segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A Sacerdotisa: Tecendo Saber

Assim como a luz da lua transforma tudo o que toca em escalas de cinza, variando do branco ao preto, A Sacerdotisa fica no limiar, “entre pilares”, de interpretação misteriosa, nunca exata, mas sempre certeira como Ártemis, como os sonhos são, e estes são também território Dela, entre mundos.

Durante essa semana dA Sacerdotisa, uma oração me acompanhou, “Grande Mãe na qual eu vivo, me movimento e existo. De Ti tudo brota e a Ti tudo retorna”, da tradição Feri. Foi um bom norteador para explorar mais a fundo os significados deste Arcano. De primeira a carta que eu mais gostei foi a do Tarot de Thot, do Crowley, e as diferentes formas de representar a sacerdotisa nos outros decks me fizeram refletir sobre as maneiras como cada autor percebe essa energia, essa presença, cada uma tão única, uma energia tão plural.

Bom, vamos começar do começo. Segunda feira deu-se inicio a semana dA Sacerdotisa e foi segunda feira que eu fiz a minha tirada de lunação, sempre faço na lua nova. Segunda também comecei uma nova etapa no meu treinamento Feri. Tudo isso me foi moldando reflexões acerca do que é essa energia. Bem, primeiramente A Sacerdotisa é uma energia espiritual, e onde encontramos essa espiritualidade dA Sacerdotisa? Em todo lugar! Principalmente em nosso corpo, principalmente nas manifestações físicas, no dia a dia... O que faz um fruto amadurecer? O que faz a semente germinar? A lua mudar e o sol correr os céus, O que mantém os planetas em uma dança cósmica de harmonia perfeita e sincronizada? Gravidade? Também! Mas o que é a gravidade? A Sacerdotisa é senhora dos Mistérios, seu símbolo é a lua, sempre mutável e sempre constante, por isso decidi que durante essa semana iria anotar meus sonhos, um diário, para despertar a consciência para esse “Outro Mundo”, notar essa outra força que toma conta quando dormimos, o inconsciente. O que é por ele refletido?

A Sacerdotisa representada pro Crowley mostra uma Deusa lançando sua rede, teias, criando frutos e pedras preciosas. Isso me levou por um caminho de pensar a sacralidade como um todo, minha postura como sacerdote e como eu vivo a minha espiritualidade. O corpo é sagrado, belo e perfeito, como toda a criação da natureza, reconhecer em cada ato é ser espiritual, viver cada momento da vida como uma experiência divina é ser tocado pela Sacerdotisa, é imanência. Esta carta é representada no Olympus Tarot como Hera, uma irônica coincidência, já que meus trabalhos sacerdotais são dedicados á Ela juntando isso com um podcast da T. Thorn Coyle refleti sobre a maneira como tem-se vivido os caminhos sacerdotais. Até que ponto estamos produzindo espiritualidade ao invés de reproduzir? Até que ponto deixamos e vivemos os mistérios, de maneira espontânea, única e pessoal? Até que ponto permitirmos que aqueles por nós orientados possam viver os mistérios da Deusa de maneira pessoal, rica e produtiva? A sacerdotisa é a intenção por trás que constrói e dá sentido as ações, transforma cada trabalho em um trabalho espiritual, fluídico. Quantas vezes repetimos

“Que assim seja e assim se faça” mas quantas vezes essa frase tem realmente significado e não foi somente uma força do hábito, da boca pra fora? Essa foi uma das frases que acabou perdendo o sentido pra muitos! Que intenções colocamos por trás dela ultimamente? Ser um sacerdote é um exercício de se manter conectado com o divino propósito o tempo todo e nem todo mundo esta disposto a assumir tal responsabilidade. É um fardo pesado para ser carregado sem que haja compromisso.

Na mesma linha de raciocínio, vejo muitos pagãos cometendo o mesmo erro dos cristãos, personificar uma energia. A Deusa não é uma mulher, sua energia transcende forma e gênero, ela esta em tudo e em todo o lugar, usamos Deusa no feminino muito mais de forma didática do que de forma literal, a energia criativa é feminina e claro, as mulheres refletem em seu corpo muito melhor do que os homens esses ciclos, mas todos somos Deusa e Deus.

Tendo em mente que A Sacerdotisa representa essa energia, esse véu e essa teia que nos envolve, podemos nos tornar conscientes e despertar, sermos agentes de mudanças e transformações, reconhecer e identificar a intensidade e direção dessa corrente para podermos navegar a favor e não contra. Não podemos dominá-la e nem controlá-la, pois essa energia é como a terra, o ar, o fogo e a água, não podem ser controlados, mas podemos saber a melhor época para plantar e colher, podemos direcionar a água e usá-la em nossas casas, o vento para gerar energia e o fogo para transformar o alimento, sem controle, somente manejo. Precisamos também tomar partido, trabalhar em função de um mundo melhor, respeitar isso é ser espiritual, de que maneira o seu trabalho, o seu dia-a-dia reflete a sua crença espiritual, de que maneira você honra os Deuses com seu trabalho? Estar consciente de sua respiração é o primeiro passo para fazer acontecer, isso é reconhecer a teia que permeia tudo e todos, A Sacerdotisa, o sagrado corporificado, intrínseco em tudo que existe e em cada ato. Ela é a força que rege as marés, invisível e potente e que desperta em nós um potencial latente.

A Sacerdotisa é o inconsciente, e a intuição, o conhecimento tão sutil que não pode ser assimilado pelo cérebro, é o sentir, o saber instintivo, a presença mística de algo muito maior, o sentimento de conexão e a transformação, é o romper de uma semente, o brotar da terra, o desabrochar da flor, é a mudança de lua e os mistérios diários. É ter fé. Ela é Ártemis a virgem, donzela, Ela é Isis, a senhora dos dez mil nomes, ela é a singularidade de tudo o que é plural, é a magia, o tecer da vida, a mudança de consciência sutil que ocorre antes do circulo ser traçado, é Ela que percebemos quando levantamos os véus entre mundos.

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