quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Repensando a Roda do Ano: Ostara


Esta época do ano reflete um clima que muito me agrada. A primavera com seu céu azul, sua grama verde e o sol tímido que começa a aquecer tudo ao redor. Ostara me lembra os fins de semana com os amigos, o ar quente e fresco de um inverno que já esta se recolhendo e dando espaço para o calor de um verão por vir, Ostara é um meio termo das estações com qualidades próprias, vivas e diversas.

Diversidade, esta é uma das palavras deste festival, celebrar as diferenças, de tudo ao redor e de uns com os outros é celebrar a criatividade divina! Neste momento as flores estão desabrochando e diversos aromas permeiam o ar, tudo nos impelindo ao encontro. Encontrar-se consigo mesmo, um com os outros e com a terra novamente.

Uma das tradições de Ostara é partilhar ovos de chocolates, fazer a busca dos ninhos e se divertir com os amigos. Que melhor momento do que este, em que o calor já se faz presente em dias de sol para celebrar os amigos, celebrar as relações? Um grupo que não festeja junto, não se mantém junto. Bons momentos criam bons laços e fortalecem uma comunidade.

Durante este tempo a terra esta fértil, cheia de vida e com sua capacidade nutritiva ao máximo. É um bom tempo para trabalhar no seu jardim, plantar flores nos vasos e entrar em contato com a terra. Starhawk coloca em seu livro “Dreaming the dark” sobre a relação erótica com a terra, eu traduzi esse capitulo e você pode lê-lo aqui, que nos coloca a necessidade de desenvolver laços de amor com a própria terra, de botar a mão na massa e viver este momento. Estabelecer relações sadias com as plantas nos abre para novas possibilidades, para novas sensações e um novo mundo de descobertas, “Compreender que o erotico é uma energia confere a oportunidade para um relacionamento potencialmente erotico com a terra. Nós podemos amar a natureza, não de uma forma abstrata, mas de uma maneira carnal, com nosso corpo e ossos, esse amor que se reflete na vida selvagem pode nos motivar a proteger essa mesma natureza, nos dando a força profunda de que precisamos. Esse amor é a conexão, quando o sentimos profundamente, talvez com uma árvore, quando sentirmos que a sua aura se mescla com a nossa, com o nosso corpo, sentindo a energia fluir pelo solo e suas raízes, nos permitindo mergulhar e sentir-se um com o Ser-Árvore, assim então poderemos manter a luta para afastar os machados e serras de seus troncos, a radiação extrema de suas folhas, pois a amamos profundamente e esse amor nos conecta a tudo.”

É interessante neste momento abrir os ouvidos para o que as plantas tem a nos dizer, elas falam muito sobre a saúde do ambiente em que vivemos. Para quem curte plantar, é legal se manter aberto aos sinais de comunicação que as ervas dão quando são plantadas em lugares menos sadios. Conversar com as plantas não é esperar que uma voz responda! É se abrir para novas possibilidades de comunicação! O seu gato conversa com você como o seu amigo conversa? Não! Mas mesmo assim ele se comunica quando esta com fome, quando está carente ou quando esta no cio, certo? Ele não precisa de palavras pra falar tudo isso, tem o seu próprio jeito e estilo. O seu cão a mesma coisa, ele não se expressa em palavras, mas mesmo assim não deixa de se expressar e me diz, você mesmo assim não se comunica em palavras com ele? E eles de certa forma nos entendem... Com as plantas é a mesma coisa, conversar com elas não significa somente trocar palavras, pois isso nem sempre caracteriza comunicação entre seres humanos, quanto mais entre outras espécies! Se comunicar com as plantas é estar em prontidão, é mostrar interesse sincero e honesto em proporcionar o melhor ambiente, que promova o melhor desenvolvimento deste ser vivo! É saber ler as necessidades da planta e realmente se importar com o bem estar dela.

Tudo bem, você não gosta de plantar e nada muito do gênero, então que tal você tirar esse momento de Ostara para refletir sobre a maneira como cada árvore se desenvolve, mesmo a mesma espécie de arvore, plantas próximas uma a outra não se desenvolvem iguais! O que leva um galho se formar desta maneira ou de outra? E as flores? Como cada cor tem seu tom, como cada flor tem seu cheiro, como cada tipo é único. Como isso reflete o padrão divino da terra? É interessante começar a ver as plantas com outros olhos, que existe uma vontade nelas que indica o seu crescimento e desenvolvimento, existe algo, uma força interior que as faz serem diferentes uma das outras e pensa, tudo isso elas conseguem paradas! De onde vem tanta energia? De onde elas tiram o alimento? Da própria terra! Da mesma terra da qual nós tiramos nosso alimento!

Ostara é também sobre reunião, sobre família e coisas gostosas como chocolates e guloseimas, é celebrar a vida, a criatividade e a multiplicidade da natureza ao nosso redor, e bem, surpresa! Eu e você também somos parte da natureza! Então vamos celebrar um ao outro? Que tal juntar tudo isso de legal e fazer uma comemoração ou encontro? Que tal uma coisa descontraída e leve num domingo de sol? Que tal um pic-nic com muita coisa gostosa, toalhas xadrez e a galera reunida na grama de um parque, se curtindo, só o fato de estar junto, compartilhando o momento na sombra de uma arvore frondosa?

Por isso, que tal em Ostara nós celebrarmos a Terra, as relações e os prazeres de se estar junto? Uma boa comida, um bom vinho e em boa compania! Primavera é isso, é o flerte, é a brincadeira, é o jogo... É diversão!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A Estrela de Ishtar - Um texto sobre A Irmandade de Isis (Fellowship Of Isis)


O diagrama de correspondências de rituais da Irmandade de Isis (Fellowship Of isis) é geralmente referido como “A estrela de Ishtar”. Seu nome completo é “A estrela de Ishtar e a teia do universo e o Dragão Tiamat em volta do divino útero”. E também é conhecido por “A estrela da vida da Irmandade de Isis”.


1. 1.Um diagrama colorido da Estrela de Ishtar.

2. 2.Uma percepção mística e a Sabedoria da Deusa Revelada.

3. 3.O conceito da estrela de Ishtar.

4. 4.Os quatro níveis.

5. 5. As cores dos quatro níveis.

6. 6. Os oito raios coloridos.

7. 7.Correspondência básica entre cores, números, rituais e os Raios Cósmicos.

1. 1. Um diagrama colorido da Estrela de Ishtar:



Esta espiral de 33 degraus é usada pelo Adepto (Iseum), Magi (Lyceum), Alquimista (Iseum Solar), Clã Druídico de Dana (Groves) e A Honorável Ordem de Tara. Para mais informações sobre cada um destes sistemas, visite o site www.thecircleofisis.com. Cada ponto numerado no diagrama corresponde a um ritual na liturgia.

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A Estrela de Ishtar e a Teia do Universo,

O dragão Tiamat em volta do divino útero.

2. Uma percepção mística e a Sabedoria da Deusa Revelada.

“Os raios da Estrela são o Tempo, seus níveis são as voltas do Dragão criador da Babilônia, A Deusa Tiamat. Suas quatro voltas formam o espaço, estes são correspondentes aos quatro níveis da Árvore cabalística da Vida (Atziluth, Briah, Yetzirah, Assiah). O diagrama se desdobra em teias de aranha, em volta de um útero em forma de ovo, central, que é a semente, o ponto de inicio do qual a vida emana na forma de oito raios cósmicos coloridos de Sirius, conhecida como A Estrela de Ishtar, e a Alma de Isis.” Olivia Robertson co-fundadora da Irmandade

“No altar principal da capela de Ishtar nós temos oito velas, oito é um numero especial para a Irmandade. A estrela de Ishtar tem oito raios, o ano tem oito festivais principais e é o sinal da eternidade, do infinito, da magia – os dois loops significando a consciência superior e inferior, os mundos superiores e os mundos inferiores experienciados como um só” – Olivia Robertson

Conhecimento acerca da Estrela de Ishtar é crucial para que se entenda o potencial latente de cada ritual na liturgia da Irmandade de Isis. A Estrela simboliza as relações entre espaço, formado pelas voltas em espiral do dragão, com o tempo, formado pela estrela de oito pontas de Ishtar, que também é conhecida como Estrela de Sirius ou Sothis, a Alma da Isis. Os oito raios que emanam da estrela cruzam com as voltas do dragão formando portais que provém oportunidades para crescimento espiritual com foco na energia divina, seus símbolos e chaves, como aqueles dados pela liturgia.

A Estrela de Ishtar é a base para todas as espirais de crescimento spiritual utilizadas na Irmandade de Isis, incluindo os Degrais Mágicos do colégio de Isis (Lyceums), A espiral do Adepto (Iseums), A Espiral do Alquimista (Iseums Solares) e a estrutura ritualística do Clã Druídico de Dana e da Honorável Ordem de Tara. O total de raios da estrela são oito, que um número unicamente feminino pois corresponde a soma dos terminais do XX no cromossomo feminino. As voltas espiradas de Tiamata correspondem a divina proporção expressa pelos números Fibonacci – a perfeita e divina harmonia expressa na natureza.O diagrama é baseado na Deusa Babilônica Tiamat, como Criadora Divina e Mãe de tudo, entrecortada pelos raios da Estrela de Ishtar. Ishtar subiu e desceu todas as esferas para resgatar seu Divino amante e Consorte, Tammuz, que é pastor das ovelhas celestiais. Nós usamos o diagrama para ilustrar o desenvolvimento da consciência através dos movimentos em espirais enquanto tempo corta o espaço.

3. O conceito da Estrela de Ishtar.

O conceito e chave para este diagrama nos foram revelado pela Lady Olivia Robertson através de inspiração divina. Foi desenhado originalmente para Olivia por Chesca Potter. As quatro voltas de Tiamat representam os quatro estágios da consciência. Os trinta e dois rituais são representados no diagrama onde os raios se encontram com o dragão em seus quatro planos de consciência, criando-se portais para se acessarem diferentes níveis de ser, dando espaço para se realizarem 32 ritos diferentes e um grau místico, o 33º que está situado no coração da Estrela de Ishtar. Olivia escreve: “Eu senti necessidade de manter o 33º grau aberto e, portanto místico, sem nenhuma correspondência com rituais, é um despertar espiritual espontâneo e pode acontecer a qualquer momento.” Os rituais da Irmandade são veículos que estimulam o desenvolvimento psíquico e a iluminação espiritual.

“O Diagrama da Estrela de Ishtar foi criado depois de um período de uma série de visões e experiências que levaram a formação gradual do diagrama da Estrela. Como todos os aspectos da Irmandade, o Diagrama é aberto. Você pode observar no inicio da Estrela algo parecido com uma cauda cósmica que leva até o rito numero um. Isso é por conta de que a espiral é um mapa, um cartaz multifacetado e sempre expansivo da existência. É o propósito da experiência espiritual nos sintonizarmos a consciência. Conforme vamos nos tornando mais conscientes, nós vamos mantendo as lições, visões e mensagens que recebemos de outra realidade. Não se engane, nós estamos em contato com o plano astral caso estejamos conscientes disto ou não. Faz parte do tecido universal, do que nos mantém, da nossa existência e de tudo ao redor.

Após criar a Estrela de Ishtar eu encontrei um diagrama chines, antigo, que contém um dragão que se curva sete vezes e uma estrela de oito pontas. Mais tarde fui descobrir que este símbolo faz parte da ordem Daoista da alquimia interna e que assim como a Irmandade de Isis, está de acordo com os mestres orientais! Como os professores do Oeste, eu vejo “agora” como tudo o que realmente temos. Esse “agora” é entrecortado por tempo e espaço. O tempo é emanado dos raios da Estrela de Ishtar, emanando em raios arco-íris para seus filhos que estão dispersos em sua criação. Essa teia da vida é o universo, ambos, físico e etérico. Tudo co-existe no corpo Dela, pois Ela é a Mãe de tudo. Eu fui guiada em visões para ilustrar a espiral cósmica Dela que eu interpretei como as voltas de Tiamat através da Deusa como criadora vem sendo conhecida por muitas culturas e nomes” (Olivia Robertson, Outubro, 2006).

4. Os quatro Níveis.

Os estudantes de Qabalah irão notar a relação entre a Estrela de Ishtar com os quatro mundo e trinta e dois caminhos da árvore da vida Qabalistica:

-Físico – Alma Mater (despertar para a nossa verdadeira relação com o mundo físico) Corresponde a terra (Nível Qabalistico: Assiah).

-Astral ou Psíquico – Flamma Vestae (Despertar de nossos dons psíquicos) corresponde ao Ar (Nível Qabalistico: Yetzirah).

-Espiritual – Porta Mystica (Despertar de nosso verdadeiro caminho espiritual) Corresponde à Água (Nível Qabalistico: Briah).

-Divino – Dulce Domum (Comunhão com a divindade de forma direta) Corresponde ao Fogo (Nível Qabalistico: Atziluth).

Estes níveis de existência espiralam de fora para dentro do útero divino da Deusa no centro da Estrela de Ishtar. O Ankh representa a emanação de vida de todo esse útero divino e os rituais numerados são como um caminho para retornar a este lugar espiritual bem como uma saída deste lugar. Os oito Raios Cósmicos da Estrela de Ishtar correspondem aos oito festivais solares que formam a roda do ano Irlandesa, as direções e os diversos e variados signos astrológicos e seus planetas. O estudante pode navegar os caminhos de diversas maneiras como:

-De fora para dentro da espiral (Para aumentar gradualmente o contato com a Fonte Divina).

-De dentro para fora (Para desenvolver os dons espirituais e manifestá-los no plano material.)

-Seguindo um ou mais raios (Para desenvolver união com O Divino usando um raio específico de energia arquetípica.)

Ou pode escolher qualquer ritual que esteja em ressonância com o momento, independente de ordem.

5. As cores dos quatro níveis.

Alma Mater é colorida de violeta à índigo.

Flamma Vestae é colorida de azul à verde.

Porta Mystica é colorida de amarelo à laranja.

Dulce Domum é colorida de vermelho à violeta.

6. Os oito Raios Cósmicos Coloridos.

Raio 0 & Viii, branco e arco-íris, correspondente á Terra e a Plutão, Norte.

Raio I, vermelho, correspondente a Marte, Nordeste.

Raio II, alaranjado, correspondente a Vênus, Leste.

Raio III, amarelo, correspondente a Mercúrio, Sudeste.

Raio IV, verde, correspondente a Júpiter, Sul.

Raio V, azul, correspondente a Saturno, Sudeste.

Raio VI, índigo, correspondente a Urano e ao Sol Interior, Oeste.

Raio VII, violeta, correspondente a Netuno e a Lua, Nordeste

Os rituais na liturgia são divididos em oito tipos diferentes de sessões e correspondendo aos Raios Cósmicos. O primeiro rito em cada sessão ou é uma tarefa pessoal assumida pelo estudante para obter novo conhecimento, ou uma função mundana descrevendo o despertar de uma relação divina e verdadeira do estudante com o mundo físico. O segundo ritual corresponde a um dos oito festivais solares da Roda do Ano, o terceiro é um estágio interior, transcendente, Elemental do estado de ser. O quarto rito corresponde a manifestação de uma habilidade específica ou experiência espiritual diretamente relacionada com este novo estado de consciência.

Nesses rituais mágicos Deus se manifesta nos mistérios exteriores como atributos que são visíveis no mundo físico. A Deusa representa os mistérios interiores ou conhecimentos, exceto no caso do planeta Vênus. Suas manifestações se manifestam no mundo como reprodução, amor e beleza física, sensualidade e na apreciação estética da arte. Nos mundos internos Vênus se manifesta como o amor espiritualmente elevado.

7. Correspondência básica entre cores, números, rituais e os Raios Cósmicos.

Quando estudar a estrutura dos degrais mágicos no sistema do colégio de Isis, é interessante ter em mente que Lawrence Durdin-Robertson foi fortemente influenciado pelos trabalhos de Alice Bailey, Charles W. Ledadbeater e Annie Besant.

Cada um dos oito raios da estrela de Ishtar corresponde aos raios cósmicos da Divina Inteligência conforme descrito nos trabalhos de Alice Bailey e Charles W. Leadbeater. Eles são fontes de força prânica. O propósito destes ritos é atingir uma determinada “nota” no nível de ser e então despertar a mesma “nota” em outras oitavas do ser através de símbolos e cores. A descrição elaborada dos roupões, coroas e outros símbolos ritualísticos no início de cada ritual coloca essas notas psíquicas em harmonia com a imaginação criativa do candidato e promove a visualização das energias a serem invocadas.

0 e 8º Raio Cósmico, branco e arco-íris: A cor branca é usada para purificar os centros etéricos e o arco-íris é para estimular todos estes centros de uma vez só. Assim preparando o individuo para receber a energia subseqüente dos próximos raios.

1º Raio Cósmico, Vermelho: Fortalece a Vontade.

2º Raio Cóscimo, Alaranjado: Estimula o poder Criativo.

3º Raio Cósmico, Amarelo: Desperta o Intelecto da Mente Superior.

4º Raio Cósmico, Verde: Cria uma Harmonia interna e Equilibrio.

5º Raio Cósmico. Azul: Abre os caminhos para um conhecimento interior.

6º Raio Cósmico:, Índigo: Percepção Espiritual através da devoção.

7º Raio Cósmico, Violeta: Conexão com o Self-Divino, despertar dos níveis superiores de percepção psíquica.


Quer saber mais? Entre em contato com o Iseum Rosa de Gaia: rosadegaia@yahoo.com.br

O texto original e outras informações em inglês podem ser encontradas no site www.thecircleofisis.com

O manifesto em português, bem como parte da liturgia podem ser encontrados aqui: http://lotuspharia.freeyellow.com/thecircleofisis/id48.html

Namastê

terça-feira, 16 de agosto de 2011

A Imperatriz: Prosperidade e Serviço.

“O mar é a origem da vida... Ela vem lá do mar. O mar é a origem da vida... Ela retorna pro mar.” – The ocean is the beginning of the Earth.

O que foi essa semana dA Imperatriz hein?! Muita coisa aconteceu, muita coisa mudou e muita coisa ainda esta mudando. A primeira coisa que eu percebi é que esta prática com o tarot esta viva, se direciona para um lugar desconhecido, um verdadeiro mistério, espontâneo e criativo. Que melhor momento para se perceber isso do que neste Arcano? A Imperatriz é Vênus, é Demeter, é a Mulher folha, completa, plena e mãe. No Olympus Tarot ela é representada por Aphrodite e confesso que essa imagem me deixou um pouco desconfortável a principio mas aos poucos fui entendendo o por que disso.

Durante essa semana que se passou tive meu irmão hospitalizado por conta de um grave acidente de carro, um acontecimento que abalou as estruturas da família e de mim mesmo. Foi uma oportunidade para refletir sobre o amor e sobre prestar serviço, sobre como essas duas coisas se entrelaçam e se multiplicam. Durante este momento vivi em mim uma face Imperatriz, tive que ser acolhedor, nutritivo e amoroso, dar suporte para a minha família e aceitar suporte deles. Esse acontecimento despertou um amor em mim que eu não sabia que existia, algo incondicional, puro e ativo! Esse amor me despertou para o serviço, o serviço em função de algo maior. Primeiro eu incorporei o sacerdote de Apollo que há em mim, e no pronto socorro tive que limpar meu irmão de todo o sangue, acolhe-lo e dizer que ia ficar tudo bem, mesmo não tendo certeza disso... uma dor imensa essa a da incerteza, enquanto limpava seu rosto, seus ferimentos eu rezava para A Grande Mãe, para Apollo e pedia, implorava, que não o tirassem de mim, que a água pudesse purificá-lo e que meu amor naquele momento pudesse curá-lo, nutri-lo e confortá-lo. Foram longas quatro horas no pronto-socorro, auxiliando no que podia, trocava a roupa, ajudava na troca de curativos, limpava o sangue e ao fim puder dar um pouco de água pra ele, finalmente ele estava se recuperando. A cada ato eu pensava no amor, a cada movimento em pensava em protegê-lo e acolhe-lo. Me entreguei para Gaia, me coloquei em suas mãos, meus serviços eu dediquei a Apollo e neste momento fui seu instrumento.

Pensando depois sobre todo o acontecido, pude ver o amor sem limites dA Imperatriz, Aphrodite, um amor que se manifesta na carne, um amor que ultrapassa barreiras, fortalecedor, um amor que exige serviço, ação. A semana foi passando e meu norteador foi o serviço, serviço desinteressado, um servir por amor, acabei “esbarrando” com textos e áudios sobre prosperidade, sobre a espiritualidade e o conforto material, aos poucos fui ligando os pontos e A Imperatriz foi se mostrando pra mim.

Em uma espiritualidade que reconhece o sagrado no corpo, honra o divino através da sexualidade e entende que o padrão se reflete na natureza, o conforto material e o dinheiro fazem parte de um culto, mas por que falar em dinheiro e serviço quando o assunto é espiritualidade se torna um tabu? Uma mentalidade pobre é tão desequilibrada quanto uma mentalidade gananciosa, certo? Seguimos alguns modelos, padrões e arquétipos inconscientemente como o de Buda que renegou seu reinado para se tornar um ser “elevado”, ou mais próximo ainda, o de São Francisco, que negou sua riqueza para se dedicar ao serviço em nome de Deus... Existe em nossa cultura um ranço cristão muito forte que coloca que no reino dos Céus o dinheiro é rejeitado, enquanto isso a Igreja manda o carne do dizimo na sua casa!

O dinheiro é uma abstração e em nossa sociedade é obviamente a moeda de troca. O que se busca é o equilíbrio, não a gulodice de querer sempre mais, provocada pela insegurança, mas ter o necessário. Ao invés de se voltar para o desejo, volte-se para a necessidade. O que você precisa para realizar o seu trabalho hoje? Compreender que o excesso deve ser trabalhado com o desapego é o primeiro passo. As folhas da árvore caem no outono para que novas folhas possam brotar. Com a prosperidade é a mesma coisa. Quando oferecemos serviço ao nosso Deus interior, quando o nosso trabalho é uma oferenda diária as coisas acontecem, tudo começa a mudar e o dinheiro vem como um meio e não como um fim. Por exemplo, eu dedico o meu trabalho de ensinar a Apollo, instrutor, iniciador, esclarecedor e com isso estou sempre aberto a mudança, sempre aberto a ser lapidado. Meu trabalho de ensinar forma seres humanos, claro que não é perfeito e o que é a perfeição? Mas eu me coloco a disposição de realizar um serviço com amor, amor por aqueles com quem eu me relaciono, pois amor é a comunicação divina. Quando eu estava cuidado do meu irmão ofereci esse trabalho a Gaia, Apollo e Hera, trabalhei com amor e me coloquei nas mãos Deles para dar o melhor de mim por amor.

Estamos em uma era em que a relação com os Deuses não esta mais sendo assimétrica, esta se tornando cada vez mais simétrica, ou seja, os Deuses como nossos pais nos orientam para que um dia nos tornemos pais como eles. É o que vemos em nossa vida, nossos pais são aliados, não estão mais em pedestais como estavam antigamente, eles trabalham para que um dia possamos ter tanto sucesso ou até mais que eles na vida. Durante este período eu fiquei pensando na minha relação sacerdotal, eu vejo Gaia e Apollo como Mãe e Pai e Hera eu vejo como chefe! É para Hera que eu ofereci meus trabalhos sacerdotais e é Ela que me orienta, qual caminho devo seguir para alcançar o que ela tem precisado e realizar o nosso serviço. Ela me fez uma proposta, me colocou um objetivo e juntos trabalhamos para que ele seja alcançado. Existe amor nesta relação e existe serviço, com isso a prosperidade acontece!

Eu em minhas orações peço sempre prosperidade e fazendo o meu trabalho na terra, conectando e oferecendo este serviço aos Deuses eu a recebo, pois faço um bom trabalho, pois dou sempre o melhor de mim e torno o ambiente ao meu redor mais nutritivo e acolhedor, eu estou agindo ao invés de reagir e isso é muito importante. Viemos de uma cultura que reage e o momento nos pede ação! Os instrumentos que eu preciso para realizar meu trabalho me são dados, eu confio. Prosperidade é diferente de abundancia, nessas horas é preciso ter foco! Eu não quero formigas em abundancia em minha cozinha, eu não quero contas em abundancia. Para sermos prósperos temos que realizar um bom trabalho com o que temos. Como é que vamos passar para sistemas mais complexos se não aprendemos com o básico? Se quisermos mais dinheiro, que tal começarmos a administrar melhor o que já temos? Se quisermos mais oportunidades, temos que aproveitar melhor as que já temos. Mentalize o que você quer, tenha foco e deixe que o universo te entregue as ferramentas para que o seu objetivo seja alcançado, sem ganância mas sem desapego também, fluindo. O primeiro passo é ser grato pelo que se tem, destacar para o Universo o que te faz bem e “ignorar” o que não tem te feito tão bem assim.

A Imperatriz é representada também como Iemanjá, a Mãe do Mar, ela é a “Deusa dos dez mil nomes e infinitas possibilidades”, A Imperatriz é sobre plenitude, sobre fertilidade e sobre serviço. No tarot de Thot ela me parece uma sereia, Aphrodite é a nascida do mar, é a mulher folha com seu caldeirão borbulhante de oportunidades e conhecimento, os mistérios que cada erva carrega em si. Durante a vivência com este Arcano me dei conta de que o amor constrói, nutre boas relações e espalha boas sementes que florescem e vão se multiplicando. É fazer de todo trabalho, um serviço espiritual, reconhecendo o divino em tudo.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Ser ou não Ser: Eis a questão.


Sempre digo que para sermos algo, temos que entender o que é esse algo, senão perde o sentido. O que é ser Brux@? Para descobrir fui atrás do significado da palavra, de onde veio, qual a origem e a que se referia. Segundo a Wikipédia (e também uma cientista em línguas amiga minha) a palavra Bruxo/a, com raiz Brux e "O vocábulo Bruxa é de orígem desconhecida provavelmente de orígem pré-Romana. No entanto existe uma provável relação com os vocábulos proto-celtas: *brixtā (feitiço), *brixto- (fórmula mágica), *brixtu- (magia); ou o Gaulês: brixtom, brixtia do qual deriva o nome da deusa Gaulesa Bricta ou Brixta.” Bricta esta ligada intimamente com a Deusa Sirona, relacionada a cura e transformação, muitas vezes consorte de Apollo Borvo ou Apollo Grannus. Bricta também está relacionada com Bright, uma Deusa da cura, inspiração e das nascentes. A influência solar que rodeia esta palavra é grande. Pesquisando mais a fundo, o nome Sirona está ligado com o radical proto-celta Ster, que é ligado à palavra estrela. Relacionando a Deusa às estrelas, à noite e seus mistérios. Em resumo, a palavra bruxo ou bruxaria está relacionada profundamente com cura e transformação.
Buscando referencias históricas os bruxos, xamãs, curandeiros, parteiras eram figuras centrais em sua aldeia (e onde existem ainda são!), ofereciam a comunidade serviços de cura, auxilio e aconselhamento, mediando, sendo o instrumento e intermédio do qual os Deuses e espíritos se comunicavam, era através destas pessoas que decisões eram tomadas, a aldeia preservava seus costumes e mantinha suas crenças de acordo com seus rituais. O conhecimento de ervas, do movimento das estrelas e ciclos da lua bem como os ciclos do sol, nascimento e morte, ritos de passagem, agricultura, tudo isso era relacionado com o trabalho do bruxo da aldeia.
Conforme nossa sociedade foi evoluindo, muitas coisas mudaram, começamos a sair de uma vida centrada no campo para uma vida mais urbana, em Roma os que viviam no campo eram chamados de Paganus, literalmente vida no campo e os que viviam na cidade eram chamados de Urbanus, vida na cidade. Obviamente os que viviam nos campos mantiveram suas crenças e seus costumes, estavam muito mais em contato com os ciclos da natureza, o seu alimento vinha da terra e suas crianças vinham pelas mãos de parteiras experientes, suas esposas sobreviviam ao nascer de um filho pelas ervas, cuidados e higiene dessas sábias senhoras. Tudo mudou, pois tudo sempre muda. Eventos importantes, políticos, marcaram esta mudança e o principal deles foi o estabelecimento da religião oficial do império ser o cristianismo, não foi o único, mas que muitos preferem lembrar até hoje.
E hoje em dia, o que é ser bruxo? Se para o parto e doenças temos os médicos, para a saúde psicológica temos psicólogos, para ensinar temos professores, o que é ser um bruxo na modernidade e se as funções mudaram, qual o motivo da palavra continuar sendo usada, já que está machada de pré-conceitos e mal-entendidos construídos historicamente? Starhawk coloca em seu livro “A dança cósmica das feiticeiras” que a palavra bruxa deve continuar sendo usada pois é necessário que os significados errôneos atribuídos a ela sejam modificados, as mulheres se sentem fortalecidas e os homens se permitem honrar os mistérios da natureza e de si mesmos quando evocam a origem desta palavra. Ao honrar a palavra Bruxo, honramos nossos ancestrais, curandeiros, parteiras, mestres e todos os que morreram nas fogueiras políticas da inquisição, sendo eles bruxos ou não. Eu gosto desta explicação. Precisamos (re)atribuir significado a essa palavra e tomar partido da causa. Ser bruxo atualmente é reconhecer os ciclos e viver de acordo com eles, é viver em harmonia com a natureza, é respeitá-la e respeitar a tudo e a todos como sagrados, pois somos todos iguais, é orientar e praticar ações que fortaleçam esse vínculo, é uma religião, no sentido Religare, é religar o homem com sua origem, a natureza.
Um bruxo compreende que não está sozinho no mundo, que as coisas não estão aqui para servir a humanidade, mas para que possamos em harmonia viver juntos, animais, plantas e elementos, é reconhecer que todos tem direito ao acesso a comida, água, ar limpo, é lutar por isso, pois somos sagrados como tudo o é! Ser bruxo é reconhecer o divino no próximo, é celebrar a vida e as oportunidades, é ser um eterno aprendiz, é através do seu trabalho transformar o mundo em um lugar melhor, ser a mudança que quer ver no mundo, dar o primeiro passo. É reconhecer e saber trabalhar com as energias ao seu redor, é honrar a lua e seus ciclos, é saber quando plantar e quando colher, é plantar escolhas responsáveis e se comprometer em colher as suas conseqüências, é saber que o sol tem seus ciclos assim como cada coisa viva, é reconhecer o padrão, ter vista panorâmica e se permitir viver este momento do agora. Ser um bruxo é amar a terra como nosso lar, é aceitar suas bênçãos, é ser consciente e ativo na transformação da sociedade, é reconhecer seus erros, suas falhas, é amar seu corpo, amar o outro, é gostar de fazer sexo e celebrar a sexualidade, é viver as diferenças e enxergar que elas são provas da criatividade divina, que nunca faz duas coisas iguais, é ser criativo e espontâneo, é reconhecer que existe muito para se aprender. É reconhecer e honrar nossos ancestrais, celebrar o passado e cultivar o futuro no agora.
E sim, para aqueles que buscam pensam que bruxo é ter poderes sobrenaturais, sim, vocês estão enganados pois nada existe que esteja fora da natureza. As habilidades e sensibilidade energética são capacidades humanas naturais, intuição pode ser exercitada e o futuro e passado se mesclam com o agora. Um bruxo é tão paranormal quanto qualquer outra pessoa.

E mais importante, um bruxo oferece trabalhos a comunidade, ele a nutre e a transforma, começa por si e depois expande para os que o circulam, sutil ou não, mas seu trabalho inspira a mudança e transformação. Ser um bruxo é estar comprometido com a mudança. É ser quem se é e acreditar que isso vai te levar longe, é estar em paz consigo mesmo. Ser um bruxo é muita coisa, mas principalmente é acreditar na imanência, na comunidade e na essência criadora. Isso é muito do centro de nossa crença, a partir disto muitas tradições variam em número, gênero e as vezes grau. Muitos podem discordar desta forma de visão, e está tudo bem, mas o importante é saber o que se esta celebrando.
O movimento #EuSouBruxo ressalta a importância de se tomar partido nesta empreitada, é como a reflexão com A Sacerdotisa me trouxe, é preciso vencer preconceitos em nome da nossa prática, desmitificar e clarear práticas e conceitos. Por isso sou a favor da causa, me orgulho de ser um bruxo pois foi isso que me trouxe onde estou, isso que me deu suporte quando precisei e é nas minhas crenças que me agarro nas alegrias e tristezas. Eu pelo menos tenho o que seguir, muitos estão perdidos, quem vive mais feliz?

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A Sacerdotisa: Tecendo Saber

Assim como a luz da lua transforma tudo o que toca em escalas de cinza, variando do branco ao preto, A Sacerdotisa fica no limiar, “entre pilares”, de interpretação misteriosa, nunca exata, mas sempre certeira como Ártemis, como os sonhos são, e estes são também território Dela, entre mundos.

Durante essa semana dA Sacerdotisa, uma oração me acompanhou, “Grande Mãe na qual eu vivo, me movimento e existo. De Ti tudo brota e a Ti tudo retorna”, da tradição Feri. Foi um bom norteador para explorar mais a fundo os significados deste Arcano. De primeira a carta que eu mais gostei foi a do Tarot de Thot, do Crowley, e as diferentes formas de representar a sacerdotisa nos outros decks me fizeram refletir sobre as maneiras como cada autor percebe essa energia, essa presença, cada uma tão única, uma energia tão plural.

Bom, vamos começar do começo. Segunda feira deu-se inicio a semana dA Sacerdotisa e foi segunda feira que eu fiz a minha tirada de lunação, sempre faço na lua nova. Segunda também comecei uma nova etapa no meu treinamento Feri. Tudo isso me foi moldando reflexões acerca do que é essa energia. Bem, primeiramente A Sacerdotisa é uma energia espiritual, e onde encontramos essa espiritualidade dA Sacerdotisa? Em todo lugar! Principalmente em nosso corpo, principalmente nas manifestações físicas, no dia a dia... O que faz um fruto amadurecer? O que faz a semente germinar? A lua mudar e o sol correr os céus, O que mantém os planetas em uma dança cósmica de harmonia perfeita e sincronizada? Gravidade? Também! Mas o que é a gravidade? A Sacerdotisa é senhora dos Mistérios, seu símbolo é a lua, sempre mutável e sempre constante, por isso decidi que durante essa semana iria anotar meus sonhos, um diário, para despertar a consciência para esse “Outro Mundo”, notar essa outra força que toma conta quando dormimos, o inconsciente. O que é por ele refletido?

A Sacerdotisa representada pro Crowley mostra uma Deusa lançando sua rede, teias, criando frutos e pedras preciosas. Isso me levou por um caminho de pensar a sacralidade como um todo, minha postura como sacerdote e como eu vivo a minha espiritualidade. O corpo é sagrado, belo e perfeito, como toda a criação da natureza, reconhecer em cada ato é ser espiritual, viver cada momento da vida como uma experiência divina é ser tocado pela Sacerdotisa, é imanência. Esta carta é representada no Olympus Tarot como Hera, uma irônica coincidência, já que meus trabalhos sacerdotais são dedicados á Ela juntando isso com um podcast da T. Thorn Coyle refleti sobre a maneira como tem-se vivido os caminhos sacerdotais. Até que ponto estamos produzindo espiritualidade ao invés de reproduzir? Até que ponto deixamos e vivemos os mistérios, de maneira espontânea, única e pessoal? Até que ponto permitirmos que aqueles por nós orientados possam viver os mistérios da Deusa de maneira pessoal, rica e produtiva? A sacerdotisa é a intenção por trás que constrói e dá sentido as ações, transforma cada trabalho em um trabalho espiritual, fluídico. Quantas vezes repetimos

“Que assim seja e assim se faça” mas quantas vezes essa frase tem realmente significado e não foi somente uma força do hábito, da boca pra fora? Essa foi uma das frases que acabou perdendo o sentido pra muitos! Que intenções colocamos por trás dela ultimamente? Ser um sacerdote é um exercício de se manter conectado com o divino propósito o tempo todo e nem todo mundo esta disposto a assumir tal responsabilidade. É um fardo pesado para ser carregado sem que haja compromisso.

Na mesma linha de raciocínio, vejo muitos pagãos cometendo o mesmo erro dos cristãos, personificar uma energia. A Deusa não é uma mulher, sua energia transcende forma e gênero, ela esta em tudo e em todo o lugar, usamos Deusa no feminino muito mais de forma didática do que de forma literal, a energia criativa é feminina e claro, as mulheres refletem em seu corpo muito melhor do que os homens esses ciclos, mas todos somos Deusa e Deus.

Tendo em mente que A Sacerdotisa representa essa energia, esse véu e essa teia que nos envolve, podemos nos tornar conscientes e despertar, sermos agentes de mudanças e transformações, reconhecer e identificar a intensidade e direção dessa corrente para podermos navegar a favor e não contra. Não podemos dominá-la e nem controlá-la, pois essa energia é como a terra, o ar, o fogo e a água, não podem ser controlados, mas podemos saber a melhor época para plantar e colher, podemos direcionar a água e usá-la em nossas casas, o vento para gerar energia e o fogo para transformar o alimento, sem controle, somente manejo. Precisamos também tomar partido, trabalhar em função de um mundo melhor, respeitar isso é ser espiritual, de que maneira o seu trabalho, o seu dia-a-dia reflete a sua crença espiritual, de que maneira você honra os Deuses com seu trabalho? Estar consciente de sua respiração é o primeiro passo para fazer acontecer, isso é reconhecer a teia que permeia tudo e todos, A Sacerdotisa, o sagrado corporificado, intrínseco em tudo que existe e em cada ato. Ela é a força que rege as marés, invisível e potente e que desperta em nós um potencial latente.

A Sacerdotisa é o inconsciente, e a intuição, o conhecimento tão sutil que não pode ser assimilado pelo cérebro, é o sentir, o saber instintivo, a presença mística de algo muito maior, o sentimento de conexão e a transformação, é o romper de uma semente, o brotar da terra, o desabrochar da flor, é a mudança de lua e os mistérios diários. É ter fé. Ela é Ártemis a virgem, donzela, Ela é Isis, a senhora dos dez mil nomes, ela é a singularidade de tudo o que é plural, é a magia, o tecer da vida, a mudança de consciência sutil que ocorre antes do circulo ser traçado, é Ela que percebemos quando levantamos os véus entre mundos.

domingo, 7 de agosto de 2011

Ritual


"Rituais afirmam os padrões em comum, os valores, as alegrias compartilhadas, riscos e tristezas e mudanças que fortalecem os laços de uma comunidade. Rituais conectam nossos ancestrais com seus descendentes, aqueles que vieram antes com aqueles que vieram depois. Rituais nos ajudam a enfrentarmos juntos aquilo que seria muito doloroso para ser enfrentado sozinho.
Uma comunidade viva desenvolve seus próprios rituais, para nos conectar com as mudanças, de estações, de lua, de nós mesmos. Quando queremos criar uma comunidade, os rituais são nossas ferramentas mais poderosas." Starhawk - Truth or Dare

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Pirâmide do Poder: Querer/Vontade (Velle) – Fortalecendo o seu corpo de fogo.



O corpo de fogo é o primeiro a ser trabalhado no trabalho com a pirâmide de poder, pois é através dele que teremos combustível para seguir adiante no trabalho mágico e é também através dele que vamos iniciar o fortalecimento do nosso poder interior. Durante esse mês uma serie de exercícios e meditações serão realizadas, o resultado será um corpo ígneo mais fortalecido, uma vontade mais intensa e uma capacidade de realização extra-ordinaria.

Pelo que a vontade é tão importante? É através da vontade que um bruxo começa a conferir poder a suas ações, é a capacidade de assumir compromissos e cumpri-los e com isso vem a capacidade de reconhecer suas limitações e assim escolher ultrapassá-las ou não. Com isso acabamos pensando mais em nossas palavras, refletindo mais sobre que tipo de compromissos se vão assumir e conseqüentemente um reconhecimento de si muito maior. No final das contas as coisas vão acontecer por que você falou que aconteceriam, pois assim o é na vida do bruxo. Querer é poder na realidade mágica, lembre-se sempre disso.

Fogo está também ligado a energia, a movimento energético e a motivação. De nada adianta uma vontade forte se não existe energia para realizar esta vontade. Justamente por isso os trabalhos com o elemento fogo e o fortalecimento de seu corpo mágico incluem o fortalecimento e condicionamento físico. Se você achou que ser um bruxo ia ser fácil, pare de ler este artigo aqui. A bruxaria está sim aberta e disponível para todos, todos os que estão dispostos a se entregar, a viver a magia da própria existência. Como tudo na vida, ser um bruxo e muito mais, ser um sacerdote exige dedicação, entrega e muito estudo aliado com prática, ou você conhece alguma área na vida que não exija isso? Você pode exercer medicina só por que leu alguns livros médicos? Você vai ficar com o corpo sarado só por que freqüentou um mês de academia? Você pode clinicar em psicologia só por ter feito terapia anos e anos? A resposta obviamente é não e isso se aplica também a vida sacerdotal. O retorno espiritual está diretamente ligado e é proporcional ao investimento que você coloca na prática, por isso o Querer/Vontade se relaciona com a motivação mágica.

Sem mais enrolaceira, vamos para as práticas! Durante este mês vamos trabalhar por semanas, separando em 4 etapas equivalentes a 4 semanas de um mês.

-Semana 1: Na primeira etapa você vai planejar, estruturar e organizar um momento de práticas pela manhã ou pela noite. Neste planejamento você vai incluir práticas e devoções, as orações e invocações se forem usadas e como isso vai acontecer, reserve no mínimo meia hora para essa prática (um modelo de prática segue no fim do artigo). Lembre-se, esta primeira etapa é de planejamento! É nesta primeira semana também que você vai procurar algum exercício físico para incluir na sua rotina diária, repense seus horários, sua rotina e inclua um exercício tipo caminhada, corrida, musculação ou se possível, alguma arte marcial, que deverá ser praticada pela menos 3 vezes por semana. É durante este primeiro momento que você vai começar a reparar nas coisas que se compromete em fazer e não faz, nas coisas que fica protelando, deixando para mais tarde e nunca saem ou são feitas, faça uma lista delas.

- Semana 2: Neste segunda etapa você vai começar a realizar o seu momento de prática matinal, escolha um período, ou pela manhã ou pela noite, melhor se for os dois! Durante este treinamento, durante estas semanas do fortalecimento do corpo de fogo você vai realizar este momento todos os dias, nem que você precise realizá-lo no banheiro! Durante esta semana também você vai dizer não toda vez que quiser dizer não, vai exercer sua vontade e não vai deixar ninguém ir contra o que você quer, esta

semana é sobre você, o que você quer, vai se impor. Comece o exercício físico, pelo menos 3 vezes por semana, uma caminha ou corrida pelo menos. E também vai separar sete afazeres da sua lista para realizar em cada dia da semana, e você não vai dormir enquanto a tarefa do dia não for concluída, isso é muito importante você vai cumprir o que se propôs a fazer e para isto acontecer vai ter que saber seus limites, por exemplo: Eu preciso Limpar e organizar toda a garagem, mas não tenho tempo hábil para tal, pois estudo e trabalho, chego em casa a noite... você pode colocar em sua lista então “Organizar as gavetas da garagem” e no outro dia “Varrer o chão da garagem” e assim seguir sua lista de afazeres. O mesmo é válido para aqueles que “não tem tempo” de fazer exercícios, que tal voltar do trabalho a pé? Que tal acordar meia hora mais cedo e se alongar, fazer um aquecimento tipo polichinelo e uns abdominais? Seja honesto com suas necessidades e faça tudo que se comprometer em fazer desta lista. Para aqueles que não terão itens o suficiente na lista, coloquem coisas como “Escovar os dentes por 3 minutos pela manhã” ou “Abraçar uma pessoa querida e desejar um ótimo dia”, entre outros.

Semana 3: Nesta semana você vai continuar com as suas práticas matinais/noturnas e vai incluir nela o exercício da vela: Acenda uma vela e a encare por no mínimo 10 minutos, sem deixar seus pensamentos vagarem, concentre-se na vela, evite ao máximo piscar, limpe a sua mente. Ao inspirar pense “Como eu Quero” e ao expirar pense “Assim o é!” Ao terminar este exercício, visualize que a chama da vela te envolve, purifica e te dá energia, te fortalece e te nutre. Vai também continuar com a lista de afazeres e com os exercícios físicos.

Semana 4: Continue com o exercício da vela nas suas práticas diárias, conecte-se com o elemento fogo. Continue com a sua lista de afazeres e caso tenham acabado as coisas para se fazer, inclua coisas rotineiras como “Colocar primeiro a meia no pé direito e depois no pé esquerdo”, “Dar um bom dia animado pra alguém do trabalho”, “Comer frutas no café da manhã”, seja criativo! O importante é realizar tudo o que você se propôs a fazer. Esta semana novamente vamos nos impor, vamos dizer não quando queremos dizer não, vamos nos comprometer a fazer somente aquilo que queremos fazer. Os exercícios físicos devem continuar, invente, tente... faça diferente =D.

Durante este mês exercitaremos o nosso corpo de fogo, ao fim do processo sua vontade vai estar afiada e sua motivação mágica também. Ao longo de sua vida, leve o que aprendeu neste mês, a cumprir o que se comprometeu a fazer, a se exercitar, a se impor e a ter um esquema de práticas regulares. Prepare-se para mudanças incríveis em sua vida com o inicio deste treinamento, esta é a primeira etapa de um processo que vai mudar a sua vida! Disciplina é a palavra chave, mas isso não significa que você não possa se divertir no processo! Aproveite e evolua como pessoa e como bruxo! Dúvidas, comentários e relatos, mandem um e-mail: orion_aleph@yahoo.com.br

Namastê!

Modelo para rotina de práticas:

Comece respirando profundamente pelo nariz, sinta seu corpo, as energias ao redor, sua respiração deve ser diafragmática, ou seja, movendo a barriga ao invés dos ombros. Agora aterre, lance suas raízes energéticas para a terra e crie esta conexão. Concentre-se e centre-se. Faça uma oração para a Grande Mãe e o Grande Pai, conecte-se com seu eu superior, self-divino, sem comprometendo a realizar o trabalho do seu deus interior, em se alinhar com os propósitos divinos, agradeça por mais um dia, pela orientação de seus guias e aliados. Acenda uma vela para sinalizar a presença dos Deuses.

Agora reserve de 15 a 30 minutos para realizar suas práticas, concentração, expansão energética, meditação, oráculos, cura, transe, criatividade, masturbação sagrada, auto-amor, purificação, enfim, uma infinidade de coisas.

Encerre este momento com agradecimentos, se quiser faça oferendas, apague (ou não) a vela e volte para a consciência rotineira.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O Mago: Ferramentas Divinas.


Parece que essa semana de trabalhos com O Mago durou um mês inteiro de tanto que aconteceu e de tão intensa que foi. Um breve resumo, a semana começou com na Segunda feira meu carro estragando na volta de Florianópolis para Joinville, problema de radiador que levou a quase o motor fundir, enfim, prejuízo na certa! Depois, na quarta meu celular, carteira e Ipod Touch foram roubados na minha mesa de escritório, em 2 minutos de bobeira que sai de perto, nenhuma câmera registrou o ato, elas filmavam, mas não gravavam, resultado, fiquei no prejuízo novamente. No entanto foi uma experiência valiosa para conectar-me com este Arcano.

Essa foi uma vivência diferente da dO Louco por vários motivos, mas por um bem óbvio: no tarot the Thot, do Aleister Crowley, tem 3 versões dO Mago! Uma oportunidade maravilhosa de ver diferentes pontos de vista de um mesmo artista. Também pelo fato de eu viver um pouco mais da influência planetária deste Arcano, que é mercúrio.

Dentre todos os O Mago dos meus decks o que eu usei como referencial desta vez foi o do Shadowscapes, sempre fui muito fã da Stephanie e o projeto de tarot dela foi acompanhado ansiosamente durante a minha adolescência, eu sonhava com esse deck muito antes dele existir e por isso até hoje ele é grande fonte de inspiração nas minhas experiências.

Pra começar O Mago me trouxe observações valiosas sobre os instrumentos que eu tenho ao meu dispor e a maneira com a qual eles estão sendo usados. O meu carro foi o primeiro exemplo disto, ele estava demonstrando problemas durante a viagem, mas a minha ignorância total quando se diz respeito a carros me impediu de identificar de imediato que o radiador estava com problemas, "paguei o pato" por ter que deixar o carro em Floripa para arrumar e ter as despesas da volta para arcar. Mas durante esse ocorrido, algo em mim me dizia que tinha algo errado, um conhecimento instintivo, meus ouvidos, olhos e tato captavam vibrações sutis, sons e movimentos estranhos, resultando num sentimento de perigo, uma sensação de ter algo errado que me fez parar na primeira oportunidade e verificar o que estava acontecendo, já que o painel do carro nada acusava, estava tudo bem a principio. O Mago tem um pouco disto, conhece os instrumentos que tem e por isso sabe usá-los da melhor maneira, junta uma sabedoria inata com uma habilidade construída para dar um direcionamento certo para cada coisa. Da mesma maneira aconteceu quando os meus objetos foram roubados. Eu me senti impotente frente a essa violação, de mãos atadas, mas este Arcano me mostrou que isso era errado, afinal, não sou quem pode moldar a realidade de acordo com a minha vontade? O Mago da história incorporado em mim falava mais alto! Primeiro eu precisava cortar essa onda de prejuízos ao meu redor, depois dar uma limpada no meu ambiente de trabalho e ainda conseguir minhas coisas de volta! Foi o momento de usar todo o conhecimento que eu tinha ao meu dispor para iniciar uma nova etapa, e para isso acontecer eu tive que quantificar o que eu sabia, o que eu conhecia e o que eu tinha para aplicar neste momento, o que a situação me permitia fazer. O Mago põe a mão na massa, arregaça as mangas e manda ver!

Outra reflexão interessante sobre essa carta que eu tive foi sobre os elementos que ele tem ao seu dispor. Na maioria dos decks que eu tenho, O Mago é representado com os símbolos dos quatro elementos, com o símbolo dos quatro naipes dos arcanos maiores representando suas ferramentas, normalmente segurando a sua baqueta, símbolo em muitas tradições do Fogo (e em outras do ar, mas não vou entrar nesta discussão agora), na maioria dos decks paus, a varinha, é fogo, a vontade, motivação e espiritualidade. O podcast da Leisa ReFalo sobre O Mago (Tarot for the Ipod) me despertou a atenção para algo mais, para o símbolo do infinito que está sobre a sua cabeça. Para mim foi um insight precioso notar que este símbolo é o 5o elemento, o espírito. O Mago, mercúrio, Hermes (Hermes Trimegistos) é o mediador entre mundos, é o ser conectado com o seu Eu-Superior, com o Seu Deus (como diz na Tradição Feri) e por isso atua consciente no mundo, em sua comunidade. Meus trabalhos e meditações seguiram este fluxo, de me conectar com o meu self-superior, um trabalho que já tem uma rotina feita por mim normalmente, mas desta vez foi especial, por isso que esta carta no Shadowscapes foi a que mais me tocou, pois ela representa este quinto elemento de uma maneira única e bela, são as asas do Mago, sua postura de equilíbrio e força de vontade, seus instrumentos e sua conexão. Perfeita. Essa conexão e este trabalho foram muito gratificantes pra mim, esse despertar da centelha divina, esse re-conhecimento, essa orientação e harmonia com os propósitos divinos é que me deram forças para acreditar que algo nesta semana tinha que ser vivido e aprendido. O Mago é mediador, ele é consciente de si mesmo e de suas ferramentas, os quatro elementos expressos e resumidos em seu próprio corpo, bem como o quinto, seu espírito e o Deus interior. Um símbolo que aprendi no Magickal Lightworker Program (MLP) para conexão com o Self-Superior tem um 8 dentro de um coração dentro de um sol com oito raios, esse 8 dentro do coração é o mesmo símbolo do infinito dO Mago. Tudo fez sentido pra mim neste momento. O Afro-brazilian Tarot também tem uma representação bem legal sobre isso, O Mago é o pai de santo, com uma conexão especial com o Orixá.

Mas nem tudo são rendas para esta energia, O Mago como mercúrio também rege a comunicação, grande ferramenta de socialização. Durante essa semana tudo veio abaixo por conta de falta de comunicação. Parecia que as pessoas não entendiam quando eu falava, parecia que eu não conseguia me expressar bem (e sim, não consegui fazer bom uso desta ferramenta), Hermes é o Deus dos “ladrões” também, e eu fui roubado, as câmeras não captaram, muito azar Né?! Hermes dando seu jeitinho de se mostrar pra mim. O Mago também tem disto, de confundir as pessoas, ele é o cara que fica na rua fazendo mágica pra pegar teu dinheiro, quem nunca ficou quase duas horas esperando alguém na rua realizar um truque de mágica e dando dinheiro pra ele não sabe o que é perder tempo! Mas os caras são muito sacanas, eles te prendem a atenção e fazem com que você queira ficar até o final do show, mas o final nunca chega e eles te vencem pelo cansaço, me venceram pelo menos. Como diz um amigo meu, O Mago é tinhoso! Mas é isso mesmo, ser O Mago é saber tão bem até onde se pode ir e usar isso em seu proveito, é ter maestria.

Por isso ele é o inicio, quando sabemos onde estamos, que ferramentas temos e somos bem orientados, podemos partir em busca de fazer diferente, em busca dos nossos objetivos, é ter, como diz o ditado: “A faca e o queijo em mãos”.