segunda-feira, 18 de julho de 2011

Repensando Imbolc: Arte como instrumento de transformação.


Imbolc, que época mais gostosa de para apreciar a natureza, um “boas vindas” a primavera, onde tudo começa a ficar mais colorido, mais animado e a promessa de vida nova transpira em cada ser vivo com o toque fértil e gentil da terra. Este festival era a celebração do inicio da lactação das ovelhas, um período de nutrição e o início de uma fase próspera para os agricultores. Mas hoje em dia, que temos leite na geladeira, o que Imbolc representa? Se em Samhain foi uma “morte” e em Yule um “nascimento” Agora é hora de dar inicio a esta nova fase, o resguardo da Deusa já passou e agora precisamos aproveitar este potencial de vida que desabrocha a cada dia.

Este festival também é marcado pela lua cheia em leão, o fogo, o senhor e rei da floresta, que como estereótipo tem marcado a busca pela atenção e um narcisismo, por isso Imbolc também é uma época para valorizarmos nosso ser, agraciarmos nosso corpo, elogiarmos e nos tocarmos, sentir prazer com nossa companhia e criar! O fogo de Brigit é criativo, inspirador e nutritivo. Deixar a criatividade rolar, buscando inspiração na vida ao redor e em nós mesmos, celebrar este fogo divino, nossa herança, nossa essência, é celebrar a criatividade, criando nos aproximamos dos Deuses e exercemos nossa natureza que é produzir e espalhar nossa cria por todos os lados.

Criar é um ato muito especial e valoroso, durante o processo criativo absorvemos nossa realidade concreta, objetiva e através de nossa realidade pessoal, subjetiva a transformamos em algo novo, que carrega em si um pouco da pessoa que a criou e um pouco da realidade exterior, algo diferente e transformador.

A pessoa que cria o faz a partir das relações que experiencia em sua vivência social, atribui significado a esse mundo objetivo, tornando-o único e humanizando esse coletivo de maneira pessoal. Todo o processo de construção deste sujeito se dá em seu meio social e por isso a história deste contexto se torna a sua história de alguma maneira. O tornar-se humano compreende a capacidade de transformar e modificar a realidade, sendo mediado por palavras, escritas ou faladas, atos, movimentos e arte, neste processo de transformação e criação, a pessoa acaba se modificando, atribuindo novos significados a partir daquilo que se apropria, reorganizando seu meio através da expressão deste filhote seu, sua cria.

Para que seja possível a criação de algo novo, é necessário experienciar a realidade e a partir disto surgir a necessidade de se pensar em algo que supra certas carências deste real. A maneira como se sente a realidade e como a pessoa a percebe é determinante na mediação de toda e qualquer relação. Tudo o que acontece na fantasia e na imaginação influencia nos sentimentos que mesmo sendo incompatíveis com a realidade, não deixam de ser reais. Tudo o que nos rodeia, produzido pelo homem, foi em algum tempo fruto da imaginação humana, despertada a partir de necessidades, sentimentos e pensamentos. O mundo da cultura é produto da imaginação.

Imbolc também é um festival de purificação, luz solar e inspiração, é repensar nossa realidade e transformá-la pelo fogo criativo e divino, então uma ótima idéia é juntar as roupas de inverno, cobertores e sapatos que talvez não nos faça falta e doá-los a entidades carentes que façam melhor proveito, é doar-se em trabalhos comunitários e serviços sociais que tragam muito mais do que dinheiro, mas satisfação pessoal e enriquecimento da alma, é aliar-se a causas que nos tocam e mudam o mundo para melhor. O serviço comunitário, como coloca T. Thorn Coyle é o primeiro passo (e um passo constante) para aqueles que querem ser agentes de mudanças, líderes de comunidade e de círculos, pois nos coloca em contato direto com nossos semelhantes, nos lembra de nossa capacidade de servir com amor e respeito, nos ensina dignidade e afeto por todos que são nossos irmãos e tão especiais quanto cada um de nós. Cozinhas comunitárias são uma ótima pedida neste festival, pois celebram o alimento, a nutrição, o leite de Imbolc representado de diversas maneiras. Reconheça o fogo divino que queima em cada ser, em toda a criação e respeite, ame e espalhe esse amor.

Faça também uma limpa em sua casa, deixe a luz do sol entrar e o vento fresco que anuncia a primavera correr por todo o seu lar, faça uma movimentação física, muito mais do que energética para que a vida se mova pela sua casa também, livre-se aos poucos do que não te faz mais bem, do que foi utilizado em uma estação passada de sua vida e permita que um novo ciclo inicie em Imbolc.

Neste festival ame-se, cuide-se, celebre-se tanto e de tal maneira que a inspiração e criatividade transpire pelos seus poros, crie, escreva, dance e cante, celebre a sua vida e quando sentir-se totalmente amado por si mesmo, compartilhe esse amor com os outros, abrace, beije, faça amor e faça com que essa chama divina seja brilhante, reanime a chama divina no mundo, em cada um. Purifique-se, purifique seu lar, suas relações e sua comunidade, transforme o que você não precisa mais em algo útil para alguém ou alguma coisa, torne-se um pouco mais útil pra a sua comunidade recebendo em troca mais amor e afeição. Este festival é sobre você e sobre a maneira como você se ama e como isso afeta a maneira como você ama os outros e se permite criar, acessar a sua natureza criativa e tocar os outros, transformar os outros e nutrir a tudo e a todos com sua boa vontade e alegria de viver. A primavera está ai, aproveite!!

Namastê.

3 comentários:

  1. Belíssimo texto!!! Para mim a comemoração é de Lammas, mas o modo como tratou a arte de fato me tocou profundamente, é exatamente assim que me sinto quando crio... É uma gestação enquanto o momento de confecção do produto e quando pronto é o nascimento de mais um filho... Viajei... Beijos querido!!!

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  2. Rayto, mas a arte é sobre viajar mesmo... buscar algo e dar a luz ao novo!! Lammas tambem tem um pouco disto, de agradecer o dom da vida e de criar vida... sempre!

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