terça-feira, 16 de agosto de 2011

A Imperatriz: Prosperidade e Serviço.

“O mar é a origem da vida... Ela vem lá do mar. O mar é a origem da vida... Ela retorna pro mar.” – The ocean is the beginning of the Earth.

O que foi essa semana dA Imperatriz hein?! Muita coisa aconteceu, muita coisa mudou e muita coisa ainda esta mudando. A primeira coisa que eu percebi é que esta prática com o tarot esta viva, se direciona para um lugar desconhecido, um verdadeiro mistério, espontâneo e criativo. Que melhor momento para se perceber isso do que neste Arcano? A Imperatriz é Vênus, é Demeter, é a Mulher folha, completa, plena e mãe. No Olympus Tarot ela é representada por Aphrodite e confesso que essa imagem me deixou um pouco desconfortável a principio mas aos poucos fui entendendo o por que disso.

Durante essa semana que se passou tive meu irmão hospitalizado por conta de um grave acidente de carro, um acontecimento que abalou as estruturas da família e de mim mesmo. Foi uma oportunidade para refletir sobre o amor e sobre prestar serviço, sobre como essas duas coisas se entrelaçam e se multiplicam. Durante este momento vivi em mim uma face Imperatriz, tive que ser acolhedor, nutritivo e amoroso, dar suporte para a minha família e aceitar suporte deles. Esse acontecimento despertou um amor em mim que eu não sabia que existia, algo incondicional, puro e ativo! Esse amor me despertou para o serviço, o serviço em função de algo maior. Primeiro eu incorporei o sacerdote de Apollo que há em mim, e no pronto socorro tive que limpar meu irmão de todo o sangue, acolhe-lo e dizer que ia ficar tudo bem, mesmo não tendo certeza disso... uma dor imensa essa a da incerteza, enquanto limpava seu rosto, seus ferimentos eu rezava para A Grande Mãe, para Apollo e pedia, implorava, que não o tirassem de mim, que a água pudesse purificá-lo e que meu amor naquele momento pudesse curá-lo, nutri-lo e confortá-lo. Foram longas quatro horas no pronto-socorro, auxiliando no que podia, trocava a roupa, ajudava na troca de curativos, limpava o sangue e ao fim puder dar um pouco de água pra ele, finalmente ele estava se recuperando. A cada ato eu pensava no amor, a cada movimento em pensava em protegê-lo e acolhe-lo. Me entreguei para Gaia, me coloquei em suas mãos, meus serviços eu dediquei a Apollo e neste momento fui seu instrumento.

Pensando depois sobre todo o acontecido, pude ver o amor sem limites dA Imperatriz, Aphrodite, um amor que se manifesta na carne, um amor que ultrapassa barreiras, fortalecedor, um amor que exige serviço, ação. A semana foi passando e meu norteador foi o serviço, serviço desinteressado, um servir por amor, acabei “esbarrando” com textos e áudios sobre prosperidade, sobre a espiritualidade e o conforto material, aos poucos fui ligando os pontos e A Imperatriz foi se mostrando pra mim.

Em uma espiritualidade que reconhece o sagrado no corpo, honra o divino através da sexualidade e entende que o padrão se reflete na natureza, o conforto material e o dinheiro fazem parte de um culto, mas por que falar em dinheiro e serviço quando o assunto é espiritualidade se torna um tabu? Uma mentalidade pobre é tão desequilibrada quanto uma mentalidade gananciosa, certo? Seguimos alguns modelos, padrões e arquétipos inconscientemente como o de Buda que renegou seu reinado para se tornar um ser “elevado”, ou mais próximo ainda, o de São Francisco, que negou sua riqueza para se dedicar ao serviço em nome de Deus... Existe em nossa cultura um ranço cristão muito forte que coloca que no reino dos Céus o dinheiro é rejeitado, enquanto isso a Igreja manda o carne do dizimo na sua casa!

O dinheiro é uma abstração e em nossa sociedade é obviamente a moeda de troca. O que se busca é o equilíbrio, não a gulodice de querer sempre mais, provocada pela insegurança, mas ter o necessário. Ao invés de se voltar para o desejo, volte-se para a necessidade. O que você precisa para realizar o seu trabalho hoje? Compreender que o excesso deve ser trabalhado com o desapego é o primeiro passo. As folhas da árvore caem no outono para que novas folhas possam brotar. Com a prosperidade é a mesma coisa. Quando oferecemos serviço ao nosso Deus interior, quando o nosso trabalho é uma oferenda diária as coisas acontecem, tudo começa a mudar e o dinheiro vem como um meio e não como um fim. Por exemplo, eu dedico o meu trabalho de ensinar a Apollo, instrutor, iniciador, esclarecedor e com isso estou sempre aberto a mudança, sempre aberto a ser lapidado. Meu trabalho de ensinar forma seres humanos, claro que não é perfeito e o que é a perfeição? Mas eu me coloco a disposição de realizar um serviço com amor, amor por aqueles com quem eu me relaciono, pois amor é a comunicação divina. Quando eu estava cuidado do meu irmão ofereci esse trabalho a Gaia, Apollo e Hera, trabalhei com amor e me coloquei nas mãos Deles para dar o melhor de mim por amor.

Estamos em uma era em que a relação com os Deuses não esta mais sendo assimétrica, esta se tornando cada vez mais simétrica, ou seja, os Deuses como nossos pais nos orientam para que um dia nos tornemos pais como eles. É o que vemos em nossa vida, nossos pais são aliados, não estão mais em pedestais como estavam antigamente, eles trabalham para que um dia possamos ter tanto sucesso ou até mais que eles na vida. Durante este período eu fiquei pensando na minha relação sacerdotal, eu vejo Gaia e Apollo como Mãe e Pai e Hera eu vejo como chefe! É para Hera que eu ofereci meus trabalhos sacerdotais e é Ela que me orienta, qual caminho devo seguir para alcançar o que ela tem precisado e realizar o nosso serviço. Ela me fez uma proposta, me colocou um objetivo e juntos trabalhamos para que ele seja alcançado. Existe amor nesta relação e existe serviço, com isso a prosperidade acontece!

Eu em minhas orações peço sempre prosperidade e fazendo o meu trabalho na terra, conectando e oferecendo este serviço aos Deuses eu a recebo, pois faço um bom trabalho, pois dou sempre o melhor de mim e torno o ambiente ao meu redor mais nutritivo e acolhedor, eu estou agindo ao invés de reagir e isso é muito importante. Viemos de uma cultura que reage e o momento nos pede ação! Os instrumentos que eu preciso para realizar meu trabalho me são dados, eu confio. Prosperidade é diferente de abundancia, nessas horas é preciso ter foco! Eu não quero formigas em abundancia em minha cozinha, eu não quero contas em abundancia. Para sermos prósperos temos que realizar um bom trabalho com o que temos. Como é que vamos passar para sistemas mais complexos se não aprendemos com o básico? Se quisermos mais dinheiro, que tal começarmos a administrar melhor o que já temos? Se quisermos mais oportunidades, temos que aproveitar melhor as que já temos. Mentalize o que você quer, tenha foco e deixe que o universo te entregue as ferramentas para que o seu objetivo seja alcançado, sem ganância mas sem desapego também, fluindo. O primeiro passo é ser grato pelo que se tem, destacar para o Universo o que te faz bem e “ignorar” o que não tem te feito tão bem assim.

A Imperatriz é representada também como Iemanjá, a Mãe do Mar, ela é a “Deusa dos dez mil nomes e infinitas possibilidades”, A Imperatriz é sobre plenitude, sobre fertilidade e sobre serviço. No tarot de Thot ela me parece uma sereia, Aphrodite é a nascida do mar, é a mulher folha com seu caldeirão borbulhante de oportunidades e conhecimento, os mistérios que cada erva carrega em si. Durante a vivência com este Arcano me dei conta de que o amor constrói, nutre boas relações e espalha boas sementes que florescem e vão se multiplicando. É fazer de todo trabalho, um serviço espiritual, reconhecendo o divino em tudo.

4 comentários:

  1. Cara, que semana !!!
    Você realmente entrou na Imperatriz, com todos os cuidados com seu irmão! Só faltou mencionar que se pudesse trocaria de lugar com ele apenas para que ele não sofresse... Essa é minha visão da Imperatriz: ela consegue visualizar-se no lugar do outro. Ela cuida, mima, puxa orelha, educa, carrega no colo, ensina a andar e, vem para mostrar que somos capazes de tudo isso!!
    Bjus

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  2. Nossa que visão legal essa!! Sabe, eu me senti varias vezes assim, querendo assumir o lugar dele, pra poupa-lo e tals... agora vejo que não seria saudavel, afinal, cada um arca com as responsabilidades de seus atos! Isso eh pro Imperador! uhahauhua

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  3. Essa é a sabedoria da Imperatriz, da mãe... por mais que ela queira sofrer no lugar do outro, ela não pode, mas é uma das poucas pessoas que compreende o que o outro está passando... Sofre junto, mesmo que a carga não seja dela... Faz de tudo para ajudar, e muitas vezes, o proprio beneficiário a repudia... ela sabe disso, e continua... teimosa... sempre por perto.. nunca abandona... tecendo o fio, sem nada dizer... (Ah, esqueci de mencionar, no meu tarô, a Imperatriz é Frigga... é ela quem tece o fio do destino, mas não pode falar sobre, algo do tipo "eu sei que você vai se dar mal, mas você tem que descobrir sozinho")

    E que venha o Imperador né?

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  4. Fiquei feliz em ler este post, até porque ele fala da carta que foi escolhida com carinho para me representar no grupo. É assim que eles me veem e eu fico muito honrada. E na minha religião, sereia é Iemanjá, minha mãe de cabeça e minha energia mestra. Ou seja, tudo acaba indo para o mesmo lado, não importa o nome ou a filosofia que obedeça...

    Beijos, menino-bonito-do-olho-azul

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