segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O Mago: Ferramentas Divinas.


Parece que essa semana de trabalhos com O Mago durou um mês inteiro de tanto que aconteceu e de tão intensa que foi. Um breve resumo, a semana começou com na Segunda feira meu carro estragando na volta de Florianópolis para Joinville, problema de radiador que levou a quase o motor fundir, enfim, prejuízo na certa! Depois, na quarta meu celular, carteira e Ipod Touch foram roubados na minha mesa de escritório, em 2 minutos de bobeira que sai de perto, nenhuma câmera registrou o ato, elas filmavam, mas não gravavam, resultado, fiquei no prejuízo novamente. No entanto foi uma experiência valiosa para conectar-me com este Arcano.

Essa foi uma vivência diferente da dO Louco por vários motivos, mas por um bem óbvio: no tarot the Thot, do Aleister Crowley, tem 3 versões dO Mago! Uma oportunidade maravilhosa de ver diferentes pontos de vista de um mesmo artista. Também pelo fato de eu viver um pouco mais da influência planetária deste Arcano, que é mercúrio.

Dentre todos os O Mago dos meus decks o que eu usei como referencial desta vez foi o do Shadowscapes, sempre fui muito fã da Stephanie e o projeto de tarot dela foi acompanhado ansiosamente durante a minha adolescência, eu sonhava com esse deck muito antes dele existir e por isso até hoje ele é grande fonte de inspiração nas minhas experiências.

Pra começar O Mago me trouxe observações valiosas sobre os instrumentos que eu tenho ao meu dispor e a maneira com a qual eles estão sendo usados. O meu carro foi o primeiro exemplo disto, ele estava demonstrando problemas durante a viagem, mas a minha ignorância total quando se diz respeito a carros me impediu de identificar de imediato que o radiador estava com problemas, "paguei o pato" por ter que deixar o carro em Floripa para arrumar e ter as despesas da volta para arcar. Mas durante esse ocorrido, algo em mim me dizia que tinha algo errado, um conhecimento instintivo, meus ouvidos, olhos e tato captavam vibrações sutis, sons e movimentos estranhos, resultando num sentimento de perigo, uma sensação de ter algo errado que me fez parar na primeira oportunidade e verificar o que estava acontecendo, já que o painel do carro nada acusava, estava tudo bem a principio. O Mago tem um pouco disto, conhece os instrumentos que tem e por isso sabe usá-los da melhor maneira, junta uma sabedoria inata com uma habilidade construída para dar um direcionamento certo para cada coisa. Da mesma maneira aconteceu quando os meus objetos foram roubados. Eu me senti impotente frente a essa violação, de mãos atadas, mas este Arcano me mostrou que isso era errado, afinal, não sou quem pode moldar a realidade de acordo com a minha vontade? O Mago da história incorporado em mim falava mais alto! Primeiro eu precisava cortar essa onda de prejuízos ao meu redor, depois dar uma limpada no meu ambiente de trabalho e ainda conseguir minhas coisas de volta! Foi o momento de usar todo o conhecimento que eu tinha ao meu dispor para iniciar uma nova etapa, e para isso acontecer eu tive que quantificar o que eu sabia, o que eu conhecia e o que eu tinha para aplicar neste momento, o que a situação me permitia fazer. O Mago põe a mão na massa, arregaça as mangas e manda ver!

Outra reflexão interessante sobre essa carta que eu tive foi sobre os elementos que ele tem ao seu dispor. Na maioria dos decks que eu tenho, O Mago é representado com os símbolos dos quatro elementos, com o símbolo dos quatro naipes dos arcanos maiores representando suas ferramentas, normalmente segurando a sua baqueta, símbolo em muitas tradições do Fogo (e em outras do ar, mas não vou entrar nesta discussão agora), na maioria dos decks paus, a varinha, é fogo, a vontade, motivação e espiritualidade. O podcast da Leisa ReFalo sobre O Mago (Tarot for the Ipod) me despertou a atenção para algo mais, para o símbolo do infinito que está sobre a sua cabeça. Para mim foi um insight precioso notar que este símbolo é o 5o elemento, o espírito. O Mago, mercúrio, Hermes (Hermes Trimegistos) é o mediador entre mundos, é o ser conectado com o seu Eu-Superior, com o Seu Deus (como diz na Tradição Feri) e por isso atua consciente no mundo, em sua comunidade. Meus trabalhos e meditações seguiram este fluxo, de me conectar com o meu self-superior, um trabalho que já tem uma rotina feita por mim normalmente, mas desta vez foi especial, por isso que esta carta no Shadowscapes foi a que mais me tocou, pois ela representa este quinto elemento de uma maneira única e bela, são as asas do Mago, sua postura de equilíbrio e força de vontade, seus instrumentos e sua conexão. Perfeita. Essa conexão e este trabalho foram muito gratificantes pra mim, esse despertar da centelha divina, esse re-conhecimento, essa orientação e harmonia com os propósitos divinos é que me deram forças para acreditar que algo nesta semana tinha que ser vivido e aprendido. O Mago é mediador, ele é consciente de si mesmo e de suas ferramentas, os quatro elementos expressos e resumidos em seu próprio corpo, bem como o quinto, seu espírito e o Deus interior. Um símbolo que aprendi no Magickal Lightworker Program (MLP) para conexão com o Self-Superior tem um 8 dentro de um coração dentro de um sol com oito raios, esse 8 dentro do coração é o mesmo símbolo do infinito dO Mago. Tudo fez sentido pra mim neste momento. O Afro-brazilian Tarot também tem uma representação bem legal sobre isso, O Mago é o pai de santo, com uma conexão especial com o Orixá.

Mas nem tudo são rendas para esta energia, O Mago como mercúrio também rege a comunicação, grande ferramenta de socialização. Durante essa semana tudo veio abaixo por conta de falta de comunicação. Parecia que as pessoas não entendiam quando eu falava, parecia que eu não conseguia me expressar bem (e sim, não consegui fazer bom uso desta ferramenta), Hermes é o Deus dos “ladrões” também, e eu fui roubado, as câmeras não captaram, muito azar Né?! Hermes dando seu jeitinho de se mostrar pra mim. O Mago também tem disto, de confundir as pessoas, ele é o cara que fica na rua fazendo mágica pra pegar teu dinheiro, quem nunca ficou quase duas horas esperando alguém na rua realizar um truque de mágica e dando dinheiro pra ele não sabe o que é perder tempo! Mas os caras são muito sacanas, eles te prendem a atenção e fazem com que você queira ficar até o final do show, mas o final nunca chega e eles te vencem pelo cansaço, me venceram pelo menos. Como diz um amigo meu, O Mago é tinhoso! Mas é isso mesmo, ser O Mago é saber tão bem até onde se pode ir e usar isso em seu proveito, é ter maestria.

Por isso ele é o inicio, quando sabemos onde estamos, que ferramentas temos e somos bem orientados, podemos partir em busca de fazer diferente, em busca dos nossos objetivos, é ter, como diz o ditado: “A faca e o queijo em mãos”.

3 comentários:

  1. Ainda que Ele seja o Deus dos Embusteiros, Ele não permite que a Alma minta.
    Essa citação do Julgamento, do Tarô Mitológico, sempre me marcou. Eu vejo o Mago, mas me lembro que Ele, o Veloz Senhor das Mensagens, está por trás, cobrando a Verdade.

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  2. Poxa que legal isso neh... "Não deixar que a alma minta" Tem tudo a ver com esse lance de centelha divina e tals.. Agradeço por compartilhar Emanuel o/

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  3. Eu penso que o Mago pode ser o que quiser, há nele a essência bruta para que se torne o que vier a escolher; quando se mostra assim meio dúbio para conosco quiçá é uma tentativa de alertar, de trazer o pé ao chão, e abrir os olhos para o tudo que nós rodeia e não se mostra verdadeiramente como é.
    Mil beijos amigo querido!

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