sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

O Sagrado Masculino




Estamos em um momento decisivo para a nossa existência na terra, não somente do ponto de vista ambiental, e/ou místico, mas num sentido social, de relações. A humanidade a tempos vem se ferindo em nome da ganância, em nome do controle e motivada pela falsa imagem do poder, pela ilusão de controlar e governar.
                Violência, fome, pobreza, miséria, guerra, preconceito e muitas outras coisas, tudo são patologias sociais, conseqüências de uma desarmonia onde o maior conflito se originou no momento em que nos afastamos da natureza, no momento em que nos afastamos de nós mesmos.
                Esta distância no fez esquecer de quanto tudo ao nosso redor é sagrado, quando o mar era uma divindade, as praias não eram poluídas, quando as florestas eram divinas, as matas não eram destruídas de uma maneira desenfreada. Com isso esquecemos o quanto somos sagrados e perdemos o respeito uns com os outros. Os anciões não são mais respeitados, nossas mães e pais são obstáculos, nossos filhos mimados, as mulheres inferiorizadas, os homens supervalorizados, o sexo banalizado, o amor idealizado.
                Na 23ª hora re-surge uma religião antiga, onde a terra é viva, onde tudo ao nosso redor é divino e cada um carrega dentro de si uma centelha divina, um Deus, uma estrela, uma flor mística. Uma religião que re-liga cada um com o natural, uma religião que nos re-liga as nossas responsabilidades e nos re-liga uns aos outros, uma religião de relações e relacionamentos, a Religião da Grande Mãe.
                Denominar uma religião de Matriarcal não significa excluir o masculino, que é uma religião exclusiva das mulheres, muito além disto! Valoriza o poder criativo e transformador, a força de dar a luz e nutrir um mundo melhor, a Mãe Divina é adorada pois é através Dela que surgiu a criação, mas não sem a ajuda de um parceiro. É uma prática espiritual que vem justamente fazer um contraponto ao Patriarcado que com suas idéias e ideais de dominação e repressão nos trouxe até este momento,  é um olhar mais natural ao cotidiano.
                Não sem razão tem existido um movimento intenso e cura das mulheres, para sarar as feridas e resgatá-las dos porões sociais e libertá-las das correntes que lhes foram impostas por crenças que as consideravam impuras e as menosprezam, vistas apenas como um pedaço de carne, um tentador e luxurioso pedaço de carne.
                Mas não estou aqui para falar delas, pois isto já tem sido feito com sucesso e brilhantismo por várias pessoas fantásticas no Brasil e no mundo. Estou aqui para falar das feridas masculinas que muitas vezes são demonizadas e ignoradas.
                Os homens modernos não sabem o que é ser homem hoje em dia. Vivem as custas de um ideal imposto que os priva de desejos e necessidades, estabelece rotas seguras mas idealizadas de comportamento, objetivos vazios e frustrantes. Suas angustias reprimidas são expressas através da violência e do abuso. Refletem nos outros os abusos feitos pela sociedade, opressão, dor e violência.
                Os homens precisam ser curados, sua função divina seu potencial masculino foi reprimido e desviado, suas virtudes foram poluídas e desvirtuadas.
                A cura do homem vem através da Deusa, e o que ela nos mostra? O Deus! Os homens precisam encontrar o Deus, precisam de idéias, modelos, inspirações sadias e fortalecedoras para que ao encontrar a Deusa e seu potencial possa desabrochar e a harmonia possa ser restaurada, em cada um e num todo.
                Por isso em 2012 vou lançar um projeto inspirado diretamente pelo “Oráculo da Deusa” e mais diretamente pelos trabalhos do Sagrado Masculino orientado pelo Gawen Ausar do blog Falo-Sagrado Masculino, a idéia é preparar rituais e exercícios para conectar Deuses a Homens, para repensarmos a masculinidade num campo onde predominam as mulheres, esta idéia vem para mostrar aos homens uma forma de praticar uma espiritualidade focada no Sagrado Feminino sem que se perca a identidade masculina. Um espaço para conversar sobre sexo, família, profissão e diversão, um espaço para se reconstruir. Um trabalho que Dedico a Manannan Mac Lyr, que me apadrinhou neste projeto, um Deus que a tempos venho namorando!
                O Deus se manifesta através de ações, atitudes e auxilia em situações de conflitos internos e externos, fecundando escolhas e derrotando inimigos morais e reais. 

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O que não tem remédio, remediado está... A Torre!

As vezes é emocional, as vezes é físico, as vezes é aquele clarão espiritual... as vezes é a quebra de uma auto-imagem idealizada ou até a expectativa não cumprida... uma única certeza é a de que nunca, nunquinha é fácil, mas pode ser belo!


      “Uma semente é levada pelos ventos e gentilmente depositada ao chão onde descansa. Dela, uma árvore começa a brotar. Com o passar dos anos, esta árvore cresce – uma muda ingênua e frágil, brilhando com o verde da vida. E a roda gira – Grandiosa e frondosa ela cresce, rumo aos céus, desafiando o paraíso. E os anos correm – ela é a grandeza entre os grandes, cuidadosamente esculpida em tronco vivo e verdes folhas, uma obra-prima natural!
Os pássaros nela fazem ninhos, em galhos acolhedores, alegres e cantando, cheios de músicas inspiradas pelo calor do sol e pelo uivar dos ventos e pelo céu infinitamente azul. Homens e mulheres dormem sobre suas raízes macias como veludo, tecendo sonhos e visões de águas correntes, frescas, pães recém-assados e lares construídos.  Mesmo nos mais rigorosos invernos, suas folhagens, galhos e raízes, tão espessas que se tornam o abrigo perfeito para qualquer viajante, homem ou besta – Um paraíso para qualquer um que passar despercebido. 
E o tempo corre, a roda gira – e ela esteve aqui, desde sempre, assentada e enraizada profundamente na terra.  Seus galhos tocam a abóboda celeste, varrendo estrelas do céu e embalando a lua em constante mutação, suas raízes mergulham no solo, passando por água, lama e magma, envolvendo o centro pulsante da terra, o coração da Grande Mãe que é envolvido pela escuridão da terra. E então, com uma volta inconstante, tão facilmente quanto enfeitou-se a árvore com múltiplas bênçãos, Natureza rescinde seu dom. Uma lança é terrivelmente jogada do céu. O que levou séculos para ser cultivado, incentivado desde uma pequena semente é destruído em um instante, em uma beleza mortal de faíscas e brasas.

A árvore é cortada ao meio.
Queimando com um calor esbranquiçado.
Ela é feita em pedaços.
E a terra treme com a violência do Golpe.”
Stephanie Pui-mun Law e Barbara Moore – The Shadowscapes Tarot, The Tower.

E com A Estrela: Férias!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Esqueletos no armário - O Arcano 15

O Arcano 15, muito conhecido e temido, O Diabo... essa definição, assim como a dO Papa não me deixam confortavel, não sou cristão e por isso não acredito em Diabo ou coisa do tipo. De qualquer forma trabalhar com este Arcano durante uma semana me foi de grande valia. 
Alguns o chamam de Cernnunnos, outros de O Guardião, uns de O Diabo e teve até Hécate. O que eu vivi com este arcano foi um momento chamado Tempo. Um tempo para fazer nada, um tempo para se deliciar na preguiça, um tempo para se entregar aos prazeres da carne, comendo um bom chocolate, sem culpa... Depois de uma longa jornada, depois de todo processo alquímico vivido na temperança é hora de deixar esta mistura fermentar. De todos os textos que eu li, o que mais me chamou a atenção foi o do livro do Wildwood Tarot, que transcrevo a seguir:

"O Guardião.
O Esqueleto esbranquiçado de um grande Urso se mantem sentinela na noite, guardando a entrada de uma caverna. O espírito Guardião da Besta desafia aqueles que entrariam na caverna das memórias ancestrais sem nenhum conhecimento de sua própria natureza escura. Dentro da mandíbula aberta da caverna, repleta de estalactites encontra-se um caminho ainda desconhecido. Seu destino está envolvido em mistério, nenhuma luz brilha para mostrar por onde seguir, O Guardião deve ser encarado e a maestria de seus próprios medos deve ser alcançada.
Através dos séculos, tem existido muita manipulação hipócrita do conceito de "Diabo", por razões políticas, religiosas e pedagógicas, levando a demonização desta dinâmica complexa, da natureza pagã. Mais ainda, a função primaria de um arquétipo destes é a proteção e iniciação, é a ligação do homem com o selvagem, com a natureza e com a fertilidade que algumas vezes é expressada através de ferocidade, êxtase e sexualidade. No entanto o medo intricado pela distorção deste arquétipo continuará conosco por um longo tempo ainda.
O Guardião traz a tona medos irracionais do lodo localizado no íntimo do ser humano, no inconsciente e preenche a alma, ainda tímida de agouros. Ele é carregado com um sentimento inumano e imprevisto, alimentando o medo e o pânico com uma alegria malévola. Mas entre toda essa energia sádica e caótica a sabedoria se esconde juntamente com a coragem e a força. O instinto de sobrevivência, gerado pela luta ou fuga foi aprendido a ser racionalizado, assim como os nossos medos mais obscuros assim com lidamos com os perigos desconhecidos pela luz da racionalização. Quando evoluimos a nossa compreensão do desconhecido percebemos que não existe uma força diabólica por trás dos acontecimentos, muito menos uma energia sobrenatural que é tão assustadora quanto a mente humana. 
O Guardião é assustador, o é pois estamos assustados pelo nosso próprio reflexo, pela nossa sombra e é este o elemento de nós mesmos em que precisamos alcançar a maestria. Muito pode ser alcançado quando encaramos os nossos medos mais profundos, que normalmente nos afastam de nosso verdadeiro potencial, de nossos desejos e instintos mais profundos. Uma vez que isso for vencido, absorvido e utilizado em nosso beneficio, os locais mais escuros e mais desafiadores em que O Guardião nos impede de ir, poderão ser encarados sem medo, com bravura."

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Repensando a Roda do Ano: Litha.


                Chegamos a mais um solstício, o ápice do sol refletido na duração dos dias. Conforme os dias se estendem nossa vitalidade cresce, nossa vontade, nossa disposição aumenta, ficamos mais bem animados. Junto com isso o calor aumenta, é a energia se intensificando. O sol tem uma influencia muito interessante sobre a vida na terra, é símbolo de vitalidade e ao mesmo tempo dos ciclos, pois é através de sua trajetória que as estações se definem e foi através de sua rota durante o dia que os primeiros relógios foram baseados e até hoje a nossa marcação de tempo é baseada em seu trajeto.
                O sol é o símbolo maior do fogo, seu calor nutre, sua luz ilumina e sua influencia para nosso ambiente é tão benéfica quanto devastadora. O sol nos lembra de que devemos cuidar dos excessos, contém em si a semente da destruição. A vegetação muito exposta aos seus raios, seca, os animais se queimam, os seres humanos adoecem. Justamente neste festival, marcado por volta do dia 21 de dezembro que temos a oportunidade de celebrar ambos estes aspectos. O sol nos mostra que tudo tem um limite, que existe um ponto seguro até onde as coisas podem crescer, até onde a energia pode se expandir e conseqüentemente qual o momento oportuno de mudar o ponto de vista, a estratégia e a nossa posição no ambiente.
                Litha como um festival de fogo nos remete a ações que promovam a expansão de nossa comunidade, a prática de rituais e de meditações, já que o fogo é um símbolo de nossa centelha divina, é durante este momento que devemos aproveitar a energia do sol para trabalhos mágicos. As plantas estão com suas energias no pico, nós estamos sintonizados com este auge e podemos direcionar nossos objetivos para aquilo que precisa de força e motivação. Trabalhos para proteção, cura, oráculos tem maior eficácia quando focados nos poderes do sol.
                Mas como tudo que sobe tem que descer e como diz o ditado popular “Uma lâmpada brilha ao máximo antes de se apagar” este também é o momento de se trabalhar com aquilo que desejamos expurgar, banir, diminuir, purificar. Como diz Starhawk “Aquele que não sabe amaldiçoar, não sabe curar” e eu continuo dizendo que aquele que não sabe curar não sabe amaldiçoar. Esta é uma máxima preciosa da arte, que reflete os poderes do Sol e do Fogo. Devemos ter consciência da energia que temos ao nosso redor e saber que não podemos controlá-la, nos resta então saber manejá-la da melhor maneira possível.  O fogo serve para cozinhar, iluminar, aquecer e movimentar, bem como para queimar, destruir e escurecer, tudo depende de como o manejamos.
                Aproveite este momento para ver como a energia ao seu redor se movimenta. Em nossa cultura estamos perto do “final do ano” um momento oportuno para utilizarmos os poderes do fogo para queimar o que não queremos mais e cozinhar aquilo que queremos que nos alimente nesta próxima etapa. É um momento também de confraternização, de espalhar o amor e carinho para aqueles que estão mais próximos de nós, de refletirmos sobre onde investimos nossa energia e em que estamos dispostos a investi-la no próximo ciclo. É tempo de acendermos fogueiras e observarmos o fogo e seus movimentos, é tempo de dançar, curtir o corpo e o que nos dá força, vitalidade e energia, de honrar os Deuses e os Espíritos, pois eles representam os mistérios que animam a vida ao redor.Honrem essa força que se que move através de vocês, em vocês e por vocês, façam seus rituais e feitiços, aproveitem a potência do Sol para despertarem o Sol interior em cada um. Se conectem com a energia de cada coisa ao seu redor, reconhecendo a divina presença em cada ser. Abra seus sentidos, que seus olhos possam ver com mais clareza, que outros planos e pontos de vista possam lhe ser apresentados. Que seus ouvidos possam escutar a sinfonia dos planetas o canto de vida e morte da Grande Mãe, que eles possam escutar melhor o que o outro tem a dizer. Que seu paladar aumente e perceba os sabores que a vida lhe trás e mais, que você possa saborear os prazeres de existir. Que sua pele sinta prazer com cada toque, com a leve brisa do ar, com a luz do sol tocando a sua pele e com isso você sinta a presença divina ao seu redor, a presença divina dentro de você.
                Em Litha abra espaço para o seu self divino se manifestar, coloque-se em harmonia com o propósito divino e peça para os Deuses te auxiliarem a realizar o trabalho do seu Deus interior com integridade e harmonia. O que te motiva a continuar? 

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Aguando o Vinho, práticas com a Temperança.


Temperança, sempre achei esse Arcano meio sem sal acredita? Não conseguia captar a mensagem de ser moderado ou mesmo de saber medir ações e blá blá blá, existe algo em mim que gosta de ser impulsivo, desregrado e inconsequente. Temperança é para os anjos, como aquele que fica jogando água de um copo para o outro.... e eu não sou um, sou um ser humano!

Uma vez a cada lua azul esse Eu bad boy vem a tona, sigo a risca o lema "meninos bons vão para o céu, os meninos maus vão para onde querem..." e bem, sincronicidade ou não, na minha semana da temperança eu resolvi soltar os freios e pisar no acelerador! Resultado? Aprendi um pouco mais sobre este Arcano!
Minha idéia inicial era cozinhar para trabalhar com esta carta, afinal de contas Temperança, temperos, dosar, cozinhar tem tudo a ver com essa energia. Pensei, pensei e vi que podia ser melhor! Já que tem um Anjo trocando água de copos, resolvi preparar uns "Bons Drink"! Foi um baile de Green Dragon, Sex on the Beach, Marguerita e claro os tradicionais: Tequila (Black e Oro) e muito Absinto! Incorporei a energia Sagitariana e resolvi me aventurar, curtir a festa com meus grandes amigos sem preocupações!
Acontece que eu, obviamente (e claramente, contando o numero e drinks que eu tomei) passei way over meus limites! Foi divertido, as partes que eu lembro...
Acontece que eu tirei grandes lições sobre saber "temperar" meu comportamento, sobre beber com moderação e sobre como é importante reconhecer meus limites! Temperança tem um pouco disto, de aguar o vinho, de ir com calma, saber o momento certo de cada coisa, é Sagitário, aquele com a mira precisa, aquele que balanceia sua metade animal com a metade humana. A Temperança ainda me lembra muito comida, mas isso já tá batido! Então vou lançar a receita de Marguerita, por que o certo não é deixar de beber e sim beber com moderação!


Marguerita:
Esfregue a fatia de limão na borda de uma taça, coloque sal espalhado em um prato e encoste a borda da taça no prato para fazer a crosta de sal na taça. Coloque em uma coqueteleira o suco de limão, licor, tequila e cubos de gelo. Agite bem e despeje na taça eliminando as pedras de gelo.
Voilá
Aproveitem!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Pirâmide do Poder: Manifestar.


Chegamos ao fim de mais uma etapa de treinamento mágico, baseado na estruturação elementar; lapidamos nosso corpo, mente, emoções e espírito. Agora chega a hora de unir tudo isso em prol do trabalho do seu Deus interior. Na tradição Feri acreditamos que o nosso ser se divida em basicamente quatro partes, somos corpo, somos Fetch, somos o Self Discursivo e somos centelha divina. Isso nos coloca em vários ângulos de prática muito interessantes, onde o primeiro deles é que o corpo não está alheio a espiritualidade e de que a nossa alma engloba a nossa estrutura física bem como a materialidade ao nosso redor. Podemos perceber ainda que somos muito mais do que podemos ver e ainda, que somos ativos em nossa esfera divina. 
O propósito desta etapa da pirâmide é colocar em ação tudo o que temos praticado para realizarmos o nosso trabalho divino em harmonia com a proposta divina maior. Durante este mês faremos práticas mais focadas na espiritualidade.

Primeira semana: Continue se exercitando, respirando de maneira consciente, abençoando a água e praticando o silêncio em sua rotina diária. Isso vai se estender ao longo de sua prática espiritual e que continue enquanto for saudável para você mesmo e para sua prática. É importante incorporar esses elementos a sua rotina, você vai perceber que leva menos de um minuto e é fundamental para te conectar com o seu eu divino durante o seu dia, o que faz toda a diferença. Além destas práticas vamos buscar alinhar nossos centros energéticos, nossos chakras. Todos os dias, pela manhã de preferência, faça o exercício da árvore da vida:
“Concentre-se e centre-se. inspire profunda e lentamente, relaxando cada músculo do seu corpo, inspire e expire, cada vez mais relaxado.
Foque sua atenção na sola de seus pés, ou se estiver sentado, foque-se no cóccix, onde o corpo se apóia na terra. Sinta o pulsa da energia, sinta vibrar, concentre-se em direcionar sua energia para este ponto. Quando se sentir pronto, lance essa carga energética para o solo, criando raízes que vão da superfície da terra ate o seu centro, veja as camadas, sinta os lençóis freaticos, afunde-se cada vez mais ate chegar no núcleo do planeta, quente, o magma, intenso. Mantenha a sua atenção neste ponto por uns instantes.
Agora, sugue através de suas raízes a energia abundante deste centro da terra, traga  essa força ate a base de sua coluna. Visualize a cor vermelha, entoe o seu mantra (LAM). Concentre-se  neste ponto e deixe a energia da terra ativar a energia deste chakra e limpar os nadis, sinta a energia fervente da terra subindo pelas suas pernas e estimulando cada centro energético, limpando e movimentando o que está estagnado ate chegar no chakra básico. Fique neste estado por alguns minutos e continue entoando o mantra algumas vezes, pelo menos sete vezes e então siga para o chakra sacro/sexual.
Puxe a energia da terra ate a altura do chakra sacro, aproximadamente quatro dedos abaixo do umbigo e visualize a cor laranja, e entoe o seu mantra pelo menos sete vezes (VAM), sentindo a energia quente movimentar o seu centro  energético, ativan-do e purificando. Siga então para o chakra do plexo solar.
Traga a energia da terra ate o chakra do plexo solar, aproximadamente quatro dedos acima do umbigo e visualize a cor amarela, e entoe o seu mantra pelo menos sete vezes (RAM). Após isso, siga para o próximo chakra, o cardíaco.
Sugue a energia da terra, mantendo o foco em sua respiração e direcione-a até o chakra cardíaco, no centro do seu peito, visualizando as cores verde, dourado e rosa, entoe o seu mantra pelo menos sete vezes (YAM). Prossiga para o próximo chakra, o laríngeo.
Repita todo o processo de trazer a energia da terra e direcione-a para a garganta, o local do chakra laríngeo. Deixe a energia agir no local, visualize a cor azul-claro, e entoe o seu mantra pelo menos sete vezes. (HAM - pronuncia como o som de caRRo) Siga para o próximo chakra.
Traga a energia da terra ate o centro de sua testa, local do chakra frontal e deixe a energia agir. Visualize a cor azul-anil e violeta, e entoe o seu mantra pelo menos 7 vezes (OM) e então prossiga para o próximo e ultimo chakra, o coronário.
Direcione a energia da terra ate o alto de sua cabeça, e no caminho passe por cada chakra e entoe o seu mantra uma vez, visualizando a respectiva cor ateh chegar no alto da cabeca. (LAM, VAM, RAM, YAM, HAM, OM) Agora deixe a energia agir e visualize todas as cores dos chakras anteriores, entoando os seus respectivos mantras. Ao final visualize a cor branca e entoe o mantra OM por pelo menos sete vezes.
Apos todos os chakras terem sido ativados, traga a energia da terra novamente ate o topo de sua cabeça e como os galhos de uma arvore, deixe que que toquem o chão, formando um ciclo, sugue a energia da terra, leve-a ate o topo da cabeça e derrame-a na terra através dos galhos energéticos que saem de seu coronário e tocam o solo. Fique nesse movimento por uns instantes, sempre prestando atenção na respiração. Inspire: sugue a energia. Expire: devolva a energia. Sinta a sua vibração aumentar, seu corpo vibrar e somente então inspire profundamente contanto mentalmente ate sete, segure por 7 segundos e expire contando mentalmente ate 7 (respiração 7/7/7). Ao segurar e expirar visualize sua aura se expandindo. Faca isso por sete vezes. E expanda a sua aura o máximo que puder neste tempo. Sinta-a como parte de você, que de acordo com sua vontade e visualização, ela se expande ou se contrai. 
E então, após todo este processo, respire fundo e devolve todo o excesso de energia do seu corpo para a terra, agradecendo as bênçãos para o seu corpo e espírito.

Segunda semana: Você vai realizar uma meditação simples, baseada em seus movimentos respiratórios e visualização. Sentado em uma posição confortável mentalize acima de sua cabeça o símbolo do infinito um “8” deitado, brilhante e vivo, pulsante. Este é o seu Self-Divino. Inspire pelo topo de sua cabeça a energia que emana deste símbolo até a altura de seu coração. Essa energia se mescla com o oxigênio em seus pulmões e é transportada para todo o seu corpo, te colocando em harmonia com o trabalho de seu Deus interior. Ao finalizar diga em voz alta: “Que com a orientação dos Deuses eu possa realizar o meu trabalho divino no dia de hoje! Namastê!”

Terceira semana: Durante esta semana você vai realizar um exercício mágico e muito potente, eu tirei esta prática do livro “Evolutionary Witchcraft” da T. Thorn Coyle. Dançando o Sol e Dançando a Lua. Durante um dia de sol, vá a até um local aberto, onde você se sinta confortável. Inspire a luz solar por todos os seus poros, mantenha essa força dentro de ti, sinta como o sol se movimenta em seu corpo, animando o seu espírito, veja seu corpo brilhar, repita essa operação por alguns minutos, até estar transbordando de energia solar, até sentir que por seus poros a energia se expande, vibra e flui. Dance esta energia (se não se sentir confortável em fazer isso no local onde está, leve a energia até um local mais privado.) dance o sol que há em ti, deixe que essa energia te conduza numa valsa mágica e cósmica. Ao fim, respire essa energia de volta para o sol, agradeça as bênçãos e renove-se. Faça o mesmo exercício com a lua. Está é a primeira etapa de quem pretende trabalhar com oráculos, puxar o sol e a lua durante rituais. 

Quarta semana: Nesta semana você vai se conectar com o divino ao seu redor e com divindades que você tem mais afinidade. Primeiramente vá a um lugar onde exista natureza em seu aspecto mais puro, um bosque, um parque, um vale e comece reconhecendo a divindade imanente, que existe em tudo e em todos. Encontra uma árvore, uma planta, uma pedra e através do seu self-divino, conecte-se com o self-divino deste ser, peça com gentileza que ele se apresente, que te mostre as coisas do seu ponto de vista, curta essa momento.
Para se conectar com uma divindade específica, escolha em seu altar alguma representação da mesma, pode ser uma concha, uma planta, uma estatua ou algo do gênero. Comece respirando lenta e profundamente, se conectando com o aqui e agora, com si mesmo e com seu self-divino. Peça que a divindade se apresente a você, que te toque com suas bênçãos, não espere nada desta divindade, apenas curta esse momento a dois, diga seu nome, se apresente, quando sentir que é a hora, despeça-se e agradeça por este encontro.
Com isso damos fim a 5 meses de treinamento intenso, em seu diário note como você cresceu, em que se transformou. O que mudou? O que continua o mesmo? Procure outros treinamentos para manter-se em movimento, crie uma rotina espiritual saudável. Se até este ponto você ainda não desenvolveu hábitos de práticas espirituais, volte ao inicio de deste treinamento e de o melhor de si. Agora vá e transforme o mundo ao seu redor. As coisas mudam quando a gente muda.
Namastê!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A energia Deusa



Ao falar de Deusa não quero dizer dar uma forma personificada, arquetípica com a qual estamos acostumados, nomear Deusa seria limita-la, rotular algo que é inominável e ao tentar isso negamos a sua e a nossa própria existência, pois ao coloca-la em um padrão tal, nos colocamos como alheios a Ela, quando na verdade Deusa esta em tudo, incluindo nós.
Deusa não é algo, é uma dinâmica de vida que atravessa tudo existente e vivê-la é abrir olhos e ouvidos para a simplicidade ao nosso redor, podendo assim não nos auto-conhecer, mas nos reconhecer como Deusa em sua amplitude.
Neste processo não se exclui uma dinâmica energética chamada Deus que assim como Deusa perpassa tudo que é existente. Podemos observar tudo ao nosso redor como uma grande energia, que se fragmenta em aspectos Deus e Deusa. Deusa (de um modo pratico) é a terra fértil é o “ambiente facilitador”, Deus é a força da semente, é o instinto para semente crescer, algo da vida da semente, algo interno dela, que a faz subir e exercer seu potencial de árvore forte e majestosa.
Os animais são férteis pela Deusa, mas é a energia Deus que fazem um procurar o outro e dar deste encontro brotar a vida. Deusa aliada com Deus faz a existência acontecer e se transformar.
Este artigo se propõe viver Deusa em seus 10 aspectos explanados por Caítlin Matthews em seu livro “Elementos da Deusa” de forma pratica, através de experiências minhas nesta busca, algo muito particular onde com cada pessoa pode se acontecer de uma maneira totalmente diferente, mas essencialmente iguais. É importante ressaltar que Deusa não é algo que se compreende e sim algo que se vive e se é, um despertar para vida e universo.
Ao longo de minhas vivencias utilizei os mitos gregos para melhor compreender toda essa energia que nos rodeia, ao final percebemos que do todo tiramos partes que irão nos auxiliar em situações especificas de nossas vidas, sempre lembrando que o todo é maior que a soma das partes, como já diz a filosofia da Gestalt.

O primeiro aspecto é A Criadora de Tudo, Energia Gaia, todo o potencial criativo da terra fértil, onde tudo brota, tudo nasce e com o tempo tudo morre e se desintegra, transformando, movendo. A energia é o potencial criativo existente dentro de nos, as dores de um parto para dar a luz a uma idéia. A força para adentrarmos nossos caminhos, Gaia como elemento primordial, latente de uma potencialidade geradora absurda. Entrar em contato com a imensidão do espaço nos da a compreensão da Criadora de Tudo.
Se permitir viver A Criadora de Tudo é retornar ao Caos primordial e sair, se reconstruir, deixar que todo potencial criativo brote de seu ser para se tornar algo magnífico, sentido a energia ao seu redor, percebendo a vida pulsante em tudo a todo momento. Colocar em ação todo esse potencial é viver a parte Deusa Energizadora.
O aspecto Energizadora é a força que coloca em movimento tudo. Caracterizado por Afrodite, esposa de Hefesto, Amante de Ares e muitos outros, representa na simplicidade desses dois exemplos a força mobilizadora para criar e a força que impulsiona, agressiva. Ela é o êxtase, colocando tudo em um estado receptivo para a criação, é o amor em um sentido amplo que atrai, une, cria, motiva e vive, é uma questão de vida, energia, sexo. Pode ser vivido na satisfação sexual ou na eliminação da fome através do alimento, é tudo em movimento se ampliando.
Toda essa energia tremenda que impulsiona, cria e movimenta é colocada em um padrão ordenado, é direcionado para um fim através do aspecto Medidor da Energia Deusa.
A medidora, vivida através das Horas (que recebem Afrodite no seu nascimento) ou das Parcas (Nona, Décima e Morta) cuidando do nascimento, vida e morte de uma maneira tal que nenhum outro Deus do Olimpo pode interferir. Tudo na natureza exibe um padrão, uma ordem, desde as moléculas de um cristal multifacetado até as diferentes ordens celulares das plantas e outros seres orgânicos. Viver essa medida é canalizar o poder Deusa para um foco, objetivo, é aproveitar ao Maximo a energia infinita do qual vivemos e direciona-la, extraindo todo o conhecimento e aprendizado do potencial Deusa. Ela é o tempo, vivido de maneiras diferentes por cada pessoa em cada situação, às vezes lento, às vezes muito rápido, neutro, nem bom nem mal, apenas é. Através das faces da lua podemos viver a medidora, que controla a maré, delimita a luz, a vida.
Através destes limites e padrões percebemos que tudo isso precisa ser protegido, cuidado, resguardado, para que tudo continue no seu fluxo, fluindo em Deusa. É o amor protetor, mantenedor da ordem. A sua energia têm diversas formas, algumas rígidas e furiosas, outras amáveis e misericordiosas. Vivemos a protetora na transição das estações, os rígidos invernos, as chuvas, tempestades, os calores intensos, as mudanças climáticas nos dia de hoje, tudo sendo Protetora agindo, estabelecendo seu poder para que tudo continue como é pra ser, mantendo a energia Deusa. Ártemis é a perfeita representação da energia protetora, protege as matas e os partos, é a caçadora também estabelecendo um vinculo, mantendo a ordem estabelecida pela medidora. Ela transforma, muda e redime para manter a ordem natural de tudo.
Com essa manifestação energética de Deusa percebemos uma dinâmica externa, exuberante e extrema, chega o momento de viver Deusa de uma maneira um pouco mais sutil, em outro nível, mas com uma intensidade imensa.
A iniciadora, Demeter, nos mostra a profundidade oculta das coisas, vivenciada através dos mistérios dos festivais Solares, Solstícios e Equinócios, nos inicia nos mistérios da própria vida. Demeter se divide em boa e generosa e rígida e transformadora. A iniciadora nos fala sobre os mistérios do renascimento, nos mostrando o vasto conhecimento que podemos viver de Gaia, é a volta ao útero. A perda e o encontro, as próprias iniciações vividas em nosso dia-a-dia, difíceis e dolorosas por conta de padrões e hábitos que mantemos em nós mesmos, como na natureza, a primavera da vida sempre volta exuberante após um rígido inverno. Essa é a energia Iniciadora, Energia Demeter.
Para que possamos viver de maneira plena e vencer as provas da iniciadora, precisamos viver a forma Desafiadora, Athena, percebida claramente no mito de Perseu e medusa, a que instiga, ajuda e promove a iniciação. É através desta energia que encontramos forças para continuar, muitas vezes essa força vem como oposição, promovendo o movimento para dar força e atitude, renovando o que está gasto e velho em nossa vida. É o termino de um relacionamento desgastado, é a força para quebrar velhos padrões e conceitos e se jogar rumo a uma vida nova e desconhecida, sem rotinas, é o sentimento de medo, superação e tudo depende de nós para que possamos acessar e nos permitir viver essa energia de forma plena e sem receio.
Desafiadora e Iniciadora estão intimamente ligadas aos mistérios de nossa própria encarnação, é a desafiadora que nos reafirma esses nossos desafios para que possamos viver e entender Iniciadora. Ao vivermos tudo isto, encontramos Libertadora.
Libertadora, energia que transforma o sofrimento. É o sacrifício no sentido de “tornar sagrado”. Perséfone nos retrata isso em sua descida ao submundo, ficando por parte do ano, em uma dinâmica com Iniciadora, vivendo plenamente a escuridão, sem medo.
O sofrimento é positivo somente quando ele agrega compaixão. Libertadora acaba com as prisões egóicas, liberta do medo e dissipa os bloqueios, nem que para isso precise deixar tudo aos pedaços para que aos poucos possamos remontar as peças de uma outra forma, mais eficiente, livre de apegos, desilusões, frustrações e desespero.
Ao vivermos por tudo isso e crescermos, mudarmos, encontramos no caminho a sabedoria. A tecelã, Deusa que tece o pano da vida, em que nós não temos ainda a capacidade de ver de forma panorâmica, já que nossa consciência ainda é limitada por nós mesmos, estamos no centro da cena, algo como no filme “A vila”.
Hécate, a complexa energia da tecelã que vive-se de forma e entender a teia da vida, se colocar em harmonia com Deusa de forma a viver a vida vivida, plena, consciente. Tecelã é dissimuladora, ela engana, finge e nos confronta com nossas próprias mascaras, nos fazendo refletir sobre quem somos realmente onde queremos chegar, é a senhora dos 3 caminhos, é o poder de escolher e ser quem se é. Viver Tecelã é assumir a escolha de ser quem se é, digno e absoluto, viver Deusa em sua plenitude, por isso Tecelã é a guardiã dos portais da Sabedoria, somente vivendo ela é que podemos vencer a nós mesmos e encarar de frente a sabedoria suprema, estimulando o aparecimento de uma nova forma de se desenvolver.
A continuidade da Sabedoria suprema é expressa em Preservadora, essa energia Deusa, simples e ao mesmo tempo complexo que traz a mensagem de ver as coisas básicas, os atos cotidianos como sagrados, perceber Deusa em tudo e em todos, viver plenamente essa consciência. Héstia retrata de forma linda esse aspecto, simbolizada através do fogo, inicio e conclusão de tudo. Héstia esta presente em tudo, é a preservação da vida, preservação da dinâmica Deusa que age em tudo, nas sementes que crescem, na vida e na morte.
Por fim, a Sabedoria suprema, Sofia. O aspecto A Que dá Poderes, pois a sabedoria suprema, a compreensão da vida e de Deusa representa a sabedoria, o poder de viver plenamente. Após e percorrer todo o trajeto da criação a compreensão, podemos viver Deusa de forma completa e singular. Viver esses últimos aspectos é o mais complicado, por nos coloca de frente com nós mesmos, nos confronta em nossa individualidade, quebra os padrões e exige bases sólidas.
É muito importante realizar que esse desmembramento de Deusa é somente didático, tudo isso acontece o tempo todo em todo lugar, basta que nossos olhos e ouvidos se abram para Deusa. Em certas fases podemos refletir sobre determinado aspecto, mas invariavelmente, um puxa o outro e quando nos damos conta estamos vivendo Deusa por completo.  O que nos impede de nos dar conta disto são nossos padrões energéticos e consciências que são limitados pelo medo, estamos cegos pela rotina, a vida acontece ao nosso redor o tempo todo e quando digo vida digo vida e morte e vida novamente não como um ciclo, mas como uma continuidade, pois isso é Deusa, é fluir e tudo. Somos todos sementes com potenciais arvores dentro de nós, basta nos permitirmos viver Deusa, basta nos reconhecermos Deusa.
Torna-se muito difícil condensar toda uma vivência em palavras, em um texto, afinal nada é realmente conhecido até que seja vivido, por isso deixo um pequeno aperitivo de como a Deusa se mostrou a mima, essa força tão complexa e tão simples, vivam Deusa, se permitam harmonizar com essa força da existência, não se prendam a padrões que se limitam a uma vida.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Sementes, Alimentos e Feijões: O Arcano 13!



                O número 13 a tempos vem sendo considerado um número de mau agouro em nossa sociedade, a origem disto não se sabe muito bem ao certo, várias fontes relacionam ele com bruxas e inquisições, outros dizem que esta superstição é muito mais antiga. Eu acredito na tese de que o número 13 lembra uma ligação mais primitiva, que precisava ser reprimida e por isso foi colocada como terrível, a ligação com a lua. Antes de termos nosso calendário de 12 meses solares, utilizavam-se os calendários lunares, com 13 meses, 13 luas.
                Eu gosto desse pensamento. O 13 se relacionando com a lua. A lua relacionada a transformação, a ciclos e a mudanças. Mudanças lentas, mudanças rápidas, marés, menstruação, crescimento, mistério. Lua me lembra água também ,e esse aspecto da água misteriosa, profunda está ligado diretamente com o signo de escorpião, uma correspondência dA Morte.
                A Morte! Só de ler isso algumas pessoas tem arrepios, quando esta carta sai na jogada então é um Deus nos acuda! Calma... a morte nem sempre é o que parece ser. Eu tenho uma visão muito interessante deste Arcano que fui construindo com o tempo e desenvolvendo conforme a minha relação com a Deusa foi se fortalecendo. Esta é uma carta que representa muito do que eu acredito ser a religião da terra: Transformação. E por isso gosto muito das novas representações gráficas que os novos Decks tem nos apresentado. A primeira vez que vi uma carta 13 de uma maneira diferente foi no Tarot dos Anjos e eu fiquei muito impressionado pela ousadia. Desde então eu tenho amado ver diferentes pontos de vista sobre este Arcano. O meu preferido é o do “Circle of Life” que transformou os símbolos sem tirar a sobriedade, a escuridão do momento.
                Para me ajudar a compreender e viver esta energia eu fiz uma experiência de infância: Plantei um feijão no algodão! =D
                Esta experiência tem um simbolismo perfeito para esta carta. O feijão é colocado sobre um algodão com água, que se torna catalisador e agente de mudança da semente, assim como O Enforcado (que é água) e suas mudanças, sacrifícios e dificuldades é o que impulsiona a transformação dA Morte. Para o feijão brotar leva tempo, é necessário cuidado, um ambiente favorável e muita disposição da semente. A água vai amolecendo a semente, vai nutrindo, vai  incentivando o broto a quebrar as barreiras físicas e se transformar, crescer e subir. Essa força, esse impulso é latente da semente, tudo o que precisa é do estímulo correto, de um ambiente que favoreça esse crescimento, assim como os seres humanos, todos nós temos a semente da mudança dentro de nós, só precisamos do estimulo mais correto, do ambiente mais favorável e assim iremos atingir o que buscamos.
                Mudar é fácil? Todo mundo sabe que não! Mudar é rápido? Todo mundo também sabe que não! Mas quando mudamos, sempre é pra melhor ou pelo menos esta é a intenção. Esta mudança é como o feijão, de uma semente vai brotar dezenas de outros que irão servir de alimento, que irão ser semeados e que irão transformar o ambiente onde estiverem inseridos. Assim é a mudança dA Morte, ela aciona varias outras mudanças, que irão nutrir uma sociedade e semear mudanças e outros lugares, em outras pessoas, afinal, a sociedade muda quando a gente muda. Um relacionamento sempre vai ser abalado por estas mudanças.
                Esta experiência me ajudou a ver na prática como funciona o Arcano da Morte, é um processo lindo! Mas isso não o torna menos doloroso, acho que se torna poesia.

domingo, 20 de novembro de 2011

Corpo e Alma

Este texto é uma extensão do que escrevi em Beltane, é sobre a maneira como o que consideramos sagrado nos leva a agir no mundo.
                Ultimamente ando ouvindo muitas coisas sobre o corpo ser um instrumento, sobre o corpo ser uma casca e até sobre o corpo ser um cárcere para a alma, hoje eu fiquei me perguntando: onde o corpo termina e a alma começa? Onde se localiza essa essência divina? Uns dizem que é no coração, os mais apaixonados certamente, os mais intelectuais dizem que a alma se localiza no cérebro, os céticos dizem que a alma não existe. Pode ser.
                A alma é parte integrante de um sistema complexo chamado vida. Nesta vida inclui-se corpo, sentimentos, pensamentos e muito mais. Eu sinceramente não sei onde termina o corpo e onde começa a alma e pouco me importo, sabe por quê? Por que sei que independente da resposta esse corpo meu é uma extensão de uma inteligência divina e por isso merece ser tratado com respeito e dignidade, com sacralidade.
                A nossa cultura tem implantado em nosso desenvolvimento um ranço cristão de que nosso corpo precisa pagar pelos nossos pecados, que é através da dor, do sofrimento e negando os prazeres da carne que vamos alcançar a redenção. Triste isso ,não? A vida, uma experiência divina, ser desperdiçada com sentimentos de culpa, sofrimento e dor é muita tortura! E mesmo aqueles que se dizem ateus ou melhor, até muitos amigos meus pagãos ainda tem esse comportamento tão enraizado em seu ser que não percebe o mau que faz a si mesmo. Achamos que para encontrar a felicidade devemos nos privar dos prazeres da vida, devemos viver em dieta pra ter o corpo perfeito, devemos viver na academia para ficar tudo em cima, devemos violar nosso corpo com agulhas, seringas e bisturis para nos mantermos sempre jovens. O Deus na verdade mudou, mas seus métodos não... Antes era o Deus cristão, hoje é o Deus Capitalismo, que foi de um extremo onde o material era desprezado para outro onde o material é ridicularizado.
                O que mais me preocupa nisso tudo é que a dinâmica de ação e pensamento é a mesma, de que não temos valor imanente, de que precisamos reprimir o que existe em nós de mais sagrado, nossa originalidade para sermos felizes, comemos um monte de lixo alimentício, desperdiçamos mais tempo na frente do computador do que movimentando nosso corpo, nos punimos cada vez que algum objetivo irreal não é alcançado, afogamos nossas mágoas com bebidas, drogas e outras violências contra nós mesmos buscando a satisfação imediata, buscando o prazer irreal.
                Essa dinâmica de ação, esses valores é que direcionam a maneira como tratamos a natureza. Desmatamos, jogamos lixo na rua, não reciclamos, não economizamos água por que vivemos num imediatismo. Queremos o que queremos e queremos agora! Amanhã é outro dia, como diz o ditado, amanhã eu me preocupo com o amanhã. Mas a hora é agora! Enquanto não respeitarmos o nosso próprio corpo, estaremos desrespeitando o corpo de Gaia, pois somos uma extensão Dela. Precisamos fortalecer os laços que temos com nosso próprio corpo.
                A Tradição Feri tem uma prática que alinha os nossos Selves, chama-se oração Ha e é neste momento que alinhamos nossos 4 corpos sendo o físico um deles, o divino outro. Não existem graus de importância, existem sim finalidades diferentes. A idéia de corpo como instrumento é inexistente, corpo é alma, corpo é vida, corpo é sagrado e é um nível de espírito, uma forma de energia. É através de nosso corpo que desvelamos os segredos mais íntimos, é através deste corpo que viajamos aos lugares mais fantásticos, este corpo é a chave para a compreensão do cosmo. O microcosmo refletindo o macrocosmo e é essa lei que define que o que fazemos para o corpo, faremos para o universo. Escolha com sabedoria.  

domingo, 13 de novembro de 2011

domingo, 6 de novembro de 2011

A Justiça: Palavras.


                Este Arcano foi um dos que eu mais me bati para compreender e ainda não o consegui. Em psicologia dizemos que quando algo em um setting terapêutico não faz sentido para nós, se o negamos ou  o desviamos é pelo fato de nele estar o nó que precisamos desatar para prosseguirmos, mas não estamos prontos para isso. Esta experiência com o tarot tem sido muito terapêutica para mim e eu encaro A Justiça como um nó, o qual eu ainda não consegui desatar...
                A Justiça está intimamente ligada com o elemento ar, é libra. E nestas semanas eu tenho trabalhado muito com este elemento no meu treinamento Feri, nesta semana mais especificamente com as palavras, com a comunicação. Ligando uma coisa a outra percebi como as nossas palavras podem transformar o ambiente ao nosso redor e a nossa vida. Em alguns momentos as palavras assumem a espada dA Justiça e cortam, ferem, perfuram, frias, diretas, afiadas, em outros momentos acalmam, ponderam e confortam como as balanças de libra. Um pensamento que foi meu companheiro nestes dias e que me impulsionam a fazer diferente foi (e ainda é) “O que eu quero plantar com as minhas palavras” já que na tradição Feri que tenho seguido o Ar está relacionado com a varinha, com as arvores e com a leveza de ser. As plantas respiram o gás carbônico e o transformam em oxigênio, ou seja, nutrem a nossa vida. Como as nossas palavras tem nutrido o ambiente ao redor?  Como nós estamos absorvendo as coisas ao nosso redor e transformado isso em algo que faça a diferença? A prática mais simples e mais transformadora que alguém já me orientou a fazer: Pensar antes de falar. Poxa, como é difícil isso! Mas não é impossível, consegui com sucesso algumas vezes e tenho conseguido, aos poucos... Quem topa tentar?
                Alguns autores relacionam este Arcano com o equinócio de primavera. O momento de crescimento, mudança e o impulso a crescer, brotar, relacionado com o aumento gradual da luz solar sobre a terra. Esta carta revela um relacionamento, para existir equilíbrio, mais de uma coisa precisa existir e para o mesmo equilíbrio existir essas coisas precisam se relacionar.
                Nas cartas da Justiça sempre vejo uma figura empunhando uma espada e segurando uma balança. Como libra está ligado a Vênus, não consigo deixar de pensar que é o Amor que deve ser o norteador de nossas ações nas balanças de Maat nossos corações não devem pesar nem mais, nem menos que a pena, já que por fim “Amor é a lei, Amor sob vontade.”

sábado, 5 de novembro de 2011

Pirâmide do Poder: Calar/Silêncio (Tacere) - Construindo o seu corpo de terra.


A terra esta ligada diretamente com manifestação. Quando estamos realizando magia, estamos construindo poder, um poder que será direcionado a uma manifestação, uma concretização, um objetivo. O silêncio entra neste ponto e se torna essencial para o sucesso de seu trabalho, afinal de contas você não vai querer que a manifestação de seu desejo se de através de palavras. Ao falar investimos boa parte da energia que deveria ter sido focada em algo maior, no objetivo em si, além de que ao falar para alguém que não acredita ou para alguém que não tem o mesmo propósito que você é provavelmente despertar energias antagônicas ao seu objetivo. Você não quer correr o risco de ter suas crenças ridicularizadas, seus trabalhos menosprezados por pessoas que não entendem e cheias de preconceito e investir uma energia que poderia estar sendo direcionada para a concretização do seu objetivo, certo?

As palavras têm poder e começamos a construir o poder de nossas palavras com os trabalhos do corpo de fogo, agora durante o treinamento do corpo de terra vamos começar a medir e saber investir este poder onde é realmente necessário. Em outras palavras, você vai aprender e se condicionar a falar somente quando for necessário.

Trabalhar com a terra nos ensina a ter paciência, a esperar o momento certo de agir, a saber quando e como agir. A terra é o elemento fértil, é onde as sementes ficam dormentes esperando a oportunidade para brotar e assim devemos construir nosso corpo de terra. Condicionar nossa mente e nosso espírito a ser produtivo, a investir nossas energias em algo que gere um resultado e isso começa com a valorização de nosso conhecimento, de nossa energia e de nossa força. A terra nos ensina a manter certa distancia, a nos mantermos reservados em nossos trabalhos.

Janet e Stewart Farrar colocam em seu livro “The Witches Goddess” que durante os rituais e trabalhos mágicos, a energia e o simbolismo planta algo em nosso inconsciente que fica fermentando, esperando tempo certo para brotar. É como um trabalho de sigilação, onde jogamos para o inconsciente um código, um símbolo e deixamos que as coisas aconteçam, que as energias se movimentem e esquecemos dele, mantemos o silêncio sobre ele.

A construção do corpo de terra tem extrema influencia do nosso corpo físico, como o construímos, como nos alimentamos, não somente fisicamente, mas mentalmente e emocionalmente. Durante este mês estaremos construindo um corpo de terra mais forte e eficiente.

Primeira Semana: Você vai continuar, como nas etapas anteriores a fazer seus exercícios, a abençoar a água e a fazer as respirações matinais, bem como as suas práticas matinais. Esta semana será acrescentado o seguinte desafio: você vai falar o mínimo possível, somente o extremamente necessário e vai anotar em seu diário a maneira como isso tem te afetado. Você pode se sentir inquieto, nervoso ou mesmo triste. Tudo isso são pontos para a reflexão, já que muitas vezes usamos a nossa voz e a nossa fala como válvula de escape e com isso desperdiçamos muita energia, isso deve ser regularizado através de exercícios físicos e com as respirações. Cuidado para não criar cacoetes ou hábitos como roer unhas, cutículas e morder os lábios. A energia vai ser armazenada no seu corpo e você terá que dar um melhor direcionamento para ela. É um exercício que exige extremo auto-controle e muita atenção em si mesmo, já que vai precisar, no inicio, se policiar com freqüência para evitar falar o que não é necessário. Isso vai te fortalecer e te manter mais centrado, você vai perceber como consegue ver e ouvir melhor durante este processo.

Segunda semana: Você vai continuar com os exercícios da semana anterior e vai acrescentar mais um: A meditação do silêncio. Essa meditação é simples e muito gostosa de fazer. Você vai sentar, prestar atenção em sua respiração e deixar sua mente e seus pensamentos fluírem, sem se apegar a nenhum deles, como se fosse um espectador, assistindo um filme, não os desenvolva, deixe que eles venham e vão até que reste o silencio. Preste atenção no silencio, respire o silencio e quando novos pensamentos surgirem, deixe que venha, sem pressão. Você vai deixar que sua mente entre em intervalos de silencio e agitação por alguns minutos, sendo simplesmente um observador de ambos os estados, independente de quanto tempo cada estado durar. Durante esta semana você vai começar a se preocupar com sua alimentação. Acrescente mais água, mais saladas e mais frutas. Diminua o consumo de carne vermelha, bebidas alcoólicas e cigarros. Veja como seu corpo reage a esse novo estimulo.

Terceira semana: Durante essa semana vamos elaborar uma prática que você vai levar para o resto de sua vida mágica, assim como as outras semanas, este exercício é para ir além deste treinamento e vai desenvolver sua atenção, foco e consciência do agora. T. Thorn Coyle coloca este exercício como sendo essencial para desenvolver seu poder pessoal no hoje, ela chama de “Chaves de consciência” e é muito simples, mas mesmo assim exige foco e atenção. Você vai escolher um comportamento, uma ação ou uma palavra que acontece com freqüência no seu dia a dia. Pode ser a ação de abrir a porta, de tomar água, de ir ao banheiro, de lavar as mãos, de dizer “bom dia”, de escrever um e-mail, o que for. Toda vez que essa ação acontecer você vai respirar fundo e prestar atenção em tudo o que esta acontecendo com seu corpo neste momento. Preste atenção ao tato, ao paladar, as batidas de seu coração. Este conectado consigo mesmo, esteja atento ao seu corpo e as suas relações. Isso não deve levar mais do que um minuto. É tudo muito rápido. O objetivo maior deste exercício é te manter conectado consigo mesmo durante o dia. Caso esqueça de fazer essa prática, isso vai se tornar uma informação valiosa sobre como você não esta conectado com o momento de agora e nem com a sua necessidade. Com sua força de vontade você vai se lembrar de realizar essa prática e vai conectar-se com o seu corpo, por que é importante para você, por que vai te fazer bem, por que você não vai deixar que a loucura do dia a dia te faça esquecer de si mesmo, do seu corpo e do momento em que você esta vivendo, não vai te fazer esquecer do agora. Esta prática, conforme vai se tornando constante, te tira da inércia que entramos com a rotina, te tira de fazer as coisas no automático e te faz presente e consciente de todas as suas ações.

Quarta semana: Realize os exercícios anteriores, mas durante essa semana você vai relaxar, vai dormir e vai te dar um tempo de prazer. Visite um parque com muitas arvores, deixe que a energia da terra te preencha. Saia da sua rotina, pegue umas férias! Durma, durma muito! De preferência durante a noite, evite dormir durante o dia. Vá a um parque de diversões, saia com a família e divirta-se! Faça os exercícios básicos de exercícios, água, respiração e chave de consciência e no mais, aproveite! O esgotamento de bruxos é muito comum, exigimos muito de nós mesmos, praticamos muito, nos responsabilizamos por muitas coisas e isso vai desgastando o nosso corpo de terra. Esta semana é um reconhecimento do seus limites, é permitir-se descansar e viver sem rigidez em demasia.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Roda da Fortuna: Conto um conto e aumento um ponto.


"Como a vida é tecelã imprevisível, e ponto dado aqui vezenquando só vai ser arrematado lá na frente."

"Fátima, a fiandeira.

Numa cidade do mais longínqüo Ocidente vivia uma jovem chamada Fátima, filha de um próspero Fiandeiro. Um dia seu pai lhe disse:

— Filha, faremos uma viagem, pois tenho negócios a resolver nas ilhas do Mediterrâneo. Talvez você encontre por lá um jovem atraente, de boa posição, com quem possa e então se casar.

Iniciaram assim sua viagem, indo de ilha em ilha; o pai cuidando de seus negócios, Fátima sonhando com o homem que poderia vir a ser seu marido. Mas um dia, quando se dirigiam a Creta, armou-se uma tempestade e o barco naufragou. Fátima, semiconsciente, foi arrastada pelas ondas até uma praia perto de Alexandria. Seu pai estava morto, e ela ficou inteiramente desamparada.

Podia recordar-se apenas vagamente de sua vida até aquele momento, pois a experiência do naufrágio e o fato de ter ficado exposta às inclemências do mar a tinham deixado completamente exausta e aturdida.

Enquanto vagava pela praia, uma família de tecelões a encontrou. Embora fossem pobres, levaram-na para sua humilde casa e ensinaram-lhe seu ofício. Desse modo Fátima iniciou nova vida e, em um ou dois anos, voltou a ser feliz, reconciliada com sua sorte. Porém um dia, quando estava na praia, um bando de mercadores de escravos desembarcou e levou-a, junto com outros cativos.

Apesar dela se lamentar amargamente de seu destino, eles não demonstraram nenhuma compaixão: levaram-na para Istambul e venderam-na como escrava. Pela segunda vez o mundo da jovem ruira.

Mas quis a sorte que no mercado houvesse poucos compradores na ocasião. Um deles era um homem que procurava escravos para trabalhar em sua serraria, onde fabricava mastros para embarcações. Ao perceber o ar desolado e o abatimento de Fátima, decidiu comprá-la, pensando que poderia proporcionar-lhe uma vida um pouco melhor do que teria nas mãos de outro comprador.

Ele levou Fátima para casa com a intenção de fazer dela uma criada para sua esposa. Mas ao chegar em casa soube que tinha perdido todo o seu dinheiro quando um carregamento fora capturado por piratas. Não poderia enfrentar as despesas que lhe davam os empregados, e assim ele, Fátima e sua mulher arcaram sozinhos com a pesada tarefa de fabricar mastros.

Fátima, grata ao seu patrão por tê-la resgatado, trabalhou tanto e tão bem que ele lhe deu a liberdade, e ela passou a ser sua ajudante de confiança. Assim ela chegou a ser relativamente feliz em sua terceira profissão.

Um dia ele lhe disse:

— Fátima, quero que vá a Java, como minha representante, com um carregamento de mastros; procure vendê-los com lucro.

Ela então partiu. Mas quando o barco estava na altura da costa chinesa um tufão o fez naufragar. Mais uma vez Fátima se viu jogada como náufraga em uma praia de um pais desconhecido. De novo chorou amargamente, porque sentia que nada em sua vida acontecia como esperava. Sempre que tudo parecia andar bem alguma coisa acontecia e destruia suas esperanças.

— Por que será — perguntou pela terceira vez — que sempre que tento fazer alguma coisa não da certo? Por que devo passar por tantas desgraças?

Como não obteve respostas, levantou-se da areia e afastou-se da praia.

Acontece que na China ninguém tinha ouvido falar de Fátima ou de seus problemas. Mas existia a lenda de que um dia chegaria certa mulher estrangeira capaz de fazer uma tenda para o imperador. Como naquela época não existia ninguém na China que soubesse fazer tendas, todo mundo aguardava com ansiedade o cumprimento da profecia.

Para ter certeza de que a estrangeira ao chegar não passaria despercebida, uma vez por ano os sucessivos imperadores da China costumavam mandar seus mensageiros a todas as cidades e aldeias do país pedindo que toda mulher estrangeira fosse levada à corte. Exatamente numa dessas ocasiões, esgotada, Fátima chegou a uma cidade costeira da China. Os habitantes do lugar falaram com ela através de um intérprete e explicaram-lhe que devia ir à presença do imperador.

— Senhora — disse o imperador quando Fátima foi levada até ele — sabe fabricar uma tenda?

— Acho que sim, Majestade — respondeu a jovem.

Pediu cordas, mas não tinham. Lembrando-se dos seus tempos de fiandeira, Fátima colheu linho e fez as cordas. Depois pediu um tecido resistente, mas os chineses não o tinham do tipo que ela precisava. Então, utilizando sua experiência com os tecelões de Alexandria, fabricou um tecido forte, próprio para tendas. Percebeu que precisava de estacas para a tenda, mas não existiam no país. Lembrando-se do que lhe ensinara o fabricante de mastros em Istambul, Fátima fabricou umas estacas firmes. Quando estas estavam prontas ela puxou de novo pela memória, procurando lembrar-se de todas as tendas que tinha visto em suas viagens. E uma tenda foi construída.

Quando a maravilha foi mostrada ao imperador da China ele se prontificou a satisfazer qualquer desejo que Fátima expressasse. Ela escolheu morar na China, onde se casou com um belo príncipe e, rodeada por seus filhos, viveu muito feliz até o fim de seus dias.

Através dessas aventuras Fátima compreendeu que, o que em cada ocasião lhe tinha parecido ser uma experiência desagradável, acabou sendo parte essencial de sua felicidade.

A Fiandeira Fátima e a Tenda

Esta história é muito conhecida no folclore grego, onde em muitos de seus temas contemporâneos figuram dervixes e suas lendas. A versão aqui apresentada é atribuída ao Xeque Mohamed Jamaludin de Adrianópolis. Fundou a Ordem Jamalia ("A Formosa"), e faleceu em 1750.

Extraído de 'Histórias dos Dervixes'

Idries Shah

Nova Fronteira 1976

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

O Tarot e seus rituais.



Trabalhar com o tarot é sempre uma coisa muito intima, algo muito pessoal e de extrema confiança. É durante uma consulta que você tem acesso a informações muito importantes sobre a vida de uma pessoa e a vida de você mesmo, por isso eu percebo como necessário criar alguns rituais para separar momentos. A leitura de tarot é um momento de introspecção, de entrega e intimidade é tirar um tempo para pensar em você, no que você busca e quais são os seus conflitos.

Então, os meus rituais não são muitos, quando eu tiro para mim mesmo eu me rodeio de livros, sou uma pessoa muito intelectual então eu adoro pontos de vista, pego as minhas antigas anotações sobre os arcanos, letras de musica e tudo que possa me garantir uma leitura rica. Concentro e centro, faço uma oração ou para Gaia (quando eu busco conselhos, faço tiragem sobre situações obscuras, etc) ou para Apollo (quando eu busco esclarecimentos sobre uma situação, lançar uma luz no futuro e etc) ou para Ambos, quando eu quero verificar tudo isso junto ou quando eu quero somente honrar ambos em minhas tiradas. É uma forma devocional, já que ambos são Deuses proféticos. Quando eu estou tirando para outra pessoa eu inicio com uma prece a Hera, já que pra Ela que dedico os meus trabalhos sacerdotais e Ela também é uma Deusa profética.

Na parte prática eu não tenho muita enrolação, embaralho bem as cartas, só não me sinto a vontade quando eu “sem querer” vejo alguma carta do monte, então eu embaralho novamente. Quando uma carta “Pula” durante o momento de embaralhar, eu valorizo essa carta e coloco-a como um aviso. Então eu peço para a pessoa segurar um pouco o Deck enquanto me conta um pouco do que está acontecendo, o que busca com as cartas e juntos lapidamos a questão. Uma resposta clara e objetiva exige uma pergunta clara e objetiva. Para outras pessoas eu faço uma tirada geral, ou inicio a jogada com a Carta Natal da pessoa. É o quebra-gelo. Faço quantas tiradas forem preciso e ao final junto as cartas e sopro elas, para não ficar nenhuma energia estagnada no Deck, não ficar nenhum resquício da energia da pessoa ou da energia da jogada. Eu gosto de abraçar as pessoas que vem tirar o tarot comigo, acho que essa troca é valorosa, é rica e é uma forma de agradecer pela confiança e purificar todo o sentimento ao redor com amor.

Bom, não tenho anos de experiências, mas acredito que os rituais são importantes em determinados momentos, quando queremos gerar determinadas energias. Eu lembro de uma vez que fiz uma tirada num ritual de Apollo, a energia e os rituais envolvendo o tarot foram outras, foram para canalizar a Energia deste Deus e ser naquele momento o melhor instrumento e oráculo que eu conseguir ser.

Meu primeiro Post coletivo o/

Namastê.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O Eremita: Tesouros


A semana do Eremita passou e com ela muitas coisas aconteceram. Procedendo A Força, o momento de desbravar e enfrentar medos, angustias e inseguranças, vem o momento da calmaria. Sim, “Depois da tempestade vem a calmaria”, mas não do tipo que você pode relaxar e aproveitar o momento, e sim uma calmaria que vem para deixar vir a tona o que ainda precisa ser revisto e pensado. O Eremita é ligado ao signo de Virgem, um signo de terra, e uma das ligações que eu faço com essa carta é a idéia de tempo, o tempo para deixar vir a tona. Uma discussão interessante sobre os símbolos dO Eremita aconteceu no Blog da Pietra, sobre ampulhetas e lanternas.

O momento dO Eremita para mim foi intenso, de uma forma diferente, como se algo em mim mesmo estivesse me sugando, para dentro, em espiral, foi um tempo de cavar por meus próprios tesouros e desbravar a caverna que é a minha própria companhia. Foi engraçado, ficar tão silencioso e ter uma tendência a não se relacionar a ponto de pensar “Gente, como essa pessoa fala!”, pareceu que todo mundo resolveu vir me contar coisas das quais eu não dava a mínima. Na verdade eu estava ocupado demais falando comigo mesmo.


Um dos simbolismos mais lindos deste Arcano é a lanterna. Barbara Moore no Shadowscapes Tarot escreve que “a lanterna é feita de uma estrela e ela sabe o caminho de casa” fazendo uma alusão a centelha divina dentro de nós, um conselho de que para acharmos o que procuramos devemos nos voltar para dentro, para nosso intimo e deixar brotar a resposta.

No Tarot de Thot a personagem olha para uma serpente envolvendo o universo. Uau, que símbolo mais rico esse, não? Eu me permitir observar este desenho por alguns momentos, deixei os sentimentos fluírem e virem a tona, é lindo ver que essa carta se encontra diante de um portal de vida e morte, é reinventar-se, renascer depois de ter enfrentado o leão.

A idéia de procurar respostas está implícita em muitas representações deste Arcano, o que me leva a refletir que para encontrar as respostas, devem vir os questionamentos. E que questionamentos essa energia traz! Questionamento com “Q” maiúsculo. O Eremita portanto é o símbolo das equivalências, busca o que já tem, a medida que se afasta vai se aproximando e acaba se vendo a meio caminho de lugar nenhum, e sim, acho que O Eremita é aquele tremor que nos mostra os jogos que fazemos para esconder as angustias de saber que estamos indo rápido de mais a lugar algum.


terça-feira, 18 de outubro de 2011

Repensando a Roda do Ano: Beltane


Já começamos a sentir o calor do verão se aproximando, os dias se fazendo mais longos que as noites parecem que tornam tudo muito mais produtivo e agradável. Essa energia solar que envolve esta parte do ano impulsiona a ação, a se movimentar. Conforme a temperatura aumenta vamos usando menos roupas, os corpos começam a se mostrar, despertam os olhares, o desejo, aquela malícia do flerte, um ensaio para o verão.


Beltane é o casamento sagrado entre Deus e Deusa, é o momento de suas núpcias, é o encontro fértil da cria-ação. É junto com Samhain o festival mais importante da roda do ano Celta pois demarca a meia volta da roda. É neste momento que os véus entre mundos ficam mais tênues e se em Samhain celebramos os antepassados e ancestrais, em Beltane fazemos um convite ao povo das fadas para se aproximar e dançar com os mortais. Beltane é o cio da natureza, onde tudo fica mais convidativo, onde tudo fica mais intenso, os cheiros, as cores e os sabores. Não poderia ser diferente quando a lua cheia esta em escorpião.


Escorpião é um signo intenso, sexual e profundo, cheio de mistérios, é neste momento que devemos nos aprofundar nos sagrados mistérios da sexualidade, a vida que vem brotando da morte (em Samhain) é provar dos prazeres que a terra oferece, e quando digo terra me refiro ao sentido abstrato, o sentido carnal, nossos corpos, os prazeres que ele pode nos proporcionar e os ensinamentos valiosos que isso pode nos acrescentar. Escorpião é um signo de água, remete a lubrificação vaginal, ao sêmen, ao suor, a saliva, em Beltane isso se torna muito mais sagrado, nos foca no corpo.

Em uma religião que venera o sagrado em cada coisa, o corpo deve ser usado como instrumento de aprendizado, deve ser valorizado e respeitado acima de tudo. Em bruxaria muitas vezes o negligenciamos, algo tão contraditório já que o nosso corpo é a chave de acesso aos mistérios da terra e dos planos espirituais. O sexo é sagrado, o encontro entre corpos é mágico e o prazer deve ser venerado como energia mágica, o orgasmo é divino é o Big-Bang é a explosão de sentidos que cria, transforma e renova.

Existe em nosso ser uma capacidade ainda pouco explorada, pouco valorizada, nosso corpo é um instrumento valioso de engrandecimento espiritual e é veículo de experiências e registros. Em Beltane vamos nos aprofundar nos mistérios da carne, nas espirais do nosso DNA que refletem as galáxias, em nossos centros de força, os planetas, as cores do arco-iris, em nossas camadas, como diz a antiga canção “Terra meu corpo, água meu sangue, ar meu alento e fogo meu espírito!”. A medida que vamos nos permitindo viver nosso corpo como sagrado vamos criando maneiras de respeitar a própria terra.

Tratamos o meio ambiente e a sociedade ao nosso redor da mesma maneira que tratamos o nosso corpo, nos entupimos de gordura trans, de frituras, açucares e excessos pelo simples prazer de fazê-lo, compramos, consumimos, bebemos, envenenamos nosso ar, nossa água, nossas vidas pela simples afirmação: “Eu posso, eu consigo” e esquecemos de que cada ato feito ao nosso corpo é um ato feito a terra e vice-versa. O sentimento é o mesmo, a lógica é a mesma, buscamos o prazer imediato, o prazer fútil que vêm sem um objetivo sagrado de encontro e transcendência, mas um prazer movido pelo vazio, pelo desespero, pelo stress de nossa correria, de uma busca por satisfação e reconhecimento, um reforço positivo, um carinho. Entupimos-nos de chocolate pois esse é o maior prazer que podemos ter entre um intervalo e outro. Bebemos até cair pois ou somos travados demais para nos divertirmos, ou temos problemas demais para pensarmos em outra coisa. Prejudicamos nosso corpo na busca de algo passageiro, superficial e vicioso, fazemos a mesma coisa com a terra.

Beltane é sobre a sexualidade sagrada, é sobre ser homem e sobre ser mulher, sobre exercer seu papel divino na terra e alcançar o êxtase, o prazer profundo de estar conectado consigo mesmo. Por isso, durante este momento vamos nos dedicar a fazer as coisas que realmente nos dão prazer e a encontrar prazer nas nossas tarefas diárias. Em seu trabalho, encontre pontos que o tornem sagrados. Em sua casa, valorize sua família, abrace, beije e divirtam-se juntos. Agradeça pelos seus pais, agradeça pela sua casa, pelo abrigo e alimento, agradeça pela benção que são seus irmãos. Em Beltane dance, cante, envolva-se e se entregue aos prazeres de seu próprio corpo, toque-se, sinta-se, relaxe e goze, incorpore a Deusa neste momento, incorpore o Deus, entregue essa energia orgástica para a terra, conecte-se.

Abrace uma árvore, cuide dos seus animais, ame-os. Mas antes de amar qualquer outra coisa, ame a si mesmo. Respeite-se, reconheça seus limites, reconheça teus verdadeiros desejos e “Seja a mudança que quer ver no mundo” como diria Ghandi.

Namaste!