quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O Carro: Vontade.


Usar um título desses pra falar de um Arcano como O Carro parece clichê né?! Mas esse vai ser um texto assim, bem lugar comum, mas uma experiência não menos prazerosa. O Carro sempre foi um dos Arcanos obscuros pra mim e sempre que ele aparecia (e ainda quando aparece) me causa uma certa confusão, ele sempre me lembra caminhos, mas ae pra isso tem Os Enamorados, então penso que é auto-controle, mas então tem A Força, no meu caso uso sempre o contexto para esclarecer a duvida que me aparece com os Arcanos.

Durante esta experiência tive muitos insights legais, o primeiro deles foi com o próprio numero 7, um número sagrado a Apollo, um Deus com o qual tenho muita afinidade que é um número de prosperidade, de sucesso, Eliphas Levi coloca que é o número da perfeição pois une o 3 que é o feminino com o 4 que é o masculino, o três é o número da Deusa e o 4 sempre me lembra o Deus. Depois o que me ajudou muito a compreender melhor o significado desta carta foi o simbolismo no Wildwood Tarot, quem tem acompanhado meus posts sabe que eu encho a bola deste Deck, mas sério, as imagens arquetípicas dele são ótimas para ter algumas fichas caindo, a carta 7 é o Arqueiro! Pronto, eu não queria mais nada pra ser feliz neste Arcano, o número 7 ligado com um dos simbolismos mais ricos de Apollo foi um prato cheio para reflexões.

O Arco de Apollo são as flechas que ele lança do Sol, são uma analogia aos raios do sol, mas se os raios são lançados do Sol (ou da Lua, que acontece com Ártemis) por que não escolheram uma outra coisa, tipo uma lança? Por que o Arco é um símbolo muito primitivo que se liga aos ciclos: O Arco se estica ao máximo lança seu projétil e volta ao seu estado normal, como o sol, como a lua, representa os ciclos e quem faz isso acontecer no caso do arco é a vontade do Arqueiro e no caso do sol e da lua é a vontade divina que põe tudo em ação! É por isso que esta carta está relacionada com o signo de câncer, o caranguejo que se movimenta conforme a dança das marés, conforme os ciclos lunares, dizendo que quando a nossa vontade esta alinhada com o Divino, estamos alinhados com toda a natureza e mais ainda, com uma natureza mais profunda de nosso ser.

Eu gosto desta carta, ela coloca em relação os três níveis do ser humano e os alinha em um propósito: é a centelha divina representada na armadura, nos instrumentos e no contexto, é o elemento humano da própria personagem e é a parcela animal representada pelos animais ou esfinges. Na tradição Feri, o Self-Divino só pode ser expresso quando o self-jovem (ou parte mais animal) foi acessada com sucesso, o alinhamento dos três selves nesta tradição é uma das práticas mais importantes que deve ser feita diariamente. Tá, mas o que isso até agora tem a ver com O Carro? O Carro é o agente de controle, é o impulso que direciona, é o seguir em frente e a melhor maneira de fazer isso é estar alinhado com a proposta divina! No Olympus Tarot ele é Hermes, o mensageiro dos Deuses, representando a função desta nossa parte divina.

Os cavalos são representados seguindo direções opostas, como muitas vezes nossos desejos e cabe ao cavaleiro tomar as rédeas, literalmente e fazer a carruagem andar, mas para onde? O caminho foi escolhido Nos Enamorados, basta agora manter-se a direção e para isso precisamos de força de vontade! Na figura deste post é a carta do "The Sidhe Tarot" e eu achei fantástica pra simbolizar que existe muito mais em uma pessoa do que pode se ver num primeiro olhar e é reconhecer isso que faz nosso sol brilhar!

Foi uma semana muito especial para esta prática, entrei em um trabalho mais focado no Self-divino e consegui conciliar com uma prática do kung-fu muito preciosa, chamada “postura do cavalo” ironicamente o nome dessa postura se liga com este Arcano e tem muito a ver com o seu significado, pois executar essa postura exige muito controle e força de vontade da pessoa, é focar num objetivo! E como isso se relaciona com o Self-Divino? Pois ele é a sua testemunha, as pernas doem? O Self-Divino observa pacientemente! Os pensamentos de fracasso vêm a mente? O Self-divino observa pacientemente! Você sente vontade de chorar por não conseguir agüentar tanto tempo quanto deveria? O Self-Divino observa pacientemente! O Self-Divino se mantém constante, focado na direção que tem de ser seguida, independente do que fizermos, o Self-divino observa pacientemente. O que precisamos fazer é nos alinharmos com essa nossa centelha divina para podermos trabalhar de maneira íntegra com nós mesmos, estar em harmonia com a nossa proposta divina. Agora me diz, é fácil?

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