sexta-feira, 18 de março de 2011

Poder Interior


Este texto é sobre invocar o poder, um poder muito diferente do que nós geralmente conhecemos (o poder-sobre, a dominação), já que este poder-sobre é o poder da arma, da bomba, do extermínio e da aniquilação.

Qndo você se sente desconectado? Quando você se sente afastado da Deusa? Quando você sente que a deusa se afasta de você? E quando você se sente poderoso, que pode fazer tudo e nada te segura? Qndo se sente conectado, inteiro e completo?

O poder que sentimos numa semente que cresce, no desenvolvimento de uma criança, quando escrevemos, cantamos, criamos algo e tomando decisões, esse poder nada ter a ver com o poder de aniquilação, tem mais a ver com a raiz da palavra Poder, do latin Podere (ser capaz, ser hábil) e esse é o poder que vem de dentro.

Somos parte de um circulo, não somente aqui no groove, no coven ou no grupo de estudos, mas em nossa comunidade também, quando plantamos, colhemos, escrevemos, curamos, corremos no parque, quando fazemos aquilo que tememos, não estamos separados! Somos do mundo e uns dos outros, e o poder interior é enorme senão invencível! A pesar de podermos ser machucados, nós podemos nos curar, a pesar de cada um de nós poder ser destruido, humilhado, dentro de nós existe o poder de se renovar, transformar e crescer e sempre há tempo de escolher este poder. Essa mesma força que pulsa em nós, este mesmo poder, pulsa na natureza, nas coisas, com isso poder interior é mais uma postura, um ponto de vista, uma atitude frente ao mundo que vivemos, uma escolha.

É essa consciência que Starhawk chamou de imanência, a noção de que o mundo e tudo ao nosso redor esta vivo, dinâmico, interdependente, interagindo e infundido com movimentos energéticos numa criatura viva, numa dança transformadora. Somos Deus e essa energia que flui de dentro é Deusa, impelindo a mudar, a transformar e a crescer.

Escolher ser Bruxo é escolher assumir responsabilidade pelos atos, é o poder de escolha, é poder dizer “Não, isso me machuca” “Não, isso me prejudica, doi e me faz mal” é ter o poder de transformar em suas mãos e aplica-lo. É ser e existir com consciência, é interagir e estar em relação com o outro e estar em relação é ouvir, prestar atenção, ser honesto e deixar que aos sentimentos seja dado um direcionamento sadio, é saber se expressar sem machucar, é saber do impacto que suas escolhas tem na vida do outro e na vida da comunidade, é escolher consciêntemente.

Fortalecer o poder interior é uma prática constante, é confiar no poder interior do outro, é saber que cada um tem o poder de mudar dentro de si, é uma postura de se responsabilizar pelo caminho que sua vida tem levado, deixar que a máscara caia, é falar a verdade, pois sabe-se que não existe nada que magoe menos do que a verdade e assumir seus erros, abraçar seus defeitos e estar aberto as mudanças. Ao fazer isso livra-se do sentimento de culpa, esse sentimento impregnado em nossa dinâmica social por anos de partriarcalismo, um sentimento que remete a punição e não a reparação. Substitua a culpa por responsabilidade, assuma seus atos, pois quando pensamos sobre a nossa atitude, sobre as nossas relações de filho, pai, marido, amante, estudante, orientador e o que for, quando estamos inteiros e completos em cada relação, nossos atos valorizam também o outro.

A verdade confere poder a palavra, é algo que cada um cria pra si, algo muito importante na bruxaria bem como na vida, é pensar antes de falar pois a criação tem inicio no plano mental, depois ponderar seus sentimentos e encontrar a melhor maneira de expressa-los e somente então criar o verbo, a palavra que pulsa e transforma. Para conferir poder a sua palavra começe cumprindo o que diz, começe a valorizar o seu dom de falar, começe a escutar para poder ser escutado, começe falando a verdade, pois quando como você vai acreditar no que diz se sabe que metade do que sai da sua boca são mentiras, calúnias e farpas? Se assumiu a responsabilidade, cumpra! Se prometeu algo, faça de tudo para realiza-lo, isso implica auto-conhecimento, ou melhor, um reconhecimento de si, de seus limites, de suas dores e de seus desafios. O primeiro a acreditar em você é você mesmo, o seu self, somente então as outras pessoas começarão a acreditar e com isso, tudo ao seu redor vai atender ao seu chamado, pois este é verdadeiro, expressa o que se passa no coração. Quer que algo mude? Comece mundando a si mesmo, pois automaticamente as coisas e pessoas ao seu redor irão mudar!

E isso tudo não é somente uma filosofia besta, algo voltado para a auto-ajuda, o poder interior é real, pode ser sentido, pode ser expressado e concretizado. É o poder realizar, o poder dizer o que se pensa e poder tomar partido, tomar decisões e tomar atitudes, o medo não existe mais, pois foi substituido pela responsabilidade, desconfiança não existe mais pois foi substituida pela confiança, pelo apoio mutuo, os seus sentimentos fluem e são expressos, antes de ser sincero e honesto com os outros, você é sincero consigo mesmo.

Com isso a Deusa pode ser vista como o símbolo maior da imanencia, do poder interior, pois é uma incorporação da natureza, dos seres humanos e da carne, a Deusa não é somente uma, é várias, vista em constelações e em muitas formas com muitos nomes, é o fogo, ar, terra, água, lua e estrelas, sol, flores e semente, donzela mãe e anciã, é o branco, vermelho e negro e inclui o masculino em seus atributos pois é também filho e amante, o grão e o ceifeiro, luz e escuridão. Mas é DeusA não para denigrir o macho, mas para cultuar essa energia de criação e cri(atividade), valorizando este potencial no mundo.

Por isso nos encontramos em círculos, pois somos todos iguais, com as mesmas capacidades e os mesmos atributos, a Deusa é plural, se manifesta de diversas maneiras e cada uma única, carregando a semente de se tornar tudo dentro de si. Por isso poder-interior tem como sinônimo Integridade, pois quando despertamos essa força nos tornamos íntegros, nos tornamos um com o todo e tudo se torna possivel.

Poder Interior pode, muitas vezes ser melhor entendido quando compreendemos o seu contrário, o Poder-Sobre. Quando precisamos nos afirmar e isso diminue o outro, estamos exercendo o poder-sobre. Quando nos sentimos diminuidos, humilhados, censurados e barrados, estão excercendo sobre nós o poder-sobre. Quando a possibilidade de escolher nos é tirada, quando a possibilidade de atuar conforme a nossos princípios sadios nos é negada, quando cortam nossas madeiras, vendem nossas terras, prostituem nosso minério e ficamos calados deixando que tudo isso aconteça, estão impondo seu poder sobre nós e deixamos de aplicar o nosso poder-interior, o poder de dizer “Chega! Essa terra é minha vida, que alimenta a minha familia e me dá abrigo”. A arma mais poderosa do poder-sobre é a violência, em todos os niveis. A arma mais poderosa do poder-interior é a escolha! Podemos escolher ficar de braços cruzados, mas que esta seja uma escolha consciênte, para que possamos arcar com as responsabilidades.

A Figura que escolhi para ilustrar este post é a carta 7 de paus do Shadowscapes Tarot, que evoca toda essa questão se assumir uma postura, de proteger a sua comunidade, de ter voz ativa e fazer acontecer.

terça-feira, 15 de março de 2011

Repensando a roda do Ano: Mabon, uma releitura.


“São as águas de março fechando o verão, é a promessa de vida no teu coração”. Águas de março - Tom Jobim

No grupo de bruxaria que participo laçamos um desafio, um projeto, uma reflexão: Repensar a roda do ano, refletindo sobre os aspectos astrológicos e físicos, naturais que acontecem ao nosso redor. Esta proposta foi inspirada pelo livro da Starhawk “The earth Path” que instiga a ouvir e perceber os ciclos da terra ao nosso redor e elaborar rituais que honrem esta mesma terra, esta mesma dinâmica. Não cabe a esta mera introdução explanar o por que disto, mas coloco que o objetivo final é sair desta alienação que a Roda do ano Celta nos coloca, que por algum motivo foi incorporada como padrão de celebração entre os bruxos modernos.

Motivado por toda essa chuva que cai aqui em minha cidade e por saber que este também não é um evento isolado ao sul do país ou menos ainda a minha região (moro em Joinville-SC) e ainda mais por estar em clima de organização de Mabon me peguei refletindo sobre o que a natureza ao meu redor esta dizendo (as vezes gritando) neste momento específico. O primeiro e óbvio simbolismo que me veio a mente foi água, então comecei deste ponto.

Água, quando penso em água penso em vida, penso em inconsciente, penso em mistério, penso no oceano, nos lençois freáticos, penso em intuição e penso também em Manannan, divindade Celta, guardião dos portões entre os mundos. Aprofundando mais a minha reflexão, pensando no círculo, água, oeste, último ponto cardeal do qual oriento o estabelecimento do espaço sagrado antes de voltar para onde tudo começou: a terra, o sul. Seguindo a lógica Terra-Morte, Ar-Nascimento, Fogo-Juventude e Água-Amadurecimento para voltar a Terra-Morte, percebi que Mabon tem essa essência Água, amadurecimento, sentimento e como um signo de algo maior, a lua, reflexão.

A chuva aproxima as pessoas, a chuva motiva a ficar na cama, assistindo um filme, a chuva lembra o frio. Mas como tudo na vida tem um lado oposto, a chuva é recebida com alegria por quem aguarda ansiosamente, a chuva refresca e é uma dádiva. Assim como a energia de Mabon. É um periodo de resguardo, de reflexão, é um periodo de agradecer também e de após um verão intenso, descançar, é o periodo que prepara o Deus para a viagem ao submundo, é o período de agradecer pelo caminho árduo da vida.

Fazendo uma alusão ao poder da água, perceber-se que a usamos muita vezes para limpar, para purificar, para relaxar. As águas do mar limpam, purificam, as lágrimas liberam sentimentos que muitas vezes nos bloqueiam, a água nos ensina o desapego. Os rios do Hades no levam ao outro mundo, Mnemosine nos limpa de memórias da vida passada e as enchentes muitas vezes nos levam o que temos de mais caro em bens materiais.

Mabon é um periodo que pede recolhimento, reflexão sobre o ano que passou e o ano que esta por vir, é a entrada do sol em Áries, a energia do nascimento, a energia que motiva, este festival também impele a mudança, a transformação, a dar início ao novo. Renovação, uma preparação para se transformar, áries traz a pergunta: de onde tiraremos força para recomeçar? Mergulhando fundo em nossos pesares e apegos, encontramos a semente de vida que cai em Mabon, encontramos a nossa sombra, com a qual precisamos nos integrar para sairmos mais fortes, nossa sombra são nossos medos, angústias e padrões que não reconhecemos como nossos, mas que quando integrados a psique nos garantes energia, nos fortalecem e agem a nosso favor. Amadurecimento, é durante esta fase que nos engrandecemos e nos preparamos para (re)nascer em Yule.

Ouvindo a terra ao nosso redor ela nos pede que respeitemos os rios, o oceano, a água que bebemos, pois ela é sábia, ela é sagrada. As chuvas fertilizam a terra, a chuva intensa causa o caos e destruição. De que maneira nossos sentimentos aprisionados, aos quais estamos apegados (luto, tristezas, culpas e remorsos) também não criam o caos e nos enchem de pesar? Honrar a água da terra é aprender a honrar a nossa água interna e permitir que ela corra sempre livre, expressar nossos sentimentos livremente, dar um direcionamento sadio para eles, construir, fertilizar e manter as nossas relações. Mabon promove a aproximação, o re-descobrimento de si, deixe que como as folhas das arvores, seus pesares caiam também para dar espaço ao novo, ao renascer, a fertilidade. Vamos honrar as águas de março e deixar que elas encerrem os verões de nossos problemas e apegos para que a promessa de vida nova e renovada possa surgir e vir completa.

Então proponho que pensemos em Mabon como um festival da água, que durante esta época possamos repensar o uso deste bem tão precioso, do impacto dele em nossas vidas e também de que maneira nossas ações contribuem para que todos tenham acesso a água limpa e pura. Que durantes os ritos de Mabon nossos sentimentos sejam purificados, ditos livremente e aceitos, transfomados, que o ritual tenha uma parte que honre as ondinas e os espiritos transformadores da água, que possamos deixar a energia fluir livremente, que os rios e riachos possam ser limpos, que possamos colocar em nossas orações e cones de poder intenções de purificação do oceano, as criaturas marinhas e que possamos honrar os espíritos das chuvas e honrar também o que a chuva trás. Oferendas a divindades do Mar ou dos rios, trabalhos comunitários que foquem a conscientização do uso sábio da água ou mesmo a limpeza física de uma praia, riacho ou corrente. Por que não reunir os irmão de coven e fazer um multirão na praia pra recolher o lixo que pode ser levado para reciclagem (que faz parte de Mabon também), ou juntar o pessoal e limpar um corrego perto de sua casa? Respeitar a água que bebemos e usa-la com sabedoria, pensar no tempo que levamos tomando banho, os litros que usamos para lavar roupas, carros e calçadas criar alternativas sadias e limpas de racionar a pouca água limpa que nos resta.

sábado, 12 de março de 2011

Sexo, Energia e Eros

DO LIVRO "DREAMING THE DARK" - STARHAWK

Sexo é energia. É que garante a movimentação física e pode ser denominado como excitação, animação.A intensidade, o movimento da energia vital, essa força que não se limita aos seres humanos mas está presente na terra, no ar, na água, no fogo, nas plantas e animais, em todos os seres vivos. Compreender que o erotico é uma energia confere a oportunidade para um relacionamento potencialmente erotico com a terra. Nós podemos amar a natureza, não de uma forma abstrata, mas de uma maneira carnal, com nosso corpo e ossos, esse amor que se reflete na vida selvagem pode nos motivar a proteger essa mesma natureza, nos dando a força profunda de que precisamos. Esse amor é a conexão, quando o sentimos profundamente, talvez com uma árvore, quando sentirmos que a sua aura se mescla com a nossa, com o nosso corpo, sentindo a energia fluir pelo solo e suas raízes, nos permitindo mergulhar e sentir-se um com o Ser-Árvore, assim então poderemos manter a luta para afastar os machados e serras de seus troncos, a radiação extrema de suas folhas, pois a amamos profundamente e esse amor nos conecta a tudo.

Reconhecer que o erotico é uma forma de energia é restaurar eros (A raiz da palavra erotico, o Deus grego do amor que une) em todo o nosso corpo, escapar da limitação de o te-lo em algumas pequenas partes de prezer em nosso corpo. Assim todo o organismo fisico se torna um orgão de desfrute e prazer. Com isso podemos responder com prazer a toda a beleza plural que existe neste mundo vivênte.

Eros como energia molda muitos aspectos de nossa cultura e aparece de muitas maneiras: cru, uma luxúria instintiva, um amor pessoal e criador de laços afetivos, bem como o poder de curar, de aprender, de criar, já que tudo isso é investido de amor, investido de Eros e teoricamente exercido com amor. O sexo instintivo, a luxúria animal, foi reconhecida em outras culturas como uma força sagrada. Eros indomado era conhecido por gerar uma energia poderosa que foi conectada com o crescimento e a fertilidade de plantas e vida animal. Os ritos conhecidos como “Ritos de Fertilidade” representados nos campos e as orgias sagradas que honravam a sacralidade do instinto e o poder da força vital que pulsa em humanos não menos do que em outros animal.

É difícil para se imaginar como se dava esses rituais. Na nossa cultura, tudo o que é impessoal é supervalorizado. Se experimentamos o sexo casual, luxurioso, não é no contexto de nos conectarmos – de nos reconhecermos como natureza bem como animais – mas no contexto de tornar o outro ou a nós mesmos objetos. Então a jovem que oferecia a virgindade nos portões da Babilonia são conhecidas hoje como prostitutas, ainda que em sua sociedade elas estivessem agindo como sacerdotisas da Deusa, honrando-A e seus instinto e honrando também o Deus Eros seja qual for a forma que ele se apresentasse.

O erótico é o pessoal. A energia que se entrelaça e cria vinculos, une – talves, realmente isso seja o resultado do que o erótico realmente seja. – cria um vínculo que não é baseado em exploração. O erótico aqui é visto como um meio de conectar as pessoas e as coisas, de crescer e dar um propósito e nos dar prazer. Sexualidade é o meio com o qual nós, adultos, experienciamos essa dança única e íntima, enraizadas profundamente nas cavernas do corpo. Pois é durante o sexo que mergulhamos, deixamos acontecer, nos libertamos, nos tornamos um com o outro, nos permitirmos ser cuidados, acariciados, envolvidos, nos permitimos deixar que toda essa sensação de separação se dissolva. Mas é no sexo que também sentimos nosso impacto no outro, vemos nosso reflexo nos olhos do outro, nos confirmamos e afirmamos, nosso poder e nosso ser e também como seres humanos, fazendo o outro sentir.

O erótico pode ser a ponte que liga o sentir com o agir, pode infundir nosso senso de capacidade e controlar com as emoções para que isso se torne a serviço da vida e não destrutivo. No dialeto de se fundir e separar, o erótico pode confirmar nossa singularidade enquanto afirma nossa unicidade profunda que se conecta com todos os seres. É o reino em que o espiritual, o politico e o pessoal se tornam um. Uma verdadeira transformação do nosso mundo requere que reinvindiquemos o erótico como um poder interior, o poder de escolha, o poder fazer!

Erotismo é ser e estar em relação, é ter noção do seu impacto na vida do outro, é estar inteiro e completo, sendo honesto consigo mesmo e com o outro.

A troca de energia erotica cria padrões, formas, entidades, uma energia estruturada. Tradicionalmente é a base da família. Pode ser o modelo de criação de laços para todas as sociedades e associações, todas as conexões livres. A familia reflete a cultura, que reflete consequentemente a família em uma dinâmica dialética. E as crianças como crescem dentro das familias, acabam refletindo a sua estrutura na formação de seus Selfs mais profundos. Então a nossa psique cresce em padrões de autoridade e dominação.

Aprender e ensinar, também podem ser afazeres eróticos – e não exercícios estéreis em demontração de capacidade intelectual, mas jornadas unidas. Não é somente explicar a Deusa, é invoca-La, criar um vínculo, elevar Seu poder para que cada estudante saiba como Ela é em seu próprio corpo, do seu jeito, único, individual. Nosso objetivo como orientadores não é demonstrar nosso conhecimento ou poder, mas criar um contexto que evoque o poder interior de cada um dentro do circulo.

O trabalho também pode se tornar mais vivo com o poder do erotismo. O propósito dos antigos ritos de fertilidade não era somente acordar o poder da terra e leva-lo para o solo preparado para abençoar as sementes do ano.Era para investir de energia até mesmo o trabalho de plantar, colher e arar com lembranças evocativas, para conectar o trabalho com as forças mais profundas de vida e morte.

Claro, nem todo trabalho é prazeroso ou potencialmente sexual. Mas mesmo assim em nossa rotina diária, nós podemos sentir nosso impacto no mundo, nos ver espelhado nas mudanças que nós mesmos criamos – quando concertamos algo que está quebrado, limpamos algo sujo ou construimos algo que não existia antes.

Magia Sexual.

Ensinamento esotéricos sempre descreveram a natureza da energia como tendo polaridades. Polaridade é uma qualidade da energia, um fluir, assim como a corrente elétrica que é gerada por dois polos distintos, negativo e positivo. As correntes polares são forças poderosas, e geralmente o treinamento mágico é focado em aprender a reconhecer e canalizar essas correntes.

O aspecto mais simples da polaridade é a energia que flui entre homens e mulheres. Em muitos grupos tradicionais da arte, grupos tântricos e algumas tribos nativas americanas, a polaridade Macho-Fêmea é o supra-sumo, por assim dizer, que faz a magia acontecer. Então alguns covens insistem em ter um numero igual de homens e mulheres e alguns shamans homens precisam ter uma conexão mais íntima com uma mulher visando gerar energia e força.

No entanto, polaridade pode ser também criada internamente. Se uma mulher criar um ser masculino internamente, ou um homem criar um ser feminino internamente, a polaridade pode fluir entre uma pessoa e o self-companheiro. É importante dizer que não se deve associar agressão ou passividade ao self-companheiro, comportamentos muito comumente associado a ser macho ou ser fêmea. O self-companheiro não é o Animus ou Anima como dito por Jung, não completa a personalidade, muito pelo contrário, é uma fonte de energia. Fazendo uma analogia metafórica, criar um self-companheiro é como construir um gerador de energia próprio em seu porão ao invés de estar conectado com os cabos da compania elétrica.

E polaridade não precisa ser gerada necessariamente entre parceiros de acordo com o modelo héterossexual. Existem correntes Fêmeas-Fêmeas e Machos-Machos de polaridade, e cada uma delas pode ser gerada tanto por uma parceiria física quanto pela criação de um self-companheiro. Isso vai depender de com o que você se sente mais a vontade, um homem pode criar um self-companheiro macho assim como uma mulher pode criar um self-companheiro fêmea. As correntes podem ter um sabor diferente, mas serem iguais em força e muitas vezes até mais fortes que as polaridades heterossexuais. Cada forma de polaridade que a pessoa escolher trabalhar varia conforme uma escolha pessoal e inclinação. Mas dentro de uma comunidade saudavel, todas as formas são necessárias para que a harmonia seja sustentada.

No entanto polaridade não pode ser descrita totalmente, somente experiênciada. Os leitores que se sentirem prontos para esta experiência podem tentar realizar alguns dos exercícios a seguir:

O espellho:

Em um lugar reservado e confortavel, fique nú na frente de um espelho que reflita o seu corpo todo. Coloque uma vasilha de água com sal em frente a seus pés. Concentre-se, firme suas raízes e centre-se. Olhe para o seu corpo e goste do que esta vendo! Sinta prazer em olhar para cada parte do seu corpo.

Se você nao gosta do seu corpo, você não está sozinho. Muitos de nós em nossa cultura fomos treinados para odiar nosso corpo, em desejar que ele se mostrasse diferente.

Imagine que esse sentimento de desgosto pelo seu corpo é um fluxo grudento, ruim que flui para fora de você através de sua respiração e segue para a água salgada. Pegue a vasilha e respire sobre ela, faça sons que ajudem a carregar todo esse muco de sentimentos ruins para fora.

Quando se sentir pronto, relaxe. Respirando profundamente, com o seu abdômem, capte a energia da terra através de suas raízes energéticas como se fosse um córrego de águas cristalinas e límpidas que flue através da sua respiração para a vasilha de água salgada e limpa toda a negatividade. Quando sentir que a água salgada esta limpa e brilhante, tome um golinho – pois você não esta tentando se livrar de seus sentimentos negativos, você está os transformando para libertar as energias quecontém neles

Repita esse ritual em intervalos regulares até que você consiga amar o seu corpo. É interessante tentar outras atividades novas como dança, massagem, caminhadas ou algum outro esporte que permita que você se sinta forte e aprecie o seu corpo e o modo como ele é, exercícios físicos são sempre saudáveis, aprenda a amar o seu corpo do jeito que ele é.

O duplo:

Novamente, fique de frente para um espelho. Concentre-se, firme as suas raízes e centre-se. Observe o seu corpo e goste dele! Agora imagine que o seu reflexo é um gêmeo seu. Seu reflexo é um amigo querido, alguém que te ama. Deixe que um sentimento de carinho e calor, afeição e cuidado fluam de você para o seu duplo. Respire movimentando seu abdômem – faça sons que fortaleçam a corrente energética que você está movimentando e direcionando. Deixe-a fluir até que se se torne uma corrente forte e poderosa.

Observe como essa corrente energética te faz sentir, como ela é. Dê um nome para o seu duplo e lhe confira uma imagem ou palavras que você possa usar para evocar esse sentimento , essa energia que você esta experiênciando agora que flue entre você e seu duplo.

Converse com seu Duplo, ou se quiser, faça amor com ele. Quando estiver pronto, agradeça o seu duplo e pergunte como você pode chama-lo de volta. Aterre a energia colocando as suas mãos no solo (ou no chão) e visualizando que as correntes energéticas estão retornando para a terra.

O self-companheiro:

Fique de frente para um espelho, concentre-se, firme suas raízes e centre-se. Olhe para o seu reflexo e aprecie o seu corpo! Direcione esse sentimento de prazer e afeição para o seu reflexo.

Agora, imagine que sua imagem no espelho começa a mudar. Se você é uma mulher, vai se tornando mais masculina, se for um homem, sua imagem vai se tornando mais feminina. A mudança ocorre aos poucos, de cima para baixo. Seus cabelos, orelhas, olhos, boca e maxilares mudam, seu pescoço ombro e assim por diante vão mudando aos poucos. Caso tenha dificuldades em imaginar e visualizar as mudanças de olhos abertos, feche-os, deixe a energia fluir. Sinta uma afeição pela imagem criada no espelho, expire esse sentimento para a imagem, deixe-a construir, faça sons e movimentos que ajudem essa energia crescer até e tornar uma corrente de energia forte entre vocês.

Sinta como essa corrente energética que flue entre vocês se parece, como é esse sentimento e conecte uma imagem ou palavra que possa ser usada para evocar essa energia novamente. Converse, brinque, faça amor!

Quando terminar, agradeça o seu self companheiro e pergunte como voce pode chama-lo de volta. Aterre as energias.

Amante da Natureza:

Vá para o seu jardim, uma floresta, um campo ou mesmo seu quinta com alguns vasos de plantas, encontre algo que você se afeiçoe e que seja natural, uma pedra, uma planta, árvore, um riacho. Sente-se e fique confortavel. Concentre-se, fixe suas raízes e centre-se. Invoque a energia que você sentiu com seu duplo ou com seu self-companheiro. Utilize a palavra de poder para isso. Deixe que essa corrente energética flua para a planta até que sinta que a energia esta sendo enviada para você também. Aprecie esse momento de troca.

Quando tiver terminado, aterre as energias e centre-se. Este exercício é uma cura, para ambos, tente fazer sempre que puder e veja os resultados em seu jardim!

Use a sua imaginação para expandir e transformar estes exercícios ou mesmo para criar os seus proprios métodos. A força que você aprendeu a reconhecer como sua própria pode ser chamada quando você precisar. Deixe que ela te inspire, te deixando criativo, forte em seu trabalho, use-a para fazer seu jardim crescer, curar suas doenças, despertar seu coração. Movimente-a para as suas mãos quando for tocar em alguém, leve-a aos seus olhos e fôlego e voz quando for desafiado a confrontar as injustiças. Invoque-a em seu circulo.

E não tenha medo de abrir mão, de deixar ir. Como toda energia, a força erótica se move em ciclos, num fluxo e refluxo. Está sempre disponivel, mas sempre que o utilizamos, ele retrocede. O refluxo é o tempo de quietude, de descanço – o silêncio entre o pulsar do coração, o silência entre o pulsar dos tambores, entre os ritmos da natureza.