redor influenciando nossas decisões. Nossa fraqueza é deixar que eles se tornem monstros, dos quais é mais doloroso nos livrarmos deles do que deixá-los como estão. É como o espinho no pé do dragão, incomoda quando está lá, mas para tirar é um sacrifício. É como diz Clarice Lispector “Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.”